quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Homilia do 29º. Domingo do Tempo Comum – Ano C



O Evangelho deste domingo apresenta uma viúva importuna, insistente diante de um juiz injusto. A viúva é sinal de um total abandono: sem marido, está desprovida de cuidado e de um sustento digno. A viúva não tem méritos, prestígio ou dinheiro para negociar com o juiz. Resta-lhe a súplica. Ao utilizar a imagem da viúva, Jesus está revelando a gratuidade de Deus: não temos méritos diante do Senhor, ele nos escuta por bondade. Ensina que devemos nos apresentar diante do Senhor com o coração despojado, sem garantias, sem possibilidades de trocas com o Senhor. Deus faz justiça, principalmente aos humildes de coração, aos pobres e injustiçados.

Outra aplicação do Evangelho diz respeito à perseverança. A insistência é conseqüência de nossa confiança. Perseverar é acreditar que é possível reverter o estado de coisas, pois o Senhor está ao nosso lado. A insistência na oração é sinal de confiança filial. Deus sabe do que precisamos, mas pedir a Ele nos educa para uma atitude de filiação. Nem precisaríamos contar tudo a Deus, pois Ele conhece nossas necessidades antes de pedirmos. Contudo, permite que clamemos, pois sabe que nós precisamos desabafar, dizer do que necessitamos, exercitando a nossa confiança no Deus que é Pai de bondade.

É preciso perseverar como Moisés e como a viúva da parábola do Evangelho. A falta de perseverança na oração existe porque nem sempre esperamos com paciência. Queremos que a nossa prece seja atendida hoje, agora. Por vezes, queremos que a nossa prece seja atendida do nosso modo. Devemos confiar que Deus atende o nosso pedido da melhor forma, não necessariamente do modo como queremos ou na hora em que queremos. A fé leva-nos a perseverança, diante das demoras de Deus, diante da cruz de cada dia. A fé é um arriscar-se em um mundo sem garantias aparentes, sem pressas, sem clarezas... “Não desistais, pois, jamais de orar e de esperar despojados e vazios de tudo, porque se o fizerem, Deus não tardará a vir” (São João da Cruz).

Esperar no Evangelho tem também um sentido escatológico. Deus, por vezes, demora a realizar a sua justiça como uma oportunidade de conversão. Na Igreja primitiva, questionava-se sobre a demora da vinda do Senhor, pois acreditavam que em poucos anos, o Senhor voltaria para consumar o seu Reino. A demora da parusia, do juízo final e da vinda do Reino, justifica-se na medida em que entendemos o tempo em que vivemos como o tempo penúltimo, o tempo da conversão, da preparação para a plenitude. Mas será que Deus encontrará fé sobre a terra? Deus sempre faz a sua parte, ao seu tempo, é verdade. Nem sempre estamos dispostos a esperar. O Senhor concede a oportunidade para que acolhamos o seu Reino e a sua graça, é preciso que façamos a nossa parte.

“Toda escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra” (2Tm 3,16).

Pe. Roberto Nentwig


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