quarta-feira, 31 de julho de 2013

Ser capaz de repartir

A vida não consiste em abundância de bens, mas na capacidade de repartir até a pobreza que a pessoa tem. É preciso ter cuidado com a ganância, que impede o bom uso dos bens da terra. Há o perigo da pessoa se identificar com o enunciado popular, que diz: “Ele é tão pobre que só tem dinheiro e bens materiais”. Não tem felicidade sustentável.

Conforme as palavras do papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude, não podemos viver na insensatez e na incapacidade de partilhar as riquezas com os irmãos. A vida é passageira. Para quem ficará o que é acumulado?  Na visão da Sagrada Escritura, todo aquele que busca o Reino de Deus, tudo mais lhe será dado por acréscimo (cf. Lc 12, 22-31).

Vivemos uma transitoriedade das coisas e isto deve levar-nos a um desprendimento como caminho que nos leva a Deus. Só assim podemos experimentar o amor e a alegria verdadeiros, que só é sensível na intimidade com o Senhor. Isto proporciona vida nova, fazendo-nos testemunhar a comunhão solidária, superando desigualdades.

A ilusão das riquezas impede a percepção do Reino de Deus. Ficamos perdidos na cultura do consumo, dificultando a esperança e, com isto, incentivando o egoísmo. O caminho é fazer opção de vida por aquilo que ocasiona segurança, por coisas do alto com a consciência da objetividade sobre o que é mais importante.

O papa Francisco falou muito de solidariedade, da acolhida e do voluntariado. Na JMJ Rio 2013 isto foi profundamente vivenciado. Aproximados 60 mil jovens se colocaram a serviço do mega evento, repartindo com a juventude seu dinamismo e capacidade de doação, revelando espírito e prática de vida cristã.

Mais de três milhões de jovens ocuparam a praia de Copacabana no Rio de Janeiro, sendo um dos maiores eventos no mundo. Na oportunidade, o papa cobrou posturas mais coerentes da Igreja no seu papel de evangelizar e de levar a sociedade para uma vida mais feliz e comprometida com a partilha e com o bem de todos.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

Conhecer os interlocutores da catequese Juventude


Acreditamos que o grande desafio que temos enfrentado nos últimos tempos, nos encontros de catequese, é o de conhecermos as pessoas a quem vamos transmitir uma mensagem, catequizar. A catequese tem cada vez mais ampliado os seus interlocutores, por isso, precisamos pensar em uma catequese do ventre materno à pessoa idosa. Precisamos superar a idéia de uma catequese apenas para as crianças com o objetivo do sacramento  somente (CR, n. 131)
        A catequese deve ser compreendida como processo ou itinerário, caminho que uma pessoa percorre ao longo da sua vida, de sua história, Tal processo procurará unir fé e vida; dimensão pessoal e dimensão comunitária; instrução doutrinária e educação integral; conversão a Deus e atuação transformadora da realidade; celebração dos mistérios e caminhada com o povo” (CR, n.29).
        Para que uma pessoa, seja ela, criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso, possa amadurecer na fé, é preciso que o conteúdo, a mensagem catequética seja adaptada ao desenvolvimento psicológico em que a pessoa vive.
        Apresentamos a seguir alguns indicativos do desenvolvimento na linha de pesquisa da psicologia do desenvolvimento e sugerimos algumas alternativas de ação para os catequistas.
        O início da fase da juventude é marcado por mudanças psíquicas a respeito das relações sociais, da atenção ao próprio corpo, da descoberta de si, ampliação do campo cognitivo, da afirmação da própria identidade.
O jovem de hoje busca desesperadamen­te contatos sociais. Ele busca espaços para encontrar outros jovens, para discutir temas que lhe interessam. Os jovens buscam lugares onde possam encontrar as suas futuras namoradas e os seus futuros namorados. Buscam locais onde possam dançar, jogar futebol e "trocar ideias". Se nós não lhe oferecermos tais espaços, ele os buscará em outro. Se não encontra o seu parceiro ou a sua parceira em nosso meio, vai frequentar as “baladas”, os bares e os shoppings, visto que aí encontrará outros jovens.
O jovem gosta de viver em grupos heterogêneos e, embora viva afastado da Igreja, sente necessidade de íntima relação com Deus. Seus problemas pessoais muitas vezes levam-no ao desespero. Apesar de toda problemática que enfrenta, mantém a esperança de dias melhores. Tem uma vida emotiva muito rica e é facilmente depressivo ou expansivo. Procura aprofundar sua identidade e por isso é fa­cilmente influenciável pelos outros e pelos meios de comunicação social. Adquire uma grande capacidade de discutir idéias e de se comuni­car com os outros.
Por fim, como podemos perceber o término deste período, é por sua vez marcado mais pela mudança da situação social do que psicológica, é o período em que a pessoa começa a modelar seu projeto de vida, sua vocação, embora ainda tenham de fazer escolhas importantes de vida, mas que decorrem de um caminho,  avaliando-se a partir do projeto de vida escolhido. A catequese tem a missão prioritária neste momento da vida do jovem de ajuda-lo em sua vida vocacional e afetiva de um modo mais acentuado.
Pe Eduardo Calandro
Pe Jordélio Siles Ledo, css

segunda-feira, 29 de julho de 2013

IV Romaria dos Catequistas do Regional Centro Oeste

A Comissão de Animação Bíblico Catequética do Regional Centro Oeste, convida todas as Dioceses do Regional Centro Oeste e todos que desejam celebrar a VIDA para participarem da IV Romaria do Catequista, a ser realizada no Santuário do Divino Pai Eterno em Trindade, no dia 18 de agosto de 2013 no horário das 06:00hs da manhã.

Teremos a caminhada do portal da entrada da cidade até a Basílica onde participaremos da santa Missa ás 08:00hs da manhã e logo após participaremos do show no ginásio de esportes.


Venham com muita Fé e entusiasmo, celebrar conosco.
PROGRAMAÇÃO

Tema: Catequistas celebram o ano da Fé

Lema: "Creio, mas aumentai a minha fé" (Mc 9,14)

Concentração: As caravanas de todo o regional se concentraram na entrada de Trindade no Portal do Divino Pai Eterno, antigo trevinho de Trindade às 05:30 da manhã.

Procissão: Sairemos em procissão às 06:00 para o Santuário, atrás de um carro de som e faremos quatro paradas com reflexão até o santuário. As paradas serão conduzidas pelo Pe. Eduardo Calandro e a animação ficará por conta do cantor Antonio Baiano e Filho.

Celebração: Teremos a celebração eucarística à 08:00, (com Dom Eugênio, Bispo referência da catequese do Regional Centro Oeste, que acompanha a procissão conosco) essa missa é transmitida ao vivo.

Show: Após a celebração, nós vamos para o ginásio de esportes (fica próximo ao santuário), onde temos um momento de show até às 12:00 com o cantor Antonio Baiano e Filho

sábado, 27 de julho de 2013

“COMUNIDADE DE COMUNIDADES: UMA NOVA PARÓQUIA”

ESTUDOS Nº 104 DA CNBB

UM OLHAR A PARTIR DA CATEQUESE


Desde o ano de 2007, existe na Igreja do Brasil o desafio de buscar uma renovação das comunidades paroquiais, pois naquele ano a Conferência de Aparecida fez um forte apelo : “Nenhuma comunidade deve isentar-se de entrar decididamente, com todas as forças, nos processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favorecem a transmissão da fé” (cf. DAp n. 365). Por isso a 51ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil, ocorrida em abril/2013, para enfrentar essa problemática, colocou como Tema Central “Comunidade de Comunidades: Uma Nova Paróquia”. Após ser discutido na Assembleia, esse tema continuará sendo estudado e aprofundado, para ser retomado na assembleia do próximo ano. Todas as pastorais e organismos eclesiais estão sendo convidados para colaborarem nessa reflexão uma vez que se trata de um assunto que atinge a todos.

Para a catequese, sem dúvida, esta temática é muito relevante, pois, se não houvercatequese renovada também não haverá nova paróquia. Por esse motivo, nos interessa muito participar dessa discussão nacional e, inclusive, colaborar para que esta renovação se realize dentro da perspectiva da Iniciação à Vida Cristã que mexe com toda a estrutura comunitária e paroquial, envolvendo a todos numa experiência de profundo encontro com Jesus Cristo, capaz de transformar as comunidades em escolas de discipulado.

1 -A COMUNIDADE É FRUTO DE CATEQUESE COMUNITÁRIA

A compreensão de comunidade para a nossa fé cristã vem da vida e do ensinamento de Jesus, praticado pelos apóstolos nas comunidades, que depois da Ressurreição foram nascendo em toda parte, suscitadas pela ação do Espírito Santo. Na base da experiência comunitária que Jesus propôs, está a experiência de comunhão. Jesus inicia seu ministério chamando os discípulos para viverem com ele (Jo.1,35ss). O discipulado não é apenas o seguimento do mestre, mas também a vida em comum com os outros que o seguem. A dimensão comunitária, portanto, é fundamental na Igreja. Fundadana Trindade, perfeita comunidade de amor, a Igreja só pode existir de forma comunitária. Sem comunidade, não há como viver uma verdadeira experiência cristã.

A catequese, nestes últimos 30 anos, auxiliada pelo documento “Catequese Renovada”se empenhou de corpo e almapara educar a todosna dimensão comunitária da fé cristã. Muitos fatores, porém, tem dificultado esta tarefa. Entre estes certamente tem maior pesoa ideia de paróquia como “schopping de sacramentos”, onde a pessoa busca o que lhe interessa, paga por isso, mas também não tem mais compromisso nenhum. Isto gerou uma mentalidade que será muito difícil de ser superada, prova disso é que os 30 anos de Catequese Renovada não lograram ainda um avanço tão significativo como desejado. Precisamos, portanto, aproveitar esse momento em que todas as forças na igreja do Brasil se movem em busca de um novo modelo comunitário.

2 –A COMUNIDADE É FRUTO DE CATEQUESE VIVENCIAL

O processo histórico, passando pela experiência da cristandade nos conduziu a modelos paroquias que já não correspondem às características das primeiras comunidades onde o forte era a vivência e a experiência. Por isso é urgente e necessário agora fazer um processo de conversão pastoral. A Igreja, expressão do amor da Trindade, precisa voltar a ser a comunidade da caridade. O amor ao próximo, radicado no amor de Deus, é um dever de toda comunidade eclesial.  Neste ponto entra de cheio a catequese a serviço da iniciação à vida cristã que educa para agir nas situações concretas conforme o evangelho ensina: os famintos devem ser saciados, os nus vestidos, os doentes tratados para serem curados, os presos visitados, as crianças acolhidas com toda dignidade (cf. Mt. 25). Essa postura implicará também em apoiar e se engajar em causas que garantam a justiça e a paz para todos de forma mais ampla.
Em nossos dias, a vulnerabilidade social clama para que todas as comunidades paroquiais e as pastorais nelas existentes se aproximem das situações onde a vida estiver ameaçada: “Só a proximidade que nos faz amigos nos permite apreciar profundamente os valores dos pobres de hoje, seus legítimos desejos e seu modo próprio de viver a fé” (DAp, n. 398). A aproximação com os pobres e sofredores educa a comunidade cristã. Tal atitude muda as pessoas mais do que os discursos. Basta ver o processo catequético que o papa Francisco deflagrou em todo mundo, não tanto com palavras, mas com gestos vivenciados de forma muito bela e verdadeira. É a vivência que leva a transformação em vista do Reino.

3 – A COMUNIDADE É FRUTO DE CATEQUESE BÍBLICA

A revitalização das comunidades, com a renovação paroquial, implica em estabelecer novas relações entre as pessoas, que ajudem a superar o anonimato e a solidão. A Palavra de Deus é a fonte principal da alegria que se produz quando as pessoas se reúnem e através da Leitura Orante da Bíbliase encontram com seu Senhor. Na comunidade a gente aprende a unir a fé com a vida, a se alegrar e chorar com o outro, na atenção às pessoas e suas necessidades. Isto leva ao autêntico encontro com Jesus Cristo que é a meta e o fim de toda a evangelização. E nos ajuda a abandonar a ideia de paróquia como uma organização bem estruturada e funcional, para atender a demanda em torno dos sacramentos.
A vida das pequenas comunidades, revitalizadas pela Palavra e alimentadas pela Eucaristia, será expressão de uma novidade. Será um novo jeito de viver a fé cristã de forma comunitária, mais do que o resultado de novas iniciativas e técnicas, que nem sempre qualificarão o ser cristão.  Estamos, portanto, diante de um desafio muito grande, que vai depender de uma renovada experiência de Deus capaz de provocar uma conversão pessoal e pastoral.


Pe. Décio José Walker 
Assessor da Comissão de Animação 
Bíblico-Catequética

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Quadra de escola de samba acolhe jovens para catequese na JMJ

A escola campeã do carnaval 2013 no Rio de Janeiro, Unidos de Vila Isabel, cedeu a sua quadra para as catequeses da Jornada Mundial da Juventude. Cerca de 3 mil jovens de diferentes partes do Brasil acompanham os encontros no local.
Dom Luiz Henrique, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, fez a catequese no local na manhã de quinta-feira, 25 de julho, com o tema "Ser discípulos de Cristo". "Depois de tomar café da manhã com o Papa Francisco, trago a benção dele para vocês", disse o bispo, para alegria dos jovens presentes.
Dom Luiz iniciou lembrando que todos são escolhidos e chamados por Deus. "Temos, assim, um compromisso missionário de viver a fé com alegria". E destacou o testemunho dado pelos jovens no dia a dia.
Os voluntários deste local são da Basílica de Lourdes, na zona norte do Rio. O casal Cleber e Nilia parou suas atividades pessoais para coordenar a acolhida dos peregrinos na quadra da escola de samba. "Estamos aqui com 50 voluntários da paróquia e também de Brasília atuando em serviços diferentes", explica a Nilia.
"Depois de um ano de preparação, vemos que o resultado foi melhor que o ensaio" explica Cleber. "É bonito perceber o interesse dos jovens na programação, inclusive cantando e fazendo perguntas aos bispos nas catequeses", completa.
 
Fonte: CNBB

Conhecer o sentimento do outro

           Nossa Igreja, com muita razão, recomenda que tratemos com especial respeito a tradição judaica, com a história que também faz parte da nossa fé cristã. O simples fato de Jesus, Maria, José, João Batista e os primeiros apóstolos serem judeus já seria um bom motivo de reflexão. Temos documentos oficiais que chamam os judeus de “irmãos mais velhos na fé”. Assim, em nome dessa história, a catequese teria um bom terreno inicial para educar na direção do diálogo inter-religioso. Participamos da mesma história, é verdade. Seguimos o Mestre Jesus, que era judeu. Mas construímos uma estrada própria e nos transformamos num grupo com um modo diferente de expressar a fé. Isso significa que, mesmo se temos em comum grande parte da Escritura, precisamos ter alguns cuidados ao tratar do judaísmo, para não ferir os sentimentos desses nossos “irmãos mais velhos”.
            Participei de alguns encontros de diálogo católico-judaico promovidos pela CNBB. Aí percebi que, mesmo tendo a mesma origem primordial, as duas tradições religiosas não se conhecem o suficiente para haver segurança no modo de orientar o convívio. Na dúvida, sempre perguntava a algum rabino presente se este ou aquele modo de apresentar a reflexão estava adequado ou se gerava para eles algum tipo de desconforto.  Percebi que, se queria conhecer o judaísmo, livros escritos pelos próprios judeus seriam melhores do que livros escritos por outros sobre os judeus. Para falar dos sentimentos e crenças religiosas de um grupo – qualquer que seja ele – as melhores pessoas são as que vivenciam aquele tipo de fé.
Percebemos isso com facilidade quando alguém fala mal de nós porque está interpretando o que fazemos de um modo que não corresponde aos nossos verdadeiros sentimentos. É o que acontece, por exemplo, quando alguém chama de idolatria o nosso costume de usar imagens na igreja. Ficamos desgostosos porque nos entenderam mal, tentamos explicar, mas em geral a conversa já fica estragada se começar desse jeito. Mas também podemos estar fazendo algo parecido quando nos referimos a outros cristãos ou a pessoas de outra religião a partir de rótulos que nos foram apresentados, sem conhecer os reais fundamentos do comportamento religioso das pessoas envolvidas.
A experiência me tem mostrado que o melhor é perguntar a alguém do grupo em questão como é que esse ou aquele tema é visto na sua comunidade de fé, como é que eles gostam de ser tratados e como querem que sejam entendidas as suas práticas e suas concepções religiosas. Isso tem duas vantagens: em primeiro lugar, impede que façamos, até sem querer, algo que ofende o outro; em segundo lugar, predispõe o interlocutor a tratar da mesma forma a nossa postura católica. A conversa se torna uma amigável e frutífera troca de informações em vez de ser uma briga, mesmo disfarçada.
Numa sociedade como a nossa, com múltiplas identidades religiosas, é importante que a catequese prepare para esse tipo de diálogo. Para isso, precisa comunicar aos catequizandos em primeiro lugar a postura da nossa própria Igreja em relação ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso, mostrando que queremos entendimento mútuo em vez de confronto permeado de acusações. Mas, como perguntas de um lado levam a perguntas do outro, é preciso também dar segurança a respeito das motivações de nossas práticas católicas, para que as explicações necessárias possam ser dadas com aquela segurança tranqüila que não coloca as pessoas em postura defensiva. Assim conviveremos melhor e, respeitando o sentimento religioso do outro, estaremos ensinando, do modo convincente, o respeito que a nossa fé católica merece.
 
Therezinha Cruz

quinta-feira, 25 de julho de 2013

CATEQUESE JMJ (4): “a esperança é filha da minha fé”.

Na manhã da última quarta-feira, dia 24, iniciaram em toda a cidade as catequeses da JMJ. Em várias paróquias e locais, nas diversas línguas, Bispos de diferentes nacionalidades ministraram catequeses para os peregrinos. No Riocentro, no palco central da Cidade da Fé, foi ministrada uma das catequeses pelo arcebispo de Belém, dom Alberto Taveira. Dom Alberto abordou com os peregrinos o tema da “Esperança”. Lembrou-se de quando era jovem e desejava lutar pelos ideais que acreditava, e animava os jovens a não perderem o entusiasmo de testemunharem a sua fé no mundo de hoje, citando Paul Claudel que dizia que “a esperança é filha da minha fé”.
 
Dom Alberto terminou sua catequese exortando os jovens citando uma fala do Papa Paulo VI no encerramento do Concílio Vaticano II: “A vós jovens de todo mundo, é entregue o facho que receberam das mãos dos antepassados para viver no mundo o momento das mais gigantescas transformações da sua história. Sois vós que recolhendo o melhor do exemplo do ensinamento dos antepassados podereis constituir a sociedade. Vocês se salvarão ou se perderão?”. E prosseguiu convidando os jovens a construírem com entusiasmo um mundo melhor.Após a catequese, dom Alberto Taveira presidiu a Santa Missa, que contou com a presença de vários padres e religiosos, e juntamente com muitos jovens. A animação musical da catequese e da santa missa ficou sob a responsabilidade da Banda CAJU (Casa da Juventude Comunidade Católica).
 
Fonte: CNBB

CATEQUESE JMJ (3): "Temos um compromisso missionário de viver a fé com alegria"

Cerca de 3 mil jovens de diferentes partes do Brasil participam das catequeses na quadra da escola de samba, Unidos de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, que cedeu o espaço para os encontros da Jornada Mundial da Juventude. Dom Luiz Henrique, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, foi o catequista da manhã desta quinta-feira, 25 de julho. "Ser discípulos de Cristo" foi o tema da catequese. "Depois de tomar café da manhã com o Papa Francisco, trago a benção dele para vocês", disse o bispo, para alegria dos jovens presentes. Dom Luiz iniciou lembrando que todos são escolhidos e chamados por Deus. "Temos, assim, um compromisso missionário de viver a fé com alegria". E destacou o testemunho dado pelos jovens no dia a dia.
 
Os voluntários deste local são da Basílica de Lourdes, na zona norte do Rio. O casal Cleber e Nilia parou suas atividades pessoais para coordenar a acolhida dos peregrinos na quadra da escola de samba. "Estamos aqui com 50 voluntários da paróquia e também de Brasília atuando em serviços diferentes", explica a Nilia."Depois de um ano de preparação, vemos que o resultado foi melhor que o ensaio" explica Cleber. "É bonito perceber o interesse dos jovens na programação, inclusive cantando e fazendo perguntas aos bispos nas catequeses", completa.
 
Fonte: CNBB

CATEQUESE JMJ (2): "Sabedoria para bem viver a juventude"


“Busque sempre viver na sabedoria de Deus” foi com este pensamento que Dom José Palmeira Lessa, arcebispo de Aracajú (SE), iniciou sua catequese aos jovens participantes da JMJ nessa manhã de quarta-feira, no Colégio Estadual Vicente Jannuzzi, no Rio de Janeiro. De uma forma bem descontraída, o bispo ensinou à juventude presente a importância em se resgatar valores cristãos, sobretudo, quando o assunto é relacionado à vida.
 
Dom Lessa contou um pouco de sua história e das muitas dificuldades que enfrentou. “Existe um ditado que diz ‘a esperança é a última que morre’. Tão contando mentira ein (risos)! Para um bom cristão, a esperança nunca morre, pois ela está em Cristo Jesus. E assim sempre será enquanto peregrinarmos por esse mundo. Uma vez, me recordo que os médicos disseram que era quase certo que meu pai ira morrer. Eu era jovem e estava começando minha caminhada vocacional. Se meu pai se fosse, eu teria que voltar para minha casa pois era o filho mais velho. Mas toda a igreja, como uma grande família, rezou por mim e meu pai e como no Jesus no horto das oliveiras eu disse ‘que se faça a sua vontade Pai’. Meu pai foi curado e me tornei e sacerdote. Esta é a força da fé! Deus sempre me sustentou mesmo nas dificuldades e com vocês (jovens) também deve ser assim”, disse.
O bispo lembrou-se de um ensinamento do Papa Francisco que dizia que a verdadeira alegria nasce do fato de encontramos uma pessoa: Jesus Cristo. “Sejam alegres jovens. Vivam a fé de vocês! Não deixem que este mundo, que a tantos tem machucado, façam vocês perderem o foco. Lutem pela vida e pelos preceitos do bom cristão” aconselhou.
 
Os olhos atentos e o sorriso no rosto mostravam o quanto os jovens estavam envolvidos no que dizia o pastor de Aracaju. O peregrino Filipe André Lopes, da Diocese de Jundiaí (SP), está no Rio de Janeiro desde domingo e se demonstrou muito animado com a oportunidade de aprender com bispos de outras dioceses brasileiras. O jovem prestou atenção em cada ensinamento de Dom Lessa durante a catequese. “Foi muito bom. Dom Lessa falou muito bem e me chamou bastante a atenção quando deu testemunho de sua juventude e nos ensinou que é preciso lutarmos para sermos diferentes nesse mundo que é materialista. Mais uma vez, percebi a voz de Deus convidando a todos nós, jovens, a ter mais responsabilidade e evangelizarmos aonde for necessário. Mesmo com todas as dificuldades, assim como Dom Lessa, devemos perseverar”, comentou o jovem Felipe. Após a catequese foi conduzido um momento de oração e, em seguida, Dom Lessa tirou algumas dúvidas dos jovens sobre os pontos abordados durante a pregação.

CATEQUESE JMJ (1): “Os jovens devem revigorar a esperança!”

Catequese é o nome dado aos encontros entre bispos e os jovens para uma meditação especial sobre o tema da Jornada Mundial. Nesta quarta-feira, 24 de julho, tiveram inícios as catequeses no Rio. Dom Alberto Taveira, arcebispo de Belém (PA), foi o catequista de uma multidão de jovens que se reuniu num dos pavilhões do Rio Centro, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

“Os jovens devem revigorar, pela força de Deus, a esperança num mundo novo e diferente marcado pelo amor de Cristo” essa foi a síntese que Sara Varella, de Fortaleza (CE), fez da catequese dada por dom Alberto num dos espaços da Cidade da Fé, evento promovido pela CNBB e realizado no Rio Centro, no bairro de Jacarepaguá.
 
 Sara e cerca de 50 outros jovens que participaram da catequese pertencem a entidade “Obra Lumen de evangelização”, fundada em 1989 e ligada à arquidiocese de Fortaleza. Segundo esses jovens que estiveram no encontro de catequese dessa manhã, os membros da “Obra Lumen”, buscam ser “autênticos discípulos da luz e missionários inovadores, promotores de uma revolução do amor, especialmente entre os jovens e os mais necessitados, dando sinais claros da presença de Jesus no cotidiano da vida”.
 
Os jovens que participaram da catequese no Rio Centro também distribuíram material no qual afirmam que é preciso “ser feliz, fazendo o outro feliz”. Nesse material, destacam que “só pode ser feliz quem é capaz de proporcionar a felicidade aos seus semelhantes”. E acrescentam: “muitas vezes, um gesto simples de solidariedade, o ato de escutar, um sorriso, uma pequena ajuda, pode se transformar em felicidade para quem recebe e, mais ainda, para quem pratica este gesto”.
 
Fonte: CNBB

Homilia do 17º. Domingo do Tempo Comum – Ano C

Jesus chama Deus de Abba, expressando a sua confiança, o seu louvor e gratidão ao Deus de amor: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra...” Uma das maiores originalidade da mensagem de Cristo foi o fato de chamar Deus de “Abba” (no nosso contexto seria papaizinho) (Mt 11, 25-27). Esta era a maneira como a criança judia se dirigia ao seu pai, revelando que Jesus tem uma profunda familiaridade com Ele: expressa simplicidade, intimidade e segurança.
O que mais pode ser ressaltado a respeito da imagem de Deus que Jesus apresenta, é que Deus é bom. É um Deus amor, muito superior a um deus impessoal e abstrato, ou ao deus justiceiro e opressor. Deus não oprime, não observa tudo com olhos de controle, não precisamos temê-lo. Na primeira leitura, no livro do Gênesis, Deus é apresentado como misericórdia. É um Deus tão bom que não destruiria Sodoma se lá encontrasse ao menos um justo.
A psicologia fala dos problemas referentes à imagem do Pai. Nossa facilidade ou dificuldade com a imagem do Pai depende de nossa história pessoal. Também é verdade, que muitas imagens negativas de Deus vieram mediadas por uma imagem deformada do Deus-Pai, como a imagem de um velho barbudo com o livro nas mãos, cercado de anjos, desenhada nos catecismos antigos ou na própria Capela Sistina. Precisamos purificar a nossa imagem de Deus, enxergando nele a sua ternura, a sua bondade, a sua misericórdia, a sua graça. Só assim experimentaremos o amor de Deus, só pela contemplação de um Deus com estes atributos, poderemos também ser misericordiosos, ternos, bondosos...
O Evangelho deste domingo é um convite para orarmos ao Pai. Pedir ao Pai é um ato de confiança. Ele que tudo sabe, sabe de nossas necessidades, não precisaria que lhe contássemos. Porém, nós precisamos desabafar, precisamos expressar com os nossos sentimentos, e até mesmo com a voz, as nossas necessidades para que a nossa confiança seja ressaltada. Orar é uma atitude pedagógica, que nos educa para a confiança em um Deus Providente, que não nos dará uma cobra se lhe pedirmos um pedaço de pão. Negar a necessidade de pedir a Deus é um ato de orgulho pessoal, de quem se acha autossuficiente. Fazer a experiência do Deus de Jesus Cristo é experimentar que somos dependentes, não das coisas e das pessoas, mas de Deus, pois somos fracos, limitados, pecadores, pequenos... Bater à porta do coração de Deus é uma atitude de humildade.
O Pai Nosso é o modelo de oração, é a síntese da vida de oração. Cada uma das petições traz um profundo significado:

• Santificado seja o vosso nome: o nome de Deus é santificado em nossa santificação, ou seja, quando participamos com mais intensidade da santidade de Deus, que já é todo Santo.
• Venha a nós o Vosso Reino: O Reino de amor, de justiça, de fraternidade, o Mundo Novo anunciado pro Jesus, que já começa a ser visível aqui, mas que será consumado somente no fim dos tempos. Por isso, não nos cansamos de pedir: “Vinde, Senhor Jesus!” “Venha o vosso Reino!”.
• Seja feita a vossa vontade, assim da terra como no Céu: nossos desejos geralmente são egoístas. Mesmo pedindo a Deus, devemos fazer de nossa oração uma adesão à vontade do Senhor, como nos ensinou o próprio Jesus no Horto das Oliveiras, ao desejar que a dor lhe fosse afastada: “Faça-se a tua vontade, não a minha”.
• O Pão nosso...: o pão para nossas mesas, a vida digna para os empobrecidos, o Pão da Palavra e da Eucaristia.
• Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos: que tenhamos a mesma atitude de Deus que perdoa sempre. Pedimos que a nossa medida seja usada por Deus para conosco.
• E não nos deixeis cair em tentação: Sempre seremos tentados a romper com o projeto de Deus, precisamos da força de Deus para vencer.
• Livrai-nos do mal: Deus é bom, mas nós, seres limitados, enfrentamos o conflito, a dor e até a tragédia. A providência de Deus não nos priva em absoluto da limitação deste mundo, não é uma proteção mágica contra qualquer mal deste mundo. Afinal de contas, todos adoecem, todos morrerão um dia. O maior mal é a distância de Deus, é nosso coração insensível ao Senhor, é a nossa perdição. Isso não nos impede de que peçamos a proteção de Deus, que Ele nos salve dos perigos deste mundo de acordo com sua vontade, e que garanta a nossa felicidade plena quando toda lágrima, toda dor e toda morte desaparecer para sempre.
Pe Roberto Nentwig

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Conhecer os interlocutores da catequese Criança de 04 a 06 anos

Acreditamos que o grande desafio que temos enfrentado nos últimos tempos, nos encontros de catequese, é o de conhecermos as pessoas a quem vamos transmitir uma mensagem, catequizar. A catequese tem cada vez mais ampliado os seus interlocutores, por isso, precisamos pensar em uma catequese do ventre materno à pessoa idosa. Precisamos superar a idéia de uma catequese apenas para as crianças com o objetivo do sacramento  somente (CR, n. 131)
 
A catequese deve ser compreendida como processo ou itinerário, caminho que uma pessoa percorre ao longo da sua vida, de sua história, “Tal processo procurará unir fé e vida; dimensão pessoal e dimensão comunitária; instrução doutrinária e educação integral; conversão a Deus e atuação transformadora da realidade; celebração dos mistérios e caminhada com o povo” (CR, n.29).
 
Para que uma pessoa, seja ela, criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso, possa amadurecer na fé, é preciso que o conteúdo, a mensagem catequética seja adaptada ao desenvolvimento psicológico em que a pessoa vive.
 
Apresentamos a seguir alguns indicativos do desenvolvimento na linha de pesquisa da psicologia do desenvolvimento e sugerimos algumas alternativas de ação para os catequistas.
 
As crianças fase dos 04 a 06 anos são ativas, é sempre bom explorar o máximo possível da sua energia saudável, lembrando que a criança ainda se cansa facilmente.
Têm pouco poder de concentração no desenvolvimento das atividades.

São curiosas, buscam conhecer as coisas, tudo o que está a sua volta, já tem um interesse aguçado para saber a origem das coisas, querem saber o porquê, mesmo tendo um vocabulário limitado gostam de conversar, por isso o catequista deve utilizar sempre uma linguagem simples.
 
Gostam de repetir histórias que ouviram ou criar histórias a partir do que viveram com os pais, responsáveis e também no encontro da catequese.

Ainda é fase da fantasia, gostam de "fazer de conta".

A música exerce influência em sua formação, pois gostam da música para dançar, exercitar-se, imitar os cantores.

Gostam de ser elogiadas em tudo o que fazem, lembre-se que a criança vive o momento de centrar-se em si, por isso, sempre irá chamar a atenção ao que está fazendo.

Por fim, o catequista deve explorar todas as atividades que sejam lúdicas: brincadeiras, teatro, correr, pular, dançar, fazer gestos através de músicas etc. A rotina é um grande risco para a evangelização, qualquer pessoa se cansa da mesmice, ainda mais as crianças que estão com intensa energia, por isso variar as atividades com constante freqüência, é um recurso metodológico que o catequista não pode deixar de fazer.

Pe Eduardo Calandro
Pe Jordélio Siles Ledo, css
 
 

terça-feira, 23 de julho de 2013

INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ: CLAMOR ECLESIAL (I)

O cristianismo é um dos grandes berços de sabedoria e vivência da unidade que nos chama à comunhão transformadora. Atualizar essa dinâmica testemunhal é tornar presente, em cada gesto realizado, a consciente conversão traduzida em protagonismo profético oriundo dos sacramentos da Iniciação Cristã recebidos não como término em si mesmos. O Papa Bento XVI na sua Encíclica, Deus Caritas Est, nos fala o verdadeiro sentido do amor de Deus: “Amor a Deus e amor ao próximo fundem-se num todo: no mais pequenino, encontramos o próprio Jesus e, em Jesus, encontramos Deus”. [1] A resposta ao chamado de Deus para algo mais é a certeza de que devemos aprofundar o que somos e buscamos, para realizarmos a dignidade de filhos (as) de Deus. O brado da Iniciação Cristã deve situar a pastoral de cunho catequético-experiencial da fé. A exigente demanda do crescente número de adultos [2] sem sentido de participação na Igreja que querem fazer esse caminho cristão de formação na fé; adultos que não receberam o batismo; adultos que foram batizados receberam a Eucaristia, mas por outros motivos abandonaram a Igreja e hoje buscam voltar para comunidade de fé e outros ainda que foram catequizados, porém não suficientemente evangelizados.
 
A eficácia da catequese até algum tempo atrás fortemente doutrinal[3], hoje é questionada. No processo de Iniciação à Vida Cristã se propõe que ela  seja realizada segundo o tempo litúrgico[4] próprio de cada etapa a partir da metodologia catecumenal sugerida pelo RICA (Ritual da Iniciação Cristã de Adultos). É também uma indicação para que essas instâncias (catequese, liturgia e prudente criatividade pastoral) sejam efetuadas harmoniosamente e que não transpareça a idéia de arquipélago, ou seja, isoladamente. Isso enfraquece o aprofundamento paulatino da fé: “A pedagogia catecumenal acha-se relacionada com o ano litúrgico, apóia-se nas celebrações litúrgicas e conduz o catecúmeno à íntima percepção do mistério da salvação”[5]. Formação permanente a partir de prioridades que vão ao encontro da Iniciação Cristã é necessidade. O rosto da Diocese ou Paróquia fica comprometido positiva ou negativamente no tocante ao apoio que dermos aos catequistas que exercem seu ministério com disponibilidade e espírito eclesial.
 
Desde a gênese das comunidades cristãs havia claro esse sentido de pertença ao Ressuscitado seja através da caminhada comunitária, a fé e o encontro em nome de Cristo, atualização missionária do evento pascal, os sacramentos que aos poucos foram tomando corpo e sendo organizados com a conotação teológica e na mudança de mentalidade. Sobre esses assuntos temos um valioso escrito do primeiro século do cristianismo: Didaqué ou Instrução dos Doze (espécie de manual dos catecúmenos com obrigações morais e sociais). Surge com o avanço das viagens apostólicas.
 
A expansão do cristianismo logo após o Pentecostes faz com que os novos cristãos entrem em contato com as várias culturas até mesmo de origem pagãs. Vemos a partir daqui a missionariedade como elemento constitutivo da adesão a Cristo. A caminhada desses novos cristãos, em muitos, gera contentamento e esperança de uma nova história que os chama à salvação integral (At, 2,47). Não sem dificuldades e oposições, a comunidade foi crescendo e se fortalecendo para ser esse elo: Deus que se manifestou em Jesus Cristo e as pessoas convidadas a darem continuidade ao projeto salvífico em suas vidas entregues até mesmo ao martírio.
 
No segundo século surge o catecumenato que se entende por uma proposta que tenta levar a pessoa a fazer parte da comunidade cristã seja através do recebimento dos sacramentos da Iniciação Cristã com suas exigências próprias; formação adequada no sentido de maturar as motivações do candidato(a) aos sacramentos. Esse itinerário acontece segundo práticas litúrgico-rituais para direcionar na celebração e na vida o que irão abraçar durante esse percurso formativo.[6] É verdade que as nomenclaturas Iniciação Cristã e Catecumenato eram tomadas praticamente com o mesmo sentido. Porém Iniciação Cristã é todo itinerário que a pessoa faz ao participar ativamente das etapas e tempos propostos (pré-catecumenato, catecumenato, purificação, iluminação e a mistagogia). Todo esse percurso tem por objetivo: “... vão sendo desenvolvidos paulatinamente, ou seja, o que falta a eles na caminhada cristã, Deus vem ajudá-los por intermédio de sua graça transformadora. São acompanhados, instruídos e engajados na comunidade, tornando-se também multiplicadores dessa beleza de serem convertidos ao Senhor da vida”[7]. Já o Catecumenato diz respeito ao 2º tempo, de intensa catequese e contato do catecúmeno com sua comunidade. É importante dizer: “Por ser uma iniciativa da Igreja e para toda a Igreja o catecumenato não se restringe ao âmbito de algum grupo, movimento ou pastoral”. [8] O que devemos fazer é implementar esse modelo catecumenal o quanto antes. O itinerário proposto deve despertar o compromisso na comunidade de fé bem como o engajamento nas pastorais.
 
Devemos tomar como exemplo o contexto eclesial e o engajamento de todos para, juntos, ser expressão da Igreja. O RICA orienta: “A fiel observância do que está prescrito neste Ritual e o conveniente aproveitamento, com criatividade e senso pastoral, das várias opções e alternativas oferecidas hão de levar a própria comunidade eclesial a redescobrir a riqueza admirável dos Sacramentos da Iniciação Cristã”. [9] A maneira de celebrar não dispensa a inclusão prudente e dinâmica litúrgica para tornar mais agradável e frutuosa a participação dos adultos, porém sempre resguardando o aval do Bispo Diocesano para que seja feito por toda Igreja particular em espírito de laboração e concretização em comum.
 
[1] BENTO XVI, Papa. Carta Encíclica: Deus Caritas Est. São Paulo-SP: Paulinas, 2006, n° 15.
[2] Segundo o Código de Direito Canônico adulto é “o que se prescreve nos cânones acerca do batismo dos adultos aplica-se a todos os que chegaram ao uso da razão, ultrapassada a infância”. (Cân. 852 §1). “O menor, antes dos sete anos completos, chama-se criança e é considerado não senhor de si; completados, porém, os sete anos, presume-se que tenha o uso da razão”. (Cân. 97§2).
[3] Cf. DOCUMENTO DE APARECIDA: Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Aparecida-SP: Paulinas, 2007, n° 299.
[4] RICA, n° 49; 51; 52; 53; 54; 55; 56; 57; 58; 59; 60; 61 e 62.
[5] LELO, Antônio Francisco. A Iniciação Cristã: catecumenato, dinâmica sacramental e testemunho. São Paulo: Paulinas, 2005, p. 192.
[6] Cf. LIMA, Luiz Alves de. A Iniciação Cristã ontem e hoje - História e documentação atual sobre a iniciação Cristã. In: Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética / CNBB. 3ª Semana Brasileira de Catequese – Iniciação à Vida Cristã. Brasília-DF: Edições CNBB, 2010, p. 64. 
[7] ALVES, Gilberto Siqueira, OFMCap. A Pedagogia da Iniciação Cristã com Adultos. Teresina-PI: Nova Aliança, 2011, p. 65.
[8] Estudos da CNBB, 97: Iniciação à vida cristã: Um processo de inspiração catecumenal. São Paulo: Paulus, 2009, p. 8.
[9] RICA, p. 7. n° 34 e 35.
Frei Gilberto Siqueira Alves, OFMCap.
É Vigário Paroquial na Paróquia de São Benedito – Teresina-PI. Pós-graduado em Docência do Ensino Fund. Méd. e Superior e Pós-graduando em Pedagogia Catequética pela PUC de Goiás. Lançou o livro na área da Iniciação Cristã com o título: A Pedagogia da Iniciação Cristã com Adultos. 
 

 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

A força do justo


O livro bíblico do Gênesis (18, 20-32) apresenta uma cena impressionante onde o Senhor revela sua atitude de misericórdia, sensibilizado pela força do justo. Estava para ser destruída a cidade de Sodoma, marcada por atitudes de injustiça e impiedade de seu povo e de desrespeito para com os princípios de Javé.
Abraão, o pai da fé, sensibilizado pela existência, em Sodoma, de pessoas justas, pensou: Seria justo que elas também fossem destruídas juntamente com os ímpios? E começou a insistir com o Senhor, dizendo: e se na cidade houver 50, ou 40, ou 30, ou 20, ou até mesmo 10 justos, destruiria a cidade?
Diante da insistência de Abraão, Deus respondeu que não. A justiça vence quando assumida com responsabilidade. Ela gera vida e preserva a vida. A injustiça acaba por sacrificar e matar as pessoas. Deus é Senhor da vida, mas também vida com dignidade e feliz. Escapa aos princípios divinos os atos de injustiça, trazendo como consequência o sofrimento e a destruição da vida.
Sentimos que há muito sofrimento no mundo, mas provocado por nós mesmos, pela prática da injustiça, pela desonestidade e por atitudes que não condizem com aquilo que pode trazer felicidade. O alto índice de assassinatos, de violência, de insegurança e de fechamento das pessoas é fruto de uma cultura marcada pela injustiça, corroendo as bases da felicidade.
Em tempo de Jornada Mundial da Juventude, e tendo o jovem como um dos primeiros a sofrer as consequências da injustiça, a intenção é de dizer que há possibilidade de uma sociedade diferente e muito mais saudável. É uma descoberta que cada cidadão precisa trabalhar, encontrando caminho de paz e de vida diferente.
Na JMJ, Rio 2013, toda mensagem transmitida ao mundo e aos jovens é de paz e do amor de Deus para todos. O papa Francisco revela, em seu jeito de ser, essa presença de Deus nas pessoas e seu compromisso com um mundo marcado pela simplicidade, mas principalmente, pela prática concreta da justiça e do amor ao próximo.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Lançamento da Coleção Iniciação à Vida Cristã

Aconteceu no ultimo dia 6 de julho de 2013 na Diocese de Goiás/GO o lançamento da Coleção Iniciação a Vida Cristã pela editora Vozes. Os autores da obra Pe. Leandro e Maria Augusta recepcionaram o convidados no Centro de Pastoral Luiz Ório onde foi realizada com a presença de cerca cento e cinquenta pessoas a cerimonia de lançamento. Dentre os presentes estavam Dom Eugenio Rixen, bispo da diocese de Goiás, Pe. Décio José Walker, assessor da comissão bíblico da CNBB, Marilac Loraine Olenic da Editora Vozes, Ir. Maria Aparecida Barbosa além dos alunos da sétima e oitava turma do Curso de Pós Graduação em Pedagogia Catequética que acontece nessa diocese e amigos dos autores que fizeram questão de marcar presença neste momento tão importante para a Catequese e para a Igreja do Brasil.
 
Para dar um toque todo especial ao acontecimento a contadora de historias e colega de turma de padre Leandro na pós graduação, Fabiola Barbosa, emocionou os presentes com um lindo conto que detalhou a temática de cada fascículo da coleção. Antes porem, afim de introduzir a historia a irmã religiosa consagrada Luciene Oliveira de Macedo da congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas, declamou o poema Fala de Você de Zé Vicente.
 
Por fim os convidados, e principalmente os alunos da pós graduação em pedagogia catequética, tiveram a oportunidade de adquirir os exemplares da coleção para levar para suas respectivas dioceses, visto que o curso acolhe participantes de diversos estados, e ainda confraternizaram-se num delicioso coquetel oferecido pelos autores nas dependências do centro de pastoral.
 
  
 
 
 


Homilia do 16º Domingo do Tempo Comum – Ano C

A hospitalidade é algo sagrado para as tradições orientais. Acolher o outro em sua casa não é fardo, mas um dever e uma graça. Acolhe-se o outro como a presença do próprio Deus. Esta foi a atitude do patriarca Abraão, na primeira leitura: acolheu três homens, recebendo o próprio Deus e uma mensagem de salvação: o anúncio do nascimento de Isaac. Jesus também foi acolhido na casa de Marta e Maria, pelo dom da hospitalidade. Em Bethânia, Jesus encontrava o seu refúgio, o seu descanso.
 
Há algumas circunstâncias que lutam contra a hospitalidade, assim como há algumas disposições interiores que nos ajudam a sermos hospitaleiros. Para algumas pessoas, trata-se de um movimento espontâneo; para outros a hospitalidade exige treino e percepção de si mesmo.
 
Há pessoas que são fechadas em si mesmas. Não acolhem, não sorriem, não dão o primeiro passo. Parecem que estão com medo de alguma coisa ou de alguém e, portanto, precisam estar na defensiva. Aqui não se incluem os tímidos, mas as pessoas fechadas e agressivas. Não podemos ver o nosso irmão como um inimigo; devemos ter a capacidade de dizer: “Entre na minha casa, a minha alegria é a tua alegria”.
 
Segundo o autor Henri Nouwen, o segredo da hospitalidade está na pobreza. Não a pobreza de bens materiais, mas em primeiro lugar, uma pobreza de mente. Há pessoas que são tão donas de si, tão presas em suas convicções e conceitos, que não deixam os outros ficar à vontade. A intolerância vai nesta linha: o intolerante não aprende nada de novo, pois ele se considera portador da verdade. O orgulhoso de sua maneira de pensar é um péssimo anfitrião da vida, pois o diálogo é intercâmbio de idéias para a construção de algo comum.
 
É preciso também uma pobreza de coração. Há situações em que a carência afetiva impera, fazendo com as pessoas não deixem os outros à vontade, pois os querem para eles, como um objeto. As relações humanas não podem ser fundadas no egocentrismo de uma das partes, mas deve ser uma abertura gratuita.
 
A verdadeira hospitalidade se faz quando oferecemos nossa pobreza: “Eu sou um pobre, nada tenho, mas estou aqui para partilhar do meu nada”. Quando estamos desprovidos dos apegos, podemos partilhar a solidariedade de nossa fraqueza. Partilhar do sofrimento do outro como o Bom Samaritano é um grande gesto de hospitalidade. Cristo nos deu o exemplo, fez-se pequeno – sua pobreza enriqueceu-nos. Na 2ª. Leitura, vemos que Paulo é solidário com o sofrimento de Cristo e com o sofrimento da Igreja.
 
Deus é o grande forasteiro da história. A história da salvação é uma busca incansável de Deus para habitar as nossas vidas. Nós precisamos dar espaço para que Deus habite a nossa vida. A grandeza que Deus quis manifestar é entre outras coisas, “a presença de Cristo em nossa vida” (Cl 1,27). Precisamos dar espaço, ter tempo para acolher o Senhor Deus em nossas vidas.
 
Marta é a mulher agitada, que não tinha tempo para as coisas de Deus, para a sua palavra. Trabalhar é bom, mas não pode ser uma agitação frenética, sem os verdadeiros valores evangélicos, como um pretexto para aparecer e apontar o dedo no nariz de quem parece estar sem as mãos na massa. Não pode impedir que tenhamos tempo para a escuta da Palavra, para a oração, para relações humanas significativas. Jesus questiona a agitação de Marta, e elogia a atitude de Maria – a escuta da Palavra de Deus.
 
Por outro lado, não podemos fazer um julgamento apressado sobre Marta. Sua intenção não era má: desejava fazer uma acolhida, preparar aquilo que faria o seu hóspede se sentir bem. Certamente, uma atitude absorvida nas práticas religiosas, sem ação evangélica, sem caridade também é desvirtuada. Maria não poderia ficar o tempo todo aos pés de Jesus. As duas atitudes se somam: caridade hospitaleira e vida contemplativa. É o que resume a velha máxima monástica: “orat et laborat”.
 
A celebração eucarística é a melhor parte: momento de escuta da Palavra de Deus. Cristo nos convida – somos seus hóspedes – na mesa mais hospitaleira: a mesa da Eucaristia. A hospitalidade de Deus nos faz sentar à mesa e comer com Ele. Na mesma mesa devemos acolher Cristo como hóspede e deixar que Ele faça morada em nós. Assim aprenderemos a viver, a sermos hospitaleiros e meditativos.
 
Pe Roberto Nentwig

 

Jornada Mundial da Juventude

Numa vida frenética, agitada e de muitas preocupações, as pessoas necessitam de momentos de recolhimento e de atenções voltadas para objetivos concretos. Isto reflete as atitudes de Marta e Maria, quando Jesus as visita em sua casa (Lc 10, 38-42). A melhor parte ficou com Maria, que deu atenção às palavras do Mestre. É desafiante hoje tirar tempo para ouvir, sabendo fazer silêncio.
O frenetismo é próprio da juventude. Marta e Maria certamente eram também jovens. No jovem está concentrada a força de vida, a esperança de um mundo melhor e mais comprometido com a dignidade do ser humano. Mas essas forças precisam ser canalizadas para o bem e a realização humana das pessoas.

Neste ano as atenções da Igreja se voltam para a juventude. A Campanha da Fraternidade deu destaque para o tema: “Fraternidade e Juventude”, acreditando na força missionária do jovem. Agora realiza mais uma Jornada Mundial da Juventude, tendo como intenção concreta, despertar em cada jovem seu compromisso com as realidades da cultura moderna.
A cidade do Rio de Janeiro está sendo o palco principal. A expectativa é de que milhares de jovens do Brasil, e do mundo todo, ali se encontrem, na data de 22 a 28 deste mês, num mega evento de confraternização. Devem ser dias marcados por muitos acontecimentos formativos, culturais e de muita oração.

Contamos com a presença do papa Francisco realizando o encontro da Igreja consigo mesma e com o mundo, num processo de provocar, nos jovens e em todos os participantes, o encontro com Jesus Cristo e a motivação missionária. Toda movimentação da semana vem sendo preparada, com muito carinho, por uma multidão de pessoas, principalmente jovens.
A JMJ Rio 2013 não pode ser apenas um acontecimento a mais na caminhada da Igreja, mas a descoberta do Mistério Pascal presente e encontrado na Pessoa de Jesus Cristo. Portanto, é o encontro do jovem com outros jovens e com Deus. Só assim teremos uma juventude feliz, responsável e construtora de uma vida marcada pela esperança.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Homilia do 15º. Domingo do Tempo Comum – Ano C

Devemos ser samaritanos. Anunciadores, como a samaritana que bebeu da água viva e saiu para anunciar a cidade que havia encontrado o Messias. Misericordiosos, como aquele samaritano que foi capaz de se aproximar, compadecer-se, sair da montaria e colocar sobre ela quem estava caído no chão.
O ponto de partida do Evangelho de hoje é a resposta sobre uma pergunta simples dirigida a Jesus: “Quem é o meu próximo?” Para os judeus, próximos eram os da mesma raça. Próximo significa ser amigo, ser vizinho... Jesus mostra que devemos nos fazer próximos. Não é uma categoria de privilegiados, pois podemos nos tornar próximos de todos.
Jesus escolheu o que é fundamental – o amor. Este é o verdadeiro cumprimento da lei. O jurista reconhece o amor na teoria, mas usa a lei para aliviar o comprometimento com a misericórdia. O sacerdote era o homem do Templo, dos sacrifícios, dos ofícios. O levita era uma espécie de sacerdote de segunda categoria. Ambos não tinham tempo, pois estavam ocupadas com as coisas santas, com o Templo de pedra. Jesus mostra que os homens considerados mais santos não cumprem a lei na sua profundidade. Já os desprezados infiéis, os samaritanos, podem ser capazes de se tornar próximos. Para Jesus a justiça não está nos títulos estabelecidos, mas na atitude misericordiosa. Na ótica de Jesus, ser religioso não é frequentar o Templo, mas ter gestos de amor.
O samaritano se aproximou do homem caído e compadeceu-se, teve misericórdia, foi movido por piedade, por compaixão. No Evangelho de Lucas, o autor usa esse verbo empregado no versículo 33 em outras passagens: aplicando-o a Jesus (7,13: teve compaixão da Viúva que levava o filho) e para o Pai do filho pródigo (15,20: compadeceu-se do filho que voltara). Portanto é um verbo que caracteriza uma ação divina, de quem tem pura gratuidade em sua ação. Quando alguém se compadece do próximo, assemelha-se a Deus.
Qual dos três foi próximo do homem caído? A resposta do mestre da lei foi imediata: “aquele que usou de minsericórdia”.O termo misericórdia significa ter o coração batendo junto com o coração dos míseros (=sentir o que eles sentem, sofrer com). Quando sofremos junto com os pobres e sofredores, vamos ao encontro deles. Um doente compreende um doente, por exemplo. Não basta encorajar os outros com palavras prontas, é preciso entrar no seu mundo, mostrar que o nosso coração sente o sofrimento alheio.
A lei do amor não está longe de nós, mas está ao nosso alcance. Também podemos amar deste modo (1ª. Leitura). Também podemos ir ao encontro daquele que sofrem, daquele que está doente, daquele que precisa de um conselho, de um sorriso, de alimento, de afeto, de compreensão, de solidariedade... Não se resume na pseudo-solidariedadedo gesto de dar um trocado ou um prato de comida. Trata-se, sim, de sentir todos como próximos. É no cotidiano da vida que somos bons samaritanos. Talvez o judeu caído esteja mais perto de nós do que possamos imaginar. Antes de procurá-lo no sinaleiro, em um hospital ou num asilo, talvez seja melhor procurá-lo na nossa casa e no nosso trabalho.
Jesus nos ensina a amar com a totalidade do nosso ser (Dt 6,5; Lc 10,27). Amar com o coração: a partir do centro das decisões; amar com a alma: com o fôlego, com o desejo; amar com toda a força: com a vontade; amar com toda a inteligência.
A Eucaristia ó banquete dos próximos. Jesus se torna próximo de toda a humanidade, vem ao nosso encontro, morre por nós, ressuscita, faz-se pão. Só um Deus que se faz próximo pode comer junto em nossa mesa.
“O meu Reino ó quem vai compreender? Não se perde na pressa que tem sacerdote e levita que vão se cuidar... mas se mostra em quem não se contém, se aproxima e procura o melhor para o irmão agredido que viu no chão”.
(Fr. Fabreti/ Thomas Filho)
 
Pe Roberto Nentwig
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