quinta-feira, 27 de junho de 2013

Solenidade de São Pedro e São Paulo

Pedro e Paulo. Cada um, ao seu modo nos ensina uma lição nesta festa solene.
Pedro nos ensina que precisamos crescer na caminhada de fé. Que este caminho passa por muitos questionamentos, crises, visões distorcidas a respeito da vida e de Deus. Não e fácil proclamar o nosso amor incondicional e nos render a vontade de Deus, como o fez na ocasião em que o Senhor perguntou se ele o amava... Por sua vez, Paulo nos ensina que este caminho de fé depende de um encontro decisivo, de uma experiência que nos assalta e muda a nossa vida. Que é preciso experimentar o amor de Deus, um amor gratuito que vence o legalismo, a formalidade, a rigidez...
Pedro nos remete à instituição, ao papa que é sinal de unidade. Com ele, reforçamos o caminho eclesial, lembrando que não é possível ser cristão sem Igreja, sem referencias, sem comunidade. Que mesmo diante de seus limites humanos, a Igreja é nossa mãe, que nos ampara, acolhe, sustenta. Que os pastores são sinais de comunhão e de unidade. Paulo nos remete ao carisma, ao dinamismo evangelizador animado pelo Espírito Santo. Com ele, percebemos que, além da instituição, é preciso ter o molho especial da graça, o ardor por pregar o Evangelho.
Pedro era mais afeito à evangelização dos judeus. Com ele lembramos que os de dentro precisam de cuidado, sobretudo em tempos em que os batizados não são suficientemente evangelizados. Paulo era o pregador dos pagãos. Lembra-nos de que a nossa Igreja não pode permanecer fechada em si mesma, mas precisa se abrir a todos, e se abrir também em seu modo de avaliar e realizar a sua missão. Paulo nos deu o exemplo de inculturação da fé, de adaptação aos tempos e às circunstâncias.
Pedro nos dá o exemplo de autenticidade. Ajuda-nos a sermos verdadeiros, a expressar nossos pensamentos e sentimentos, a não “ficar em cima do muro”. Lembremo-nos de suas colocações no grupo dos doze. Paulo também poderia ser exemplo de um discurso forte, mas também vemos nele a docilidade, a ternura nas palavras, principalmente quando desejava ganhar os seus interlocutores para Deus. Ele considerava-se como uma mãe que gerava, com carinho, pessoas configuradas a Cristo.
Pedro e Paulo estão muito distantes daquela imagem romântica e estereotipada de santidade. Não são homens serenos, passivos e de rostinhos meigos. Pedro e Paulo revelam personalidades fortes, discursos e posturas calorosos. Aprendemos destas duas colunas que a paixão move a vida para o bem. Aprendemos que a santidade não é a passividade diante das coisas e que mesmo diante dos erros, o que mais importa é a coragem de realizar. As duas colunas da Igreja nos conduzem à coragem de mudar, à liderança, à ousadia de se expressar, à paixão pelas convicções. Aprendemos a amar a vida, a amar com paixão a Jesus e o seu Reino.
 
Pe Roberto Nentwig

 

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