sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O medo que nos afasta do outro

Nossa Igreja nos chama a educar para o diálogo ecumênico. Não é algo opcional, que dependa de nossas preferências pessoais, faz parte do trabalho que a Igreja espera de nós. O Concílio Vaticano II, que estamos rememorando neste “Ano da fé” , já havia dito:
            Devem ser feitos todos os esforços para eliminar palavras, juízos e ações que, segundo a equidade e a verdade, não correspondem à condição dos irmãos separados e, por isso, tornam mais difíceis as relações com eles.UR 4
            Esse tipo de palavras, juízos e ações permanecem entre nós porque, estando separados, nos defendemos uns dos outros alimentando preconceitos que teriam se desmanchado se tivéssemos outro tipo de relacionamento. Lembro que uma vez fui convidada por um amigo pastor a fazer uma pregação no culto de uma igreja presbiteriana. Fui apresentada à comunidade antes do culto sem que soubessem o que eu ia fazer. Uma senhora, querendo ser simpática, me abraçou e disse que estava muito feliz de me ver ali porque os católicos, como todo mundo sabe, não conhecem a Bíblia e eu ia poder aprender com eles. Quando o pastor me apresentou, após a leitura do evangelho, como alguém que dava cursos sobre a Bíblia e que iria ajudá-los a refletir sobre a Palavra, ela ficou desconcertada, sem coragem de me olhar. Depois conversamos e esclarecemos o mal entendido. Mas isso só foi possível porque eu já tinha um bom relacionamento com o pastor  e aproveitei também para elogiar coisas boas que aquela comunidade realizava. Há muito tempo eu havia aprendido, por experiência, que o elogio é a melhor ferramenta de desarmamento que podemos usar. Fiquei pensando que nós também temos idéias preconcebidas sobre muitos comportamentos dos irmãos de outras Igrejas e que muita má vontade poderia ser vencida se nos aproximássemos uns dos outros com vontade de descobrir e valorizar o que o outro tem de bom.
            Mas há quem tenha medo e queira se preparar para o ataque como forma de defesa. Aí eu me lembro de uma parábola, que é assim:
            Dois irmãos estavam brigados há muito tempo e moravam em terras vizinhas, separadas por um rio. Com medo que o irmão invadisse sua fazenda, o mais velho contratou um operário para fazer uma cerca junto ao rio. Não se sabe se o operário entendeu mal a ordem ou fez de propósito, mas ele construiu uma ponte em vez de fazer a cerca. O patrão, indignado, foi para a beira do rio ver como conseguiria consertar tal estrago. E lá encontrou o irmão que, emocionado, lhe disse: _Faz tempo que queria fazer as pazes, mas tinha medo de tentar. Ainda bem que você tomou a iniciativa...
            Muitas vezes temos medo de construir as pontes porque achamos que isso nos coloca em posição vulnerável se o outro quiser nos invadir, nos conquistar para o seu lado. Por isso, a catequese tem que preparar muito bem os católicos, para que amem, conheçam e valorizem a sua Igreja também vendo nela, como grande qualidade, o incentivo a uma postura ecumênica. O desarmamento tem que começar antes do diálogo e tem que estar apoiado numa boa formação. Guerra produz mais guerra e não nos deixa com toda a energia de que precisamos para anunciar o evangelho. Sem medo, estaremos mais preparados para mostrar a beleza da nossa identidade de fé. E, se queremos mesmo ser bons católicos, temos que ouvir e seguir o que a Igreja nos pede. Pensando nisso, podemos lembrar dois trechos da encíclica Ut Unum Sint, de João Paulo II:
            O ecumenismo, o movimento a favor da unidade dos cristãos, não é só uma espécie de apêndice, que vem se juntar á atividade tradicional da Igreja. Pelo contrário, pertence organicamente à sua vida e ação, devendo, por conseguinte, permeá-la no seu todo e ser como o fruto de uma árvore que cresce sadia e viçosa até alcançar seu pleno desenvolvimento. UUS 20
            O ecumenismo não é apenas uma questão interna das comunidades cristãs, mas diz respeito ao amor que Deus, em Cristo Jesus, destina ao conjunto da humanidade; e obstaculizar este amor é uma ofensa a ele e ao seu desígnio de reunir todos em Cristo. UUS 99   
 
Therezinha Cruz    

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Homilia do 22º. Domingo do Tempo Comum – Ano C

“Cristo é o mediador da Nova Aliança”, nos diz a Carta aos Hebreus. Deus é o Emanuel – o Deus conosco. Ele veio até nós, fez-se próximo e, portanto, é acessível em Cristo. A 2ª. Leitura nos fala que no Monte Sinai Deus é aterrador. As teofanias são manifestações assustadoras: trovões, fogo, escuridão, violência... Na experiência cristã, porém, é preciso ter certo cuidado, pois Jesus está perto de nós: Ele é concreto, palpável, visível, terno, amável, misericordioso, portador da gratuidade do Reino, do amor aos pequenos. Ele é tão próximo, tão humano, que vai às festas, senta-se com o povo, come e bebe. E por quê? Porque Ele se fez pequeno. “Não se apegou ao ser igual em natureza a Deus Pai, mas aniquilando-se a si mesmo, assumiu a condição de um escravo, assemelhando-se aos homens” (Fl 2,7). “O que é fraco no mundo, Deus escolheu para confundir os fortes” (1Cor 1,27). A força de Deus está na sua fraqueza, sua onipotência é a onipotência do amor, sua grandeza está na sua pequenez: foi exaltado porque se humilhou. Precisamos de uma experiência deste Deus, o Deus de Jesus Cristo: o Deus humano que nos ensina a segui-lo, somente este Deus é libertador, qualquer outra proposta será um ídolo, uma mentira que nos levará para uma religião que carrega o risco de nos escravizar. O Evangelho nos apresenta dois caminhos: humildade e gratuidade.

Humildade. Jesus pede para que escolhamos os últimos lugares: “Porque quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado.” (Lc 14,11). A etiqueta judaica dizia que os notáveis deveriam estar nos primeiros lugares, mas Jesus é contra o exibicionismo e as regras de conduta. Também hoje muitos querem estar nos primeiros lugares: quando as lideranças da comunidade preferem aparecer a servir, quando aqueles que possuem certo status querem ser reconhecidos. Todos nós somos tentados a usurpar de nossos cargos e posições. O caminho apontado pelo Cristo é o da humildade: sem ela as relações ficam comprometidas; a soberba e a autossuficiência geram o afastamento das pessoas. Ser humilde é colocar-se nos últimos lugares, é não se valer dos títulos, é esconder as boas obras realizadas, é servir o irmão, é evitar o elogio fácil, é deixar a prepotência do autoritarismo, é não ser dono da verdade, é despojar-se da vaidade, é desaparecer, é não ter medo de ficar sem as falsas seguranças deste mundo, é reconhecer que os fracos são fortes e que os pequenos são grandes, é ter a certeza de que a vitória final é dos humilhados porque o Senhor derrubará os poderosos de seus tronos, como proclama a Bem Aventurada Maria de Nazaré.

Gratuidade. Deus tem um amor gratuito e nos ensina a gratuidade, quando nos pede para convidar a todos para o banquete. Não devemos apenas fazer o bem àqueles que nos podem retribuir, não podemos apenas beneficiar os importantes. Deus quer que convidemos os excluídos, os aleijados, os coxos, os cegos, os sem voz e sem vez, os pequenos, os desprezados. Nem sempre é fácil acolher a proposta de Jesus. Ser gratuito é acolher o pobre, é acolher o desconhecido, escolher aquele que não é capaz de dar recompensa, amar o inimigo, é dar de graça aquilo que recebeu de graça – o amor de Deus gravado em nossos corações.

O banquete é, na sociedade de Jesus, o espaço do encontro fraterno, onde os convidados partilham do mesmo alimento e estabelecem laços de comunhão, de proximidade, de familiaridade e fraternidade. Não é sem razão que nos reunimos em torno de uma mesa, na Eucaristia: onde há o encontro de irmãos que celebram a gratuidade do Deus. O Reino é um banquete: desejamos estar em torno da mesa do Senhor, onde haverá lugar para todos comerem e beberem de graça para fazer festa com o Deus que acolhe a cada um para o Banquete da Vida. Vem, Senhor Jesus!

Pe Roberto Nentwig 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Arquidiocese de Curitiba recebeu a vista do Assessor Nacional de Animação Bíblico-Catequética


Com grande alegria celebramos neste 4º domingo de agosto o dia do Catequista. A Arquidiocese de Curitiba contou com a presença ilustre do Pe. Décio José Walker, assessor da Comissão Bíblico-Catequética da CNBB. O padre assessor veio a Curitiba por ocasião de uma Aula Magna sobre a nova paróquia, realizada na PUC-PR no dia 23 de agosto.



Aproveitando a vinda, Pe. Décio desejou visitar uma comunidade paroquial para celebrar esta importante data com os catequistas da base. Assim, o assessor se reuniu com aproximadamente 60 catequistas no Santuário São José, no bairro Capão Raso (Curitiba). Na ocasião proferiu uma palestra sobre os 30 anos da Catequese Renovada, fazendo uma retomada histórica da reflexão catequética no Brasil e ressaltando os aspectos relevantes para uma nova mentalidade catequética: a Iniciação a Vida Cristã e a Animação Bíblica da Catequese. Depois do momento formativo, foi celebrada uma Missa de Ação de Graças na qual todos os catequistas receberam uma benção especial.

A Arquidiocese de Curitiba e o Santuário São José manifestam sua gratidão pela presença do Pe. Décio, que nos contagiou com sua simpatia e simplicidade.


Por Pe. Roberto Nentwig – Assessor da Catequese da Arquidiocese de Curitiba e Vigário Paroquial do Santuário São José.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

XXII - Jornada Diocesana da Animação Bíblico-Catequética de Jundiaí-SP



Num espírito de unidade e comunhão, aproximadamente 2000 catequistas da nossa diocese, se reuniram para celebrar a sua vocação e anunciadores da Boa Nova. A Jornada Diocesana de catequistas aconteceu no dia 18 de agosto, na comunidade Bom Jesus, que pertence a Paróquia Santa Rosa de Lima. Mesmo numa manhã fria, própria do mês de agosto, o clima de alegria e confraternização aquecia o coração de todos.
Para ajudar na reflexão que aconteceria naquela manhã, o tema proposto foi: Caminho para o discipulado missionário e o lema: “Fala Senhor na nossa voz” (At 8,26-40). Iniciamos as atividades com a oração das laudes, presidida pelo assessor, padre Leandro Megeto. Por estarmos no ano da fé, ainda em clima de celebração, alguns catequistas de todos os níveis, e um catequizando foram convidados a dar um testemunho de fé para todo o grupo.

O momento de catequese, ficou por conta do padre Paulo Cesar Gil, assessor o Regional Sul 1. Com toda sua sabedoria e simplicidade, trabalhou com o grupo o texto de Atos 8, 26-40: Filipe e o eunuco. Mostrou a importância do catequista na vida daquele se prepara para ser um verdadeiro discípulo missionário. No fim de sua fala, padre Paulo disse também da importância do projeto que será trabalhado em nossa diocese no próximo ano, Igreja: casa de iniciação à vida cristã.

Encerrando a nossa jornada, participamos da eucaristia, presidida por Dom Vicente Costa, e concelebrada pelos padres Paulo Gil, Leandro Megeto, Márcio Felipe e Edegar Ferrari. 
Em sua homília, Dom Vicente falou da importância dos catequistas na vida e missão da Igreja e disse que conta com a disponibilidade e abertura de cada um para a implantação do projeto de catequese num estilo catecumenal em nossa diocese.
Foi de fato uma manhã de muita alegria e confraternização. Foi possível perceber que todos saíram de lá motivados e animados com a missão de evangelizadores.

Por: Ana Paula de Oliveira

Fonte: BLOG DIOCESE DE JUNDIAÍ-SP - REGIONAL SUL1

Uma Semana para viver a espiritualidade ecumênica

A cada ano, nossa Igreja nos convida a participar da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. É algo que já era de certa forma desejado pelo papa Leão XIII, que sugeriu uma novena pela unidade. Foi uma idéia que demorou um pouco a tomar forma porque nem todas as Igrejas pensavam nessa unidade da mesma maneira.
            A partir de 1968, a Semana ficou do jeito como a conhecemos hoje. É preparada conjuntamente pelo Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos e pelo Conselho Mundial de Igrejas. Na Europa ela é celebrada em janeiro, entre duas datas de valor simbólico: 18 de janeiro (festa da cátedra de São Pedro em Roma) e 25 de janeiro (festa da conversão de São Paulo). Estariam aí representados, na figura dos dois apóstolos, estilos diferentes de vivenciar a mesma fé cristã. Aqui essas datas foram substituídas porque janeiro é tempo de férias e a participação seria mais difícil. Mas também foram escolhidas datas carregadas de simbologia: a Semana acontece entre o domingo da Ascensão e o de Pentecostes (este ano será de 12 a 19 de maio). Com isso se quer recordar que Jesus voltou ao Pai mas enviou seu Espírito, que deu aos apóstolos o poder de falar de modo que cada um entendesse no seu próprio idioma. Ou seja: a mensagem é a mesma e cada um a recebe dentro da sua própria linguagem, como um sinal de unidade na diversidade.
              A cada ano, o tema da Semana de Oração é trabalhado a partir da realidade de um país diferente. Este ano, o texto nos vem da Índia e reflete especialmente sobre a situação dos que são socialmente excluídos (que lá são chamados de dalits, sem casta, párias). Lá escolheram a frase que vai servir de lema para a semana: “O que Deus exige de nós?” Ela foi inspirada por um texto do livro do profeta Miquéias 6,6-8:
 
            Com que hei de aparecer diante do Senhor, inclinar-me diante do Deus altíssimo? Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos? Com bezerros de um ano? Desejará o Senhor milhares de carneiros, quantidades de torrentes de óleo? Sacrificarei o meu primogênito pela rebeldia,  o filho de minha carne pelo pecado que cometi? Foi-te dado a conhecer, ó homem, o que o Senhor exige de ti: nada mais que respeitar o direito, amar a fidelidade e aplicar-te a caminhar com teu Deus.
            A orientação de Miquéias sobre o que Deus exige é algo que cristãos de Igrejas diferentes podem proclamar e viver juntos, mesmo na diversidade de suas maneiras de entender certos aspectos da fé.  A Semana vai, então, trabalhar a espiritualidade ecumênica principalmente a partir de dois campos interligados: o diálogo de ação, que vai levar ao diálogo de oração.
Temos aí várias oportunidades para uma boa atividade catequética. O próprio tema se presta a uma reflexão importante: os catequizandos precisam saber o que, com prioridade, Deus exige de nós. Junto com o texto de Miquéias poderiam ser trabalhadas partes dos evangelhos. Jesus diz que “ nem todo aquele que diz Senhor, Senhor entrará no Reino  dos Céus mas só aquele que põe em prática a vontade de meu Pai... Mt 7, 21” E o que ele ensina que faz parte dessa vontade de Deus? Como seria viver isso no mundo de hoje, na situação específica de cada catequizando?  A partir daí podem perceber como outras Igrejas cristãs também procuram fazer a vontade de Deus na vivência da caridade e da justiça e, mesmo que com elas tenhamos divergências doutrinárias, podemos reconhecer nesses irmãos uma vontade de seguir os ensinamentos de Jesus.
Nesse espírito poderia ser preparada uma participação na Semana de Oração, envolvendo especialmente os familiares, colegas, vizinhos dos catequizandos que pertencem a outras denominações cristãs. Se isso não for possível, o próprio grupo de catequese pode fazer sozinho a oração que a nossa Igreja pede, preparando o coração para a busca da unidade, que é tão importante para a missão evangelizadora.
 
Therezinha Cruz

Porta estreita

Em determinado momento o Mestre Jesus disse: “Fazei todo possível para entrar pela porta estreita” (Lc 13, 24). Esse indicativo envolve todas as pessoas, não importando seu estado de vida. O bem é filtrado num caminho de purificação, de renúncias para construir uma sociedade positiva e de felicidade duradoura. É como o ouro sacrificado no cadinho para tornar-se puro.
Falar de vocação leiga, fundamentada no batismo, é expressar um caminho de cruz, de enfrentamento, passando por portas estreitas, às vezes até fechadas por uma cultura laicista e avessa aos compromissos de cunho cristão. Os catequistas, por exemplo, enfrentam dificuldades na tarefa de educar seus catequizados na vida de fé e nos compromissos com a comunidade.
Cada pessoa deve se sentir convocada para fazer o bem na construção da sociedade. Tem que enfrentar dissabores, indo na contramão de uma mentalidade imediatista, globalizada e marcadamente individualista. É sempre uma história de portas estreitas e causadora de desânimo. Mas é preciso “firmar as mãos cansadas e os joelhos enfraquecidos” (Hb 12, 12).
O importante é não ficar no indiferentismo diante das exigências do mundo moderno e nem cair no desânimo destruidor de sonhos e projetos de vida. Pior ainda é ficar afogado em “gota d’água”, refém de quem não quer nada com nada. A omissão é causadora de atos irresponsáveis, deixando de fazer aquilo que não é de responsabilidade de outrem.
Com portas estreitas ou não, a vida é identificada como dom, que precisa ser valorizado e preservado sempre. É questão de dignidade, de respeito e de abertura para a conquista da felicidade. É feliz quem defende a vida em todas as suas dimensões, não importando o tipo de pessoa. Em direito de dignidade, todos somos iguais.
A natureza criada existe, tendo como objetivo a vida humana com sua especificidade em relação às outras criaturas. Ela leva consigo uma dimensão de transcendência, conseguindo sua plenitude de realização no amor eterno de Deus. Amor que é fruto de trabalho, de sofrimento, de polimento e de portas estreitas.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Homilia do 21º. Domingo do Tempo Comum – Ano C

“Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão”. As palavras de Jesus, neste domingo, parecem ser muito duras, mas devem ser bem interpretadas.  A primeira vista, poderíamos considerar que Deus seja severo, que deseje a salvação de um número de pequeno de escolhidos, já que o caminho para encontrá-lo é duro, estreito, árduo. Na verdade, Deus não deseja a condenação de ninguém, quer que todos se salvem. Jesus sugere que o banquete do Reino é para todos. Mas deseja que todos abracem na liberdade, não pela obrigação, mas pelo desejo que move o coração para o bem e para a felicidade. Não é raro o uso de palavras severas para impor a moralidade dos costumes, pela massificação da ameaça. Pregações deste gênero usam do medo como forma de coerção, afirmando que muitos serão condenados e que o mundo está inundado no pecado. Mesmo diante da falta de valores cristãos na sociedade, a nossa postura jamais deve ser de condenação, de imposição. A liberdade é valor primordial a partir de onde se constrói a fé e a vivência cristã.
Jesus está respondendo aos judeus de sua época, que se achavam os escolhidos, os salvos. Consideravam que sua salvação estava garantida pela raça e pela prática dos costumes e da lei. Hoje a Palavra não nos coloca como justos e juízes do mundo; corremos o risco de nos considerarmos salvos porque pertencemos a Igreja ou a algum grupo, pastoral ou movimento.  Podemos erroneamente achar que a nossa salvação está garantida por uma prática exterior da lei, que de algum modo já compramos o passaporte da salvação. Ninguém tem o passaporte do Céu. A salvação é um dom que tem a sua incidência desde já na vida presente de cada um de nós.  A salvação é abertura que nos coloca a caminho, na humildade. Ninguém se salva com garantias exteriores ou por pertencer a um grupo religioso.
A porta estreita do Reino é a cruz de Cristo. Jesus não nomeou nenhuma prática ou sinal exterior como garantia. A porta estreita são as exigências do Reino, ou seja, aquilo que nos dá a vida, a felicidade, a paz. Para se abraçar desde já este dom, faz-se necessário a renuncia do poder, da mesquinhez, do orgulho, do prazer pelo prazer, do julgamento, do coração apegado aos bens, da falta da misericórdia. A porta estreita é a renuncia de si mesmo, em busca de uma vida que se transforma em dom.
A porta estreita é também o enfrentamento dos sofrimentos da vida. Deus não quer o sofrimento e sempre lutou contra todo mal, mas não de modo mágico, e sim estando ao nosso lado, contando com a nossa cooperação. Somos limitados, seres em construção a caminho da comunhão divina e, por isso, ainda sofredores. A plenitude do Reino ainda não se faz presente. O sofrimento tem também um lado positivo, pois fortifica nossos passos vacilantes. A verdade trazida pela carta aos Hebreus é o sentido pedagógico do sofrimento: crescemos a partir da dor, a partir das perdas, quando compreendemos o quanto somos limitados, contingentes e que não somos donos de nada. A dor, não buscada como fim, mas como dado natural da existência nos edifica, faz-nos crescer. As dores da vida podem ser motivos de ação de graças, se formos capazes de olhar a história com os olhos de Deus.
 
 
 
Um ferreiro, depois de uma juventude cheia de excessos, decidiu entregar sua alma a Deus. Durante muitos anos trabalhou com afinco, praticou a caridade, mas, apesar de toda a sua dedicação, nada parecia dar certo em sua vida. Muito pelo contrário: seus problemas e dívidas acumulavam-se cada vez mais.
 
Uma bela tarde, um amigo que o visitava - e que se compadecia de sua situação difícil - comentou:
- É realmente muito estranho que, justamente depois que você resolveu se tornar um homem temente a Deus, sua vida começou a piorar. Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas, apesar de toda sua crença no mundo espiritual, nada tem melhorado.
 
O ferreiro não respondeu imediatamente. Ele já havia pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia em sua vida.
Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta, começou a falar e terminou encontrando a explicação que procurava.
- Eu recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isso é feito?... Primeiro, eu aqueço a chapa de aço num calor infernal, até que ela fique vermelha. Em seguida, sem qualquer piedade, eu pego o martelo mais pesado, e aplico vários golpes, até que a peça adquira a forma desejada. Logo, ela é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche com o vapor, enquanto a peça estala por causa da súbita mudança de temperatura. Tenho que repetir este processo até conseguir a espada perfeita. Uma vez apenas não é suficiente.
 
O ferreiro deu uma longa pausa, e continuou:
- Às vezes, o aço que chega às minhas mãos não consegue aguentar este tratamento. O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras. E eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina de espada. Então, eu simplesmente o coloco no monte de ferro velho que você viu na entrada da minha ferraria.
 
Mais uma pausa, e o ferreiro concluíram: 
- Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições. Tenho aceitado as marteladas que a vida me dá e, às vezes, sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa que peço é: "Meu Deus, não desista até que eu consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim. Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser, mas jamais me jogue no monte de ferro velho"...
 Pe. Roberto Nentwig

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Arquidiocese de Uberaba realiza formação de catequistas

                  
                Hoje quando a Igreja fala de Iniciação à vida cristã, podemos compreender que é com a preocupação que todos nós catequistas, catequetas e amantes da catequese temos em comum: levar os nossos interlocutores à vivência de uma experiência pessoal e profunda com a pessoa de Jesus Cristo. O Documento de Aparecida nos lembra em seu número 287 que: “Ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo e convidando-as para o seu seguimento ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora.” - eis o nosso desafio queridos catequistas, evangelizar proporcionando o contato com Jesus Cristo.
           No dia de ontem (18), dia do Senhor, a Família Catequética da Arquidiocese de Uberaba – MG, se reuniu para um dia de estudo, partilha, vivências e celebração. Contamos com a presença de diversos catequistas e outras lideranças da Igreja Particular e ainda de nossa grande amiga e colaboradora desse blog, a querida Catequista de Iniciação à vida cristã Imaculada Cintra da cidade de Franca – SP, a quem agradecemos a presença
             
         O tema escolhido para este momento tão maravilhoso e enriquecedor foi justamente sobre a Iniciação à vida cristã e quem assessorou com maestria todo o encontro foi o catequeta Padre Jordélio Siles Lêdo, que com grande sabedoria e dedicação conduziu a todos nós por uma bela e gostosa reflexão acerca da temática proposta. 





Ao Padre Jordélio o nosso agradecimento e hoje de maneira especial, queremos cumprimentá-lo por seu aniversário natalício, rogando ao Senhor da Messe e Pastor do rebanho que o cumule de bênçãos, saúde e perseverança em sua caminhada sacerdotal para que ele se dedique sempre mais ao serviço do Reino. Parabéns, felicidade!

               

Aos catequistas da Arquidiocese de Uberaba em particular e a todos os demais catequistas espalhados por todo o Brasil, parabenizo-os por seu dia que celebraremos em breve. Penso que este dia especial que a Igreja dedica a vocês seja mais que merecido por tamanho empenho e dedicação com que se colocam à disposição em nossas comunidades, mas digo ainda que todos os dias é dia do catequista, pois em todos os lugares diariamente temos alguém se dedicando à catequese seja de crianças, adolescentes, jovens e adultos. São vocês os grandes colaboradores da Igreja na sua ação evangelizadora, portanto, sejam perseverantes e sempre apaixonados pela catequese. Parabéns a todos e que  Maria, a estrela na nova Evangelização seja constante modelo para cada catequista presente nas diversas realidades de nosso país.


Sem. Leandro Santos
Assessor da Pastoral para animação bíblico-catequética


Arquidiocese de Uberaba / MG

PEREGRINAS DA ESPERANÇA

No próximo dia 25 de agosto estaremos comemorando o dia do catequista e nessa semana que antecede esse dia publicamos um artigo de uma CATEQUISTA muito especial que passou por nossa comissão.
 
Estou em dívida com vocês, queridos catequistas,  depois que assumi a missão na Argentina ( março/2012), não dei mais notícias, com alguns de vez em quando nos encontramos no Face. Queria dizer-lhes que a experiência vivida durante os anos que estive na equipe de animação bíblico-catequética, da CNBB alimentou e acalentou a minha VOCAÇÃO MISSIONÁRIA.  Nas visitas aos regionais fui descobrindo o desafiador e fascinante mundo da INTERCULTURALIDADE, cada regional com um rosto distinto, era reflexo do mistério Trinitário, que aprofundava o meu desejo de ir ao encontro de outras culturas, de outros povos. Estar em contato com os catequistas conhecê-los e aos poucos descobrir que na raiz de toda a sua atuação estava a vocação cristã, o chamado a ser catequista, SERVIDOR DA PALAVRA NO ANÚNCIO DE JESUS CRISTO, NOSSO MAIOR TESOURO, era fundamental e animava o meu trabalho.
 
Com que criatividade, sensibilidade, simplicidade e disponibilidade animavam suas dioceses, movidos pelo Espírito do Senhor testemunhavam gestos de solidariedade, de compaixão, de compromisso, tornavam-se PALAVRA ENCARNADA. CATEQUISTAS DO BRASIL, OBRIGADA, pelo testemunho que me animou a assumir a missão na Argentina-Patagônica. Que a catequese seja caminho de discipulado, forme discípulos missionários e nunca deixe  de cultivar e alimentar a missionariedade.  Catequista, sua missão é despertar nas crianças, jovens, adultos, idosos a chama do Espírito Missionário presente nas diferentes culturas.
Dom Esteban Laxaque em suas
visitas pastorais utiliza transporte
público e sua bicicleta.
Um forma de atualizar a inspiração fundante (Carisma) de uma Congregação é estar aberta às novas frentes missionárias, por isso com generosidade Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas, Provincia São Francisco de Assis, Curitiba-Pr,  acolheu o pedido do Bispo Dom Esteban Laxague e foi aberta a missão na periferia da cidade de Viedma, capital da Provincia de Rio Negro em março de 2012 com as irmãs: Claudia Ortigara, Zelia Maria Batista e Marlize Ignacio dos Santos.  Inicialmente para que fosse um testemunho de vida fraterna para o povo e Igreja Local.  Uma das prioridades da diocese são os bairros periféricos, dessa forma a presença da ICF é profética e animadora; acompanhando a comunidade na formação, animação e organização, com olhos e coração abertos às  necessidades das famílias do bairro. A prioridade absoluta dessa missão é gerar vida, não com meios sofisticados, mas através do despojamento da própria vida, é o resgate da cotidianidade, dos detalhes, da simplicidade, da alegria e da pobreza.
 
 Irmã Claúdia com detentos

TEMPO DE SEMEADURA...
 
                Vivemos num dos bairros periféricos da cidade de Viedma, onde está localizada a Comunidade São Francisco de Assis, num conjunto habitacional de 152 apartamentos, construído há 20 anos e que abrigam em torno de 300 famílias. Com aumento da população surgiram mais dois bairros, totalizando cerca de 2000 famílias.  A comunidade surgiu oficialmente há 4 de outubro de 2000,  antes disso as famílias se encontravam para refletir a Palavra de Deus em suas casas, acompanhadas por lideranças da própria comunidade e da comunidade vizinha Sta Clara que já estava constituída. A semente do Verbo já estava presente e contava com a presença franciscana da Congregação Missionárias Franciscanas de Maria.
 
A comunidade São Francisco pertence a Paróquia Dom Bosco, assistida pelos padres salesianos: Pe Luciano Cibien (pároco) e Pe Franco. Segue a linha pastoral e prioridades da Diocese. Este ano o Lema é: “LA FE SE FORTALECE DANDOLA: COMO COMUNIDAD VAMOS Y EVANGELIZAMOS EM LA OUTRA ORILLA”(APARECIDA 379). Na última assembléia diocesana (19 e 20 de maio de 2012) foram assumidas as seguintes prioridades: pessoas com deficiência, Terceira idade , Jovens e Adolescentes, Família, Bairros periféricos. 
 
Desde que chegamos, março/2012, procuramos estar junto com o povo, ver, sentir, escutar a realidade que vivem as famílias, constatamos que a comunidade estava praticamente abandonada, sem celebrações e falta de animadores. Com o olhar de Jesus buscamos perceber as suas necessidades, foi assim que realizamos uma missão com um grupo de leigos visitando as famílias e convidando-as a participar primeiramente da semana santa e depois das demais atividades pastorais. A partir disso a comunidade optou por encontrar-se semanalmente para celebrar e planejar suas atividades pastorais. Este ano seguimos com a semeadura, sem pretensões de colher logo os frutos...Continuamos semeando na gratuidade, com alegria e esperança, pois a missão é de Jesus Cristo. O tempo de semeadura, exige atitudes de silêncio e paciência ancoradas no porto seguro da fé e da esperança. 

 Irmã Zélia com os jovens

IR AO ENCONTRO DO TOTALMENTE OUTRO

A vocação cristã nos impele a universalidade, ao encontro do desconhecido que não está no espaço convencional que nos garante certa segurança, está na fronteira, que não é somente geográfica, mas cultural, social.  É na fronteira, na “outra margem” que vamos encontrar o “outro”, por isso Jesus provoca os discípulos a ir a outra margem (cf. Mc 4, 35-41), a travessia é dolorosa, enfrentam a tempestade. Assim foi a experiência das primeiras comunidades, a perseguição aos cristãos fez com que a mensagem evangélica chegasse a outros povos e culturas (cf. At 8,4). O  documento de Aparecida,379, diz que é necessário que na Igreja aconteça uma nova primavera da Missão Ad Gentes, ao levar o evangelho a outra margem, a outras realidades, vamos fortalecer nossa fé e oferecer da nossa pobreza e alegria. 
Ao deixar a terra de origem, a Pátria, deixam-se os bens mais preciosos, a comunidade, as referências culturais, os vínculos afetivos, como uma planta que desde suas raízes é removida para ser transplantada em outro terreno. As raízes deverão se adaptar ao novo espaço e encontrar os nutrientes necessários para sobreviver. “Quanto mais profundas as raízes em minha cultura de origem, mais possibilidade de inculturar-se,  porque somente as raízes profundas podem criar o senso de pertença e o senso de apego”. ( cf.Caminhos para a Missão).
A adaptação exige tempo, despojamento, silêncio, escuta.  Como somos hóspedes na casa dos outros, vamos aos poucos incorporando os novos elementos da cultura onde estamos inseridas, é o processo de inculturação.  Somos enviadas e enviados para oferecer o dom humilde e gratuito de toda nossa vida, não é mais uma experiência, porque vamos estar mergulhando numa outra cultura, que requer aprendizagem de idiomas, costumes, mentalidades, relações, cosmovisões, isso exige tempos longos de dedicação e entrega. Estar com a inteireza de nosso ser missionário nesta realidade para escutar, silenciar, respeitar e valorizar elementos culturais dos povos indígenas, neste caso, o povo mapuche, continua sendo um desafio, porque necessitamos estar com todos os sentidos para escutar o sussurro, de uma cultura que foi calada, quase extinta, mas que é fonte de vitalidade e esperança.
Assumindo concretamente a vida de um povo e sua causa, assumimos a humanidade de Jesus que se encarnou para salvar o humano. Assumir a dinâmica de ir e vir, para estar abertas aos processos de aprendizagens; assumir o caminho do discipulado para que a nossa ação missionária esteja centrada em formar discípulos missionários e não somente em cumprir tarefas, são os desafios que nos animam a seguir nesta missão.
 
A Igreja e nossas Congregações  somente se renovarão se buscarem novos espaços, isso exige que façamos a opção de sair e ir ao encontro do totalmente outro, do desconhecido, sem pretensões da fazer muitas coisas, mas DE SER PRESENÇA na gratuidade, no silêncio, como a semente lançada na terra. Quando deixamos os espaços viciados respiramos o ar PURO da NOVIDADE, é surpreendente como somos evangelizadas quando estamos junto com os pobres, os idosos, os jovens, as famílias, os enfermos, esta gente tem uma vitalidade, uma alegria de viver que contagia, na verdade são eles os nossos mestres. Nestes espaços recupera-se a natureza, a essência da VOCAÇÃO MISSIONÁRIA que é a gratuidade. “É melhor uma Igreja acidentada porque foi à rua do que uma Igreja doente e asfixiada, porque ficou dentro do Templo”. Papa Francisco.
Queridos/as, catequistas, com alegria  partilhei um pouco da profunda experiência missionária na Patagônia, considerando que estou  no chão sagrado que é a cultura mapuche, atraída pela imensidão do DESERTO PATAGÔNICO,  concluo  con el sonido que viene de la tierra herida y llega a nosotras en forma de poesia, porque viene del profundo, es la propia alma que habla:
concluo com o som que vem da terra ferida e chega até nós em forma de poesia, porque vem do profundo, é a própria alma que fala:

DESERTO
 
Tempo de travessia….Não temos claro onde chegar mesmo assim caminhamos…Confiamos em dar mais um passo, em apostar contra toda esperança...Em arriscar, ousar, sonhar, aventurar.....
Para atravessar o deserto ou estar no deserto não são necessárias muitas coisas, apenas o ESSENCIAL para viver na provisoriedade. Assim descobre-se o valor da cotidianidade tramada de simplicidade, alegria e pobreza.
No deserto o clima é árido, falta água, necessita-se buscar a fonte.....A fonte mais profunda onde se encontra água potável para garantir a vida, o frescor da esperança e dos sonhos, que nos tornam leves para caminhar, porque o caminho é longo, povoado de um terrível SILÊNCIO.   Para aproximar-se da FONTE  a condição  é ir sem nada e pedir permissão aos  antepassados porque tudo é Dom, nada nos pertence. 
A FONTE é capaz de nos devolver a ESPERANÇA aprisionada e trazer-nos  novo vigor, a jovialidade, a alegria de viver e de ser “um eterno aprendiz”.
A FONTE é capaz de soltar nossa voz e entoar uma canção que nasce do  ENCONTRO  com os pobres desta terra azul, o povo mapuche do qual arrancaram a própria existência por isso lhe restou o canto...Quanto silêncio é necessário para escutar a melodia da dor e da alegria dos pobres desta terra, das suas filhas golpeadas no corpo e na alma. Dos seus filhos que perderam tudo o próprio direito de existir como POVO.
Para se aproximar da “Fonte”’é necessário silêncio para escutar os sons que vem da TERRA FERIDA....É no silencio  orante e contemplativo que  a esperança e os sonhos são plasmados. É tempo de SILÊNCIO, ORAÇÃO E COMPAIXÃO, porque aos poucos vamos perdendo a sensibilidade de chorar e sofrer com o outro. Seria este um caminho para sair da anemia espiritual em que nos encontramos; sair do espaço que nos garante segurança para viver a provisoriedade, o abandono, o despojamento e neste espaço VITAL encontrar as razões da nossa FÉ?
O caminho pelo deserto se torna escuro e não conseguimos ver com clareza por onde caminhamos, a areia sob nossos pés é movediça e parece que vamos ficar pelo caminho, paralisadas, não temos porque avançar, o cansaço, o desânimo, aprisionam nosso desejo de dar mais um passo, sim mais um passo na expectativa do ENCONTRO.... Da luz de um novo amanhecer....
O caminho pelo deserto exige que mantenhamos o olhar no horizonte, porque corre-se o risco de voltar o olhar para nós mesmas e nos satisfazer com uma vida mesquinha que nos dá segurança e bem estar... Corremos o risco de robotizar-se tornando-nos dependentes dos aparatos tecnológicos que criam barreiras impedindo o diálogo, a interação com o outro que nos HUMANIZA.  Perde-se a sensibilidade para com o sofrimento humano e corre-se o risco de não desfrutar da beleza ofuscada nas diferentes realidades e culturas. Corre-se o risco  de perder o ENCANTAMENTO, porque a aridez das relações vai deixando marcas de desencanto.
Caminhamos com os olhos fixos em Jesus Cristo, encarnado em cada realidade humana, na comunidade que celebra ao redor da mesa da Palavra e da Eucaristia;  com Ele experimentamos a solidão do abandono, a noite escura de nossa fé, o silêncio de Deus, na busca de nosso Amado naquela manhã em que reconhecemos sua voz, e ao voltar-se para Ele à luz do seu olhar nos devolve o brilho da ESPERANÇA e das nossas entranhas fecundada pela luz nasce o ENCONTRO: “Vi o Senhor”.
 
!QUE LA VIRGEN DE APARECIDA Y LA VIRGEN MISIONERA DE RIO NEGRO SIGA ALUMBRANDO NUESTROS PASOS EN EL SEGUIMIENTO DE JESUS CRISTO!!
¡INVITO A TODOS A COMPARTIR LA AMISTAD Y A TOMAR  UN MATE EN ESTAS PARAGENS!

Freternalmente,
Hna Zélia Maria Batista, CF
Calle Rio Limay, 1461
Viedma – Provincia de Rio Negro- Argentina
Fone: 0552920 -15537598

E-mail: zelibatista12@hotmail.com
Facebook: Zélia Maria Batista.

MESAGEM FINAL DO 1º CONGRESSO LATINOAMERICANO DE ANIMAÇÃO BÍBLICA DA PASTORAL E 6º ENCONTRO REGIONAL DA FEBIC

 
Lima/Perú, O5 - 08 de agosto de 2013

 
          A todos os irmãos e irmãs das Igrejas particulares da América Latina e do Caribe, nossa cordial sudação de comunhão e paz no Senhor Jesus Cristo, Palavra vivente de Deus.
          Durante os dias 05 a 08 de agosto do presente ano, 85 participantes, representando as Conferências Episcopais do Continente, outros organismos e outras Igrejas cristãs, nos reunimos na cidade de Lima/Perú. Presentes: Bispos, sacerdotes, religiosas e leigos atraídos pela Palavra de Deus e convidados pelo Centro Bíblico Pastoral da América Latina (CEBIPAL) e da Federação Bíblica Católica da América latina e do Caribe (FEBIC-LAC). Nossa motivação principal foi refletir sobre a identidade, os objetivos e os métodos da Animação Bíblica da Pastoral (ABP), como o documento de Aparecida e a exortação apostólica Verbum Domini definem hoje a pastoral bíblica. Destacamos a presença da valiosa representação das Antilhas que deu ao Congresso um caráter especial por sua cultura e sua língua (inglês).
          Num clima de escuta, fraternidade, oração e participação, tendo como ponto de partida os desafios da Igreja Latino Americana em estado permanente de missão, nos dedicamos a examinar a fundo os fundamentos teóricos e linhas de ação da ABP na América Latina e no Caribe através de conferências, trabalhos de reflexão em grupos, celebrações litúrgicas e experiências de Lectio Divina.
          Do início ao final nossa atenção se concentrou na exortação Verbum Domini que nos serviu de texto guia e fio condutor do Congresso. Junto com ela, nos inspirou também a dinâmica apresentação da Palavra de Deus que nos ofereceram em 2008 os Padres Sinodais na MENSAGEM DO SÍNODO.  Esta Mensagem, fez a transição entre o final do evento sinodal e a publicação da exortação Verbum Domini e ao mesmo tempo nos mostrou o dinamismo revelador da palavra Divina. De uma primeira revelação cósmica, que faz com que a criação se assemelhe a uma espécie de imensa página aberta diante da humanidade, na qual se pode ler uma mensagem do criador: “Os céus proclamam a glória de Deus”, passa, em uma etapa posterior, a ser palavra escrita. Desta forma as Escrituras são “o testemunho e memorial canônico, histórico e literário que atesta o evento da Revelação criadora e salvadora. A Palavra de Deus precede e excede a Bíblia”. Em consequência “nossa fé não tem como centro só um livro, mas uma história de salvação... e uma pessoa, Jesus Cristo, Palavra de Deus feita carne”.
          “A Palavra do Senhor permanece para sempre”(1 Pe 1,25). Com essa convicção procuramos adquirir um conhecimento mais profundo e integral da ABP à luz da Verbum Domini e da experiência de nossos países. Para concretizar esse objetivo contamos com a iluminação de assessores bem preparados.
          Num primeiro momento se destacou a importância que a Mensagem do Sínodo sobre a Palavra de Deus na Vida e Missão da Igreja teve na elaboração da Exortação pós-sinodal. As belas imagens ali usadas: Voz da Palavra, Rosto da palavra, Casa da Palavra e Caminhos da Palavra, inspiraram o papa Bento XVI para estruturar as três partes da Verbum Domini: A Revelação da Palavra que é Jesus Cristo; sua acolhida na Igreja e seu anuncio e testemunho no mundo. A exortação Verbum Domini é um fruto maduro dos 50 anos do Concílio Vaticano II.
          Trabalhamos com grande interesse o tema central da identidade e função da Animação Bíblica da Pastoral, a natureza e a função da Sagrada Escritura como mediação do encontro e comunhão com Jesus Cristo, Cabeça do Corpo que é a Igreja, e desde a situação real e existencial dos sujeitos da evangelização.
          A natureza e a função da ABP está em descobrir que a Palavra de Deus, contida nas Escrituras, é Jesus Cristo, plenitude de vida e de verdade. Palavra que foi comunicada para que seja cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial(VD, 1). Esta Revelação, dom gratuito e generoso do Pai, deve ser anunciada ao mundo.
          A função da ABP é contribuir para que o povo de Deus compreenda, viva e testemunhe a Palavra de Deus contida na Bíblia. Ela ajuda para que o encontro com a Palavra seja cominho de comunhão com a Pessoa de Jesus Cristo, e com todos, sem excluir ninguém, caminho de conversão pessoal e pastoral e caminho para a missão sem fronteiras. Viver a Palavra é basear o dinamismo da vida e sua coerência no encontro pessoal com o Senhor Ressuscitado, presente nas Escrituras. Estas orientações motivaram o trabalho dos grupos convidados a considerar a ABP como caminho de interpretação, de comunhão e evangelização.
          As atividades desenvolvidas nestes dias de Congresso-Encontro nos levam a formular compromissos que apoiam a missão da ABP, expressa de muitas maneiras nas programações das organizações e missões concretas ao serviço da encarnação permanente da Palavra.
          A força do Espírito Santo, cuja presença experimentamos nos impulsiona a assumir compromissos pastorais baseados em três linhas apontadas pela exortação Verbum Domini: compreender, viver e anunciar a Palavra de Deus que a Sagrada Escritura nos oferece.Compreender com a mente, com o coração, ou seja a pessoa em sua totalidade. Compreender implica numa interpretação que leve a descobrir o sentido originário da Palavra.
          A Nova Evangelização, que teve na América sua terra natal, objeto do último Sínodo dos Bispos está a serviço  da transmissão da fé. A exortação Verbum Domini já havia apontado para esta realidade quando fala que são tantos irmãos batizados que não estão evangelizados e que necessitam que se proponha de novo a eles a boa nova de Jesus Cristo. Esta evangelização se concretiza, à luz da Verbum Domini, na iniciação à vida cristã e no anúncio do evangelho querigmático que responda à busca das pessoas. Certamente o último Sínodo dos Bispos dará em sua exortação pós-sinodal critérios e linhas mais precisas e atualizadas.
          A evangelização das culturas, o ecumenismo e o diálogo inter-religioso são parte essencial da Nova Evangelização. Mas, sobretudo, o testemunho cristão de solidariedade e caridade com os excluídos da sociedade.
           Desejamos que nossa relação discípulo-Mestre-discípulo produza coerência e se faça anúncio, testemunho, expressão e fonte de alegria porque Jesus Cristo é o Senhor ontem, hoje e sempre.
          Que Maria, aquela que fez de sua vida uma permanente escuta da Palavra, nos dê um coração apaixonado por Jesus Cristo, Palavra de Deus.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A espiritualidade de vencer sem derrotar o outro

Já dissemos várias vezes que a catequese deve educar para a espiritualidade ecumênica. Essa espiritualidade, porém, tem características que não se aplicam só ao diálogo entre cristãos de Igrejas diferentes. Trata-se de um modo de ver a vida e as relações humanas, que abrange um campo bem mais amplo, com o cultivo de algumas qualidade e atitudes que vão ser importantes para mudar muito da agressividade e da competição que nos cercam no dia-a-dia.
            A propaganda nos diz o tempo todo que temos que ser “vencedores”. È verdade que ninguém quer ser um derrotado. A própria fé nos chama a vencer, mas de uma outra maneira. Perdoar, por exemplo, pode ser uma vitória bem maior do que se deixar dominar pela satisfação de ver o outro humilhado. Assim, teríamos que preparar os catequizandos para uma compreensão diferente, que combine a noção de vitória com a vivência da fraternidade, do respeito ao outro, do diálogo, do serviço. E isso não é o que a maioria de crianças, adolescentes e adultos estão vendo à sua volta e estão sendo estimulados a assumir.
            Algumas vezes, lendo artigos meio sofisticados que comentam os fatos do cenário mundial ou observações pitorescas que se referem a acontecimentos da vida cotidiana, me deparei com a expressão “vitória de Pirro”. É um modo de falar usado para se referir a vitórias tão custosas, que trazem tantos prejuízos adicionais, que acabam sendo mais danosas do que uma derrota.  É uma maneira bastante irônica de descrever certas situações e se refere a uma batalha que aconteceu no ano 280 aC. O general grego Pirro lutou contra os romanos e venceu. Mas as perdas, em ambos os lados, foram tão grandes que a história registrou, como comentário do general vencedor: “Se vencermos outra batalha contra os romanos, estaremos completamente arruinados.”
            O comentário de Pirro se referia à perda de vidas, de armamentos e  provavelmente até ao crescimento de um certo desgosto que deixaria o pessoal sem ânimo para futuras batalhas. Mas muitas vezes, na vida comum de hoje, chamamos de vitórias coisas que no fundo são prejuízos que vão se acumulando. É o que acontece, por exemplo, com o “valentão” que gosta de se impor praticando bullying com os colegas da escola. Ele humilha o outro e se afirma como “mandão”? Pode ser... mas perde um monte de possíveis amigos com quem poderia fazer coisas muito mais interessantes e, além disso, deixa de construir em si mesmo a grandiosa pessoa que poderia vir a ser se desenvolvesse uma liderança mais fraterna, cooperativa e generosa.
            Certa vez separei para trabalhar com os pré adolescentes da catequese um anúncio de álbum de figurinhas de quadrinhos de estilo japonês que usava o seguinte argumento: “Ser ninja é completar o álbum antes dos amigos!” Conversamos sobre a idéia que estava por trás do anúncio e a garotada acabou percebendo que seria muito mais gratificante “completar o álbum junto com os amigos”. Mas resolvi aprofundar a discussão. Afinal, “ninja” seria um herói, alguém valente, admirável. Será que, na simples situação de completar um álbum de figurinhas, haveria um jeito de mostrar grandeza?  Depois de algumas conversas, o grupo percebeu que muito mais “ninja” seria aquele que, percebendo que a família tem dificuldades financeiras, desistisse de completar álbuns (ou gerar outras despesas) para ser solidário em vez de ser um peso a mais nos gastos de seus pais.
            Poderíamos contemplar outras falsas “vitórias”. Numa briga de casal, por exemplo, vale a pena um derrotar e humilhar o outro, só para mostrar que tem razão?  Quando duas igrejas cristãs se encontram, vitória é o diálogo fraterno ou é conseguir provar que o outro está errado?  Melhor é um país vencer outro na guerra ou os dois se entenderem antes numa conversa de reconciliação e paz? 
 
            Um dia o mundo vai perceber que a maior vitória é construir uma fraternidade tão grande que ninguém ache necessário derrotar o outro. Chegaremos lá, eu creio. Mas, para isso, teremos que começar agora mesmo a educar muito mais intensamente para o diálogo, a paz, a cooperação, a alegria de vencer juntos em vez de criar derrotados. Num mundo tão marcado por outros valores, a catequese é um espaço privilegiado para despertar pessoas para a aventura de viver a verdadeira vitória. Esse conteúdo não se repassa somente num debate específico sobre o tema em questão, mas se constrói pela maneira com que abordamos tudo que a catequese vai ajudar a refletir. A juventude, principalmente, precisa muito de reflexões que ajudem a combinar vitória com fraternidade, atenção ao outro, respeito aos direitos de todos, diálogo com os diferentes, resistência ao bullying. Com isso ajudaremos a construir uma espiritualidade que vai servir ao ecumenismo mas também vai preparar para vencer preconceitos, compreender o outro, defender os direitos de todos.
 
Therezinha Cruz
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