quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Homilia do 25º. Domingo do Tempo Comum – Ano C


A primeira leitura nos apresenta a denúncia do profeta Amós. Diante da injustiça, suas palavras são severas, pois predominava em seu tempo a prática de “dominar os pobres com dinheiro e os humildes com um par de sandálias”. Fala-se que nosso país é corrupto, não somente porque têm políticos corruptos, mas porque a nossa cultura do jeitinho, do tirar proveito está mais presente no cotidiano. Precisamos de uma cultura de honestidade. Como poderá exigir honestidade do filho ou dos governantes, aquele que tira proveito dos outros quando há oportunidade? Aquele que engana o chefe, ou inventa mentiras em seu benefício? É preciso ser fiel nas pequenas coisas, como ensina Jesus.

Na época de Amós havia prosperidade, mas nem todos eram beneficiados. O profeta denuncia a prostração dos pobHomilia do 25º.  Domingo do Tempo Comum – Ano Cres. A injustiça toca o coração de Deus, o clamor do pobre sobe aos ouvidos de Deus, pois Ele deseja o Reino: vida em plenitude, justiça e paz. Nós precisamos colaborar para que tudo isso aconteça. Deus já eleva os humilhados e já humilha os soberbos, pois esses últimos não têm a verdadeira vida, por escolha própria.

Jesus faz um elogio a um administrador desonesto. As traduções nos enganam um pouco. O administrador da parábola era um irresponsável em suas funções, pois não trazia para o patrão o lucro esperado. Na verdade, Jesus não está interessado na sua desonestidade, mas elogia sua esperteza, a sua astúcia. Esperteza e astúcia podem ser traduzidas, de um modo positivo, por sabedoria. Depois do episódio com o patrão, o administrador reflete, ou seja, toma consciência de suas atitudes, vê a verdade por trás de suas ações, de modo sábio. Sua reflexão o leva a tomar uma decisão: “O que vou fazer?” Toma uma decisão firme após meditar. Nossa vida deve ser conduzida assim: refletir sobre a vida á luz de Deus, e tomar iniciativa, ou seja, partir para a ação.

O administrador foi sábio ao perdoar dívidas e foi elogiado pela sua atitude. Sua nova postura denota desapego dos bens. Sua esperteza teve uma finalidade positiva: “fazer amigos”. Ou seja, o mais importante são as relações humanas. Elas devem estar acima de qualquer lucro, de qualquer bem material. O perigo do materialismo e do acúmulo está em cegar o ser humano, que se torna escravo dos bens. Então se relativiza o que é mais importante, deixando-se de lado as pessoas, os pobres e sofredores, os amigos e até os familiares. É preciso fazer bom uso do dinheiro, utilizando-o para servir o ser humano e não para torná-lo egoísta. Há pessoas que guardam o seu dinheiro e nem garantem uma boa vida aos filhos, aos parentes, nem a si mesmo. Deus nos ensina a usarmos o dinheiro para fazermos amigos e não para o egoísmo. Não é possível servir a dois senhores.

Na segunda leitura, São Paulo nos deixa uma grande lição: devemos interceder pelas pessoas, por todas elas. Devemos interceder de mãos limpas, sem ira ou discussões: de nada adianta orar, se a nossa vida não é uma busca de comunhão. Devemos rezar por todos: pelos familiares, pelos amigos, pelos inimigos, pela comunidade. São Paulo ainda fala da prece pelos governantes. À luz da profecia de Amós, devemos rezar para que haja justiça social e políticos mais honestos.

Pe Roberto Nentwig

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