quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Homilia da Solenidade de Todos os Santos

A Igreja professa a fé na Comunhão dos Santos, pois cremos que existe uma comunhão entre o Céu e a Terra. Os santos do Céu podem interceder por nós, já que estão mais próximos de Deus, como nos diz S. Teresinha: “Passarei o meu Céu fazendo o bem a Terra.” Nós também podemos orar pelos que já partiram, pedindo que tenham a graça de darem o último passo na sua conversão rumo à plenitude no Céu.

Hoje celebramos todos os santos. Não somente aqueles que são canonizados, ou seja, reconhecidos pela Igreja como tais. Mas todos aqueles que já estão na glória de Deus, que participam da santidade de Deus são santos. Entre eles estão mães e pais de família, trabalhadores simples, jovens sinceros, crianças; estão pessoas de todas as classes, línguas e crenças. Por isso, a primeira leitura fala de uma multidão de redimidos que estão “... de pé diante do trono do Cordeiro...” (Ap 7,10). Trata-se de uma grande multidão: os 144 mil representam uma totalidade, provavelmente simbolizam a multidão do AT e do NT, já que 12 são as tribos de Israel e 12 são os apóstolos, multiplicados por 1000. Ou seja, representam uma grande quantidade de pessoas (12X12X1000).

A princípio só Deus é Santo: Ele é perfeito, sem pecado. Mas, Deus nos quer santos: “Sede santos, como o vosso Pai do Céu é santo!” Ao olhar para o Céu, vemos aquilo que nós desejamos ser. Os santos do Céu já são aquilo que nós queremos ser – nós devemos almejar a santidade, almejar o Céu. “Para essa cidade caminhamos, pressurosos, peregrinando na penumbra da fé.” (Prefácio). A segunda leitura nos fala que seremos semelhantes ao próprio Deus. Seremos ressuscitados como Cristo, gloriosos, plenamente felizes. Vivemos animados pela esperança do que ainda seremos, alegres porque a nossa vida limitada será transformada, glorificada.

Para chegar à santidade plena do Céu há um caminho. As bem aventuranças são o programa de vida para se chegar a santidade. Não é apenas o caminho para se chegar ao Céu, mas o caminho para ser bem aventurado aqui e agora, ou seja, feliz. O dom da vida eterna, o dom escatológico, não cai do céu como mágica, mas pressupõe nossa colaboração.

As bem aventuranças mostram que santidade exige liberdade: o reino é dos pequenos, dos pobres de coração (desapegados que não acumulam para si), dos puros de coração (que são sinceros, não usam máscaras), dos misericordiosos (que não julgam), dos que procuram a paz, dos perseguidos pelo amor a Deus e pela fidelidade à justiça. A primeira leitura fala de uma multidão que veio da grande tribulação. Jesus também fala “bem aventurados os perseguidos”. Isso significa que por hora estamos enfrentando as vicissitudes da vida, mas seremos libertados de toda dor. Deus irá enxugar toda lágrima de nossos olhos. Na eternidade não haverá mais morte, luto, grito ou dor, pois todas estas coisas velhas passarão (cf. Ap 21,4).

É preciso uma boa catequese sobre os santos. Ainda a religiosidade popular os considera como deuses, seres divinos que concedem graças mediante novenas, promessas e rezas diversas. Deste modo, os santos são vistos como seres míticos, ficando muito distantes dos seres de carne e osso que, como eu e você, enfrentam as durezas da existência e procuram encarnar na vida o jeito de viver do próprio Cristo. É preciso resgatar os santos como exemplo de virtude, como possibilidade para que também sejamos santos. Os santos da terra não têm auréolas, não têm uma face ingênua, não são desprovidos de emoções, não vestem necessariamente hábitos longos. Os santos são pessoas apaixonadas, que vivem a vida intensamente, que amam a Deus e amam as pessoas, que empregam suas energias para que o Reino de Deus aconteça. Os santos pensam no Céu, mas se preocupam, antes de mais nada, com as coisas deste mundo e com as questões humanas. Santos também pecam, mas não residem no pecado. Ser santo, portanto, não é beatice, não é ter medo de viver, não é abraçar um monte de proibições e normas, não é fugir do mundo e das realidades do dia a dia. Ser santo é viver como uma pessoa de carne e osso que leva a sério as opções de Jesus Cristo.

“Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos” (1 Jo 3,1). Ser santo não depende apenas de nossas forças, mas da graça de Deus. O princípio da santidade é a vida de Deus vivendo em nós. É o seu amor derramado em nossos corações, dado como presente, como dom. Ser santo é responder com amor ao amor de Deus.

Pe. Roberto Nentwig

Homilia da Celebração de Finados

Hoje a Igreja nos convida a orarmos pelos que já partiram. Por que oramos pelos mortos? Nós, católicos, acreditamos que a morte não nos priva de uma comunicação com os irmãos e irmãs. Ou seja, podemos rezar pelos que já partiram. Quando fazemos isso, unimo-nos aos falecidos em Deus, amamos os falecidos no amor de Deus, pois toda oração é um gesto de amor; se esta é eficaz para ajudar os vivos, será também útil para dar forças para aqueles que precisam completar o seu caminho. A fundamentação bíblica mais clara a este respeito está em 2Mac 12,38s.: Judas Macabeus percebe que os soldados mortos de seu exército tinham cometido idolatria; diante da prática dos idólatras, o exército fez súplicas para que Deus perdoasse o pecado cometido.

Rezamos pelos mortos para que eles completem o que ainda falta para serem plenos, pois apenas desfrutaremos da glória quando estivermos plenamente convertidos, santificados. O Céu não é um lugar em que se entra, mas a participação do amor de Deus de acordo com a mudança de coração de cada pessoa. Quem não muda o coração aqui, terá a mesma dificuldade para fazê-lo depois da morte, antes de participar das alegrias eternas; por isso, é melhor começar aqui. O que chamamos de Purgatório não é um lugar de tormentos, mas uma última oportunidade de conversão para Deus, de total empobrecimento de si, uma graça que Deus nos concede para que sejamos plenos à estatura do Cristo Jesus (Ef 4,13). A nossa oração dá forças para que os falecidos façam o seu caminho.

Algumas reflexões importantes:
1. O Céu não é somente uma conquista, mas um dom de Deus, que deseja que todos participem de sua morada, que nenhum de seus filhos e filhas se percam (Jo 6,39). Não podemos acreditar em um Deus que quer a nossa condenação, nem achar que vamos sozinhos, somente pelos nossos esforços, para o céu.

2. Não acreditamos em um mundo totalmente espiritualizado, mas na ressurreição dos mortos. Oficialmente, a Igreja ensina que aguardamos (mesmo aqueles que já veem Deus face a face) o dia da plenitude do Reino definitivo. Então acontecerá a ressurreição dos mortos. Deus nos dará um corpo imperecível e renovará toda a criação – o mundo visível, material. Portanto, este mundo não deve ser desprezado, pois será renovado para a glória de Deus. Na morada do Céu seremos nós mesmos, com nossa consciência, e teremos a lembrança de nossa história e das pessoas que conviveram conosco.

3. A vida é efêmera. Presenciamos mortes de idosos, de jovens, mortes previsíveis e repentinas. Não sabemos quando será o fim de nossa vida terrena. Lembrar-se dos que morreram é uma boa oportunidade para pensar sobre a nossa vida. A existência terrena tem consequências eternas. O que cada um de nós está fazendo de sua vida? Estamos preparados para fazer a nossa páscoa para a vida totalmente renovada e prometida pelo Senhor?


Vivemos movidos pela esperança da eternidade. Nossa fé vive unida à esperança. Hoje a saudade não deve ser maior do que a certeza da vitória “escrita e gravada com ponteiro de ferro e com chumbo, cravada na rocha para sempre”. Um dia esperamos nos encontrar todos no banquete do Céu. Lembremos de que a Eucaristia já é a antecipação desta vida nova. O Céu começa em nós, em você.

Pe. Roberto Nentwig

Todos os Santos

Só tem sentido falar de “santo” se fazemos referência a Deus, tendo Jesus Cristo como critério de santidade. Ele testemunhou a prática das bem-aventuranças na convivência de seu tempo. Foi capaz de enfrentar os caminhos da vida, seja no sofrimento, como também nas alegrias, colocando sua vida como doação para o bem das pessoas e do mundo.

A santidade é fruto de uma consciência convicta de pertencer a Jesus Cristo e de colocar tudo na vida como prática de amor a Deus. Ela vem da consciência fraterna na comunidade, do respeito e do valor que damos às realidades que nos cercam. Supõe um estilo de vida marcado pela esperança, pela mansidão, pela misericórdia e pureza.

Podemos dizer que os santos são os bem-aventurados, os felizes, que conseguiram prosseguir na vida mesmo tendo que enfrentar dificuldades e sofrimentos. Estão sempre apoiados em Deus e não simplesmente nas coisas materiais, naquilo que é passageiro e que não satisfaz plenamente os desejos do coração das pessoas.

Ser santo é não duvidar do amor de Deus e nem agir com violência revidando atitudes de maldade. É decepcionar-se com as injustiças que acontecem e desrespeitam os mais fracos e indefesos. É ter a capacidade de agir com misericórdia e amor, superando conflitos, desavenças, agindo para defender um mundo de paz.

Santidade e justiça caminham juntas na construção do reino de Deus. Quem se ajusta à vontade soberana de Deus tem lugar em seu reino. É reino de valores que têm preços até de martírio, como aconteceu com o Mestre Jesus Cristo. É o preço pago pela felicidade adquirida no Evangelho, no meio de um mundo de muita hostilidade.

O mundo, no sentido pejorativo, não reconhece o valor e a dignidade de quem participa da filiação divina. Na verdade, não reconhece valores de eternidade. Tudo isto dificulta a fidelidade de quem acredita na mensagem de Jesus Cristo, caminho de santidade e de vida autenticamente feliz. Os contra valores da cultura moderna são totalmente desestimuladores de uma verdadeira santidade de vida.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

Novidade na rede: Revista Digital 'SOU CATEQUISTA'

Queridos Catequistas,


Com essa postagem, gostaria de divulgar mais uma iniciativa que vem colaborar com a dimensão  bíblico-catequética, que é a revista digital "Sou Catequista", voltada para o catequista de hoje. Digo com propriedade, que iniciativas como essa, faz parte da catequese de nossos tempos. A revista é dinâmica, bem elaborada, atual,  aborda vários assuntos, como: reflexões, experiências catequéticas, dinâmicas, formações... Acaba de sair sua segunda edição, onde tenho a alegria de colocar minha experiência como catequista blogueira, na seção "CATEQUISTA NA REDE". Faça uma visita, divulgue, acompanhe esse trabalho que é feito com muito zelo. O link é:  http://soucatequista.com.br

Clique e confira meu relato de como me tornei uma catequista blogueira. A revista está recheada de artigos riquíssimos. Vale investir tempo na leitura.

Por Deus, tenham um blog! "Palavras ditas por Bento XVI aos padres católicos, afirmando que eles devem aprender a usar novas formas de comunicação para espalhar as mensagens do evangelho. Esse apelo de nosso querido Papa Emérito, vem me motivando, fazendo ver que apesar dos desafios, precisamos aproveitar ao máximo as opções oferecidas pelas novas tecnologias."(Imaculada Cintra)


À SABER:

Certa vez, recebi por email, a seguinte frase: "Fique atenta, novos campos surgirão!" Palavras escritas por uma catequista que conheci através do meu blog. Fiquei a pensar no porque daquelas palavras, até que os novos campos/desafios começaram a surgir. Através de meu blog pessoal, fui convidada a organizar a rede de blogs do meu regional, o Sul1. Junto veio a pergunta inquietante: o que seria uma rede de blogs?  Eu, no meu "mundinho", não tinha noção  de como estaria  estruturado meu regional. Seria isso os novos campos? Sim, estava entrando em campo desconhecido, mas, mesmo assim resolvi dizer SIM e com isso descobri e estou a descobrir como é lindo, rico e abrangente esse trabalho da rede comunicação feita através de blogs na catequese. 

Para saber mais sobre esse projeto, clique no link a seguir: http://catequeseebiblia.blogspot.com.br/2012/03/rede-de-comunicacao-feita-atraves-de.html


“Vivemos em um tempo de mudanças e precisamos rapidamente nos adequar a essa realidade que tanto nos surpreende. Hoje com a internet, estamos praticamente ‘ligados’ ao mundo e precisamos, dentro dos nossos trabalhos, atingir também essa área que tanto necessita ser catequizada”. (Joseilton Luz)


Imaculada Cintra
Catequista em constante estado de feitura!




terça-feira, 29 de outubro de 2013

VIII Sulão - UM NOVO OLHAR PARA UMA NOVA PRÁTICA NA CATEQUESE DE INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

* Por Liana Plentz
Jornalista e catequista
Especialista em Ensino Religioso
Coordenadora da Iniciação à Vida Cristã
no Vicariato de Porto Alegre
Secretária da Animação Bíblico-catequética do Regional Sul 3 - CNBB






“Há gestos que valem como um programa de vida:
erguer um candeeiro, afastar as trevas,
difundir a luz,mostrar o caminho.”
(D. Helder Câmara)


DIFUNDIR A LUZ...
É evangelizar, anunciar valores, esperanças e alegrias que se carrega em seu próprio coração e que se faz verdade pelas mãos.A fé nos faz testemunhar aquilo que cremos e cumprir nossa obrigação como operários do diálogo. Ou seja, ir ao encontro, tocar, amar,deixar-se amar,ouvir, confiar, abraçar,chorar as dores dos empobrecidos e estar com eles na luta pela vida.

DIFUNDIR A LUZ...
É propor uma adesão pessoal ao Deus de Jesus Cristo, que age como fermento interior na transformação progressiva de cada ser humano e não mais verdades abstratas ou idealizadas. É propor de forma livre e direta o Evangelho de Jesus como mensagem de esperança e alegria.Como um cântico novo das criaturas, louvando ao Criador e afirmando a fraternidade.
É ter a certeza de que Cristo Jesus é o único enviado de Deus para revelar-nos sua face e saciar nossa fome de infinito. A esta confissão de fé, deve corresponder o testemunho de vida, como Jesus, totalmente voltada para o Pai e totalmente voltada para o irmão, sobretudo o que sofre; isso não só em escala pessoal ou assistencial, mas também e, sobretudo, na dimensão social.
É repropor ao coração e à mente, muitas vezes distraídos e confusos dos homens de nosso tempo, e antes de tudo a nós mesmos, a beleza e a novidade perene do encontro com Cristo. É um apaixonar-se constante por Jesus.
É tornar a nossa fé credível, através de nossos atos, de nossas atitudes vividas alegremente. Só por este fato, nossa vida cristã se tornaria atrativa e uma verdadeira Palavra de Deus para aqueles que não crêem ou se afastaram da fé. É transformar as dificuldades que hoje encontramos ao evangelizar em novas oportunidades de anúncio do Evangelho.
“Vale mais acender um fósforo do que reclamar da escuridão”. É próprio de um filho de Deus queixar-se sistematicamente do mal, do clima pessimista e negativo que o rodeia?  O que aconteceria se nos decidíssemos a fazer o que está ao alcance de nossas mãos? Mudaríamos o mundo!
Os primeiros cristãos, que tinham uma fé viva e operante, mas eram numericamente poucos, conseguiram fazer isto.
É certo não fazer nada por pensar que talvez se possa fazer pouco?
O bem se espalha por natureza: tem um efeito multiplicador que ultrapassa de longe a sua eficácia imediata.
Com a graça de Deus, todas as nossas ações, por  pequenas que sejam, têm repercussões que ficam fora do nosso alcance. 

DIFUNDIR A LUZ...
É SONHAR JUNTOS UMA CATEQUESE DE INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ!
“Sonho, que se sonha só, é ilusão; sonho que se sonha junto já é sinal de solução!”(D. Helder Câmara)

QUE SONHO É ESTE? EM QUE CONSISTE?

UM NOVO OLHAR PARA UMA NOVA PRÁTICA
QUE NOVO OLHAR DEVO TER SOBRE A MISSÃO DE ANUNCIAR JESUS CRISTO?

Jesus já nos alertava para não colocar vinho novo em odres velhos, porque senão os odres se quebram e se perde o vinho (Mt 9,17). Assim também não podemos pensar em nova prática se o nosso olhar não mudou, se nossa visão de Igreja e de mundo continua defasada e não acompanha a caminhada que está sendo feita. O essencial é compreender esse novo olhar, é incorporá-lo, é torná-lo nosso. 
É muito comum querer adotar novas práticas para vestir o olhar velho. Custamos muito a sair da nossa zona de conforto e resistimos ao novo.
Para poder transformar a catequese, temos primeiro que ser: transformados para transformar. Somente transformados em verdadeiros discípulos missionários poderemos, com nosso exemplo e vivência, ser o evangelizador, o animador de uma catequese de iniciação à vida cristã.
O Papa Francisco na JMJ Rio 2013 já nos exortava a ter estas três atitudes: nunca perder a esperança, esperar as surpresas de Deus e viver na alegria.

sábado, 26 de outubro de 2013

VIII Sulão - O protagonismo do catequista no mundo e na Igreja de hoje


*  Por Dom Geremias Steinmetz
Bispo Diocesano de Paranavaí - PR



INTRODUÇÃO: Inicio externando o meu agradecimento por este honroso convite que chegou até mim pela Coordenação da Catequese do Regional Sul II. Não sei exatamente porque convidaram a mim para este trabalho, porém estou feliz com a proposta. Trabalhei bastante entre leituras, reflexões, conversas e sínteses para oferecer algo a vocês. Espero que esteja a contento.Trago comigo um conceito muito amplo de catequese, não apenas a catequese de crianças, mas a catequese de todos os cristãos. Algumas coisas que direi deverão ser entendidas na dimensão da catequese de todos os cristãos e outras, certamente no conceito de catequese das crianças. Em alguns pontos que procurarei lembrar devidamente, acrescentarei um ou outro elemento que parece importante para a compreensão geral do tema.

o Sulão é uma oportunidade para dar novo vigor aos catequistas.


Dentro as atividades do Ano da Fé, teve início nesta sexta-feira, 25 de outubro, o VIII Sulão de Catequese organizado pelos regionais Sul 1, Sul 2, Sul 3, Sul 4 e Oeste 1 da CNBB. O evento prossegue até o domingo, 27, na cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul (RS), comemorando, também, os 25 anos de Sulão. O secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner saudou os participantes na abertura do encontro.

De acordo com presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Animação Bíblico-Catequética, e arcebispo de Pelotas (RS), dom Jacinto Bergmann, o Sulão é uma oportunidade para dar novo vigor aos catequistas. “À luz da Palavra de Deus, renovamos nossa esperança na fidelidade dos catequistas que acompanham seus catequizandos no processo de iniciação à vida cristã, apresentando-os a Jesus, que os despertam para o seguimento”.

O objetivo do evento é também resgatar e celebrar a história dos 25 anos do Sulão para reanimar a esperança na caminhada bíblico-catequética e destacar vias e modelos que inspirem o protagonismo de catequistas discípulos missionários para os novos tempos. O assessor da Comissão Bíblico-Catequética da CNBB, padre Décio José Walker, está acompanhando as atividades do Sulão.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Acontece em São Leopoldo/RS, o VIII Sulão Bíblico-catequético!



O VIII Sulão  Bíblico-Catequético, sediado em São Leopoldo/RS, teve sua abertura às 14hs de hoje, dia 25, com término no domingo, dia 27. A mesa foi composta por Dom Leonardo Steiner, bispo auxiliar da Arquidiocese de Brasília e Secretário Geral da CNBB, dom Jacinto Bergmann, Arcebispo de Pelotas/RS, Bispo referencial do Regional Sul3 e presidente a Comissão Episcopal Patoral para a Animação Bíblico-catequética da CNBB, Dom Zeno Hastenteufel, Bispo da Diocese de Novo Hamburgo e coordenador da CNBB Sul 3, Dom Paulo Mendes Peixoto, Bispo de Uberaba-MG e da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, Dom Vilson Dias de Oliveira, Bispo de Limeira/SP e Bispo Referencial do Regional Sul 1, Dom Jacinto Inácio Flach, Bispo de Criciúma/SC, Bispo Referencial do Sul4, Dom José Gislon, Bispo de Coxim/MS e referencial do Regional Oeste 1, Dom Antonio Migliore, Bispo de Coxim/MS e referencial do Regional Oeste 1, Profª Liana Plentz, Profº Valmor Silva, Pe Paulo César Gil, coordenador AB-Catequética Sul 1.




O tema geral escolhido para o evento é: “Catequista, protagonista da Fé, do amor e da esperança”, que sintetiza a vocação própria dos anunciadores da Palavra. Na oportunidade, haverá reflexões sobre a catequese e os catequistas que se reconhecem construtores de comunidades e comprometidos com uma nova evangelização para a transmissão da fé cristã.



O cartaz do evento tem um amplo significado. As tochas unidas, formam, juntas, uma única chama. E fazem recordar as palavras de Jesus: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não anda nas trevas” (Jo 8,12). Com essa afirmação de Jesus, os catequistas são convocados a iluminar o mundo, expressando os valores do evangelho: partilha, justiça e paz.







ORAÇÃO DO Vlll SULÃO

Deus nosso Pai, nesta memória dos 25 anos do Sulão, agradecendo pela caminhada feita, te Pedimos de reanimar em todo o Povo de Deus a esperança, sinal da tua presença amorosa e estímulo para o nosso testemunho. 

A tua Palavra continue no centro da vida e da atividade da Igreja. Senhor Jesus, catequista do amor e da esperança, ensina-nos a sermos missionários come tu o foste na Palestina, dois mil anos atrás.

Estejam em nós as atitudes presentes no teu agir: misericórdia com os pecadores, procura dos excluídos, amor aos pobres, coragem da verdade, perseverança e confiança no Pai. 
Deus Espírito Santo, ilumina as nossas mentes para compreender o que significa seguir e anunciar Jesus no mundo de hoje. 

Dá-nos força para confortar os corações atribulados e animar todos com a esperança, que vem da certeza que "Ele está no meio de nós". Maria, nossa mãe, catequista do filho Jesus e primeira missionária, ajuda-nos a sermos perseverantes no anúncio e no testemunho do Evangelho, para que todos tenham vida e vida em plenitude.
Amém.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Homilia do 30º. Domingo do Tempo Comum – Ano C


A justiça divina é parcial. Isso mesmo! Não busquemos no Deus de Jesus Cristo a imparcialidade que se adapta mais facilmente ao nosso esquema racional. O Deus revelado pelo Senhor fica do lado dos pobres, dos indefesos, dos pecadores. Ele deseja salvar a vítima que sofre, e jamais condenar o pecador. A Bíblia fala do órfão e da viúva como imagens dos miseráveis que não têm nada a oferecer, apenas as suas próprias misérias. Estes são os destinatários da misericórdia de Deus. 
A palavra que melhor expressa a ação divina é a gratuidade. Ele não concede suas bênçãos por merecimentos, nem condena proporcionalmente aos erros cometidos. Historicamente, somos vítimas de uma visão casuística que relaciona obras e recompensa. Esta moralização baseada nos méritos e nas culpas não ajuda a criar pessoas livres. Uma religião que culpa e que incide seu discurso no pecado e na condenação não nos faz crescer com responsabilidade, mas cria corações escravos de normas, de preceitos e de projeções. Ser responsável pela vida significa aprender a acertar, e acertar por se sentir responsável pela construção de um mundo melhor, pela felicidade das pessoas e pela própria realização pessoal, sem desvirtuamentos ilusórios. 
No Evangelho, a oração do fariseu é carregada de vaidade, de narcisismo. O narcisismo espiritual faz com que a pessoa construa uma autoimagem sem defeitos, uma projeção que leva o indivíduo a se sentir justo e, portanto, merecedor de recompensa. Para o narcisista espiritual o pecado machuca, traz uma culpa horrível. Isso porque suas falhas não permitem que ele mantenha sua imagem santa diante de Deus, o que o levaria ao mérito. 
O fariseu não dirige o seu olhar a Deus, mas olha para si mesmo. Faz sua “oração” carregado de vaidade, quase que exigindo de Deus as bênçãos divinas diante dos seus méritos. O fariseu cumpre uma lei, uma obrigação. Age por dever e não por amor. Acha-se forte, não vê que a verdadeira força vem de Deus. 
publicano mostra que o mais importante não é a virtude, não são as obras, mas a fé e a humildade. Reconhece que é pequeno e indigno diante de Deus. Esta é a verdadeira oração: não aquela que se envaidece, nem tão pouco aquela que se culpa ao extremo, mas aquela que revela a verdade do coração, pois diante de Deus ninguém pode ter máscaras, todos são a pura transparência de si mesmos, a verdade desnuda. Somente esta transparência pode acolher a graça de Deus, não como mérito, mas como simples (grande) abertura que possibilita a experiência radical do amor de Deus derramado em nossos corações.  
A fé vai além da vaidade. Pela fé humilde aprendemos a superar os obstáculos, mesmo na ausência de retribuições, porque nossa confiança está para além deste mundo. São Paulo nos deixa este testemunho: combater o bom combate, correr com perseverança, ainda que abandonado por todos, porque sabe em nome de quem corre e para onde corre. Não reclama do seu destino, não reclama de Deus, mas se oferece na certeza de que o Senhor não o abandonará. Isso não por méritos, mas por fé. 
Deus escuta a prece do humilde pecador. Deus escuta a prece de quem luta pelo anúncio do seu Reino de amor. Deus escuta a prece do pobre, da viúva, do órfão, do pequeno, daquele que sofre. Deus não se conforma com o mal, é seu adversário. Por isso, olha para os corações feridos com um coração chagado, na sua solidariedade, sem cálculos racionais, Deste modo, escolhe dar a vida por aqueles que não merecem e não podem retribuir. Por vezes, são estes que encontram o caminho do Reino muito antes dos que frequentam a Igreja todos os finais de semana. 

Pe. Roberto Nentwig

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Homilia do 29º. Domingo do Tempo Comum – Ano C



O Evangelho deste domingo apresenta uma viúva importuna, insistente diante de um juiz injusto. A viúva é sinal de um total abandono: sem marido, está desprovida de cuidado e de um sustento digno. A viúva não tem méritos, prestígio ou dinheiro para negociar com o juiz. Resta-lhe a súplica. Ao utilizar a imagem da viúva, Jesus está revelando a gratuidade de Deus: não temos méritos diante do Senhor, ele nos escuta por bondade. Ensina que devemos nos apresentar diante do Senhor com o coração despojado, sem garantias, sem possibilidades de trocas com o Senhor. Deus faz justiça, principalmente aos humildes de coração, aos pobres e injustiçados.

Outra aplicação do Evangelho diz respeito à perseverança. A insistência é conseqüência de nossa confiança. Perseverar é acreditar que é possível reverter o estado de coisas, pois o Senhor está ao nosso lado. A insistência na oração é sinal de confiança filial. Deus sabe do que precisamos, mas pedir a Ele nos educa para uma atitude de filiação. Nem precisaríamos contar tudo a Deus, pois Ele conhece nossas necessidades antes de pedirmos. Contudo, permite que clamemos, pois sabe que nós precisamos desabafar, dizer do que necessitamos, exercitando a nossa confiança no Deus que é Pai de bondade.

É preciso perseverar como Moisés e como a viúva da parábola do Evangelho. A falta de perseverança na oração existe porque nem sempre esperamos com paciência. Queremos que a nossa prece seja atendida hoje, agora. Por vezes, queremos que a nossa prece seja atendida do nosso modo. Devemos confiar que Deus atende o nosso pedido da melhor forma, não necessariamente do modo como queremos ou na hora em que queremos. A fé leva-nos a perseverança, diante das demoras de Deus, diante da cruz de cada dia. A fé é um arriscar-se em um mundo sem garantias aparentes, sem pressas, sem clarezas... “Não desistais, pois, jamais de orar e de esperar despojados e vazios de tudo, porque se o fizerem, Deus não tardará a vir” (São João da Cruz).

Esperar no Evangelho tem também um sentido escatológico. Deus, por vezes, demora a realizar a sua justiça como uma oportunidade de conversão. Na Igreja primitiva, questionava-se sobre a demora da vinda do Senhor, pois acreditavam que em poucos anos, o Senhor voltaria para consumar o seu Reino. A demora da parusia, do juízo final e da vinda do Reino, justifica-se na medida em que entendemos o tempo em que vivemos como o tempo penúltimo, o tempo da conversão, da preparação para a plenitude. Mas será que Deus encontrará fé sobre a terra? Deus sempre faz a sua parte, ao seu tempo, é verdade. Nem sempre estamos dispostos a esperar. O Senhor concede a oportunidade para que acolhamos o seu Reino e a sua graça, é preciso que façamos a nossa parte.

“Toda escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra” (2Tm 3,16).

Pe. Roberto Nentwig


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A esperança



A esperança é uma marca indelével em nosso coração, que nos leva a aspirar por felicidade, dando sentido verdadeiro para a vida. Não ter esperança é perder o sentido da vida e corroer a essência do existir com as atitudes do desespero. O desânimo pode endurecer nossos sentimentos e é um caminho seguro para terminar no desastre da vida, que pode chegar até o suicídio. 

A oração é a força para quem busca fortalecer sua esperança em Deus, indicando relacionamento com o Altíssimo. Acontece aí uma retomada de ânimo, de objetivos e de visão confiante no futuro. Espera quem insiste, como alguém que pleiteia direitos diante do juiz, conseguindo convencê-lo através da pertinência, da insistência e de cobrança.

Como anda a esperança do brasileiro. O envolvimento com a cultura do desespero é constante. A violência por todos os lados reflete insegurança. E o momento dos conchavos políticos revela futuro promissor, ou a história vai ser sempre a mesma? Será que podemos esperar por um país mais humano, digno e de confiança?

Não podemos prender os olhos nas tragédias da vida. Cada desgraça pode causar desânimo e desestímulo para a pessoa agir. Mesmo assim é importante contemplar a beleza da vida que enfrenta os desafios da esperança. É fundamental o desejo de continuar defendendo a vida na sua plenitude.

A esperança deve dar sabor para a vida, coragem para a luta e determinação para vencer. Perder a capacidade de sonhar é não entender as palavras de Paulo: “A esperança não decepciona” (Rm 5, 5). Não é qualquer esperança, como aquela só de ilusões e falsas promessas, mas que seja fundamentada nos princípios da vida.

A verdadeira esperança vem de Deus, daquele que pode fazer das realidades inseguras um caminho de realização plena, ainda na terra, e a dimensão da eternidade feliz. Essa esperança cresce na medida de nossa confiança em Deus e na realização de seu projeto de vida na terra. Na eternidade não haverá mais esperança, porque a vida será toda no amor total de Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.



sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Quando falamos dos outros, revelamos quem somos

Um material de formação pedagógica traz uma frase sobre a qual deveríamos meditar com cuidado. É assim: “Quando João fala de Pedro, ficamos sabendo mais a respeito de João do que de Pedro.”  E não é verdade? João pode até estar dizendo algo que não é verdadeiro a respeito de Pedro mas, ao falar, revela suas idéias, as atitudes que valoriza, seus preconceitos ou sua capacidade de acolher o outro.
            Por isso fico muito contente quando vejo que esforços a favor do ecumenismo e do diálogo inter-religioso estão incentivados nos nossos documento e se tornam visíveis em tantas atividades dentro da nossa Igreja. Eles me dizem coisas bonitas sobre a nossa maturidade católica. Nossa Igreja sabe bem que, sendo a maior e a que tem uma tradição mais solidamente ligada à herança apostólica, a ela cabe uma responsabilidade especial de trabalhar pela unidade. Curar feridas de tantos séculos é algo que exige maturidade, caridade e, sobretudo, muita fidelidade ao desejo explícito de Jesus. E que bom é podermos ver isso na nossa Igreja!
            O evangelho mesmo nos diz que “a boca fala daquilo de que o coração está cheio” (Mt 12, 34). Então é preciso educar o coração para que as palavras se tornem adequadas para a construção da unidade e da paz. Para isso precisamos de um bom conhecimento dos temas que vamos abordar, seja na catequese, seja em nossas conversas com parentes, amigos, vizinhos.  Nosso Diretório para a Aplicação dos Princípios e Normas sobre o Ecumenismo, elaborado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, nos diz em seu número 61a, como orientação para a catequese :
            Ao falar das outras Igrejas e Comunidades Eclesiais, é importante que se apresente, de forma correta e leal o seu ensinamento. Entre os elementos que constituem a própria Igreja e a vivificam, há muitos e de grande valor, que podem existir para além dos limites visíveis da Igreja católica. O Espírito de Cristo não recusa, pois, servir-se destas comunidades como meios de salvação. Esta atitude põe em evidência as verdades da fé comuns às diferentes confissões cristãs. E isso ajuda os católicos, por um lado, a aprofundar sua fé e, por outro, a conhecer melhor e estimar os outros cristãos, facilitando assim a busca, em comum, do caminho da unidade plena na verdade total.”
            E lembra também no número 61d/e:
            “Além disso, a catequese terá esta mesma dimensão ecumênica se se esforçar por preparar as crianças e os jovens e também os adultos para viverem em contato com outros cristãos, formando-se como católicos e respeitando a fé dos outros.”
            “Pode-se conseguir esta formação discernindo as possibilidades oferecidas pela distinção entre as verdades da fé e as formas de se exprimirem; pelo esforço mútuo de conhecimento e de estima dos valores presentes nas respectivas tradições teológicas; pelo fato de mostrar claramente que o diálogo criou novas relações que, bem compreendidas, podem levar à colaboração e à paz.”
            Tudo isso precisa ser feito com bastante responsabilidade, com uma formação continuada que nos faça discernir melhor o que é busca legítima de unidade e o que é confusão de quem não conhece bem o terreno em que caminha. Mas vale a pena, por muitos motivos: atende ao pedido de Jesus, nos faz conhecer melhor a nossa própria identidade, cria um clima de construção de paz e colaboração fraterna e até comunica uma imagem bonita da nossa tradição católica.
 
Therezinha Cruz

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A gratidão


Convivemos, dentro do clima da pós-modernidade, com a esfera do individualismo e com o sistema de egocentrismo muito aguçado, que têm como fonte de sustentação, o mito do bem-estar. Isto vem acontecendo na realidade de endeusamento e idolatria do mercado e do consumo, dificultando a essencial prática da gratidão. 

Temos muitos gestos evidentes de gratidão. Um deles está nos presentes que oferecemos aos amigos em diversas ocasiões. Mas não basta somente isto se não valorizamos a pessoa na sua identidade, reconhecendo nela o bem que faz, sendo até merecedora do gesto de gratidão. Agradecer é confiar sem ficar exigindo troca.

Às vezes agradecemos um estrangeiro com mais frequência e facilidade do que a quem está sempre conosco. Na convivência achamos ser um direito o que o outro faz por nós e não nos preocupamos com o ato da gratidão. Isto pode ter a conotação de não valorizar o que recebemos de quem convive conosco todo dia.

A bíblia fala dos dez leprosos que ficaram curados. Apenas um, que era estrangeiro, voltou para agradecer. Isto foi causa de crítica de Jesus, porque demonstraram atitude de ingratidão, de fechamentos em si mesmos. Podemos até concluir que a ingratidão coincide um pouco com a injustiça e o não reconhecimento do valor de quem nos faz o bem.

Todo ano temos a oportunidade de comemorar o dia do nascituro, da vida e do valor que ela tem. Sabemos que a vida é um dom e um direito inerente à pessoa. Quem teve a oportunidade de nascer, tem também a obrigação de agradecer e de valorizar esse dom. Milhares de indivíduos não têm esta oportunidade e são eliminados por diversas circunstâncias.

Louvor, graça, gratidão, gratuidade e agradecimento são palavras chaves, que ajudam no relacionamento comunitário. Há o perigo de sermos mais propensos para pedir do que para agradecer. Pior ainda é quando queremos levar vantagem em tudo, tendo atitude de exploração e de injustiça com o outro. Ser grato é ser fraterno e capaz de ajudar na boa convivência.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.



Homilia do 28º. Domingo do Tempo Comum – Ano C



Muitas pessoas se lembram de Deus apenas em momentos pontuais da vida: quando precisam batizar os filhos, quando precisam dos demais sacramentos, quando querem se casar, quando estão doentes, quando morre um ente querido... Há quem nunca se lembra de Deus, mas no meio da desgraça, pergunta revoltado: “Por que Deus permitiu esta desgraça?” E este mesmo Deus não participou de tantos momentos felizes da vida deste que agora reclama? Há quem busca Deus apenas para ganhar um benefício. A liturgia deste domingo nos ajuda a refletir sobre tais atitudes.

É preciso sempre alimentar a amizade com Deus, nos momentos bons e ruins. Deus não é um operador de marionetes que fica arbitrariamente concedendo graças e desgraças. Tudo que é bom é dom dele. Tudo que é ruim faz parte da ambiguidade da história, e o Senhor certamente não se alegra com tais infortúnios. O Senhor sofre junto conosco, como nos manifesta em Cristo Jesus – alguém solidário com todos os dramas humanos.

O Evangelho fala de gratidão. Trata-se de um estilo de vida. Devemos viver na gratidão. Devemos viver sabendo que tudo o que recebemos vem de Deus, que Ele é graça em nossa história. Olhar para a história, para o presente e para o passado, percebendo as maravilhas que Deus realiza em nós. Agradecer pelas coisas boas: pela família, pela saúde, pelo alimento, pelos amigos... Quem vive a vida na gratidão, sabe também agradecer pelas coisas ruins. “Gratidão, em seu sentido mais profundo, significa viver a vida como um presente para ser recebido com agradecimentos. E a gratidão verdadeira abarca tudo na vida: o bom e o ruim, a alegria e a dor, o santo e o não tão santo” (H. Nouwen).

A atitude de gratidão faz com que nossa relação com Deus não seja interesseira, pois o doador da graça é mais importante do que a graça recebida. Reconhecer que há um Deus que se importa conosco, que nos presenteia, que nos dá vida nova e que cura a nossa lepra é mais importante do que a própria cura. No Evangelho, os nove leprosos do Evangelho não perceberam esta dinâmica. Foram embora após cura, e apenas um samaritano voltou agradecido. Os dez foram curados da lepra, porém apenas um foi salvo: aquele que se abriu à presença benevolente do Senhor.

Na primeira leitura, Naamã, como os leprosos ingratos, também tinha uma concepção comercial na relação com Deus, pois considerava que era possível comprar a cura. Ele tinha dinheiro e poder, no entanto, era leproso. Quando descobriu que a cura se encontrava em Israel, levou dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez vestes de festa para o rei de Israel. Foi curado por Deus por intermédio do profeta, contudo de nada serviu o seu dinheiro. Eliseu fez questão de mostrar que é por graça de Deus que ele recebeu a cura, não aceitando nada em troca e lhe trazendo o benefício, mesmo sendo ele um estrangeiro. A prepotência não pode nos obter a cura. Às vezes achamos que podemos negociar com Deus, que as coisas devem acontecer da maneira como planejamos. Graça é um benefício de Deus em nosso favor. Tudo o que o Senhor realiza em nossa vida é graça, é um presente sem preço. Com Deus não há trocas, não há comércio, não há méritos. Deus nos ama por pura gratuidade. Ama porque é puro amor.

Os leprosos eram judeus e, por isso, consideravam que tiveram a cura por direito. Preocupavam-se mais com as obrigações legais do que com o Senhor das graças. Jesus os manda ir aos sacerdotes, pois eles acreditavam em tais fiscalizações de pureza. Enquanto os nove se preocuparam apenas com a prescrição legal sobre a lepra, foi um samaritano, considerado indigno, que voltou para agradecer. Isso nos ensina que ninguém é dono da graça divina. Por isso, não podemos fazer separação alguma: grupos de salvos e condenados, grupos de santos e pecadores, grupos dos que pertencem e dos que não pertencem. Nossos critérios humanos miram as aparências, enquanto Deus vê o coração de cada um. 

Pe. Roberto Nentwig




quarta-feira, 9 de outubro de 2013

EVITAR EXAGEROS NA LEITURA BÍBLICA (I)

Frei Gilberto Siqueira Alves, OFMCap.©

A Bíblia é a “Carta” de amor por excelência que Deus manifestou para a humanidade. Foi escrita por muitos autores que partiram da mesma fé, ou seja, muitas experiências bem peculiares relatadas em cada conjunto de livros: Pentateuco, Livros Históricos, Livros Sapienciais, Livros Proféticos, Evangelhos, Atos dos Apóstolos, Cartas Paulinas, Epístolas Católicas e o Livro do Apocalipse. Temos aí o conjunto do Primeiro e Segundo Testamento. São situações permeadas e registradas à luz do Espírito Santo. Ao ser conservada a história do povo de Deus para nossos dias percebemos que também nós somos chamados à superação de tantas dificuldades que enfrentamos em nosso cotidiano. Mesmo que sejam muitas as provações Deus caminha conosco. Isso é fato! A Revelação de Deus à humanidade foi transmitida e registrada na Bíblia em dois estágios diferentes e complementares: Tradição oral e escrita. Tais experiências salvíficas não eram para ficar em um único período da história. Quando meditamos a Palavra de Deus nos transportamos para a situação vivida pela comunidade e nos indagamos acerca da mensagem que anima e estimula as pessoas. Rezar com a Bíblia é um dos presentes que devemos dar ao nosso coração. Como já dizia Santo Agostinho: “Vós o incitais a que se deleite nos vossos louvores, porque nos criastes para Vós e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousa em Vós”.[1] É claro que esse processo de memória e escrita foi realizado na parceria de Deus com a humanidade. Por isso que chamamos história da salvação, dirigida a todos nós seus filhos e filhas, muitas vezes ingratos e insensíveis.
A prudente mediação divina nos orienta: quando lemos algo devemos estabelecer critérios para um melhor desempenho e assimilação do que nos é fornecido no texto e sua aplicação na nossa história. No campo religioso é de bom tom atitudes de oração, ruminação e assimilação das inquietações propostas no texto sagrado, sempre guardadas as devidas proporções. A partir dessas perspectivas vemos que quando a Palavra de Deus vem ao nosso encontro não cabe a nós guardá-la, mas socializar as benesses advindas de tão providencial gesto amoroso de Deus que nos quer cônscios de sua vontade e plenos de seu amor. Estamos situados em uma determinada comunidade de fé. Para facilitar elencamos algumas modalidades de leituras a serem evitadas para não tirarmos a originalidade do texto sagrado, com suas respectivas intuições existenciais e pastorais para os dias de hoje.

1   Leitura Fundamentalista: o texto genuinamente como se apresenta, literal
§  Só na Bíblia existe a ação única de Deus e pronto
§     Só nela existe o conjunto de verdades sobre Deus
§  De cunho anti-histórico, ou seja, tomado ao pé da letra sem a situação atual do seu contexto. Quando se fecha aos sinais de Deus no cotidiano. Se mostra anti-ecumênica
·           Atitudes: alimenta o autoritarismo, cria clima sectário, fechamento e intolerância religiosa: Mt 12,46-50; Mt 13,53-58.



2   Leitura Doutrinarista: o texto usado para justificar normas religiosas
Ø  Busca de doutrinas religiosas que eu preciso saber para me salvar
Ø  Imagem de Deus racional, regulador, alguém impositivo
Ø  Exacerbada preocupação em saber o que é a doutrina
Ø  Primeiramente a “doutrina” e depois a vida humana
·        Atitudes: a Bíblia se torna elemento de salvação de um grupo apenas, zelo exagerado pelas normas religiosas, esse tipo de mentalidade pode gerar hipocrisia e de certeza única: Lc 6,1-5; Jo 8,57-59; (Jo 10,22-39).
3   Leitura Moralista: o texto para fins de julgamentos externos
*      Visão reducionista da realidade: boa ou má
*      A Bíblia como manual de conduta religiosa que todos os cristãos devem observar para não se condenarem
·        Atitudes: a imagem de Deus é como alguém: rígido, castigador, fiscal. Condenar / salvar. Isso gera deturpação dos valores: Lc 5,27-32; Mt 9,9-13; (Mc 3,1-5).

4   Leitura Intimista: o texto exclusivamente à luz de minha experiência “mística”
v  Prevalecimento exagerado do sentimento pessoal
v  Vontade direcionada através do sentimentalismo sem senso de razoabilidade
·         Atitudes: minha imagem de Deus é triunfalista, light, sou o centro do amor de Deus, visão única e pessoal de Deus. “Ele me revelou...” Mt 17,4.

5 Leitura Academicista: Justificar conhecimento intelectual ou defender racionalmente um ou vários pontos de vista que me agrada
·                               A Bíblia como fonte de conhecimento intelectual apenas
·                               Racionalização do religioso em detrimento do espiritual
·                               Tirar dúvidas e satisfazer curiosidade intelectual para justificar algo
·        Atitudes: limites sérios para atualizar a Palavra de Deus, Bíblia como elemento prático, objetivo, mentalidade subjetiva ou conceitual da realidade: Mt 11,25-26.



PERGUNTAS PARA MEDITAÇÃO PESSOAL:

Minhas leituras bíblicas são condicionadas por alguma dessas maneiras?
A meditação nos faz colocar a caminho do que Deus pede de nós. Conseguimos fazer essa meditação diária?




©Pós-graduando em Pedagogia Catequética pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e Vigário Paroquial da Paróquia São Benedito em Teresina- PI.




[1] AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Nova Cultura Ltda, 1999, p. 37. (Coleção os Pensadores).

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Catequese e pastoral de conjunto

             A catequese é um instrumento fundamental na construção do rosto da Igreja. É o campo específico onde as pessoas aprendem a conhecer melhor o que significa ser cristão e ser Igreja. É também o espaço onde cada um deve poder perceber melhor a identidade católica, ouvindo o que a nossa Igreja pede e sendo estimulado se comportar de maneira coerente com a adesão eclesial que vai marcar seu modo de viver a fé cristã.
            Às vezes ouvimos dizer que a Igreja é, ao mesmo tempo, nossa mãe e nossa filha. Como mãe ela nos educa, nos faz herdeiros de suas características, de sua tradição. Como filha ela acaba recebendo de nós também um jeito de ser: nosso comportamento, nossas atitudes e sentimentos fazem parte do rosto que ela apresentará aos de fora. Podemos torná--la mais bonita ou podemos comprometer sua imagem.
            Um rosto é formado por um conjunto bem combinado de características. Imagine um retrato seu  em que olhos e boca estivessem pintados de forma artisticamente irrepreensível mas estivesse faltando o nariz... Seria uma imagem deturpada, mesmo com alguns detalhes bem trabalhados. É isso que acontece com a imagem da Igreja se a catequese cuidar bem de certas dimensões da pastoral e deixar outras no esquecimento. É claro que a catequese tem que educar os catequizandos para uma boa leitura bíblica, um conhecimento da tarefa missionária, uma participação consciente na liturgia e na comunidade. É fácil perceber como uma falha nessas áreas deixaria incompleto o trabalho catequético. Depois de tantos anos trabalhando a ligação entre fé e vida, que era uma preocupação central do documento Catequese Renovada, também se percebe a necessidade de termos, nos materiais catequéticos, uma preocupação com problemas pessoais, comunitários e sociais, como decorrência indispensável do compromisso cristão.
            No meio de tudo isso, porém, não é raro que a dimensão ecumênica seja simplesmente omitida. É como se isso não fizesse parte do conjunto da mensagem, como se fosse uma atividade isolada que somente interessa aos grupos que costumam participar de eventos ecumênicos. Aí fica faltando algo no rosto da Igreja que é apresentado ao público atingido pela catequese, a imagem estará deturpada por estar incompleta. O ecumenismo e o diálogo inter-religioso costumam ser contemplados mais nos materiais e documentos que tratam da dimensão missionária. Isso é compreensível porque os missionários estarão sendo enviados aos que não são cristãos e estarão necessariamente em contato com sistemas religiosos diferentes. Mas hoje, no mundo pluralista em que estamos envolvidos, todo católico precisa saber como a sua Igreja deseja que aconteça o relacionamento com os que pertencem a Igrejas ou religiões diferentes. Esse conjunto de pessoas não católicas certamente marca presença na família, no ambiente de trabalho e na vizinhança dos que estão sendo educados na catequese. Além disso, a própria compreensão do mundo exige que as religiões sejam entendidas sem preconceito. O medo aparece quando alguém acha que isso pode ser uma ameaça à construção da identidade católica. Então, é preciso compreender que uma atitude de diálogo ecumênico e de respeito às convicções religiosas de outros faz parte da identidade católica. Não é algo que se faz contrariando a Igreja, é um jeito de por em prática o que a Igreja mesma ensina. É também um aspecto que torna ainda mais bonita a face da nossa Igreja. Saber dialogar é uma grande qualidade e um sinal de maturidade.  E essa maturidade deve ser trabalhada na catequese. Educando para o ecumenismo e para o diálogo inter-religioso  estaríamos formando pessoas capazes de lidar com o diferente também em outras áreas, aprendendo que respeito não significa concordar com tudo nem abrir mão da sua identidade. É difícil perceber como nosso mundo de hoje está necessitando da arte do diálogo amadurecido, firme em relação ao que cremos ser o melhor e, ao mesmo tempo, respeitoso?
 
Therezinha Cruz 
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