quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Homilia do 27º. Domingo do Tempo Comum – Ano C


A fé é um dom de Deus. Se os discípulos pedem que a sua fé seja aumentada, é porque perceberam o seu valor, mas ao mesmo tempo, declararam que são fracos. Semelhante ao que aconteceu aos discípulos, também hoje parece haver uma crise de fé: muitos vivem como se Deus não existisse, outros não fazem a sua fé valer nas situações concretas da existência, outros têm apenas uma experiência religiosa, baseada mais na emoção e nas devoções e não em profundas convicções. O desafio é que as pessoas que vêm à Igreja façam e cultivem uma experiência de fé, então não será apenas algo epidérmico, sem profundidade, mas uma atitude que deriva do encontro pessoal com o Cristo Jesus.

São Paulo convida Timóteo a “reavivar a chama” do dom recebido. Pelo Batismo recebemos o dom da fé, mas esta fé deve ser cultivada para que não enfraqueça. É um dom, mas também uma tarefa. Um dom que necessita de abertura humana para que desabroche e cresça. Um dom que exigem empenho, com o risco de vivermos um cristianismo de verniz como advertia o papa Paulo VI.

A fé é sempre provada. No livro de Habacuc, Deus convida o profeta a ter fé diante da opressão. Paulo testemunha a sua fé como prisioneiro. Os apóstolos estão indo para Jerusalém e já perceberam algumas exigências do discípulo (renúncia aos bens, comprometimento...). É fácil dizer que temos fé, quando tudo vai bem. Habacuc teve a ousadia de exigir de Deus: “Senhor, até quando clamarei, sem me atenderdes?” (Hab 1,2) Nós não temos o direito de exigir contas de Deus. É preciso sofrer as demoras de Deus, esperar até que a graça se manifeste: “se demorar, espera, pois ela virá com certeza e não tardará” (Hab 4,3). Como reza o dito popular: “Deus tarda, mas não falha”.

A fé é arriscar-se. É como nos ensina a história de um equilibrista que num monociclo atravessava uma corda bamba sem se desequilibrar. Num determinado momento, ele olhou para o público e perguntou: "quem acredita que eu posso passar por essa corda bamba sem cair?" Todo o público levantou a mão. Logo após, ele perguntou: "quem se habilita a ir nas minhas costas?" Ninguém teve coragem de ir com aquele equilibrista, pois eles até acreditavam no que ele poderia fazer, mas não confiavam. Nem sempre confiamos que Deus pode nos levar sobre os ombros ao atravessar um lugar perigoso. Há sempre o risco de acreditar sem entrega e sem comprometimento. “Senhor, aumenta a nossa fé!”

Pe. Roberto Nentwig

Um comentário:

  1. Este testemunho de fe em texto de homilia me parou e tocou me profundamente. Sera esta a razao de tantas inquietudes nesta vida complexa em que insistimos? As vezes ate me sinto como O Sao Tomé..

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