quinta-feira, 25 de julho de 2013

Homilia do 17º. Domingo do Tempo Comum – Ano C

Jesus chama Deus de Abba, expressando a sua confiança, o seu louvor e gratidão ao Deus de amor: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra...” Uma das maiores originalidade da mensagem de Cristo foi o fato de chamar Deus de “Abba” (no nosso contexto seria papaizinho) (Mt 11, 25-27). Esta era a maneira como a criança judia se dirigia ao seu pai, revelando que Jesus tem uma profunda familiaridade com Ele: expressa simplicidade, intimidade e segurança.
O que mais pode ser ressaltado a respeito da imagem de Deus que Jesus apresenta, é que Deus é bom. É um Deus amor, muito superior a um deus impessoal e abstrato, ou ao deus justiceiro e opressor. Deus não oprime, não observa tudo com olhos de controle, não precisamos temê-lo. Na primeira leitura, no livro do Gênesis, Deus é apresentado como misericórdia. É um Deus tão bom que não destruiria Sodoma se lá encontrasse ao menos um justo.
A psicologia fala dos problemas referentes à imagem do Pai. Nossa facilidade ou dificuldade com a imagem do Pai depende de nossa história pessoal. Também é verdade, que muitas imagens negativas de Deus vieram mediadas por uma imagem deformada do Deus-Pai, como a imagem de um velho barbudo com o livro nas mãos, cercado de anjos, desenhada nos catecismos antigos ou na própria Capela Sistina. Precisamos purificar a nossa imagem de Deus, enxergando nele a sua ternura, a sua bondade, a sua misericórdia, a sua graça. Só assim experimentaremos o amor de Deus, só pela contemplação de um Deus com estes atributos, poderemos também ser misericordiosos, ternos, bondosos...
O Evangelho deste domingo é um convite para orarmos ao Pai. Pedir ao Pai é um ato de confiança. Ele que tudo sabe, sabe de nossas necessidades, não precisaria que lhe contássemos. Porém, nós precisamos desabafar, precisamos expressar com os nossos sentimentos, e até mesmo com a voz, as nossas necessidades para que a nossa confiança seja ressaltada. Orar é uma atitude pedagógica, que nos educa para a confiança em um Deus Providente, que não nos dará uma cobra se lhe pedirmos um pedaço de pão. Negar a necessidade de pedir a Deus é um ato de orgulho pessoal, de quem se acha autossuficiente. Fazer a experiência do Deus de Jesus Cristo é experimentar que somos dependentes, não das coisas e das pessoas, mas de Deus, pois somos fracos, limitados, pecadores, pequenos... Bater à porta do coração de Deus é uma atitude de humildade.
O Pai Nosso é o modelo de oração, é a síntese da vida de oração. Cada uma das petições traz um profundo significado:

• Santificado seja o vosso nome: o nome de Deus é santificado em nossa santificação, ou seja, quando participamos com mais intensidade da santidade de Deus, que já é todo Santo.
• Venha a nós o Vosso Reino: O Reino de amor, de justiça, de fraternidade, o Mundo Novo anunciado pro Jesus, que já começa a ser visível aqui, mas que será consumado somente no fim dos tempos. Por isso, não nos cansamos de pedir: “Vinde, Senhor Jesus!” “Venha o vosso Reino!”.
• Seja feita a vossa vontade, assim da terra como no Céu: nossos desejos geralmente são egoístas. Mesmo pedindo a Deus, devemos fazer de nossa oração uma adesão à vontade do Senhor, como nos ensinou o próprio Jesus no Horto das Oliveiras, ao desejar que a dor lhe fosse afastada: “Faça-se a tua vontade, não a minha”.
• O Pão nosso...: o pão para nossas mesas, a vida digna para os empobrecidos, o Pão da Palavra e da Eucaristia.
• Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos: que tenhamos a mesma atitude de Deus que perdoa sempre. Pedimos que a nossa medida seja usada por Deus para conosco.
• E não nos deixeis cair em tentação: Sempre seremos tentados a romper com o projeto de Deus, precisamos da força de Deus para vencer.
• Livrai-nos do mal: Deus é bom, mas nós, seres limitados, enfrentamos o conflito, a dor e até a tragédia. A providência de Deus não nos priva em absoluto da limitação deste mundo, não é uma proteção mágica contra qualquer mal deste mundo. Afinal de contas, todos adoecem, todos morrerão um dia. O maior mal é a distância de Deus, é nosso coração insensível ao Senhor, é a nossa perdição. Isso não nos impede de que peçamos a proteção de Deus, que Ele nos salve dos perigos deste mundo de acordo com sua vontade, e que garanta a nossa felicidade plena quando toda lágrima, toda dor e toda morte desaparecer para sempre.
Pe Roberto Nentwig

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