quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Homilia da Apresentação do Senhor


Esta festa nos convida a vivermos três atitudes: encontrar o Senhor, sofrer com o Senhor e acolher a luz.
Encontrar o Senhor. O encontro de Jesus com Simeão e Ana no Templo de Jerusalém significa o encontro do seu Senhor com a Igreja e com a humanidade. Diz-nos o profeta Malaquias: “Eis que Eu vou enviar o meu mensageiro, a fim de que ele prepare o caminho à minha frente. E imediatamente entrará no seu santuário o Senhor, que vós procurais”. Hoje temos muitos lugares de encontro com o Senhor, mas não podemos deixar de encontrá-lo nos espaços do cotidiano e na pessoa do irmão. Valorizamos o encontro privilegiado na Igreja – sacramento de salvação. A comunidade reunida, os sacramentos são mediações para o Senhor manifeste a sua presença. Triste seria não encontrá-lo na Igreja-comunidade que se reúne no templo. Ora se dá muita importância aos pecados da Igreja e da comunidade, à liturgia mal preparada, ao grupo desafinado, à falta de acolhida. São defeitos, mas o encontro com o Senhor está acima de tudo isso, pois se trata de uma graça. Hoje devemos abrir os braços e acolher o Senhor em nossa vida, em nosso coração, seguindo o gesto de Simeão e Ana.

Sofrer com o Senhor. Acolher o Senhor implica em entrar na dinâmica da cruz. A Apresentação do Senhor é já o começo do mistério da dor redentora de Jesus, que atingirá o seu ponto culminante com sua morte. Por isso, Simeão diz que ele será “causa de contradição”; para Maria, sobrou a profecia de uma “espada que transpassa a alma”. Hoje se propaga uma experiência religiosa como remédio contra o sofrimento, como negação da dor e dos limites da vida. Seguindo este caminho, logo vem a crise quando se participa de uma comunidade religiosa, quando práticas religiosas são realizadas e, nem por isso, os problemas da vida somem num “passe de mágica”. O papa Francisco nos exorta: “O Senhor que viveu humildemente nos ensina que nem tudo é mágica em nossa vida e que o triunfalismo não é cristão. A justa atitude do cristão é perseverar no caminho do Senhor, até o fim, todos os dias. Eu não digo recomeçar de novo todos os dias: não, perseguir o caminho, um caminho com dificuldades, mas com tantas alegrias. O caminho do Senhor”.

Acolher a luz. Diz-nos Simeão sobre o menino: “luz para iluminar as nações”. A luz de Cristo inunda tudo. Mas certamente, na nossa vida, muitas são as escuridões que necessitam de um brilho dissipador: o medo, a incerteza, a depressão, o ressentimento, o desamor, o desalento... Todas estas trevas são dissipadas, quando se acolhe o Cristo luz nos braços, com fé e esperança. Também nós que hoje acendemos nossas velas, devemos sair iluminando a luz do Cristo. Esta luz deve ser o testemunho de nossa fé e alegria de discípulos. O mundo precisa deste brilho. Oferecer este brilho de cores é um grande presente a este mundo imerso nas trevas.

Pe Roberto Nentwig

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

GUINÉ BISSAU - CNBB DÁ CONTINUIDADE A PROJETO DE FORMAÇÂO


Nossa Comissão de Animação Bíblico-Catequética tem colaborado com essa missão porque tem tudo a ver com a catequese sempre mais evangelizadora (missionária) que estamos propondo. Vejamos o relato de Pe. Guido que nos representou neste mês de janeiro:
Os bispos dos países de língua portuguesa, há diversos anos, tem encontros periódicos para troca de idéias e experiências pastorais. Num destes encontros foi levantada a pergunta sobre o que se poderia fazer de concreto pelas dioceses de Bissau e Bafatá na Guiné Bissau. Estas haviam criado um seminário inter-diocesano para cursos de filosofia e teologia em vista da formação de clero autóctone. Na oportunidade A CNBB se comprometeu com um programa de ajuda com professores na área de filosofia e teologia.
No decorrer desse s últimos anos já atuaram neste projeto em torno de dez professores(as) do Brasil. No mês de janeiro/2013, quem veio pelo projeto para lecionar na área de Bíblia foi Padre Décio Walker, colega de diocese mas atualmente a serviço da CNBB como assessor da Comissão de Animação Bíblico-Catequética.
Aqui na Guiné, além das aulas, a gente atua também nas mais diversas paróquias a serviço da formação principalmente da pastoral do dízimo e liturgia, nos finais de semana. É admirável a atenção dos participantes, assim também como nas salas de aula. Sente-se grande diferença entre a atuação pastoral nas paróquias daqui em relação às atividades pastorais no Brasil. Aqui o povo não tem pressa para nada, já se reúnem para as celebrações muito antes e permanecem depois para conversas e estar juntos. As celebrações são muito animadas e quanto mais longas melhor.
Fazer parte de uma missão como esta é uma experiência expressiva e definitiva em ordem a toda uma visão de Igreja e respectivas atividades pastorais que para mim permanecem pela frente na diocese de Santo Ângelo/RS na qual me cabe exercer o ministério presbiteral.
Sem mais!
Pe. Guido Boufleur

"Meus olhos já viram..."


Apresentação de Jesus no tempo - Rupnik
 
“…porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos” (Lc 2,30)
 
 
O texto de Lucas se transforma na história de uma espera e de um encontro surpreendente. 
             “O ar está cheio de nossos gritos” (Beckett).
 
Esse suspiro de expectativa e de esperança não fica sem resposta. Toda a narrativa lucana é invadida por uma atmosfera festiva, litúrgica, musical: o menino Jesus é ofertado a Deus no Templo. Simeão é um homem justo e temente a Deus, que espera a consolação de Israel, que não teme e morte, porque sabe que ela será precedida pela grande surpresa, o encontro com o Messias do Senhor. O Espírito age em todos os justos, movendo-os e consolando-os; Simeão bendiz a Deus cantando um hino de paz, de luz e de alegria; o pai e a mãe do menino são tomados de espanto, e testemunham um mistério glorioso e tremendo; há também Ana que diante da criança explode em louvores a Deus.
 
A vinda do Cristo é, portanto, o grande evento que agita os corações: aterrorizou Herodes e, com ele, toda Jerusalém, mas fez exultar o coração dos justos. Simeão, como Ana, pertencem ao povo dos “Anawim”, os “pobres de Javé”, pois é descrito como “justo e piedoso”. Sua característica fundamental é a fé profunda, a confiança total em Deus. Simeão toma o menino Jesus entre os braços. A arte dos ícones vai representá-lo como o Theodochos, “aquele que acolhe Deus”. Homem “pobre”, homem da espera, homem do Espírito: por essas qualidades Simeão é também profeta, no sentido bíblico de conhecedor do mistério de Deus e revelador da sua Palavra.
 
Simeão é um homem bom do povo que guarda em seu coração a esperança de um dia ver “o consolo” de que tanto precisam. Ele é também o homem da espera, um pouco como todos os personagens do Evan-gelho da infância. Ele recolhe em si a longa expectativa da esperança messiânica. Ele não é prisioneiro da “cotidianidade”: mantém o olhar fixo no horizonte, para a consolação, para a revelação da glória. Se o presente é sem sol, ele está seguro da aurora. Deus quebrará seu silêncio, a noite escura será iluminada, a primavera substituirá o inverno. Ainda que “avançado em anos”, nele ainda não se apagou a chama da esperança e da juventude  de espírito. 
 
Simeão guarda em si o fogo do Espírito Santo, que o mantém sempre vivo, forte, aberto ao futuro. Ele não olha para o passado; vê longe e sonha grande, sonha com a  salvação de todas as nações. Seu olhar é limpo, diáfano, que desarma, que não esconde engano ou segundas intenções; olhar admirado e gratuito que transforma, que liberta e que se comove diante da realidade, especialmente a realidade humana de uma criança. 
 
O olhar de Simeão nasce da camada mais profunda e secreta do seu ser, onde a vida se torna vida que sente, vida que acolhe toda a realidade e traduz as ressonâncias em estados de espírito. Esse é o seu modo habitual de olhar que é, ao mesmo tempo, o seu modo habitual de sentir; um olhar afetuoso, que não intimida e não se sente intimidado, um olhar desarmado, acolhedor, estimulante...
 
Em um gesto atrevido e paternal, “toma o menino em seus braços” com grande amor e carinho. No entanto, este menino que tem em seus braços será uma “bandeira discutida”: sua presença será rejeitada e ocasião de conflitos e enfrentamentos; ele desvelará o que há no mais profundo das pessoas.  Uns o acolherão e sua vida adquirirá uma dignidade nova: sua existência se encherá de luz e de esperança. Outros o rejeitarão e sua vida terminará na ruína.  A acolhida deste menino pede uma mudança profunda. Jesus não vem trazer tranquilidade, mas gerar um processo doloroso e conflitivo de conversão radical. Quanto mais nos aproximamos de Jesus, melhor veremos nossas incoerências e desvios, o que há de verdade ou de mentira em nossas vidas, o que há de fechamento e resistência em nossos corações e em nossas instituições.
 
Podemos pensar também no simbolismo do sentinela: como o guarda noturno espera ansioso que chegue outro para substituí-lo, assim Simeão espreita a aurora, porque sua vigília está terminando, e então poderá descansar no Senhor, adentrando em seu Reino. O cântico de Simeão, porém, não é uma despedida melancólica, porque sua missão foi cumprida. É, antes, uma saudação festiva à Palavra de Deus que agora se realiza, é uma oração de serena e alegre entrega, de suave abandono, de confiança, pronunciado por um homem que pressente o fim, mas um fim cheio de luz e, portanto, não assustador. Seus sentimentos são os mesmos da bem-aventurança de Lucas: “Felizes os olhos que vêem o que vós vedes” (10,23) Um canto de fé e de esperança segura, não um sonho melancólico. Esse é o sentido da existência cristã.
 
O perfil de Ana é também todo luminoso e alegre. Como Miriam, irmã de Moisés, como Débora, como a mulher de Isaías, ela também é profetisa, está atenta aos sinais da história, e a este sinal decisivo que é Cristo. Porque está aberta ao Espírito, não permanece espectadora e passiva. Ana é o retrato da velhice feliz, abençoada por Deus, no estilo das narrações patriarcais, segundo as quais a velhice veneranda é sinal de justiça e de recompensa divina. Ana, portanto, é modelo de velhice alegre e pacífica, uma velhice ativa e cheia de esperanças. Seus 84 anos não são um tempo que fugiu, que escapou das mãos como a areia, deixando-as vazias. Para ela não existem apenas recordações. Lucas a descreve como a mulher de oração, uma “pobre do Senhor”. O Salmo do ancião canta (Sl. 92,12-16):
O justo floresce como a palmeira, cresce como o cedro do Líbano. Quem está arraigado na casa do Senhor, floresce nos átrios de nosso Deus; ainda dará fruto na velhice, con-servando toda a exuberância e frescor, para proclamar que o  Senhor é justo...”
 
Pertencemos a uma geração devorada pelo imediatismo e pela rapidez, com enorme dificuldade para acolher processos de longa duração: navegamos na Internet, viajamos em carros supervelozes, cozinhamos em micro-ondas, consumimos “fast-foods”...
O problema é quando aplicamos estes mesmos ritmos às relações humanas; no entanto, nem uma amizade, nem uma família, nem uma comunidade se forjam com essa medida ultrarrápida do tempo, senão que necessitam de processos lentos de crescimento, difíceis de serem aceitos.
Ana, a profetisa, nos oferece a sabedoria do saber esperar; o Evangelho de hoje nos apresenta esta anciã, durante toda sua vida, esperando a chegada do Messias e celebrando o fato de ter podido encontrá-lo em seus últimos dias de vida. A imagem que dela nos dá Lucas é que foi recompensada por ter passado a vida inteira à espera e que agora sua alegria se transborda em louvor e agradecimento.
 
Texto bíblico:  Lc 2,22-40
 
Na oração:  S. Inácio, nos Exercícios Espirituais, recomenda que o exercitante eleve o pensamento para o alto, considerando como Deus nosso Senhor o olha. Talvez seja este o momento de maior recolhimento e elevação da oração, quando ele se torna diálogo silencioso de olhares, como acontece entre duas pessoas que se amam.
 
Deveríamos nos situar diante de Deus desse modo com mais freqüência, deixando os olhos, os d’Ele e os nossos, se falarem silenciosamente. Em momentos de aridez do coração e de resistência interior, o olhar é tudo o que resta para rezar.
 
 
Pe. Adroaldo Palaoro sj
Coordenador do Centro de Espiritualidade Inaciana - CEI

Fonte: Catequese Hoje - Regional Leste II

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Regional Nordeste 3 - EBC: Eis a ciranda do segundo módulo da quarta turma!



Como se fora brincadeira de roda, memória
Jogo do trabalho na dança das mãos, macias
O suor dos corpos na canção da vida, história
O suor da vida no calor de irmãos, magia...

Eis que surgem catequistas das diversas (arqui)dioceses desse nosso Regional Nordeste 3 para compor mais uma vez uma ciranda que iniciou no dia 19 e terminou dia 25 de fevereiro. A sede é a mesma: continuar a formação proporcionada pela Escola Bíblico-Catequética, agora com a quarta turma no segundo módulo. Seguimos juntos nessa grande roda  repleta de HISTÓRIA,  com uma BELEZA incomum,  uma MAGIA que encanta porque vem do Criador, uma MACIA e delicada arte de partilhar e  cheios de MEMÓRIA daquilo que aprendemos no primeiro módulo. Partimos rumo ao desvelar do MISTÉRIO que é anunciar e vivenciar e o Cristo em nosso meio.

É ímpar a oportunidade dialógica de aprender. E neste módulo a nossa ciranda de aprendizagem foi composta por outros integrantes. Alguns alunos novos nos ajudaram a compor a melodia e os nossos assessores nos ajudaram a construir outras estrofes no nosso saber. Pe. Marcos Alcântara (Ilhéus/Ba), ampliou ainda mais o nosso repertório, convidando-nos a conhecer mais a Palavra de Deus: Livros Históricos, Proféticos e Sapienciais. Quantas descobertas surgiram e ao mesmo tempo em que éramos saciados, uma nova sede se apresentava diante da necessidade de conhecer mais para melhor servir.
                                                                                                        
É preciso também conhecer a nossa história, a história da catequese, que hoje é composta por nós, mas começou há muito tempo com o Catecumenato. É preciso conhecer o ontem para compreender o hoje e traçar o amanhã. Assim a nossa história foi apresentada por Thiago Gordiano (catequista de Conceição do Coité/Ba) e o Seminarista Carlos Henrique (Aracaju/Se).  Foi um momento de esclarecimentos, de descobertas e saberes de uma história cujos responsáveis pela construção somos nós, hoje!

A Iniciação à Vida Cristã foi o tema trazido por Pe. Anderlan Fernandes (Aracaju/Se). Em seu itinerário, o sacerdote falou da importância do tema e de como trabalhar uma catequese vivencial. Os ritos foram fazendo parte da disciplina que foi para a turma uma verdadeira celebração. Aos poucos, a aproximação com o RICA (Ritual de Iniciação de Vida Cristã de Adultos) fez com que todos percebessem o quão rica é a nossa Igreja e o quão importante é fazer o resgate do Catecumenato, resignificando-o. Este momento foi também uma oportunidade de esclarecermos como os sacramentos foram se organizando ao longo da história e como devemos percebê-los atualmente.

E a ciranda continuava viva, nossa cantiga ecoou e trouxe mais alguém para a roda. O Nordeste ficou pequeno, chegamos até Goiás. De lá, a catequista Fabíola abrilhantou nossa escola revelando seu jeito de contar e encantar histórias. Arte e catequese formam uma combinação verdadeiramente encantadora. Também de Goiás, acolhemos o Pe. Leandro Francisco Pagnussat, que veio revelar-nos  o que é uma Catequese Evangelizadora. Sua rica experiência mostra como é possível mudar de rota e fortalecer a catequese em estilo catecumenal.

Sete dias de intenso aprendizado que foi preparado com muito carinho e competência por uma coordenação e por assessores verdadeiramente comprometidos com a evangelização. Uma ciranda viva, colorida, cheia saberes, de sabores e de significados, cheia de desejos e sonhos.  Depois deste segundo módulo percebeu-se o quanto é possível expandir, crescer, diversificar, experenciar.

O caminho nem sempre é o mesmo e nem sempre nos leva aos mesmos lugares, uma mudança de rota muitas vezes se faz necessária. Tem sido assim. Queremos uma catequese viva, existencial, precisamos retomar as bases, resignificar os rumos. Fim de cantiga, é hora de calçarmos as sandálias,  pois a ciranda – por hora  - se desfaz. Voltemos às nossas comunidades nesse chão diversificado do Regional Nordeste 3. E que estes saberes sejam partilhados!

Vai o bicho homem fruto da semente, memória
Renascer da própria força, própria luz e fé, memória
Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós, história
Somos a semente, ato, mente e voz, magia...
Redescobrir – Gonzaguinha

Clécia Ribeiro

Catequista e aluna da EBC

sábado, 25 de janeiro de 2014

Lançamento! Palavra de Deus, fonte de catequese



A Comissão Episcopal para a Animação Bíblico Catequética da CNBB tem a grande alegria de lançar: A PALAVRA DE DEUS FONTE DA CATEQUESE. Trata-se do Nº 6 da Coleção "À Luz do Diretório Nacional da Catequese" . Este livro é fruto do esforço que a Comissão faz em proporcionar subsídios para o aprofundamento na formação de nossas lideranças, especialmente catequistas.

Convidamos a todos(as) a saborear o conteúdo simples e ao mesmo tempo profundo deste livro.

Adquira já o seu clicando Aqui!

Pe. Décio José Walker
Assessor Nacional da Comissão Episcopal para a Animação
Bíblico Catequética

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Homilia do 3º. Domingo do Tempo Comum – Ano A


Sabendo da morte de João Batista, Jesus foge. Sim, Ele tem consciência de que sua proximidade com o Batista é um risco contra a sua vida. A vida pública do Messias é iniciada por uma saída estratégica. E lá vai Jesus, um subversivo refugiado, anunciar uma sociedade alternativa que se opõe ao poder de Herodes.

Assim, cumprindo as profecias do Antigo Testamento, Deus vem para a Galileia dos pagãos. Jesus não começa por Jerusalém; também não é saduceu ou escriba, não pertence à casta sacerdotal. Jesus é um homem do povo e vem de um território desprezado, de um local sem relevância. Aqui vemos a gratuidade de Deus, evidenciada na predileção de Jesus pelos pequenos, pobres e pecadores, pela sua quebra de paradigmas, por suas atitudes desconcertantes. Ainda hoje, Deus vem onde menos esperamos. Esperamos encontrar Deus somente nas Igrejas, nas catedrais, e corremos o risco de não perceber que Ele vem em cada ser humano, sobretudo naquele que é mais insignificante para o mundo.

Qual o anúncio do Messias? “Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo”. O Reino dos céus (reino de Deus para os outros evangelistas sinóticos) é o núcleo central da pregação de Jesus. De fato, Ele veio para nos dizer e mostrar que o Reino se aproxima, que um dia virá de modo definitivo e que está ao nosso alcance. Hoje, devemos reconhecer que o Reino está bem perto de cada um de nós, quando somos testemunhas dos gestos de amor e humildade; quando a prepotência herodiana é vencida pelos gestos de humildade e fraqueza, então há Reino.

“Convertei-vos!” Converter-se é uma tarefa para toda vida, não uma ação pontual. Um bom trabalho a ser feito, já nos diz Papa Francisco. Muitas estratégias não se demonstram muito eficazes para que esta tarefa seja executada. É comum enumerar os pecados de uma lista, culpabilizar-se em demasia, reprimir desejos, almejar um passo imediato para a perfeição. Rapidamente, quem segue este caminho vai cair na frustração, voltando-se aos mesmos erros. Outro caminho seria elencar propósitos. Estes também acabam sendo penosos e não são facilmente alcançados. O cristianismo não é um ascetismo, portanto, a conversão não depende em primeiro lugar de nossas forças, mas da ação gratuita de Deus.

A conversão não virá à custa de promessas a Deus, por atos piedosos, de assiduidade às celebrações, de rezas mais frequentes, de novenários. Isso pode ajudar, mas será em vão se não acolhermos que Deus nos ama. Compreender que Deus não se afasta de nós nunca, mesmo em nossas dificuldades, mesmo diante de nossos limites. Não precisamos ser “perfeitinhos” para que o Senhor esteja ao nosso lado. É preciso encarar a nossa realidade com franqueza e nos reconciliarmos com nossa raiva, com nossa afetividade, com nosso egoísmo... Se não nos aceitarmos como somos, colocando a nossa verdade diante de Deus, seremos escravos da ditatura da perfeição.

Converter-se implica em assumir o Reino como centro, e no centro do Reino está o amor. Para que haja conversão verdadeira, é preciso que os afetos pelo Senhor estejam alimentados. Por isso, Jesus, fitou com um olhar firme e terno cada um dos seus apóstolos. Do carinho do Mestre nasceu a resposta de seus discípulos. Hoje igualmente, nossa resposta ao Senhor deve ser calcada no amor, uma entrega do coração. O seguimento é afetivo, não é racional ou depende do puro esforço.

“O povo que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu” (Is 8, 23b). O texto de Isaías enunciado por Jesus é o cumprimento de uma promessa, ou seja, a luz para o povo dominado pelos assírios. A grande luz é o Cristo: luz para todos os povos. Todos os dias, de algum modo, Deus nos visita e nos traz uma grande luz ou nos dá oportunidade para que tiremos alguém das sombras das trevas. Sua luz dá cor, brilho e sentido a nossa existência. Brilhe a luz do Senhor sobre todos nós. Afetados por seu brilho de amor, esvaziados de esquemas preestabelecidos, seguiremos na alegria de sermos discípulos de Jesus.

Pe Roberto Nentwig

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O chamado


Infelizmente, ou até felizmente, vivemos numa situação humana marcada por grandes diferenças. Em determinados casos podemos chamar de profundos abismos, seja na área social, política, econômica, psicológica, religiosa etc. Isto está muito claro entre o Criador, totalmente perfeito, e a criatura, condicionada às inumeráveis imperfeições.
Dentro das condições naturais da vida, todas as pessoas são chamadas à perfeição ou, pelo menos, a fazer esforço para viver nestas condições. Portanto, a correspondência a isto depende de cada um. Só assim é possível haver ordem social, convivência harmoniosa e diminuição dos extremos, porque eles são excludentes e, às vezes, desumanos. 

Todo chamado supõe alguma resposta, que deve ser assumida com muita responsabilidade. A proposta de Deus, contida na Sagrada Escritura, é apresentada nestas condições, e traz consequências para a vida social. Agindo assim, estamos contribuindo com o bem das pessoas e participando da construção do que motiva o bem viver, a harmonia na comunidade.

Quem faz o bem pode ser chamado de “ungido do Senhor”, de quem entendeu o sentido da vida, e exercita suas qualidades para construir um mundo e uma sociedade como ambiente saudável. Todos nós podemos contribuir para vivenciar essa utopia, quebrando os muros existenciais que aumentam e fortalecem as distâncias.

Um chamado, na visão cristã, identifica-se com a palavra vocação, ou missão de construir alguma coisa. A vida não pode ser infecunda, como uma parasita, que não contribui com nada. Sendo criatura, cada pessoa participa do projeto criador, de construir, de dar perfeição e condições de vida para toda a obra criada, principalmente, o ser humano.

Falar de chamado, como vocação, significa perfeição, mas também santidade, isto é, de uma vida ofertada para o bem da comunidade e para o seguimento de Jesus Cristo. Supõe engajamento comunitário para transforma a sociedade em ambiente de amor e fraternidade. Corremos o grande perigo da fuga e do distanciamento da realidade, da rebeldia contra a vontade do Criador, deixando lugar para o envolvimento do reino do mal, da injustiça e da falta de paz.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

Regional Centro-Oeste: Terá início em fevereiro a Escola Arquidiocesana de Catequese de Brasília


ARQUIDIOCESE DE BRASÍLIA 
COMISSÃO ARQUIDIOCESANA DE CATEQUESE
ESCOLA ARQUIDIOCESANA DE CATEQUESE

INFORMAÇÕES PARA 2014

Anunciar o Evangelho a toda criatura: Eis a missão do discípulo, eis a missão da Catequese. Ela é um dever da Igreja por causa do mandato de Cristo aos apóstolos: ‘Ide, pois, e ensinai a todas as nações...’ (Mt 28,19). Para essa tarefa devem ser formados catequistas dotados de uma profunda fé, de uma clara identidade cristã e eclesial e de uma profunda sensibilidade social; catequistas que sejam, ao mesmo tempo, mestres, educadores e testemunhas (DNC 255d).

A Escola Arquidiocesana de Catequese (EAC) busca formar o catequista mediante o aprofundamento sistemático da fé cristã, proporcionando o aprendizado de recursos pedagógicos e didáticos adequados aos encontros de catequese nas paróquias e comunidades.

O Curso de Formação de Catequistas (CFC) da EAC divide-se em:

Nível I – Básico: 5 disciplinas (120 h/a): Desenvolvimento Humano e Social, Espiritualidade I, Sagradas Escrituras I, Pedagogia Catequética I e Liturgia.

Nível II – Intermediário: 5 disciplinas (80 h/a): Antropologia, Espiritualidade II, Sagradas Escrituras II, Pedagogia Catequética II, Ecumenismo e diálogo inter-religioso

Nível III – Avançado: 3 disciplinas (80 h/a): Ministério da Catequese, História da Catequese e Documentos da Igreja sobre Catequese.

O Curso de Formação de Catequistas funciona nas três Unidades da EAC:

VICARIATO CENTRO (Cúria Metropolitana de Brasília – Esplanada dos Ministérios, ao lado da Catedral)

-   Nível I - Básico
Terça-feira – Das 14h30 às 18h30
Terça e quinta-feira – Das 19h30 às 21h30  (início: 18Fev14)

-   Nível II - Intermediário
Quarta-feira – Das 16h às 18h30
Quarta-feira – Das 19h30 às 22h (início: 19Fev14)

-   Nível III - Avançado
Segunda-feira – Das 19h30 às 22h (início: 24Fev14)
Coordenador: 
Sidney – 99666070 (Vivo) e 81357825 (Tim)  sidneydorecife@hotmail.com

VICARIATO NORTE (Paróquia Imaculada Conceição – Q. 13 - AE 01 – Conjunto A – Sobradinho)

-   Nível I - Básico
Terça e quinta-feira – Das 20h às 22h (início: 18Fev14)

-   Nível II - Intermediário
Sábado – Das 14h às 18h (início: 22Fev14)

Coordenadoras: 

Regina – 81752170 (Tim) rmbbdias@gmail.com
Rosilene – 35919749 e 99645117 (Claro) rose.sil@ig.com.br

VICARIATO SUL/LESTE (ao lado da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, Setor D Sul – AE 3 – Bloco B – Taguatinga Sul)

-   Nível I - Básico
Terça e quinta-feira – Das 19h30 às 21h30 (início: 18Fev14)
Sábado – Das 08h às 12h (início: 22Fev14)


-   Nível II - Intermediário
Sábado – Das 08h às 12h (início: 22Mar14)
Terça e quinta-feira – Das 19h30 às 21h30 (início: 18Mar14)

-   Nível III - Avançado
        
         Quarta-feira – Das 19h30 às 22h (início: 19Fev14)

Coordenadores:
Cássia – 33840998 e 81537571 (Tim)  cassiaseixas@gmail.com

Laudecy – 34597190, 92141273 (Claro) e 84899448 (Oi) laudecy.arpony@gmail.com 

Aldo – 35560540, 95695164 (Claro), 81689279  (Oi) e 82861770 (Tim)     miguelzinhomarques@gmail.com

REQUISITOS PARA INSCRIÇÃO

-    Nível I - Básico
Ter no mínimo 16 anos completos;
Ser crismado;
Estar cursando, no mínimo, o Ensino Médio;
Levar uma carta de apresentação assinada pelo pároco de sua comunidade; e,
Preencher Ficha de Inscrição e anexar uma foto 3x4.

 -    Nível II - Intermediário
Ter concluído o Nível I;
Levar uma carta de apresentação assinada pelo pároco de sua comunidade; e,
Preencher Ficha de Inscrição e anexar uma foto 3x4.

 -    Nível III - Avançado
Ter concluído o Nível II.
Levar uma carta de apresentação assinada pelo pároco de sua comunidade; e,
Preencher Ficha de Inscrição e anexar uma foto 3x4.

O valor da mensalidade é R$ 50,00 e não há taxa de inscrição.

Contatos em caso de dúvidas:
Cássia – 81537571 (Tim)  cassiaseixas@gmail.com
Laudecy – 3459-7190, 9214-1273 (Claro) e 8489-9448 (Oi) laudecy.arpony@gmail.com 
Aldo – 3556-0540, 9569-5164 (Claro), 81689-279 (Oi) e 8286-1770 (Tim)
miguelzinhomarques@gmail.com

“Já que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão” (1Cor 10,17)


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Homilia do 2º. Domingo do Tempo Comum – Ano A


“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” (Jo 1,29). Esta expressão usada por João Batista é muito familiar. Repete-se em todas as missas, quando apresentamos o pão e o vinho consagrados antes da comunhão. De fato, o Cristo, o ungido pelo Espírito, veio ao mundo para ser o Cordeiro que tira o pecado.

O cordeiro era um animal sacrifical no Antigo Testamento. Na Páscoa, o Cordeiro era imolado e o sangue era espalhado nas casas. No Novo Testamento, não são mais necessários os sacrifícios de cordeiros e de nenhum outro animal, pois o próprio Deus ofereceu a sua vida, o Cristo Senhor tornou-se o Cordeiro imolado (cf. Hb 9,11-14).

O sangue dos sacrifícios santificava as pessoas e objetos aspergidos. O sangue de Jesus tem um poder muito maior. Mas não se trata de um poder mágico. Se muito ainda gritam com tons fundamentalistas que o “sangue de Jesus tem poder”, não é porque o mesmo traz uma força mágica, nem porque as feridas de Jesus verteram tanto sangue que agradaram ao Pai que assistia tudo de camarote. De modo nenhum, a intensidade da dor foi responsável pela redenção do mundo.
Onde está então o verdadeiro sentido da dor do Filho de Deus? Cristo veio ao mundo para oferecer a sua vida em prol da vida de todos nós. Sua existência doada até a morte é sinal do amor eterno de Deus que deseja destruir todo mal e amenizar toda dor.

No Cordeiro de Deus entendemos o sentido da dor humana, sobretudo aquela que é causada conscientemente pela entrega de si mesmo: “Sofrer com o outro, pelos outros; sofrer por amor da verdade e da justiça; sofrer por causa do amor e para se tornar uma pessoa que ama verdadeiramente: estes são elementos fundamentais de humanidade, o seu abandono destruiria o mesmo homem” (Spe Salvi 39). Ainda que pareça inútil doar algo de si em um mundo que parece caminhar perdido ao vento, ainda que grande parte das pessoas se preocupe apenas consigo mesmos, ainda que aparentemente seja melhor cuidar de si mesmo e procurar apenas o máximo de prazer possível, Jesus nos ensina que vale a pena doar algo de si mesmo para que o mundo tenha menos dor, para que o ser humano seja mais humano, para que a lágrima seja enxugada, para que o Reino esperado seja visto e nos anime a continuar... Cada um de nós é convidado a ser também cordeiro...

O Cordeiro de Deus é o sinal vivo da compaixão divina. A partir da Paixão de Cristo “entrou em todo o sofrimento humano alguém que partilha o sofrimento e a sua suportação; a partir de lá se propaga em todo o sofrimento a con-solatio, a consolação do amor solidário de Deus, surgindo assim a estrela da esperança” (Spe Salvi 39). No rebaixamento de Deus se encontra a nossa redenção. Nas dores do Cordeiro temos a cura para a dor do mundo. Nós que fomos chamados a ser santos, o seremos pela compaixão e pela solidariedade. Para tanto, precisamos reconhecer que o pecado alheio está em meu próprio coração, que as alegrias e tristezas do outro são as mesmas que tocam o meu coração, que a fraqueza do próximo é a minha fraqueza. Enfim, devemos ter consciência que participamos da mesma condição de dor e de pecado. Se soubermos olhar o mundo deste ponto de vista, seremos mais compreensíveis com os outros, mais pacientes e mais humanos. Afinal, o Céu não é tomado de assalto, mas dado como um dom. Somos apenas colaboradores de Deus na missão de participarmos das dores dos irmãos e de lutarmos contra o pecado que é a condição de cada ser humano.

Neste domingo, a exclamação de João Batista é um convite à imitação do Cristo. Quando o Cordeiro de Deus for elevado, vamos olhar fixamente e repetir: “Senhor, eu não digno de que entreis em minha morada...” Não sou digno, porque minha vida não é todo dom; não sou digno porque ainda o egoísmo me destrói; não sou digno porque ainda esqueço de que sou tão pecador como tantos outros; não sou digno... Mas quero alimentar-me daquele que me anima a oferecer a própria vida: “Mas dizei uma palavra e serei salvo!”

Pe Roberto Nentwig

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O chamado


Infelizmente, ou até felizmente, vivemos numa situação humana marcada por grandes diferenças. Em determinados casos podemos chamar de profundos abismos, seja na área social, política, econômica, psicológica, religiosa etc. Isto está muito claro entre o Criador, totalmente perfeito, e a criatura, condicionada às inumeráveis imperfeições.
Dentro das condições naturais da vida, todas as pessoas são chamadas à perfeição ou, pelo menos, a fazer esforço para viver nestas condições. Portanto, a correspondência a isto depende de cada um. Só assim é possível haver ordem social, convivência harmoniosa e diminuição dos extremos, porque eles são excludentes e, às vezes, desumanos. 

Todo chamado supõe alguma resposta, que deve ser assumida com muita responsabilidade. A proposta de Deus, contida na Sagrada Escritura, é apresentada nestas condições, e traz consequências para a vida social. Agindo assim, estamos contribuindo com o bem das pessoas e participando da construção do que motiva o bem viver, a harmonia na comunidade.

Quem faz o bem pode ser chamado de “ungido do Senhor”, de quem entendeu o sentido da vida, e exercita suas qualidades para construir um mundo e uma sociedade como ambiente saudável. Todos nós podemos contribuir para vivenciar essa utopia, quebrando os muros existenciais que aumentam e fortalecem as distâncias.

Um chamado, na visão cristã, identifica-se com a palavra vocação, ou missão de construir alguma coisa. A vida não pode ser infecunda, como uma parasita, que não contribui com nada. Sendo criatura, cada pessoa participa do projeto criador, de construir, de dar perfeição e condições de vida para toda a obra criada, principalmente, o ser humano.

Falar de chamado, como vocação, significa perfeição, mas também santidade, isto é, de uma vida ofertada para o bem da comunidade e para o seguimento de Jesus Cristo. Supõe engajamento comunitário para transforma a sociedade em ambiente de amor e fraternidade. Corremos o grande perigo da fuga e do distanciamento da realidade, da rebeldia contra a vontade do Criador, deixando lugar para o envolvimento do reino do mal, da injustiça e da falta de paz.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Homilia da Festa do Batismo do Senhor – A


João Batista batizava para o perdão dos pecados, visando preparar a todos para a vinda do messias. O Evangelho de Mateus manifesta a surpresa do Batista que não aceita dispor do rito ao próprio Jesus. Se alguém tinha que batizar ali era o Messias. Então, por que Jesus foi batizado?

Jesus se deixou batizar para se tornar solidário aos pecadores. Mesmo sem pecado, Jesus deseja estar no meio dos pecadores. O Senhor quis descer para resgatar a todos: o caminho da salvação é o rebaixar-se e encontrar o caído onde ele está.

Jesus se deixou batizar “para cumprir toda a justiça”: para que o Plano da Salvação se cumpra. Ele veio para realizar a vontade do Pai, para cumprir as profecias. Cumprir a justiça, para Jesus, é doar a vida a todos.

Jesus se deixou batizar para que o Espírito marcasse o início de sua missão. O Batismo de Jesus é marcado por um sinal de manifestação de Deus que o declara o “filho amado”. A ação do Espírito faz dele o “ungido” do Pai: é o Cristo (=Messias, ungido, enviado), aquele que recebeu a missão de entregar-se pela humanidade. “Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito e com poder. Ele andou por toda a parte fazendo o bem e curando...” (At 10,38).

O Batismo cristão, mais do que lavar a sujeira do pecado, é o sacramento que nos faz participar da mesma unção do Cristo. Somos também selados pelo mesmo Espírito. Desde o Batismo recebemos o nome de cristãos (=enviados, ungidos). Também o termo crismar é semelhante ao termo Cristo, e também significa ungido e enviado. Nossa vida cristã é uma identificação com a missão de Jesus Cristo, este é o grande significado do Batismo que precisamos ressaltar.

A missão do Messias e de todos nós é resumida por Isaías: “ser luz das nações, abrir os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas” (Is 42,7). Esta missão não é realizada pela força. A imposição fundamentalista que obriga, oprime, sufoca e exige não está nos planos de Deus. O servo anunciado pelo profeta Isaías é tão suave e manso que não quebra a cana que está quase rompendo, nem apaga a chama que quase se apaga. Sua voz não é uma gritaria pelas ruas, mas é marcada pela ternura.

Que neste dia, seja renovada a nossa unção de filhos e filhas de Deus. Que possamos ser luz para o mundo, orientação para os que precisam de um caminho seguro e promotores da liberdade para todos os que residem na escravidão. Que nossa ação no mundo se realize pela mansidão e ternura, tão necessárias no mundo do ódio e da intolerância.

Pe Roberto Nentwig

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

4º Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação e 2º Seminário Nacional de Jovens Comunicadores



Período: 24/07/2014 a 27/07/2014
Local: Centro de Eventos, Aparecida/SP
Inscrição: 01/01/2014 a 23/06/2014

Objetivo

O evento tem por objetivo articular, animar e motivar a Pascom da Igreja no Brasil. Terá a participação de bispos, presbíteros, religiosos e leigos comprometidos ou não com a comunicação.
Estão confirmados para o evento o Pe. Antônio Spadaro, autor dos livros Web 2.0 e Ciberteologia, a Dra. Letícia Soberón, membro do Comitê da RIIAL – Rede Informática da Igreja na América Latina, entre outros especialistas na área da comunicação e da pastoral.

Inscrições:

Inscrição sem hospedagem R$ 40,00.
Inscrição com hospedagem durante os 4 dias em quarto triplo R$ 467,00.
Inscrição com hospedagem durante os 4 dias em quarto duplo R$ 502,00.
Inscrição com hospedagem durante os 4 dias em quarto individual R$ 640,00.
Após efetuar a inscrição será gerado um boleto que deverá ser pago em até 15 dias.           
 Caso o boleto não for pago até o vencimento é possível gerar um novo boleto.
A hospedagem será no Hotel Rainha do Brasil, com todas as refeições inclusas.
 Para conhecer o hotel, visite o site: http://a12.com/hotel


Observações:

No domingo, o check-out deverá ser efetuado até às 12hs.
Em caso de desistência, o valor da inscrição e da hospedagem não será devolvido.
As vagas com hospedagem são limitadas. Reserve sua hospedagem o quanto antes.
Solicitamos que traga consigo para o Encontro o seu comprovante de pagamento para dirimir quaisquer dúvidas.

PROGRAMAÇÃO

24 de julho (Quinta-feira)

16h Credenciamento 
19h Cerimônia de abertura 
20h Conferência de abertura: Comunicação, desafios e possibilidades para evangelizar na cultura digital (com Pe. Antônio Spadaro, S.J) 

25 de julho (Sexta-feira) 

7h30 Celebração Eucarística (com Dom Orani João Tempesta)
8h45 PAINEL 01: Comunicação e mudanças socioculturais provocadas pelas tecnologias digitais (com Elson Faxina e Dom Claudio Maria Celli, por vídeo-conferência)
10h30 Intervalo
11h PLENÁRIA (com Elson Faxina, Pe. Antônio Spadaro, S.J e Leticia Soberon)
12h Almoço
14h às 18h SEMINÁRIOS

1o SEMINÁRIO – TEORIA E PRÁTICA NA PASCOM

Discípulos missionários na era da cultura digital: perspectivas e ações para a evangelização (com Leticia Soberon)
Pastoral da Comunicação em âmbito nacional (com Ir. Elide Maria Fogolari)
Pastoral da Comunicação em âmbito regional (com Márcia Marques)
Pastoral da Comunicação em âmbito diocesano (com Cacilda Medeiros)
Pastoral da Comunicação em âmbito paroquial (com Reini Dantas Leal)

2o SEMINÁRIO – TEORIA E PRÁTICA NA WEB

Evangelização e espiritualidade na Web (com Pe. Antônio Spadaro) RIIAL e RIIBRA: a Igreja em rede e na rede (com Pe. Clovis Andrade de Melo e Cristiane Monteiro) Projeto Católicos Online (com Pe. Osvaldo Gerolin Filho) Publicidade a serviço da Evangelização (com Ricardo Gomes)

3o SEMINÁRIO – TEORIA E PRÁTICA NA CONVERGÊNCIA MIDIÁTICA 

Convergência midiática para a evangelização (com Moisés Sbardelotto) 
Evangelização nos portais católicos (com Pe. Evaldo Cesar de Souza) 
Criatividade e anúncio em tempos de rede (com Equipe de produção de conteúdos do Portal “Canção Nova”) 

4o SEMINÁRIO – TEORIA E PRÁTICA NA ARTE 
   
Evangelizar com arte e pela arte (com Wilde Fábio) 
Dramaturgia: a arte de evangelizar (com Luiz Carvalho) 
A arte de evangelizar com a imagem e som (com Tiago José) 

5o SEMINÁRIO – TEORIA E PRÁTICA NA ASSESSORIA DE IMPRENSA

Igreja em mediação: atuação de jornalistas nas dioceses do Brasil (com Paulo Vitor Giraldi Pires)
Assessoria de imprensa na Diocese de São José dos Campos  (com Ana Lúcia Zombardi)
Assessoria de imprensa na Arquidiocese de Vitória (com Maria  da Luz Fernandes)
Assessoria de imprensa na Arquidiocese de Porto Alegre (com Assessoria de imprensa de Porto Alegre - RS)
19h Jantar
20h Noite cultural

26 de julho (Sábado)

7h30 Adoração Eucarística – Discípulos e missionários aos pés de Jesus, o comunicador do Pai (com Comunidade de Tezé)
8h45 PAINEL 02: CIBERTEOLOGIA: A VIVÊNCIA DA FÉ EM TEMPOS DE REDE (com Pe. Antônio Spadaro, S.J)
A comunicação na Igreja do Brasil na ótica do Diretório decomunicação (com Moisés Sbardelotto)
Jovens católicos: comunicação que transforma vidas (com Pe. Carlos Sávio Da C. Ribeiro)
10h30 Intervalo
11h PLENÁRIA (com Pe. Antônio Spadaro, S.J, Moisés Sbardelotto e Pe. Carlos Sávio Da C. Ribeiro)
12h Almoço
14h às 17h SEMINÁRIOS
6o SEMINÁRIO – TEORIA E PRÁTICA NA PASCOM
Discípulos missionários na era da cultura digital: perspectivas e ações para a evangelização (com Leticia Soberon)
Pastoral da Comunicação em âmbito nacional (com Ir. Elide Maria Fogolari)
Pastoral da Comunicação em âmbito regional (com Pe. Raimundo Nonato Cruz Duarte)
Pastoral da Comunicação em âmbito diocesano (com Alexandre Brandão dos Santos)
A Comunicação nas comunidades ribeirinhas (com Casa da Juventude de Belém do Pará)

7o SEMINÁRIO – TEORIA E PRÁTICA NA WEB

Evangelização e espiritualidade na Web (com Pe. Antônio Spadaro, S.J)
RIIAL e RIIBRA: a Igreja em rede e na rede (com Pe. Clovis Andrade de Melo e Cristiane Monteiro)
Catecismo Jovem (com Guilherme Pontes)
Jovens Conectados (com Fernando Geronásio)

8o SEMINÁRIO – TEORIA E PRÁTICA NA CONVERGÊNCIA MIDIÁTICA

Convergência midiática para a evangelização (com Moisés  Sbardelotto)
Nossa Senhora Rainha TV (com Flávio Campos)
Youcat School (com Equipe do projeto Youcat School “Canção Nova”)
WebTV Redentor (com Equipe da WebTV Redentor)

9o SEMINÁRIO – TEORIA E PRÁTICA NO RÁDIO

Rádio, a arte de falar e evangelizar (com Ir. Helena Corazza)
Signis/Brasil (com Pe. Evaldo Cesar de Souza)
RCR – Rede Católica de Rádio (com Carlos Romanini)
A sustentabilidade na rádio (com Arquidiocese de Frederico Wetsphalen)

10o SEMINÁRIO – TEORIA E PRÁTICA NA ASSESSORIA DE IMPRENSA

Igreja em mediação: atuação de jornalistas nas dioceses do Brasil (com Paulo Vitor Giraldi Pires)
Assessoria de imprensa na Arquidiocese de Aparecida (com Andreia Morroni)
Assessoria de imprensa no Santuário Nacional de Aparecida (com Flávia Gabriela)
Assessoria de imprensa na Arquidiocese de Porto Alegre (com Assessoria de imprensa de Porto Alegre -RS)
18h Celebração Eucarística no Santuário de Aparecida (com Dom Eduardo Pinheiro da Silva)
20h Noite livre
27 de julho (Domingo)
7h30 Celebração Eucarística (com Bispo referencial da comunicação no Regional)
8h45 GRUPOS POR REGIÕES
Grupo 1 - Regionais: Norte 1, 2 e 3, Oeste 1 e 2 – Sala 1
Grupo 2 - Regionais: Nordeste 1, 2 e 3 – Sala 2
Grupo 3 - Regionais: Nordeste 4 e 5, Noroeste – Sala 3
Grupo 4 - Regionais: Leste 1 e 2, Centro Oeste – Sala 4
Grupo 5 - Regional Sul 1 – Plenário
Grupo 6 - Regionais: Sul 2, 3 e 4 – Sala 5
Estes grupos irão refletir e debater as seguintes perguntas para apresentá-las no plenário por um redator escolhido pelo grupo:
Perguntas: (1) Destacar duas ações significativas de como a Pascom e RIIBRA estão atuando nos Regionais representados?
(2) Quais os desafios encontrados na ação pastoral da Pascom e RIIBRA nos Regionais representados? (3) O que podemos fazer para fortalecer a ação da Pascom e RIIBRA nos Regionais representados?
9h45 Relato dos Grupos
10h30 Conclusão do encontro (com Dom Orani João Tempesta e Pe. Antônio Spadaro, S.J)
11h Solenidade de Encerramento – Consagração da Pascom e RIIBRA a Nossa Senhora Aparecida e envio dos discípulos missionários da comunicação
12h Almoço

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Identidade pessoal


Mesmo praticando duplicidade na forma de viver, cada pessoa tem uma identidade que a diferencia dos demais. No âmbito do cristianismo, o batismo é um referencial que, inclusive, marca a pessoa com um nome. Há um esforço de que esse nome coincida com o do Registro Civil. É uma questão até de respeito para com o indivíduo.
Pelo nome temos um compromisso social, com direitos e deveres de cidadania, de construção do bem e de harmonia na sociedade. Como cristão, a tarefa se amplia em relação à pertença a Igreja. Recebendo um nome, Jesus solidariza-se com toda a humanidade, tornando-se homem e Deus. Isto foi profetizado e agora tornado realidade.

A realização do bem nunca deve passar pelo caminho do poder tirânico, da violência e do desrespeito. É importante ler, ou reler, os textos da Sagrada Escritura, encontrando neles as motivações para a construção do que seja melhor para ajudar na convivência. Nas diferenças, devemos contar sempre com as interferências divinas.

Para Deus não há distinção entre as pessoas. Ninguém é melhor ou pior do que o outro por ter estas ou aquelas qualidades naturais. A diferença está na forma como são assumidos ou realizados os compromissos e obrigações. Talvez a marca maior esteja na simplicidade e na humildade ao desempenhar as tarefas na comunidade.

O grande alvo a ser perseguido é a fraternidade entre as pessoas e os povos. Onde há fraternidade, há também paz, respeito, justiça, honestidade e vida feliz. Uma sociedade assim confirma a presença do Reino de Deus, Reino que constrói história de vida e defende a identidade pessoal de todas as pessoas.

A prática de justiça e de vida cristã deve ser uma marca e fazer a diferença na convivência fraterna. Jesus disse: “Convém que cumpramos toda a justiça” (Mt 3, 15). Fazer a justiça significa estar em sintonia com a vontade de Deus, fazer a vontade do Pai e agir em conformidade com os princípios do batismo. Os frutos não podem ser outros que não seja a fraternidade. 

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.
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