quarta-feira, 12 de junho de 2013

Homilia do 11º. Domingo do Tempo Comum – Ano C

O julgamento e o farisaísmo estão ainda bem presentes hoje. É mais fácil falar dos erros dos outros do que admitir os próprios limites. É também fácil se sentir como um não devedor por obedecer algumas prescrições, fazer certos ritos, frequentar certas celebrações.

O Senhor nos mostra que a justiça hipócrita daquele que deseja apedrejar, criticar e condenar a todo custo é bem diferente de seu amor gratuito. Jesus quebra os preconceitos da sociedade: não importa se uma mulher (ainda mais pecadora) não pode o tocar, não importam as aparências, mas o significado mais profundo de um pequeno gesto, o que os olhos desatentos não veem. Os olhos de Simão e do restante da plateia são de julgamento ao verem aquela cena inesperada e desconcertante.

A mulher do Evangelho era desprezada. Os pecadores eram impuros e deveriam ficar afastados para não contaminar. Ao verem uma mulher daquele gênero, os judeus cuspiam no chão. Como hoje também são considerados impuros os bêbados, os moradores de rua, os pedintes, as mulheres prostituídas... Ainda hoje, classificamos as pessoas, afastamo-nos de quem não convém. Mas aquela mulher pecadora experimentou o perdão... Suas lágrimas não foram de remorso, mas seu choro foi expressão de gratidão e de amor. A gratuidade de Deus não vê limites. Sempre há uma nova chance, uma nova oportunidade para experimentar a graça do perdão. A reconciliação não é um sentimentalismo, também não é uma culpa doentia que destrói o coração.

Constantemente podemos nos sentir em ruptura, fragmentados, sem comunhão com o Senhor. Há uma culpa positiva como desta adúltera e de Davi em sua experiência de assassinato. Este tipo de culpa leva a retomada da vida a partir da experiência da misericórdia. Há também uma culpa destrutiva, que não nos permite admitir que somos imperfeitos, levando-nos a nos frustrar quando não somos puros e imaculados. Isso porque queremos manter a imagem positiva de nós mesmos, desejamos comprar a benevolência de Deus a partir da nossa aparência de santidade. Esta falsa culpa não serve, não reconcilia por amor, mas por vaidade pessoal. Experimentar de modo positivo a misericórdia divina é decisivo para nos sabermos amados pelo Senhor.

Simão é o símbolo da justiça. Para ele, Deus perdoa e ama aqueles que são fiéis (justos), ou seja, cumpridores do preceito. Já a mulher pecadora é símbolo da gratuidade, da visão de um Deus que ama a todos e perdoa sempre, independente dos pecados. Ele só deseja a nossa abertura, o nosso coração agradecido e ciente da gratuidade. São Paulo nos deixa claro que a lei não liberta (2ª. Leitura). Não é o cumprimento de pequenas normas, mas o amor e a gratuidade de Deus que estão no coração das Escrituras. Não basta fazer tudo certinho e não experimentar o amor gratuito que procede de Deus. A fidelidade é fruto do amor e da misericórdia, não do medo de um Juiz severo que ávido por nos colocar no inferno, do temor destrutivo que separa a comunidade entre santos e pecadores. Se nosso seguimento carrega o medo, estamos longe de sermos cristãos.

“Ela muito amou!” “Ama e faze o que queres!” (Santo Agostinho). Não serão os pecadinhos do dia a dia que nos levarão para o inferno. Não serve uma moral individualista e atomizada. O Pai de Jesus Cristo nos quer comprometidos com o seu Reino, com o testemunho, com um novo coração e com a nova mentalidade transformada por seu amor. Precisamos nos deixar tocar pelo amor misericordioso de Deus e procurar fazer o bem. O que construímos de bom neste mundo, por amor, ficará intacto, e é a razão de existirmos neste mundo.
 
“Ele é sempre mais que um convidado, se põe a mesa, nutrindo a vida; olha os corações e põe de lado toda aparência, cura a ferida! Ela muito amou, tem a minha paz, vai seguir caminho sem temor. Sabe quem eu sou e será capaz de espalhar na terra o meu amor!”
(Fr. Fabreti e Thomas Filho)
 
Pe Roberto Nentwig

2 comentários:

  1. Parabéns, Pe. Roberto Nentwig. Suas homilias são belas, cativantes e contextualizada. Deus o abençoe. João

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