sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Espiritualidade do convívio com o diferente

Ecumenismo é conteúdo indispensável da catequese porque é parte integrante da vida da Igreja. Embora focalize conhecimentos sobre o que nossa Igreja tem dito sobre esse assunto, a educação ecumênica é – acima de tudo- uma espiritualidade, porque não deve ser simplesmente uma estratégia. Precisa brotar do coração com autenticidade e depende do cultivo de várias atitudes e sentimentos que vão determinar um comportamento que vai além do contato com Igrejas diferentes, que atinge o relacionamento diário que temos com o outro, em todos os campos da nossa vida.
            Valores e atitudes não são “ensinados”, cada um tem que assumi-los a seu jeito. Cabe à catequese proporcionar oportunidades de reflexão para cada um ir descobrindo a melhor maneira de se relacionar com os diferentes. Esses “diferentes”, na verdade, são todas as pessoas que conhecemos porque cada ser humano é único. Deus é um artista que não se repete e, mesmo se tivermos gêmeos geneticamente idênticos, a experiência de vida irá construindo em cada um personalidades próprias.
            Há variados recursos pedagógicos que podem ser usados para começar diálogos e reflexões sobre nossa atitude diante do outro que não compartilha idéias e sentimentos que para nós são importantes. Nem todos esses recursos terão origem no campo de materiais que trazem o rótulo religioso. Nosso Diretório Nacional de Catequese nos diz:
            “Na comunicação há muito a aprender do que o mundo vem descobrindo. Um catequista que gosta de aprender, também fora do âmbito da Igreja, será mais criativo e terá mais recursos para dar conta de sua missão.” DNC 151
            E mais adiante o Diretório nos lembra também que a catequese é vivida dentro de uma experiência humana que é mais que simples transmissão de conhecimento. Então esse documento nos lembra fontes importantes de recursos:
            “Nessa experiência humana podemos incluir as inquietações e problemas humanos sérios que são retratados em boas obras de cinema, literatura, música, teatro. Os bons artistas têm o dom de expressar de forma impactante a experiência humana. A catequese pode aproveitar o talento desses parceiros.” DNC 165
            No cinema, na literatura (infantil ou para jovens e adultos), nas músicas não vamos ter  explicitamente ‘lições de ecumenismo” mas com atenção podemos selecionar  materiais que apresentam a diferença de maneira construtiva. Por exemplo;
- equipes de naves espaciais (como as que encontramos na série Jornada nas Estrelas ou Star Wars) são formadas por pessoas com talentos e temperamentos diferentes, às vezes até unem alienígenas de vários planetas. A diferença não é só bem aceita, ela é necessária para o sucesso das viagens.
- aventuras em quadrinhos do Maurício de Sousa se tornam interessantes exatamente porque cada personagem tem suas peculiaridades.
- histórias infantis de Ruth Rocha e Ana Maria Machado, entre outras, freqüentemente apresentam situações que são resolvidas graças à diversidade que se torna cooperação.
-  há fábulas que podem ser vistas como parábolas sobre o encontro dos diferentes.
- canções como “Eduardo e Mônica” mostram pessoas diferentes se unindo.
- Branca de Neve consegue muita coisa com a ajuda dos 7 anões. Na história do Mágico de Oz o time que vai levar a história a um bom final é formado por uma menina, um homem de lata, um leão e um espantalho. No filme Rei Leão II, a canção de fundo tem como refrão: Somos mais do que mil, somos UM.
- Quando a canção de Roberto Carlos nos faz dizer  “Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar”, ninguém imagina que estamos nos referindo a um milhão de pessoas exatamente iguais.
            Além do uso desses recursos, cada catequizando pode ser convidado a fazer uma lista de pessoas diferentes que tornam sua vida melhor. Aí se incluem a família e os amigos, mas também trabalhadores de muitas áreas. É só pensar quantas pessoas, com atividades e talentos diferentes são necessárias, por exemplo, para que um pedaço de pão chegue a nossa mesa.
            Nem precisaríamos estar sempre especificamente mencionando o termo “ecumenismo”, mas a valorização do diferente é essencial na construção da espiritualidade que vai tornar possível o encontro fraterno de cristãos de Igrejas diferentes.
 
Therezinha Cruz

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