quarta-feira, 19 de junho de 2013

Perder e ganhar

São dois verbos que fazem parte da história dos povos, marcando momentos de tristeza e de alegria. No Brasil as perdas e ganhos são muito visíveis e as consequências, de um ou de outro, são sempre imprevisíveis. Não são por acaso as manifestações generalizadas como estão acontecendo, enchendo as praças das principais cidades do país.

O que vemos é a indignação da população diante das diversas perdas causadas pela impunidade, a má administração pública, a insatisfação com a atuação dos políticos que não dão respostas adequadas às necessidades das pessoas etc. A ação desonesta, por todos Brasil, significa perda para o povo e ganho desonesto para quem não administra para o bem comum.

Em Jesus Cristo, perder significa ganhar. Foi o que aconteceu com Ele na cruz, porque morrendo, trouxe vida. Isto significa que se ganha a vida através da renúncia, do desprendimento de bens materiais acumulados inutilmente, às vezes adquiridos com atitudes desonestas e exploração. O Senhor diz: “Renuncie-se a si mesmo, tome a cruz cada dia, e siga-me” (Lc 9 23).

O mundo é de todos, onde se exige igualdade como essencial, que deve ser respeitada. Primeiro, o direito a vida, de nascer e viver com dignidade. Depois, temos valores que devem ser encontrados nas pessoas. Os extremos são ofensivos, causam descontentamento e violência. A falta de partilha das riquezas acumuladas sem fim social provoca indignação no povo.

É importante nos dar conta de que presenciamos inúmeras novidades hoje, causando até medo. Quando temos controle e domínio da situação nos sentimos seguros. Mas isto pode ser insustentável em determinado momento. O domínio sobre a corrupção causa insatisfação coletiva.

Perder não faz bem, a não ser na dimensão espiritual cristã. O craque é uma perda, que leva muita gente para a morte antecipada. Tem sido instrumento incontrolável de violência. Ganhar faz bem, mas quando com dignidade, com amor pela causa, provocando felicidade passageira, mas também a vida eterna. Por isto temos que fazer valer a vida e não os desejos egoístas e desumanos.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

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