quinta-feira, 6 de junho de 2013

Homilia do 10º. Domingo do Tempo Comum – Ano C

A segunda leitura deste domingo nos traz o início da Carta de São Paulo aos Gálatas. Esta carta tem como uma das características a apologia de São Paulo em seu próprio favor, pois ele não era considerado por muitos destes seus interlocutores como verdadeiro apóstolo. Parece que os judeus da comunidade sentiam falta de uma pregação mais severa sobre a lei, sobre as obras, sobre atos que poderiam levar a salvação. Certamente, o testemunho de uma experiência de amor gratuito frustrou os que esperavam um ensinamento mais rigoroso. Hoje também existem aqueles que preferem se apegar a religião legalizante, de imposições às práticas que garantiriam a salvação. São Paulo nos mostra que o Evangelho segue outra via: prega a partir de sua experiência com o Senhor, que produziu um novo Saulo, agora Paulo; foi chamado por graça, não por méritos. Hoje devemos avaliar a nossa vida, verificar se estamos ainda mais presos nas leis, nos detalhes, nas práticas de devoção, nas normas frias, ou se acolhemos em primeiro lugar o Evangelho como experiência da vida nova, da alegria, da presença de uma graça salvífica que age acima de nossas aparentes fidelidades.
São Paulo ainda se defende afirmando que permaneceu anos em preparação na comunidade para então ser um apóstolo. Antes ainda, foi confirmado pelos outros apóstolos, o que legitimou sua atividade de pregador. É preciso considerar a comunidade cristã como lugar de acolhida e de preparação; é preciso fazê-la ter esta função, pois muitos outros “paulos” precisam dela, de seu amor, de seu sustento, de sua formação. São Paulo nos ensina que antes de uma grande missão, precisamos nos preparar bem; é preciso haver um tempo de incubação, de gestação. É o que acontece com os jovens que desejam se casar, com os seminaristas a caminho do presbitério, com os catequizandos que serão iniciados na vida cristã, com os casais que pensam em ter filhos... Não se pode assumir grandes responsabilidades sem antes estar consciente do que significa a missão assumida.
O Evangelho nos traz a ressurreição do filho da viúva de Naim. Como Elias, Jesus também devolve a vida, mostrando que Ele é o grande profeta esperado. Mas, se Elias precisa evocar a força de Deus, Jesus tem autoridade própria para chamar o jovem à vida. O milagre esconde verdades mais sublimes que uma reanimação de cadáver que apenas prolongaria uma existência terrena. Lembremos de que o próprio Jesus iria passar pela morte biológica. O que Jesus deseja revelar é a presença do Deus da vida. A vida nova começa aqui, dependendo do modo como a conduzimos, e se efetiva de um modo sublime no futuro da eternidade. A paradoxal proibição do choro, por parte de Jesus, esconde uma promessa.
No caminho, em Naim, duas comunidades se encontraram. Uma é a comunidade dos discípulos de Jesus (representa a comunidade cristã), outra é a comunidade do cortejo fúnebre (representa todos os que cortejam a morte, a vida sem Deus). O Evangelho nos ensina que é tarefa da comunidade cristã trazer a vida para os que estão mortos. Há muitos mortos sendo carregados pelo mundo: que pessoas que perderam o sentido da existência, o gosto pela vida; alguns deles estão refugiados nos paliativos da sociedade pós-moderna. A comunidade cristã, e não apenas cada um individualmente, precisa ser canal para vida, para trazer vida em abundância como nos promete o Senhor (Jo 10,10).

A falta de sentido e a angústia são os males da moda. Anunciar a Boa Nova é recuperar a confiança. Precisamos olhar para o nosso interior, para nossas instituições e para o mundo. Eu preciso ter coragem de andar, de não ficar preso nos féretros da existência. A Igreja precisa destruir o que está podre, para poder transmitir a vida. O mundo anseia por nossa ação em prol da vida. Precisamos ter a coragem de dizer a nós mesmos e ao mundo: “Eu te ordeno, levanta-te”! Então, a vida brotará!

Pe Roberto Nentwig

Um comentário:

  1. Como sempre, reflexões muito belas e oportunas. Obrigado! Pe. Vanildo de Paiva

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