quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Homilia do 22º. Domingo do Tempo Comum – Ano C

“Cristo é o mediador da Nova Aliança”, nos diz a Carta aos Hebreus. Deus é o Emanuel – o Deus conosco. Ele veio até nós, fez-se próximo e, portanto, é acessível em Cristo. A 2ª. Leitura nos fala que no Monte Sinai Deus é aterrador. As teofanias são manifestações assustadoras: trovões, fogo, escuridão, violência... Na experiência cristã, porém, é preciso ter certo cuidado, pois Jesus está perto de nós: Ele é concreto, palpável, visível, terno, amável, misericordioso, portador da gratuidade do Reino, do amor aos pequenos. Ele é tão próximo, tão humano, que vai às festas, senta-se com o povo, come e bebe. E por quê? Porque Ele se fez pequeno. “Não se apegou ao ser igual em natureza a Deus Pai, mas aniquilando-se a si mesmo, assumiu a condição de um escravo, assemelhando-se aos homens” (Fl 2,7). “O que é fraco no mundo, Deus escolheu para confundir os fortes” (1Cor 1,27). A força de Deus está na sua fraqueza, sua onipotência é a onipotência do amor, sua grandeza está na sua pequenez: foi exaltado porque se humilhou. Precisamos de uma experiência deste Deus, o Deus de Jesus Cristo: o Deus humano que nos ensina a segui-lo, somente este Deus é libertador, qualquer outra proposta será um ídolo, uma mentira que nos levará para uma religião que carrega o risco de nos escravizar. O Evangelho nos apresenta dois caminhos: humildade e gratuidade.

Humildade. Jesus pede para que escolhamos os últimos lugares: “Porque quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado.” (Lc 14,11). A etiqueta judaica dizia que os notáveis deveriam estar nos primeiros lugares, mas Jesus é contra o exibicionismo e as regras de conduta. Também hoje muitos querem estar nos primeiros lugares: quando as lideranças da comunidade preferem aparecer a servir, quando aqueles que possuem certo status querem ser reconhecidos. Todos nós somos tentados a usurpar de nossos cargos e posições. O caminho apontado pelo Cristo é o da humildade: sem ela as relações ficam comprometidas; a soberba e a autossuficiência geram o afastamento das pessoas. Ser humilde é colocar-se nos últimos lugares, é não se valer dos títulos, é esconder as boas obras realizadas, é servir o irmão, é evitar o elogio fácil, é deixar a prepotência do autoritarismo, é não ser dono da verdade, é despojar-se da vaidade, é desaparecer, é não ter medo de ficar sem as falsas seguranças deste mundo, é reconhecer que os fracos são fortes e que os pequenos são grandes, é ter a certeza de que a vitória final é dos humilhados porque o Senhor derrubará os poderosos de seus tronos, como proclama a Bem Aventurada Maria de Nazaré.

Gratuidade. Deus tem um amor gratuito e nos ensina a gratuidade, quando nos pede para convidar a todos para o banquete. Não devemos apenas fazer o bem àqueles que nos podem retribuir, não podemos apenas beneficiar os importantes. Deus quer que convidemos os excluídos, os aleijados, os coxos, os cegos, os sem voz e sem vez, os pequenos, os desprezados. Nem sempre é fácil acolher a proposta de Jesus. Ser gratuito é acolher o pobre, é acolher o desconhecido, escolher aquele que não é capaz de dar recompensa, amar o inimigo, é dar de graça aquilo que recebeu de graça – o amor de Deus gravado em nossos corações.

O banquete é, na sociedade de Jesus, o espaço do encontro fraterno, onde os convidados partilham do mesmo alimento e estabelecem laços de comunhão, de proximidade, de familiaridade e fraternidade. Não é sem razão que nos reunimos em torno de uma mesa, na Eucaristia: onde há o encontro de irmãos que celebram a gratuidade do Deus. O Reino é um banquete: desejamos estar em torno da mesa do Senhor, onde haverá lugar para todos comerem e beberem de graça para fazer festa com o Deus que acolhe a cada um para o Banquete da Vida. Vem, Senhor Jesus!

Pe Roberto Nentwig 

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