sábado, 28 de setembro de 2013

Congresso Internacional de Catequese - Parte 02


Roma, 28 de Setembro de 2013

Queridos amigos e amigas da Catequese

Hoje o nosso dia teve início com a celebração da Eucaristia na Basílica de São Pedro presidida pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella nesta celebração fizemos nossa profissão de fé em comunhão com toda Igreja diante da Cátedra de Pedro.

A última conferência realizada por Dom Javier Salinas Viñals bispo de Mallorca e membro do  Conselho Internacional da Catequese (Espanha), com o tema: A Diaconia da verdade como expressão da comunidade Eclesial. Sua fala inicial foi aplaudida com entusiasmo por todos  ao afirmar: “os catequistas são a expressão da missão da maternidade da Igreja.”

A busca e a crise da verdade: a expressão da verdade na sociedade marcada pelo relativismo.

A Diaconia da verdade: Os elementos fundamentais desta questão na ação eclesial:
1-    A revelação fundamento da diaconia da verdade;
2-    Cristo primazia e revelador da verdade, a verdade não é uma idéia, mas é uma Pessoa;
3-    A fé como aceitação da verdade, a consciência da fé: Crer  não é uma opinião, nem um sentimento.
A tradição como transmissão da verdade revelada. A verdade da fé está unida no caminho da Igreja na história.

-    A necessidade de uma linguagem para a transmissão da verdade. A Igreja nossa mãe ensina a linguagem da fé;
-    O CIC a serviço da verdade. É uma regra segura para o ensino da fé;
-    A dimensão salvífica da diaconia da verdade. Por Cristo e em Cristo se ilumina o mistério do homem.Os desafios para a diaconia da verdade:
-    Subjetivismos, relativismo, pluralismo, incerteza e dúvida. Acentua a dimensão verdade da fé e seu realismo;
-    Fragmentação e individualismo. Emergência na história, na tradição e na vida da Igreja;
-    Desafios no confronto da tradição e concepção da verdade como fruto de uma elaboração unicamente humana. O primado da verdade;
-    Relevância pessoal e social da verdade. O evento de Cristo junto com o testemunho do crente, ilumina, inspira e inquieta.

O catequista como testemunha da verdade. O testemunho de vida é uma condição essencial para o serviço da verdade. A Igreja afirma o direito de servir o homem na sua totalidade, dizendo-lhe o que Deus revelou sobre o homem e sua realização, e ela deseja tornar presente aquele patrimônio imaterial, sem o qual a sociedade se desintegra, as cidades seriam arrasadas por seus próprios muros, abismos e barreiras. A Igreja tem o direito e o dever de manter acesa a chama da liberdade e da unidade do homem. (Papa Francisco aos bispos do Brasil)

Logo após o secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Octávio fez um breve resgate dos dias de congresso como síntese.

No fechamento do dia nos animou a fala de Dom Rino, lembrando as palavras de Paulo VI quando estava elaborando a Envangelii Nuntiandi “quando for necessário, a Igreja deve instituir novos ministérios”, e afirmou: A catequese é um genuíno ministério na Igreja, o catequista exerce este ministério em nome da Igreja.

À tarde os catequistas foram convidados para a Peregrinação ao tumulo de São Pedro. Aconteceu em várias Igrejas da cidade de Roma momentos de catequese por grupos linguísticos.

Amanhã dia 29 teremos a missão de encerramento com o Santo Padre às 10h30.

Com nossos abraços catequéticos.
Pe. Eduardo Calandro
Pe. Jordélio Siles Ledo, css 

Regional Nordeste 5 realiza o I Congresso Maranhense de Animação Bíblica da Vida e da Pastoral


Começou ontem, dia 27, o I Congresso Maranhense de Animação Bíblica da Vida e da Pastoral promovido pela Comissão Pastoral para Animação Bíblico-Catequética do Regional NE V. A abertura se deu com a entrada  das doze Dioceses. Após uma breve apresentação, aconteceu um momento de oração partilhada por todos os presentes.
  Em seguida, foi composta a mesa de abertura do Congresso, com D. Franco Cutter, D. Enemésio Lazzaris, Pe. Décio Walker, Joana Meneses, Martha Bispo e José Roberto. Coube a D. Franco Cutter, Bispo referencial da Catequese no Regional NE V, fazer a acolhida dos participantes do Congresso.
A seguir, a Coordenadora Regional, Joana Meneses, fez a apresentação da proposta do Congresso, com seus objetivos, declarando, então, aberto oficialmente o I Congresso Maranhense de Animação Bíblica da Vida e da Pastoral.

OBS: Haverá outra matéria no final do congresso.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Congresso Internacional de Catequese - Parte 01


Roma, 27 de Setembro de 2013




Hoje foi um dia intenso e maravilhoso, pois no final do congresso tivemos a presença simples e afetuosa do Papa Francisco que nos trouxe uma mensagem de uma Igreja catequética itinerante, que não pode ter medo de ir às periferias, pois ali Deus está. Que  não deve se fechar, mas se colocar na estrada, preferindo correr o risco de acidentes, do que viver fechado, que pode conduzir a uma Igreja doente.

Com a conferência: “Memória Fidei”: O dinamismo do ato da fé (memória, evento, profecia) realizada pelo Prof. Pe. Pierangelo Sequeri, Presidente da Faculdade Teológica da Itália (Milão) nos foi apresentado que a memória Jesus é o primeiro e fundamental elemento constitutivo da memória fidei da Igreja, transmitida de geração em geração e anunciada em todos os cantos da terra: Na  confissão da fé, na celebração dos sacramentos,  no caminho das comunidades, na pregação. É impossível comunicar a fé cristã em Deus sem alargar a memória evangélica de Jesus e a memória apostólica da fé N’Ele. (DV 5-6)
Foram destacados alguns pontos:
1-    A memória Jesus como princípio e norma: a revelação como evento inclusivo da fé apostólica;
2-    A memória fidei como argumento da lealdade intelectual e da coerência teológica da didaskalia;
3-    A escritura evangélica como dispositivo metodológico da correlação da história de Jesus e o acesso à fé;
4-    Memória, didaskalia, profecia. O exercício da esperança dos seus fiéis a cerca do evento de Deus na história.
A conferência proferida pelo Pe. Robert Dodaro, O.S.A., Presidente do Instituto Patrística Agostiniano da Pontifícia Universidade Lateranense, teve por tema “Traditio e Redditio Symboli”. O nosso sim a Deus. Nos fez refletir sobre a questão de como se pode pensar a tradição da Igreja com métodos e linguagens adaptados ao tempo e a cultura em que vivemos. Esta questão ilustra duas aplicações da antiga doutrina retórica grega e latina da propriedade lingüística como uma técnica sistematicamente empenhada pelos padres da Igreja.
No campo catequético é preciso adaptar o ensino da Igreja à condição atual das pessoas de hoje. Superando o estilo e o monopólio e influência retórica da mídia moderna que prevalece sobre a mensagem cristã. A  Igreja não precisa criar meios de comunicação para competir com a “mass mídia”, mas precisa conhecer a técnica e adaptar sua linguagem, anunciando a mensagem cristã. Somente assim se pode transmitir um ensino católico e comunicar com sucesso a imagem do Deus amor.
A conferência “Credibilidade da fé: O retorno da fé a razão da transmissão da fé”, proferida pelo Pe. Krzysztof Kauch docente de teologia fundamental de Lublino, Polônia. Nos apresentou  sua reflexão a partir de dois pontos. A relação entre fé, razão e ciência. A explicação do Papa João Paulo II sobre a crescente secularização. Não é a fé da Igreja que deve se adaptar ao hoje,  mas a cultura ocidental moderna que deve se renovar, que necessita de um novo espírito, uma nova esperança para sobreviver.
“Por uma Pedagogia do ato da fé” proferida pela Dra. Jem Sullivan, docente de catequética na Pontifícia Faculdade da Imaculada Conceição da Casa Dominicana de Estudos – Washington destacou que a catequese, enquanto comunicação da divina revelação, se inspira radicalmente na Pedagogia de Deus, de Cristo e da Igreja.
“Traditio Verbi: Harmonia entre Escritura, Tradição e Magistério” com o Pe. Alberto Franzini, pároco em Cremona, Itália. Nos apontou o tema da natureza da revelação nos seguintes tópicos:
1-    A natureza da revelação segundo a Dei Verbum;
2-    Revelação e Igreja
3-    Tradição e Escritura
4-    Igreja e Magistério
Com o Prof. Joel Molinário, teólogo e diretor do Instituto Superior de Pastoral Catequética de Paris, refletimos sobre o tema da “Acolhida do Catecismo da Igreja Católica na Catequese. Experiências e critérios para uma plena reinserção”. A partir do Concilio Vaticano II, do ano da fé e do Sínodo sobre a Nova Evangelização refletiu alguns pontos:
1-    O CIC e o Vaticano II;
2-    O CIC e o Ano da Fé;
3-    O CIC  e a Nova Evangelização.
O professor Joel mal conseguiu terminar de proferir sua fala, pois o Papa Francisco apareceu no fundo da sala Paulo VI antes do horário previsto provocando uma grande agitação em toda assembléia, com jeito descontraído andou pelo corredor e cumprimentou a todos por mais de 25 minutos. Segue abaixo o seu discurso.

DISCURSO DO PAPA FRANCISCO

Eu gosto desta idéia do Ano da Fé, um encontro para vocês, catequistas. Eu também sou catequista! A catequese é um dos pilares para a educação da fé, e é preciso bons catequistas! Obrigado por este serviço à Igreja e na Igreja. Embora às vezes pode ser difícil, vocês trabalham demais, vocês se envolvem e nem sempre vêem os resultados desejados, o processo de educação na fé é lindo! É talvez o melhor legado que podemos deixar: a fé! Educar na fé, é importante porque você cresce. Ajudar as crianças,  jovens, adultos a conhecer e a amar o Senhor mais e mais. É preciso "Ser" catequistas! É vocação. Não é um trabalho que se espera algo em troca: isso não precisa! Eu trabalho como catequista, porque eu amo ensinar... Mas se você não é catequista, não é! Você não será frutífero, não pode ser frutífero! Catequista é uma vocação: "ser catequista", esta é a vocação, não funcionam como catequista. Lembre-se, eu não disse "fazer" os catequistas, mas o "ser", pois envolve a vida. Você dirige para o encontro com Cristo em suas palavras e vida, com o testemunho. Lembre-se que Bento XVI nos disse: "A Igreja não cresce por proselitismo. Ela cresce por atração ". E o que atrai testemunha. Ser catequista é dar testemunho da fé, ser coerente na sua vida. E isso não é fácil. Não é fácil! Nós ajudamos, nós dirigimos ao encontro com Cristo em suas palavras e vida, com o testemunho. Eu gostaria de lembrar que São Francisco de Assis disse a seus irmãos: "Pregar o Evangelho sempre e, se necessário, com as palavras." As palavras são..., mas antes o testemunho: que as pessoas vêem em nossas vidas do Evangelho, pode ler o Evangelho. E "ser" pede catequistas para amar, o amor mais forte e mais difícil de Cristo, o amor de seu povo santo. E este amor não pode ser comprado em lojas, não se  compra, aqui em Roma. Esse amor vem de Cristo! É um dom de Cristo! E se se trata de Cristo começa com Cristo e devemos recomeçar a partir de Cristo, por meio do amor que Ele nos dá, o que isso significa Partir de Cristo para os catequistas, para você, para mim, já que sou um catequista? O que isso significa?
Vou falar sobre três coisas: um, dois e três, como fizeram os antigos jesuítas... um, dois, três!
1. Primeiro de tudo, recomeçar a partir de Cristo significa estar familiarizado com Ele, ter essa familiaridade com Jesus: Jesus recomenda aos seus discípulos na Última Ceia, quando você começa a viver o maior dom do amor, do sacrifício da Cruz. Jesus usa a imagem da videira e dos ramos e diz permanecereis no meu amor, fique ligado em mim, como um ramo está ligado à videira. Se estivermos unidos a Ele, podemos dar frutos, e esta é a familiaridade com Cristo. Permanecer em Jesus! É um apegar a Ele, n'Ele, com Ele, falando com ele: permanece em Jesus.
A primeira coisa que um discípulo deve fazer, é estar com o Mestre, ouvi-lo, aprender com ele e isso é sempre, é uma jornada que dura a vida inteira. Lembro-me muitas vezes que na diocese que eu tinha antes, eu vi no final dos cursos muitos catequistas  que saíram dizendo: "Tenho o título de catequista". Isso não ajuda, você não tem nada, você fez uma pequena rua! Quem vai te ajudar? Isto é verdade para sempre! Não é um título, é uma atitude: para estar com Ele, e dura uma vida! É um ficar na presença do Senhor, que Ele olha eu pergunto: Como é a presença do Senhor? Quando você vai para o Senhor, olhe para o Tabernáculo, o que você faz? Sem palavras... Mas eu digo, eu digo, eu acho, eu medito, sinto-me... muito bemm! Mas deixe-se olhar pelo Senhor? Vejamos o olhar do Senhor. Ele olha para nós e esta é uma maneira de rezar. Você deixa-se olhar pelo Senhor? Mas como? Olhe para o Tabernáculo, e deixe-se olhar... é simples! É um pouco "chato, eu caio no sono... Dormindo, dormindo! Ele vai olhar para você mesmo. Mas você tem certeza de que Ele está vendo você! E isso é muito mais importante do que o título de catequista: é parte do Ser catequista. Isso aquece o meu coração, mantém o fogo da amizade com o Senhor, Ele faz você sentir que o Senhor realmente olha, está perto de você e te ama. Em uma das visitas que eu fiz, aqui em Roma, em uma missa, aproximou-se um homem, relativamente jovem, e me disse: “Papa, prazer em conhecê-lo, mas eu não acredito em nada! Eu não tenho o dom da fé”. Ele entendeu que era um presente. "Eu não tenho o dom da fé! O que ele me diz?". Respondi: "Não desanime. Ele ama você. Deixe-se olhar por Ele! Nada mais." E eu digo isso a vocês:  olhem para o Senhor! Eu entendo que para vocês não é tão fácil, especialmente para aqueles que são casados ​​e têm filhos, é difícil encontrar um tempo para se acalmar. Mas, graças a Deus, não é necessário fazer tudo da mesma forma, há variedade de vocações na Igreja e variedade de formas espirituais, o importante é encontrar uma forma adequada para estar com o Senhor , e isso pode ser, você pode em todos os estados de vida. Neste momento, todos podem perguntar: Como posso viver este "estar" com Jesus? Esta é uma pergunta que eu deixo para vocês: "Como posso viver e estar com Jesus, este permanecer em Jesus?". Tenho momentos em que eu vou ficar na sua presença, em silêncio, eu me deixei olhar por Ele? Ele é fogo que aquece o meu coração? Se em nossos corações há o calor de Deus, seu amor, sua ternura, como podemos nós, pobres pecadores, aquecer os corações dos outros? Pense sobre isso!
2. O segundo elemento está presente. Em segundo lugar, começar de novo a partir de Cristo significa  imitá-lo, ir ao encontro do outro. Esta é uma bela experiência, e um pouco algo de “paradoxal”. Por quê? Porque aqueles que colocam Cristo no centro de suas vidas, está fora do centro! Quanto mais você se junta a Jesus, Ele se torna o centro de sua vida, mais Ele faz você sair de si mesmo, você descentraliza e abre para os outros. Este é o verdadeiro dinamismo do amor, este é o movimento do próprio Deus! Deus é o centro, mas é sempre o dom de si, o relacionamento, a vida que se comunica... Também nos tornarmos assim, se permanecermos unidos a Cristo, Ele nos faz entrar nesta dinâmica de amor. Onde há vida verdadeira em Cristo, há abertura para o outro, não há nenhuma saída de si para chegar aos outros em nome de Cristo. E este é o trabalho do catequista: sair continuamente de si, vencer o amor-próprio, para dar testemunho de Jesus e sobre Jesus e pregar Jesus. Isto é importante porque é o Senhor: é o Senhor que nos leva a sair.
O coração do catequista sempre vive esse movimento de "sístole - diástole": a união com Jesus - o encontro com o outro. São duas coisas: eu me juntar a Jesus e ir para o encontro com os outros. Se pelo menos um desses dois movimentos já não bater, não conseguem viver. Recebe o dom do kerygma, e por sua vez, oferece um presente. Esta pequena palavra: presente. O catequista tem consciência de que recebeu um dom, o dom da fé e dá-la como um presente para os outros. E isso é lindo. É puro dom: o dom recebido é um presente enviado. E lá está o catequista, nesta intersecção de presente. É assim na própria natureza do querigma é um dom que gera missão, que sempre empurra para além de si. São Paulo disse: "O amor de Cristo nos impele", mas que "nos impele" também pode ser traduzida como "nós temos". É assim: o amor atrai e envia, leva-o a dá-lo aos outros. Nesta tensão move os corações de todos os cristãos, especialmente o coração do catequista. Todos nós perguntamos: é assim que meu coração bate: união com Jesus e de encontro com o outro? Com este movimento de "sístole e diástole"? Alimenta-se em um relacionamento com Ele, mas para trazê-lo para os outros e não sentir? Vou lhes dizer uma coisa: eu não entendo como um catequista pode permanecer estático, sem esse movimento. Eu não entendo!
3. E o terceiro elemento - três - é sempre nesta linha: começar de novo a partir de Cristo significa não ter medo de ir com ele nos subúrbios. Aqui lembro-me da história de Jonas, um número muito interessante, especialmente em nossos tempos de mudança e incerteza. Jonas era um homem piedoso, com uma vida tranquila, ordeira, e isso o leva a ter seus planos muito claros e julgar tudo e todos com esses esquemas, tão difícil. Tem tudo claro, a verdade é essa. É duro! Então, quando o Senhor o chama e diz para ele ir e pregar a Nínive, a grande cidade pagã, Jonas não se sente. Vá lá! Mas eu tenho toda a verdade aqui! Não sinto como... Nínive está fora de seus planos, fica nos arredores de seu mundo. E, em seguida, fugir, ele vai para a Espanha, ele foge, ele embarca em um navio que vai para lá. Vá ler o Livro de Jonas! É curto, mas é uma parábola muito informativa, principalmente para nós que estamos na Igreja.
O que nos ensina? Ela nos ensina a não ter medo de sair de nossos esquemas de seguir a Deus, porque Deus vai sempre mais além. Mas você sabe o porquê? Deus não tem medo!  Ele não tem medo! É sempre além dos nossos padrões! Deus não tem medo das periferias. Mas se você vai para as periferias, você vai encontrá-lo lá. Deus é sempre fiel, é criativo. Mas, por favor, não entendo um catequista, que não é criativo. E a criatividade é como o pilar do ser catequista. Deus é criativo, não é fechado, nunca é rígido. Deus não é rígido! Nos acolhe, vem até nós, nos entende. Para ser fiel, ser criativo, você tem que saber como mudar. Saber como mudar. E por que eu deveria mudar? E 'para ajustar-me às circunstâncias em que eu tenho que anunciar o Evangelho. Para ficar com Deus devo ser capaz de ir para fora, não tenha medo de ir para fora.  Um catequista sem dinamismo acaba sendo uma estátua de museu, e temos muitos! Temos tantos!Por favor, não queremos estátuas de museu!  Gostaria de saber algum de vocês querem ser estátuas de museu? Alguém tem esse desejo? [Catequistas: Não!] Não? Você tem certeza? Ok. Eu vou dizer agora o que eu já disse muitas vezes, mas é o que diz meu coração. Quando os cristãos estão presos no seu grupo, no seu movimento, em sua paróquia, em seu meio, estamos fechados e o que acontece conosco, acontece com tudo o que é fechado, e quando uma sala está fechada começa o cheiro de umidade. E se uma pessoa está trancada naquele quarto, fica doente! Quando um cristão está trancado em seu grupo na sua paróquia, em seu movimento, é fechado, fica doente. Se um cristão sai nas ruas, nas periferias, pode acontecer com ele o que acontece com uma pessoa que vai para a estrada: um acidente. Tantas vezes já vimos acidentes de trânsito. Mas eu lhes digo: Eu prefiro mil vezes uma Igreja que corre o risco de acidentes do que uma igreja doente! A Igreja, um catequista que tem a coragem de assumir o risco de ir para fora, e não de um catequista que estuda, sabe tudo, mas sempre fechado: este está doente. E às vezes a cabeça está doente...
Mas tenha cuidado! Jesus não diz: vá. Não, ele não disse isso! Jesus afirmou: Vai, Eu estou com vocês! Esta é a beleza e o que nos dá força se formos, se sairmos para anunciar o seu Evangelho com amor, com verdadeiro espírito apostólico, com franqueza, Ele caminha conosco, diante de nós, - o digo em espanhol - não "primerea". O Senhor sempre lá "primerea"! Até agora você já aprendeu o significado desta palavra. E a Bíblia diz isso, eu digo que sim. A Bíblia diz que o Senhor diz na Bíblia: Eu sou como a flor da amendoeira. Por quê? Porque é a primeira flor que floresce na primavera. Ele é sempre "primeiro"! Ele é o primeiro! Isso é fundamental para nós, que Deus sempre nos precede! Quando pensamos em ir embora, em uma periferia distante, e talvez tenhamos um pouco de medo, da realidade, Ele já está lá: Jesus nos espera no coração do irmão em sua carne ferida em sua vida oprimida, em sua alma sem fé. Mas você sabe que uma das periferias que me faz sentir dor, eu tinha visto na diocese que eu estava antes? Uma das crianças que não sabe nem fazer o sinal da cruz. Em Buenos Aires há muitas crianças que não sabem fazer o sinal da cruz. Esta é uma periferia! Você tem que ir lá! E Jesus está lá esperando por você, para ajudar a criança a aprender a fazer o sinal da cruz. Ele sempre nos precede.
Caros catequistas, estes são os três pontos. Sempre recomeçar a partir de Cristo! Agradeço-lhe pelo que você faz, mas principalmente porque estamos na Igreja, o Povo de Deus a caminho, porque você anda com o povo de Deus permanece com Cristo - permanecer em Cristo - tentamos ser mais e mais um com Ele; segui-lo, imitá-lo em seu movimento de amor, em seu alcance para o homem, e nós saímos, abrimos as portas, temos a audácia de traçar novos caminhos para a proclamação do Evangelho.
Que o Senhor te abençoe e Nossa Senhora vos acompanhe. Obrigado!
Maria é nossa Mãe, 
Maria sempre nos conduz a Jesus!
Vamos fazer uma oração para o outro, a Nossa Senhora.
Em seguida todos rezamos a Ave Maria cada um em sua língua e o Papa nos deu a Bênção.

Pe. Eduardo Calandro
Pe. Jordélio Siles Ledo, css 

"Jornada da fé" reunirá catequistas do Regional Sul 1 da CNBB



A “Jornada da Fé” reunirá no próximo domingo, 29, no Santuário Nacional de Aparecida, catequistas do Regional Sul 1 da CNBB. A Santa Missa, celebrada pelo presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética do Regional e Bispo de Limeira, Dom Vilson Dias de Oliveira, espera receber aproximadamente mil participantes.

Em carta-convite, Dom Vilson escreveu sobre o tema da Romaria de Aparecida “Catequistas com Maria em Aparecida, a Estrela da Nova Evangelização”: “Vamos confiar à Mãe do Senhor a vida e a missão de todos(as) catequistas que se empenham no anúncio da Boa Nova e no discipulado de Jesus Cristo”, ressaltou.

Os Catequistas, após participarem da Celebração Eucarística, se reunirão em assembleia na Tribuna Papa Bento XVI, para momento de motivação e envio, até as 13h30. O Bispo de Limeira afirmou em sua mensagem que espera contar “com a colaboração e incentivo de todos os bispos para que as dioceses sejam representadas pela presença e alegria de nossos catequistas. Animem suas equipes diocesanas na organização de caravanas para este evento”, solicitou o bispo.

Concluindo, Dom Vilson pediu orações à Padroeira do Brasil: “Peçamos a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, grande catequista e missionária, por toda a nossa Igreja e por todo o povo brasileiro. Que Deus abençoe e frutifique sempre o seu ministério episcopal. Unidos no Cristo Senhor”.

Nossa Igreja fala de espiritualidade ecumênica

     Em 2003 houve um Encontro Plenário do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, que focalizou o tema da espiritualidade ecumênica. Daí nasceu o livrinho “Guia para uma espiritualidade ecumênica”, publicado por Edições Paulinas e escrito pelo cardeal Walter Kasper, que era presidente do Conselho. È um livro simples, que os catequistas deveriam ler porque recolhe orientações de vários documentos oficiais e nos mostra como a nossa Igreja quer que seja vivida uma verdadeira espiritualidade ecumênica. Vamos lembrar aqui algumas coisas importantes que esse texto destacou, a partir de outros documentos eclesiais e da Sagrada Escritura.
Ele nos relembra, por exemplo, as palavras de Paulo em 1 Cor 12,3: “Ninguém será capaz de dizer “Jesus é o Senhor”, a não ser sob a influência do Espírito Santo”. Citando isso, o cardeal Kasper quer nos dizer que existe presença do Espírito Santo no meio de cristãos de outras Igrejas. É um fato que o documento Unitatis Redintegratio também reconheceu e até indicou como algo que pode nos fazer bem, quando disse: ´Tudo o que a graça do Espírito Santo realiza nos irmãos separados pode também contribuir para a nossa edificação.” (UR 4)  
Isso aponta para possíveis conseqüências na catequese. Já vi católicos ficarem descontentes quando cito, como bom exemplo, frases ou ações de algum cristão de outra Igreja. Querem que eu me limite aos católicos. É claro que temos que usar com frequência os numerosos exemplos de vida de nossos santos, temos que valorizar o que vem da nossa comunidade católica. Mas é a nossa Igreja que está nos dizendo que podemos aproveitar o que há de bom em outras tradições para crescer como cristãos, sem nos tornarmos nem um pouquinho “menos católicos”.
 Ao falar dos sacramentos, o livro do cardeal Kasper dedica um espaço à questão das famílias de casamentos mistos. Tenho experiência de participar há muitos anos, de um grupo ecumênico de convivência cristã, onde há vários casais em que um dos cônjuges é católico e o outro evangélico. É bonito ver como eles vivem essa realidade. No começo, achavam que a diferença entre as Igrejas era um problema com o qual eles tinham que conviver. Hoje eles sentem que o seu casamento lhes deu uma missão: o amor conjugal que eles vivenciam é percebido como um sinal do amor que Deus quer ver entre as Igrejas e eles se sentem chamados a mostrar esse sinal no trabalho pela unidade dos cristãos. O livro do cardeal Kasper percebe a potencialidade dessa situação quando diz que famílias de casamento misto podem “ser chamadas a desempenhar um papel na organização ou liderança de grupos ecumênicos que se reúnam para oração e estudo das Escrituras, ou para ajuda a outras famílias de casamento misto.” Esses casais poderiam também “receber uma responsabilidade particular na preparação de serviços de oração ecumênica, tanto durante a Semana de Oração pela Unidade dos cristãos como durante o ano.”
Nossas paróquias têm pastorais variadas. A Pastoral da Família, em muitos lugares, tem até um atendimento específico para casais de segunda união. Se tivéssemos, em cada diocese pelo menos, uma Pastoral das Famílias de Casamento Misto, a catequese teria aí um papel importante porque o diálogo ecumênico exige, além do respeito pela maneira como o outro vive a sua fé, uma firmeza na própria identidade católica. As reuniões de pais da catequese poderiam ser um espaço para identificar famílias que têm membros de Igrejas diferentes para depois dar a elas a possibilidade de oração e reflexão em conjunto, dentro de um sadio respeito fraterno pela identidade eclesial de cada um.
A espiritualidade ecumênica não é, portanto, uma excentricidade a que alguns se dedicam. È um jeito de servir à nossa Igreja, fazendo exatamente o que ela nos pede nas suas orientações oficiais.
 
Therezinha Cruz

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Homilia do 26º. Domingo do tempo Comum – Ano C

As leituras deste domingo continua nos falando sobre o uso dos bens. Temas como a avareza, a cobiça e o apego aos bens são muito próprios no Evangelho de Lucas. O profeta Amós, profeta da justiça social, alerta que, na sociedade, há um grupo que esbanja e, certamente, outro que passa necessidades.

A parábola contata por Jesus relata a inversão dos valores na eternidade: os ricos nada terão e o Reino será dos pobres. Há um grande abismo entre o egoísta e o pobre: ninguém pode se aproximar de quem só pensa em si mesmo, por isso, ele se isola, fica solitário no mundo escolhido por ele mesmo. O inferno é um mundo de isolamento: há um abismo, diz-nos Jesus.
O evangelho deste domingo não deve ser uma condenação dos ricos e nem a salvação incondicional do pobre. O que salvou Lázaro não foi somente a falta de bens, mas a sua humildade. Também o que condenou o rico não foi a posse dos os seus bens em si mesmos, mas o mau uso deles: o esbanjamento, o acúmulo e o egoísmo.

A pobreza é um valor evangélico. A conversão é um processo de empobrecimento. É interessante observar que o Evangelho faz uma relação entre pobreza e escatologia (=estudo das realidades últimas). Há teólogos que definem o purgatório como um processo de última conversão que coincide com o último empobrecimento. Quando deixamos de confiar em nós mesmos, quando deixarmos todos os nossos apegos (materiais e afetivos), quando nossa vida estiver totalmente livre nas mãos de Deus, então estaremos totalmente empobrecidos para entrar no Céu. A Vida Eterna, portanto, será um estado de vida de total entrega a Deus, uma total confiança que será abraçada com o total despojamento. A vida é uma oportunidade para o despojamento gradativo de nós mesmos. Por outro lado, o apego aos bens escraviza, torna a vida um inferno, uma separação total das pessoas e de Deus.

Para quem se satisfaz com relatos sobre os sinais do além e o diálogo com os mortos, o Evangelho deixa claro que não é possível que isso aconteça. O rico quer que o milagre converta seus familiares. Abraão (como um interlocutor de Deus) nos esclarece que se os ricos não vêem o milagre da vida a cada dia, se não são tocados pela Palavra de Deus (Moisés e os profetas), já estão condenados. Há sempre o risco da necessidade de coisas extraordinárias para que aconteça a conversão. Não são os prodígios e nem as visões, mas sim o milagre de cada dia que nos conduz a uma abertura para a vida, para o amor.

Como estamos gastando a vida? Onde está a nossa riqueza e o que significa para nós a pobreza? Do bem viver, do se preocupar com o que vale a pena é que depende a nossa realização e a vida eterna. Cada minuto de nossa vida deve ser bem gasto, deve ser bem aproveitado. A cada instante podemos viver os verdadeiros valores ou deixar os dias passarem sem que a vida tenha seu êxito.


No mundo tão materialista e egoísta, o valor da generosidade perde espaço. O Evangelho nos convida a termos atitude generosa com a vida, com os bens; ensina-nos a partilhar. Santo Ambrósio nos alerta: “Dar aos pobres devolver o que não nos pertence”. Uma parábola do Taoismo nos diz que quando a pessoa vai para o inferno, descobre que lá existe um grande banquete, nada de fogo e enxofre de que falam algumas tradições. As pessoas estão sentadas ao redor de grandes mesas redondas, com pilhas e pilhas de todos os tipos possíveis e imagináveis de pratos deliciosos. Só há um problema: os garfos, colheres e facas são do mesmo tamanho que as mesas, e as pessoas estão se esforçando em vão para comer com esses talheres imensos. Quando alguém chega ao Céu, encontra o mesmo banquete, mas com uma diferença: as pessoas sentadas de lados opostos da mesa dão comida umas para as outras. O Céu depende de nossa atitude generosa.

Pe. Roberto Nentwig

Vª Jornada Bíblico-Catequética – Diocese de Bagé/RS




No dia 1º de setembro foi realizada a Vª Jornada Bíblico-Catequética na Diocese de Bagé/RS e neste ano, quem acolheu com alegria todos os participantes foi a Área João XXIII que compreende as Paróquias de Candiota, Hulha Negra, Pinheiro Machado e Rede de Comunidades. O CTG Candeeiro do Pago em Candiota foi o local, onde muitos catequistas e agentes de pastoral se encontraram para refletir sobre a Palavra de Deus.
Esta Jornada teve como Lema: Discípulos e Servidores da Palavra de Deus e o Tema estudado foi o Evangelho de Lucas, assessorado pelo Pe. Pedro Kramer, da Congregação de São Francisco de Sales – Padres Oblatos. No início da Jornada houve um momento de celebração onde foi acolhida a Palavra de Deus dando assim abertura ao mês da Bíblia na Diocese e, ao encerrar a mesma após a celebração da Eucaristia foi realizado o lançamento do Plano da Animação Bíblico-Catequética 2013-2016, que tem como Objetivo: Evangelizar, catequizar e formar como Discípulos Missionários, para que todos possam ser introduzidos, mais profundamente, nos mistérios da fé professados, celebrados, rezados e vividos pelos cristãos católicos a fim de que todos tenham vida crescendo na fé, na esperança e no amor. Prioridades: 1ª. Iniciação com Inspiração Catecumenal. 2ª. Formação de Catequistas. 3ª. Evangelização da Família. Foi entregue um Plano para cada coordenação e párocos presentes, para serem lidos e refletidos junto aos Catequistas. Os coordenadores receberam também uma vela lembrando o ser LUZ como Discípulos e Servidores da Palavra de Deus junto aos grupos de catequizandos nas diversas comunidades.

Parte do tema refletido na Jornada sobre o Estudo do Evangelho segundo Lucas assessorado pelo Pe. Pedro Kramer.

1. Redator, tempo e lugar
Sobre a questão do redator do evangelho segundo Lucas e sobre o tempo e o lugar de sua origem pode-se discutir longamente. Na lista dos livros canônicos e inspirados por Deus do cristão Marcião, por volta do ano 150 da era cristã, constavam apenas o evangelho de Lucas e as cartas de Paulo. No Cânone Muratoriano, do ano 200, já havia uma lista de 22 dos 27 livros canônicos do Novo Testamento e o evangelho de Lucas estava presente nesta coleção. O redator desse evangelho é um companheiro de Paulo (Fm 24; Cl 4,14; 2Tm 4,11), um cristão da segunda geração e conhecedor da língua grega e da cultura helenista. Seus endereçados são provavelmente as comunidades fundadas por Paulo no império romano.
Os estudiosos do evangelho de Lucas pensam que este evangelho surgiu fora da Palestina, talvez em Antioquia da Síria ou na Acaia ou na Grécia, entre os anos 75 a 85. Como há alusões à destruição de Jerusalém (Lc 19,43ss; 21,20-24) no ano 70, por isso, o evangelho de Lucas deve ter surgido depois desta data. 

2. Composição
O evangelista Lucas é o único que nos conta como ele elaborou o seu evangelho (Lc 1,1-4). Destas indicações pode-se deduzir que o evangelho é um escrito feito em mutirão. Quando ele escreve que muitos já tentaram compor uma narração dos fatos que se cumpriram entre nós (v.1), ele provavelmente está se referindo ao evangelho segundo Marcos, escrito pelos anos 65-70, a fonte de palavras Q (a Logienquelle), elaborada pelos anos 50, o escrito apócrifo “As parábolas do evangelho de Tomé”, que foi escrito pelos anos 50, e outros. Lendo-se com atenção o evangelho de Lucas, pode-se perceber bem como o evangelista, para compor seu evangelho, usou suas fontes literárias, isto é, o evangelho de Marcos e a Logienquelle bem como o material próprio que só encontramos no evangelho de Lucas.
Eis o esquema:  Mc: Lc 3,1-6,19   8,4-9,50   18,15-24-12  Evang. de Lc    Lc 6,20-8,3        9,51-18,14    Mat. próprio: Lc 1-2; 7,11-17; 10,25-42; 15,1-32; 16,19-31; 19,1-10; 24,13-53.

3. Leitura Orante da Bíblia

            A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nas suas últimas reuniões anuais, vem insistindo sempre mais no conhecimento e no uso do método de leitura bíblica, chamada de “Leitura Orante da Bíblia”, ou em latim Lectio Divina.
            Este método de leitura pessoal ou em grupos da Palavra de Deus se compõe das respostas a quatro perguntas básicas, dirigidas ao texto bíblico:
1) Após a leitura lenta e atenta do texto bíblico, pergunta-se: “O que diz o texto em si mesmo”? A resposta a esta pergunta consiste no estudo e na compreensão exata do texto. O foco pode ser dirigido às personagens do texto e destacar o que elas dizem ou fazem e como elas se relacionam. Há conflitos entre elas? Que valores defendem?
2) A familiarização com o texto estudado, refletido e compreendido leva automaticamente à segunda pergunta básica: “O que o texto diz para mim ou para nós”? Aqui começa o maravilhoso diálogo entre o texto do passado com a situação presente.
3) Este diálogo entre o texto bíblico e a pessoa, faz brotar instintivamente a terceira pergunta básica: “O que o texto me faz dizer”? Esse é o nível da oração. O que o texto me faz dizer a Deus, talvez, em termos de louvor, de ação de graças, de pedidos de perdão, de pedidos de aumento da fé, da esperança e do amor.
4) O quarto momento da leitura e da reflexão bíblica é a contemplação. A pessoa agora se sente intensamente na presença de Deus e envolvida por ele. Ela, com Deus nos olhos, faz a quarta pergunta básica: “O que o texto me faz viver”? É o compromisso missionário que a pessoa assume para vivenciar, testemunhar e praticar a Palavra de Deus. É uma espécie de ‘ramalhete espiritual’ que a pessoa colhe para, com ele, iluminar os acontecimentos do dia e os afazeres da profissão.
4 Análise e interpretação de Lc 24,13-53
4.1 O que diz o texto em si mesmo?
4.2 O que diz para mim?
4.3 O que o texto me faz dizer?
4.4 O que o texto me faz viver?
Ir. Renata Biasibetti
    Coordenadora Diocesana ABC

Diocese de Bagé/RS

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Bíblia e inculturação foi tema do Encontrão do Regional Noroeste de Catequese

Encontrão Regional Noroeste de catequese aconteceu nos dias 06 a 08 de setembro, na Arquidiocese de Porto Velho, estado de Rondônia e contou com participação das Dioceses de Cruzeiro do Sul, Ji-Paraná, Guajará-Mirim, Humaitá, Rio Branco e Prelazia de Lábrea. O tema foi assessorado pelo Pe. Décio José Walker, assessor da CNBB pela Comissão Pastoral Bíblico – Catequética.
Pe. Décio destacou a importância do tema escolhido para o Encontro. “Bíblia e inculturação é um tema propicio por estarmos celebrando, em 2013, 30 anos de Catequese Renovada. A catequese é a base da comunidade, pois forma discípulos e missionários”.
O assessor reforçou o conceito de inculturação nos dias de hoje, e explicou que este processo somente ocorrerá, verdadeiramente, quando o povo entender a Palavra de Deus de acordo com a sua realidade cultural. “O papel do catequista é compreender a mensagem de um determinado tempo e trazê-la para os tempos atuais. Devemos aprender com a prática catequética de Jesus, que acolhe a pessoa humana e por isso resgata a vida, a fé e a esperança de todos”.
Pe. Décio dá como exemplo o texto da Samaritana e aponta como Jesus fez um longo processo de inculturação até que percebesse por ela mesma que Ele é o Messias. Segundo o assessor, Jesus se fez pequeno e necessitado para se aproximar da mulher Samaritana. É Dele a iniciativa de diálogo. “Jesus ao falar da Água viva fala em metáforas e a mulher entende no sentido real e se alegra por não ter que voltar ao poço”.
O encontro encerrou no Domingo, dia 08, com a celebração Eucarística, presidida pelo próprio Pe. Décio e concelebrada pelos padres Vicente, Alfredo  e Jaime.
Texto elaborado com a colaboração de Renata Garcia (Pascom da Diocese de Ji-Paraná)
Att, 
Comissão Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética
 
REGIONAL NOROESTE - CNBB 
Lábrea, Humaitá, Cruzeiro do Sul, Rio Branco, Ji-Paraná, Guajará-Mirim e Porto Velho
Av. Pinheiro Machado, 1200 – CP nº 104 CEP 76801 - 128 
Porto Velho – RO - Tel. (69) 3229-6125 / 3229-6714

Espiritualidade do convívio com o diferente

Ecumenismo é conteúdo indispensável da catequese porque é parte integrante da vida da Igreja. Embora focalize conhecimentos sobre o que nossa Igreja tem dito sobre esse assunto, a educação ecumênica é – acima de tudo- uma espiritualidade, porque não deve ser simplesmente uma estratégia. Precisa brotar do coração com autenticidade e depende do cultivo de várias atitudes e sentimentos que vão determinar um comportamento que vai além do contato com Igrejas diferentes, que atinge o relacionamento diário que temos com o outro, em todos os campos da nossa vida.
            Valores e atitudes não são “ensinados”, cada um tem que assumi-los a seu jeito. Cabe à catequese proporcionar oportunidades de reflexão para cada um ir descobrindo a melhor maneira de se relacionar com os diferentes. Esses “diferentes”, na verdade, são todas as pessoas que conhecemos porque cada ser humano é único. Deus é um artista que não se repete e, mesmo se tivermos gêmeos geneticamente idênticos, a experiência de vida irá construindo em cada um personalidades próprias.
            Há variados recursos pedagógicos que podem ser usados para começar diálogos e reflexões sobre nossa atitude diante do outro que não compartilha idéias e sentimentos que para nós são importantes. Nem todos esses recursos terão origem no campo de materiais que trazem o rótulo religioso. Nosso Diretório Nacional de Catequese nos diz:
            “Na comunicação há muito a aprender do que o mundo vem descobrindo. Um catequista que gosta de aprender, também fora do âmbito da Igreja, será mais criativo e terá mais recursos para dar conta de sua missão.” DNC 151
            E mais adiante o Diretório nos lembra também que a catequese é vivida dentro de uma experiência humana que é mais que simples transmissão de conhecimento. Então esse documento nos lembra fontes importantes de recursos:
            “Nessa experiência humana podemos incluir as inquietações e problemas humanos sérios que são retratados em boas obras de cinema, literatura, música, teatro. Os bons artistas têm o dom de expressar de forma impactante a experiência humana. A catequese pode aproveitar o talento desses parceiros.” DNC 165
            No cinema, na literatura (infantil ou para jovens e adultos), nas músicas não vamos ter  explicitamente ‘lições de ecumenismo” mas com atenção podemos selecionar  materiais que apresentam a diferença de maneira construtiva. Por exemplo;
- equipes de naves espaciais (como as que encontramos na série Jornada nas Estrelas ou Star Wars) são formadas por pessoas com talentos e temperamentos diferentes, às vezes até unem alienígenas de vários planetas. A diferença não é só bem aceita, ela é necessária para o sucesso das viagens.
- aventuras em quadrinhos do Maurício de Sousa se tornam interessantes exatamente porque cada personagem tem suas peculiaridades.
- histórias infantis de Ruth Rocha e Ana Maria Machado, entre outras, freqüentemente apresentam situações que são resolvidas graças à diversidade que se torna cooperação.
-  há fábulas que podem ser vistas como parábolas sobre o encontro dos diferentes.
- canções como “Eduardo e Mônica” mostram pessoas diferentes se unindo.
- Branca de Neve consegue muita coisa com a ajuda dos 7 anões. Na história do Mágico de Oz o time que vai levar a história a um bom final é formado por uma menina, um homem de lata, um leão e um espantalho. No filme Rei Leão II, a canção de fundo tem como refrão: Somos mais do que mil, somos UM.
- Quando a canção de Roberto Carlos nos faz dizer  “Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar”, ninguém imagina que estamos nos referindo a um milhão de pessoas exatamente iguais.
            Além do uso desses recursos, cada catequizando pode ser convidado a fazer uma lista de pessoas diferentes que tornam sua vida melhor. Aí se incluem a família e os amigos, mas também trabalhadores de muitas áreas. É só pensar quantas pessoas, com atividades e talentos diferentes são necessárias, por exemplo, para que um pedaço de pão chegue a nossa mesa.
            Nem precisaríamos estar sempre especificamente mencionando o termo “ecumenismo”, mas a valorização do diferente é essencial na construção da espiritualidade que vai tornar possível o encontro fraterno de cristãos de Igrejas diferentes.
 
Therezinha Cruz

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Homilia do 25º. Domingo do Tempo Comum – Ano C


A primeira leitura nos apresenta a denúncia do profeta Amós. Diante da injustiça, suas palavras são severas, pois predominava em seu tempo a prática de “dominar os pobres com dinheiro e os humildes com um par de sandálias”. Fala-se que nosso país é corrupto, não somente porque têm políticos corruptos, mas porque a nossa cultura do jeitinho, do tirar proveito está mais presente no cotidiano. Precisamos de uma cultura de honestidade. Como poderá exigir honestidade do filho ou dos governantes, aquele que tira proveito dos outros quando há oportunidade? Aquele que engana o chefe, ou inventa mentiras em seu benefício? É preciso ser fiel nas pequenas coisas, como ensina Jesus.

Na época de Amós havia prosperidade, mas nem todos eram beneficiados. O profeta denuncia a prostração dos pobHomilia do 25º.  Domingo do Tempo Comum – Ano Cres. A injustiça toca o coração de Deus, o clamor do pobre sobe aos ouvidos de Deus, pois Ele deseja o Reino: vida em plenitude, justiça e paz. Nós precisamos colaborar para que tudo isso aconteça. Deus já eleva os humilhados e já humilha os soberbos, pois esses últimos não têm a verdadeira vida, por escolha própria.

Jesus faz um elogio a um administrador desonesto. As traduções nos enganam um pouco. O administrador da parábola era um irresponsável em suas funções, pois não trazia para o patrão o lucro esperado. Na verdade, Jesus não está interessado na sua desonestidade, mas elogia sua esperteza, a sua astúcia. Esperteza e astúcia podem ser traduzidas, de um modo positivo, por sabedoria. Depois do episódio com o patrão, o administrador reflete, ou seja, toma consciência de suas atitudes, vê a verdade por trás de suas ações, de modo sábio. Sua reflexão o leva a tomar uma decisão: “O que vou fazer?” Toma uma decisão firme após meditar. Nossa vida deve ser conduzida assim: refletir sobre a vida á luz de Deus, e tomar iniciativa, ou seja, partir para a ação.

O administrador foi sábio ao perdoar dívidas e foi elogiado pela sua atitude. Sua nova postura denota desapego dos bens. Sua esperteza teve uma finalidade positiva: “fazer amigos”. Ou seja, o mais importante são as relações humanas. Elas devem estar acima de qualquer lucro, de qualquer bem material. O perigo do materialismo e do acúmulo está em cegar o ser humano, que se torna escravo dos bens. Então se relativiza o que é mais importante, deixando-se de lado as pessoas, os pobres e sofredores, os amigos e até os familiares. É preciso fazer bom uso do dinheiro, utilizando-o para servir o ser humano e não para torná-lo egoísta. Há pessoas que guardam o seu dinheiro e nem garantem uma boa vida aos filhos, aos parentes, nem a si mesmo. Deus nos ensina a usarmos o dinheiro para fazermos amigos e não para o egoísmo. Não é possível servir a dois senhores.

Na segunda leitura, São Paulo nos deixa uma grande lição: devemos interceder pelas pessoas, por todas elas. Devemos interceder de mãos limpas, sem ira ou discussões: de nada adianta orar, se a nossa vida não é uma busca de comunhão. Devemos rezar por todos: pelos familiares, pelos amigos, pelos inimigos, pela comunidade. São Paulo ainda fala da prece pelos governantes. À luz da profecia de Amós, devemos rezar para que haja justiça social e políticos mais honestos.

Pe Roberto Nentwig
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