quinta-feira, 27 de junho de 2013

Solenidade de São Pedro e São Paulo

Pedro e Paulo. Cada um, ao seu modo nos ensina uma lição nesta festa solene.
Pedro nos ensina que precisamos crescer na caminhada de fé. Que este caminho passa por muitos questionamentos, crises, visões distorcidas a respeito da vida e de Deus. Não e fácil proclamar o nosso amor incondicional e nos render a vontade de Deus, como o fez na ocasião em que o Senhor perguntou se ele o amava... Por sua vez, Paulo nos ensina que este caminho de fé depende de um encontro decisivo, de uma experiência que nos assalta e muda a nossa vida. Que é preciso experimentar o amor de Deus, um amor gratuito que vence o legalismo, a formalidade, a rigidez...
Pedro nos remete à instituição, ao papa que é sinal de unidade. Com ele, reforçamos o caminho eclesial, lembrando que não é possível ser cristão sem Igreja, sem referencias, sem comunidade. Que mesmo diante de seus limites humanos, a Igreja é nossa mãe, que nos ampara, acolhe, sustenta. Que os pastores são sinais de comunhão e de unidade. Paulo nos remete ao carisma, ao dinamismo evangelizador animado pelo Espírito Santo. Com ele, percebemos que, além da instituição, é preciso ter o molho especial da graça, o ardor por pregar o Evangelho.
Pedro era mais afeito à evangelização dos judeus. Com ele lembramos que os de dentro precisam de cuidado, sobretudo em tempos em que os batizados não são suficientemente evangelizados. Paulo era o pregador dos pagãos. Lembra-nos de que a nossa Igreja não pode permanecer fechada em si mesma, mas precisa se abrir a todos, e se abrir também em seu modo de avaliar e realizar a sua missão. Paulo nos deu o exemplo de inculturação da fé, de adaptação aos tempos e às circunstâncias.
Pedro nos dá o exemplo de autenticidade. Ajuda-nos a sermos verdadeiros, a expressar nossos pensamentos e sentimentos, a não “ficar em cima do muro”. Lembremo-nos de suas colocações no grupo dos doze. Paulo também poderia ser exemplo de um discurso forte, mas também vemos nele a docilidade, a ternura nas palavras, principalmente quando desejava ganhar os seus interlocutores para Deus. Ele considerava-se como uma mãe que gerava, com carinho, pessoas configuradas a Cristo.
Pedro e Paulo estão muito distantes daquela imagem romântica e estereotipada de santidade. Não são homens serenos, passivos e de rostinhos meigos. Pedro e Paulo revelam personalidades fortes, discursos e posturas calorosos. Aprendemos destas duas colunas que a paixão move a vida para o bem. Aprendemos que a santidade não é a passividade diante das coisas e que mesmo diante dos erros, o que mais importa é a coragem de realizar. As duas colunas da Igreja nos conduzem à coragem de mudar, à liderança, à ousadia de se expressar, à paixão pelas convicções. Aprendemos a amar a vida, a amar com paixão a Jesus e o seu Reino.
 
Pe Roberto Nentwig

 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Sulão de Catequese, celebrando 25 anos de caminhada



Acontecerá em São Leopoldo-RS, de 25 a 27 de outubro de 2013,  o  VIII Sulão de Catequese que, especialmente no ano de 2013, o Ano da Fé, ao celebrar 25 anos de caminhada e grandes reflexões catequéticas, passa a se estruturar como Sulão Bíblico-Catequético.

Atendendo ao apelo da Igreja no Brasil, os cinco regionais (Sul 1, Sul 2, Sul 3, Sul 4 e Oeste 1) envolvidos na organização e realização do Sulão, atentos à urgente e necessária Animação Bíblica da Vida e da Pastoral, querem destacar a centralidade da Palavra de Deus e o protagonismo dos catequistas em toda ação catequética. Para isso, o tema geral escolhido para o evento e que serviu como inspiração para a realização deste evento é : 'CATEQUISTA, PROTAGONISTA DA FÉ, DO AMOR E DA ESPERANÇA'. Será feita uma abordagem sobre o protagonismo de catequistas que se reconhecem discípulos missionários, construtores de comunidades e comprometidos com uma nova evangelização para a transmissão da fé cristã.

Esse VIII Sulão terá como objetivos: resgatar e celebrar a história dos 25 anos do sulão para reanimar a esperança na caminhada bíblico-catequética; destacar vias e modelos que inspirem o protagonismo de catequistas discípulos missionários para os novos tempos; contemplar a centralidade da Palavra, a comunhão na liturgia e o amor-caridade na Missão.

À luz da Palavra de Deus, renovamos nossa esperança na fidelidade dos catequistas que acompanham seus catequizandos no processo de iniciação de iniciação à vida cristã, apresentando-os a Jesus, que os despertam para o seguimento.

Vislumbram-se novos tempos para a Animação Bíblico-Catequética. Todo esforço será necessário para que ninguém fique de fora do compromisso de assumir efetivamente a missão de anunciar o Evangelho.

Dom Jacinto Bergmann
Arcebispo de Pelotas/Rs
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequético

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Celebração para o dia do/a Catequista 2013

Comissão Episcopal Pastoral para Animação Bíblico-Catequética
30 ANOS DE CATEQUESE RENOVADA
 
Celebração para o dia do/a Catequista
25 de agosto /2013
A Catequese é um processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da fé. Sua finalidade é a maturidade da Fé”. (CR, n. 31)
 
APRESENTAÇÃO
          Caríssimos/as Catequistas!
          Estamos crescendo de forma admirável na proposta de uma catequese de inspiração catecumenal à serviço da Iniciação à vida Cristã. Os sinais são visíveis em toda parte.  E nesse processo percebemos a importância fundamental da liturgia como celebração da fé suscitada pela catequese.
             O despertar primeiro dessa nova consciência é fruto da CATEQUESE RENOVADA (Doc. Nº 26 da CNBB) que completa seus 30 anos de existência neste ano de 2013. Muito mais que um documento se trata de um grande espírito de renovação, não só na catequese, como de toda a ação evangelizadora da Igreja. CR Propôs novas metodologias, novo dinamismo e um renovado ardor missionário. Abriu caminho para o processo de Iniciação à vida cristã com inspiração catecumenal e para a animação Bíblica da vida e da pastoral.
           O Dia do Catequista, que celebra a vida e a vocação de todos e todas que se deixaram embeber por esse espírito de renovação é também a melhor ocasião para fazer memória e cantar ação de graças pelas maravilhas que o Espírito realizou entre nós através da CR. E queremos fazê-lo em meio ao clima do Ano da Fé que veio reforçar  ainda mais a importância decisiva do ministério da catequese hoje.
          Contamos desta vez com a preciosa ajuda de Maria Erivan e sua equipe do NE 1 (Ceará) para a elaboração do roteiro desta celebração. Queremos agradecer de coração este belo serviço à todas as comunidades do Brasil!
              BOA CELEBRAÇÃO!
 
PROPOSTA CELEBRATIVA PARA O DIA DO CATEQUISTA
 - CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA ( onde houver padre) -
- Espaço Celebrativo:( Flores, Bíblia, Vela, Documento n. 26 da CNBB e outros símbolos da Região que falam de renovação na catequese)
- Comentarista: Queridos/as Catequistas!
          Hoje, domingo, Dia do Senhor, a Igreja no Brasil celebra o Dia do Catequista e dos outros ministérios e serviços da comunidade.  Reunidos como discípulos e discípulas, desejamos louvar e bendizer a Deus em primeiro lugar pela vocação de cada um/a. Pois “Jesus chamou os que desejava escolher”. (Mc 3, 13 ).  Agradecer por todos aqueles que ouviram o chamado do Mestre e disseram SIM, Senhor, “eis-me aqui, envia-me”. (Is 6, 8).Com alegria também queremos trazer presente no altar do Senhor o ANO DA Fé que estamos vivenciando e de maneira muito especial os 30 ANOS DO DOCUMENTO CATEQUESE RENOVADA ( Nº 26 da CNBB). Revendo o caminho, é possível perceber quantas conquistas foram alcançadas como frutos desse documento, grande presente do Espírito para nós. Quantos encontros, semanas catequéticas, seminários e simpósios foram realizados. Quantos subsídios e manuais surgiram desde então. Por tudo isso, queremos hoje dar graças a Deus.
RITOS INICIAIS
- Procissão de Entrada: O Presidente acompanhado por todos os catequistas da comunidade e equipe celebrativa.
- Comentarista: Acolhendo a procissão de entrada, cantemos juntos:
Senhor se tu me chamas eu quero te ouvir, se queres que eu te siga respondo, eis-me aqui.
1. Profetas te ouviram e seguiram tua voz, andaram mundo afora e pregaram sem temor. / Seus passos tu firmastes sustentando seu vigor. Profeta tu me chamas: vê Senhor, aqui estou.
2. Os séculos passaram, não passou, porém tua voz que chama ainda hoje, que convida a te seguir. / Há homens e mulheres que te amam mais que a si, e dizem com firmeza: vê Senhor, estou aqui.
Ou: Por amor e vocação (CD Avancem para águas mais profundas)
- Saudação Inicial – (por conta do presidente da celebração).
- Ato Penitencial:
-Comentarista: queremos trazer presente nesta celebração nossa revisão pelo que deixamos de fazer, pela nossa falta de coragem em lançar as redes e “avançar para águas mais profundas”. (Lc 5,4). Também neste Ano da Fé reconhecer nossa falta de fé nos momentos mais críticos de nossa e vida e do ministério da catequese.  
- Catequista: Senhor, nestes trinta anos de caminhada da Catequese Renovada, que orienta para uma formação sistemática dos catequistas, queremos te pedir perdão, pelas vezes que não valorizamos os encontros de formação, que não aprofundamos tua Palavra e não fomos presença na celebração e na vida da comunidade.
Senhor, piedade, ó Cristo piedade. Piedade de nós compaixão, Senhor. (bis).
- Catequista: Cristo, a catequese renovada nos chama para uma experiência de Encontro Contigo, que ajude os catequisandos a conhecerem a Ti. Pelas vezes que não testemunhamos e não falamos de ti, te pedimos perdão.
- Catequista: Senhor, as situações históricas e aspirações do nosso povo são conteúdos de catequese. Pelas vezes que deixamos de acolher os mais necessitados, te pedimos perdão.
- Celebrante conclui...
- Hino de Louvor: a escolha da equipe
- Oração do Dia ............
LITURGIA DA PALAVRA
- Acolhida a Palavra
(Bíblia ou Lecionário, ladeado com duas velas e trazidos por catequistas).
- Comentarista: A Palavra de Deus é o Livro por excelência da Catequese. Pois é a catequese hoje, a grande responsável de colocar nas mãos de crianças, jovens e adultos a Palavra de Deus. Acolhamos a Palavra de Deus que é a luz que ilumina a nossa catequese e sustenta a nossa vocação.
- Canto:
A Palavra de Deus é luz que guia na escuridão. É semente de paz, de justiça e perdão. (bis).
Ou:
É como a chuva que lava é como fogo que arrasa. Tua Palavra é assim, não passa por mim sem deixar um sinal.
- Primeira Leitura – Is 66,18-21
- Salmo: 116(117)
- Segunda Leitura – Hb 12,5-7.11-13
- Canto de Aclamação: a escolha...
- Evangelho – Lc 13 , 22-30
- Homilia: Pode ser feita em forma de Leitura Orante ( leitura – meditação- oração – contemplação/ação) a partir de um ou de todos os textos bíblicos proclamados. Importante: na hora da meditação (O que diz o texto para nós hoje?) fazer clara ligação com os elementos principais que CR nos ensinou: “catequese como processo de iniciação à vida de fé”; “interação fé e vida”; “Bíblia como livro por excelência da catequese”; “Catequese transformadora”; “opção preferencial pelos pobres”; “catequese inculturada”; “Catequese evangelizadora”; “catequese comunitária e integrada nas outras pastorais”, etc.
(Obs: Em lugares onde não há padre pode-se também escrever em folhas de papel os elementos acima para serem refletidos entre todos).
- Profissão de Fé: enquanto os/as catequistas acendem as velas no Círio Pascal, motivar o mantra:
Canto: Ó luz do Senhor que vem sobre a terra, inunda meu ser, permanece em nós.
- Presidente:  (explica o sentido deste gesto)  para depois perguntar: Vocês creem em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra e assim o ensinam na catequese?
- Catequistas: Sim creio
- Presidente: Vocês creem em Jesus Cristo e o seguem com fidelidade, levando os catequisandos a fazer a experiência do Encontro com Ele?
- Catequistas: Sim creio e procuro seguir
- Presidente: Vocês creem no Espírito Santo que com o Pai e o Filho formam a melhor comunidade de amor e incentivam o espírito comunitário na catequese?
- Catequistas: Sim creio e incentivo.
- Presidente: Vocês creem que a Igreja-comunidade é caminho para a construção do Reino de Deus na história que leva ao Reino definitivo e ajudam a todos a vivenciar esta mesma fé?
- Catequistas: Sim creio e procuro testemunhar.
- Presidente: Esta é a fé da Igreja que no batismo recebestes. Renovai-a neste Ano da Fé e esforçai-vos para cultivá-la naqueles que vos foram confiados na catequese.
- Catequistas: Assim seja!
LITURGIA EUCARÍSTICA
- Apresentação das Oferendas
- Canto: Queremos oferecer (CD - avancem para águas mais profundas)
- Oração Eucarística – (segue normal até depois da comunhão.)
RITOS FINAIS
Envio dos catequistas: Antes da Benção Final o presidente convida os/as catequistas a se colocarem diante do altar e lhes apresenta uma Bíblia aberta na qual todos/as colocam sua mão direita.
- Comentarista: Foi a CATEQUESE RENOVADA que abriu o caminho para a Palavra de Deus, tornando a Bíblia o livro por excelência da catequese. O/a Catequista é, por isso, considerado ministro da Palavra e sua missão é dar a conhecê-la para que seja amada e vivida. É importante que esse compromisso se renove constantemente...
Presidente: Animados pelo Espírito Santo e enviados pela comunidade continuai o caminho de educação da fé que tem sua fonte na Palavra de Deus. E que esta Palavra também seja Luz e força para realizar o serviço da construção de seu Reino de Fraternidade!
Que o Senhor vos proteja e vos guarde,
Que faça iluminar sobre vós a sua face e vos dê a Paz!
(e dirigindo-se a todos): Abençoe-vos o Deus todo-poderoso, o Pai, o Filho e o Espírito Santo...
Todos:  Amém.
Canto final: a escolha...

Homilia do 12º. Domingo do Tempo Comum – Ano C

“Jesus estava rezando num lugar retirado...” (Lc 9,18). Esta atitude é própria do Evangelista Lucas. Sempre que Jesus vai realizar algo importante, Ele se retira, Ele ora. A oração de Jesus certamente não é uma coleção de pedidos com fórmulas imensas que tem a intenção de convencer a Deus sobre o quanto se precisa de uma determinada graça. A oração de Jesus é uma invocação para que a sua atitude esteja de acordo com a vontade do Pai, uma entrega ao desígnio de Deus. Orar é mais do que pedir, orar é uma sintonia da presença amorosa de Deus, é permitir que Ele invada e tome conta de nossa vida.
Tendo orado, Jesus proclamou uma pergunta: “Quem diz o povo que eu sou?” E depois: “E vós, que dizeis que eu sou?” (Lc 9,18.20). Certamente, o Senhor não estava preocupado com a sua própria imagem. Jesus desejava saber se realmente os discípulos eram conscientes do significado de sua vida e missão. A mesma pergunta é dirigida a cada de um de nós hoje. O que pensamos sobre Jesus? Se pudéssemos dizer em poucas palavras qual é o significado da pessoa de Jesus para nossa vida, o que diríamos?
A resposta de Pedro foi correta do ponto de vista doutrinário, mas nem sempre a proclamação da correta doutrina revela a pureza do coração. Se Pedro reconheceu que Jesus é o Cristo de Deus, ainda não era capaz de compreender a profundidade de sua proclamação. Para Ele o Cristo era o vencedor absoluto dos poderes deste mundo, estando longe de um profeta do Reino que seria capaz de mostrar a sua fraqueza e de assumir a humilhação da cruz em nome do que proclamava.
Hoje, embora professemos corretamente Jesus como Cristo e Senhor, podemos também carregar imagens deformadas sobre a pessoa de Jesus. Podemos, como Pedro, não admitir certas dimensões da vida do Cristo que nos incomodam, que nos questionam. Quem é Ele? Um revolucionário político? Um milagreiro que cura qualquer doença e afasta toda dor? Um dolorista amante do sofrimento? Um mestre light que traz os consolos afetivos contra o stress da pós-modernidade? Um sacerdote todo-poderoso? Um Deus que faz de conta que é homem e que, portanto, não vive os limites da condição humana? Um homem como qualquer outro, mas que trouxe alguns ensinamentos bonitos? Quem é o “nosso” Jesus?
Certamente Jesus frustrou aqueles que o seguiam. Era difícil imaginar um Jesus morrendo como um derrotado, humilhado diante daqueles que eram causa de ódio do povo. A cruz é o último ensinamento que os apóstolos desejavam. Depois se frustrariam com o serviço. Não, este não era o Cristo de Pedro e dos seus amigos... Talvez, nem sempre seja o “nosso” Cristo.
“Se alguém quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Lc 9,23). Renunciar a sim mesmo é lutar contra a comodidade, é saber sair de si e não se preocupar em demasia consigo mesmo. No Evangelho de Lucas, há algo singular no convite de Jesus: Ele nos pede para que tomemos a cruz “a cada dia”. Sim, todos os dias, quando abrimos nossos olhos pela manhã, devemos carregar a cruz que se apresenta. Cada momento de nossa vida tem a sua cruz. Ora é a dor que nos vem de fora oportunizada pela tragédia da existência, ora é a escolha pelo doloroso caminho do amor e da verdade.
Lutar pelos valores, clamar pela justiça, exigir a verdade e a coerência, pedir a honestidade... Tudo isso é carregar a cruz do Cristo. Se for feito sem violência, mas pelo simples sonho de um mundo mais parecido com o Reino proclamado pelo Cristo, certamente é uma resposta ao convite feito por Jesus.
“No peito eu levo uma cruz, no meu coração o que disse Jesus” (Pe. Zezinho).
 
Pe Roberto Nentwig

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Perder e ganhar

São dois verbos que fazem parte da história dos povos, marcando momentos de tristeza e de alegria. No Brasil as perdas e ganhos são muito visíveis e as consequências, de um ou de outro, são sempre imprevisíveis. Não são por acaso as manifestações generalizadas como estão acontecendo, enchendo as praças das principais cidades do país.

O que vemos é a indignação da população diante das diversas perdas causadas pela impunidade, a má administração pública, a insatisfação com a atuação dos políticos que não dão respostas adequadas às necessidades das pessoas etc. A ação desonesta, por todos Brasil, significa perda para o povo e ganho desonesto para quem não administra para o bem comum.

Em Jesus Cristo, perder significa ganhar. Foi o que aconteceu com Ele na cruz, porque morrendo, trouxe vida. Isto significa que se ganha a vida através da renúncia, do desprendimento de bens materiais acumulados inutilmente, às vezes adquiridos com atitudes desonestas e exploração. O Senhor diz: “Renuncie-se a si mesmo, tome a cruz cada dia, e siga-me” (Lc 9 23).

O mundo é de todos, onde se exige igualdade como essencial, que deve ser respeitada. Primeiro, o direito a vida, de nascer e viver com dignidade. Depois, temos valores que devem ser encontrados nas pessoas. Os extremos são ofensivos, causam descontentamento e violência. A falta de partilha das riquezas acumuladas sem fim social provoca indignação no povo.

É importante nos dar conta de que presenciamos inúmeras novidades hoje, causando até medo. Quando temos controle e domínio da situação nos sentimos seguros. Mas isto pode ser insustentável em determinado momento. O domínio sobre a corrupção causa insatisfação coletiva.

Perder não faz bem, a não ser na dimensão espiritual cristã. O craque é uma perda, que leva muita gente para a morte antecipada. Tem sido instrumento incontrolável de violência. Ganhar faz bem, mas quando com dignidade, com amor pela causa, provocando felicidade passageira, mas também a vida eterna. Por isto temos que fazer valer a vida e não os desejos egoístas e desumanos.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Homilia do 11º. Domingo do Tempo Comum – Ano C

O julgamento e o farisaísmo estão ainda bem presentes hoje. É mais fácil falar dos erros dos outros do que admitir os próprios limites. É também fácil se sentir como um não devedor por obedecer algumas prescrições, fazer certos ritos, frequentar certas celebrações.

O Senhor nos mostra que a justiça hipócrita daquele que deseja apedrejar, criticar e condenar a todo custo é bem diferente de seu amor gratuito. Jesus quebra os preconceitos da sociedade: não importa se uma mulher (ainda mais pecadora) não pode o tocar, não importam as aparências, mas o significado mais profundo de um pequeno gesto, o que os olhos desatentos não veem. Os olhos de Simão e do restante da plateia são de julgamento ao verem aquela cena inesperada e desconcertante.

A mulher do Evangelho era desprezada. Os pecadores eram impuros e deveriam ficar afastados para não contaminar. Ao verem uma mulher daquele gênero, os judeus cuspiam no chão. Como hoje também são considerados impuros os bêbados, os moradores de rua, os pedintes, as mulheres prostituídas... Ainda hoje, classificamos as pessoas, afastamo-nos de quem não convém. Mas aquela mulher pecadora experimentou o perdão... Suas lágrimas não foram de remorso, mas seu choro foi expressão de gratidão e de amor. A gratuidade de Deus não vê limites. Sempre há uma nova chance, uma nova oportunidade para experimentar a graça do perdão. A reconciliação não é um sentimentalismo, também não é uma culpa doentia que destrói o coração.

Constantemente podemos nos sentir em ruptura, fragmentados, sem comunhão com o Senhor. Há uma culpa positiva como desta adúltera e de Davi em sua experiência de assassinato. Este tipo de culpa leva a retomada da vida a partir da experiência da misericórdia. Há também uma culpa destrutiva, que não nos permite admitir que somos imperfeitos, levando-nos a nos frustrar quando não somos puros e imaculados. Isso porque queremos manter a imagem positiva de nós mesmos, desejamos comprar a benevolência de Deus a partir da nossa aparência de santidade. Esta falsa culpa não serve, não reconcilia por amor, mas por vaidade pessoal. Experimentar de modo positivo a misericórdia divina é decisivo para nos sabermos amados pelo Senhor.

Simão é o símbolo da justiça. Para ele, Deus perdoa e ama aqueles que são fiéis (justos), ou seja, cumpridores do preceito. Já a mulher pecadora é símbolo da gratuidade, da visão de um Deus que ama a todos e perdoa sempre, independente dos pecados. Ele só deseja a nossa abertura, o nosso coração agradecido e ciente da gratuidade. São Paulo nos deixa claro que a lei não liberta (2ª. Leitura). Não é o cumprimento de pequenas normas, mas o amor e a gratuidade de Deus que estão no coração das Escrituras. Não basta fazer tudo certinho e não experimentar o amor gratuito que procede de Deus. A fidelidade é fruto do amor e da misericórdia, não do medo de um Juiz severo que ávido por nos colocar no inferno, do temor destrutivo que separa a comunidade entre santos e pecadores. Se nosso seguimento carrega o medo, estamos longe de sermos cristãos.

“Ela muito amou!” “Ama e faze o que queres!” (Santo Agostinho). Não serão os pecadinhos do dia a dia que nos levarão para o inferno. Não serve uma moral individualista e atomizada. O Pai de Jesus Cristo nos quer comprometidos com o seu Reino, com o testemunho, com um novo coração e com a nova mentalidade transformada por seu amor. Precisamos nos deixar tocar pelo amor misericordioso de Deus e procurar fazer o bem. O que construímos de bom neste mundo, por amor, ficará intacto, e é a razão de existirmos neste mundo.
 
“Ele é sempre mais que um convidado, se põe a mesa, nutrindo a vida; olha os corações e põe de lado toda aparência, cura a ferida! Ela muito amou, tem a minha paz, vai seguir caminho sem temor. Sabe quem eu sou e será capaz de espalhar na terra o meu amor!”
(Fr. Fabreti e Thomas Filho)
 
Pe Roberto Nentwig

A escolha na vida

Cada pessoa passa por momentos de escolha, chamado de vocação, para seu seguimento na vida. O primeiro objetivo deste caminho é a realização pessoal, a felicidade sustentável. Mas nem todos conseguem acertar o alvo verdadeiro, tendo que enfrentar uma realidade que não condiz com sua identidade, com sua vocação. Isto acontece muito no mundo profissional.

A escolha certa proporciona libertação verdadeira. Estar num lugar errado é viver a prática da escravidão. A atitude de Jesus Cristo foi de acolher aqueles que foram marginalizados pela sociedade. Marginalização, muitas vezes, causada pela falta de oportunidades na escolha da profissão ou da vocação para o estado de vida, que é fundamental para o indivíduo ter esperança de futuro.

Hoje as opções, de forma geral, são inúmeras, até dificultando nossa capacidade de definição e de escolha. No mundo consumista, por exemplo, tudo que é escolhido cai no esvaziamento e na ânsia por novidades. Somos insaciáveis e vulneráveis, caindo numa condição de frustração e irrealização. Isto vem acontecendo até com quem é bem estruturado em sua identidade pessoal.

O equilíbrio psicossocial e espiritual pode garantir uma vida com dimensões maduras, seja em nível humano como também no patamar transcendente. É uma vida que deve ser vivida na fé no Deus que deu a vida por nós. É a prática da justiça que não vem pelo cumprimento da Lei, mas pelo caminho da renúncia na escolha.

A vida tem sentido quando vivida no amor, na capacidade de doação realizada de forma desprendida e sem um cunho propriamente comercial. Nos ensinamentos bíblicos isto está bem definido, ancorado no testemunho dado por Jesus Cristo. Ele morreu na cruz por amor, convidando-nos a seguir seu espírito de doação nos fatos diários de sofrimento que nos acompanham.

Sabemos que não é fácil ir contra a maré, contra uma cultura que endeusa a vida sem sacrifício, como “gozo” apenas. Isto causa felicidade passageira, descompromissos nos momentos mais difíceis e incapacidade para enfrentá-los. A vida fácil, com irresponsabilidade a base para uma escolha sem sustentação.
 
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Homilia do 10º. Domingo do Tempo Comum – Ano C

A segunda leitura deste domingo nos traz o início da Carta de São Paulo aos Gálatas. Esta carta tem como uma das características a apologia de São Paulo em seu próprio favor, pois ele não era considerado por muitos destes seus interlocutores como verdadeiro apóstolo. Parece que os judeus da comunidade sentiam falta de uma pregação mais severa sobre a lei, sobre as obras, sobre atos que poderiam levar a salvação. Certamente, o testemunho de uma experiência de amor gratuito frustrou os que esperavam um ensinamento mais rigoroso. Hoje também existem aqueles que preferem se apegar a religião legalizante, de imposições às práticas que garantiriam a salvação. São Paulo nos mostra que o Evangelho segue outra via: prega a partir de sua experiência com o Senhor, que produziu um novo Saulo, agora Paulo; foi chamado por graça, não por méritos. Hoje devemos avaliar a nossa vida, verificar se estamos ainda mais presos nas leis, nos detalhes, nas práticas de devoção, nas normas frias, ou se acolhemos em primeiro lugar o Evangelho como experiência da vida nova, da alegria, da presença de uma graça salvífica que age acima de nossas aparentes fidelidades.
São Paulo ainda se defende afirmando que permaneceu anos em preparação na comunidade para então ser um apóstolo. Antes ainda, foi confirmado pelos outros apóstolos, o que legitimou sua atividade de pregador. É preciso considerar a comunidade cristã como lugar de acolhida e de preparação; é preciso fazê-la ter esta função, pois muitos outros “paulos” precisam dela, de seu amor, de seu sustento, de sua formação. São Paulo nos ensina que antes de uma grande missão, precisamos nos preparar bem; é preciso haver um tempo de incubação, de gestação. É o que acontece com os jovens que desejam se casar, com os seminaristas a caminho do presbitério, com os catequizandos que serão iniciados na vida cristã, com os casais que pensam em ter filhos... Não se pode assumir grandes responsabilidades sem antes estar consciente do que significa a missão assumida.
O Evangelho nos traz a ressurreição do filho da viúva de Naim. Como Elias, Jesus também devolve a vida, mostrando que Ele é o grande profeta esperado. Mas, se Elias precisa evocar a força de Deus, Jesus tem autoridade própria para chamar o jovem à vida. O milagre esconde verdades mais sublimes que uma reanimação de cadáver que apenas prolongaria uma existência terrena. Lembremos de que o próprio Jesus iria passar pela morte biológica. O que Jesus deseja revelar é a presença do Deus da vida. A vida nova começa aqui, dependendo do modo como a conduzimos, e se efetiva de um modo sublime no futuro da eternidade. A paradoxal proibição do choro, por parte de Jesus, esconde uma promessa.
No caminho, em Naim, duas comunidades se encontraram. Uma é a comunidade dos discípulos de Jesus (representa a comunidade cristã), outra é a comunidade do cortejo fúnebre (representa todos os que cortejam a morte, a vida sem Deus). O Evangelho nos ensina que é tarefa da comunidade cristã trazer a vida para os que estão mortos. Há muitos mortos sendo carregados pelo mundo: que pessoas que perderam o sentido da existência, o gosto pela vida; alguns deles estão refugiados nos paliativos da sociedade pós-moderna. A comunidade cristã, e não apenas cada um individualmente, precisa ser canal para vida, para trazer vida em abundância como nos promete o Senhor (Jo 10,10).

A falta de sentido e a angústia são os males da moda. Anunciar a Boa Nova é recuperar a confiança. Precisamos olhar para o nosso interior, para nossas instituições e para o mundo. Eu preciso ter coragem de andar, de não ficar preso nos féretros da existência. A Igreja precisa destruir o que está podre, para poder transmitir a vida. O mundo anseia por nossa ação em prol da vida. Precisamos ter a coragem de dizer a nós mesmos e ao mundo: “Eu te ordeno, levanta-te”! Então, a vida brotará!

Pe Roberto Nentwig

quarta-feira, 5 de junho de 2013

O Senhor da vida



Deus, através dos profetas, dos apóstolos e de Jesus Cristo, liberta e salva as pessoas. Esta realidade perpassa pela Sagrada Escritura. Elias, em nome do Senhor, recupera a vida de um menino (I Rs 17, 22). Jesus ressuscita um jovem quando era levado para o sepultamento (Lc 7, 14). Paulo de Tarso se liberta de uma cultura do passado para uma nova ação missionária. E Jesus diz: “Todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais (Jo 11, 26).
Peregrinamos por um período de mudança de época, onde há o surgimento de coisas novas e de nova mentalidade que nos atingem a todos. É tempo de incertezas, de desafios e sintomas até de morte. A chegada do papa Francisco e seu jeito de ser nos ajuda a nos colocar no mundo como Igreja. Com isto dizemos que renasce uma nova Igreja e muito mais comprometida com os ideais de Cristo.
Muitos dizem que a Igreja está em crise e até anunciam sua falência terminal. Na verdade estamos em tempo de crises, não só na Igreja, mas em toda a sociedade. Seria isto provocado pelo Concílio Vaticano II, que trouxe novos ventos para o mundo, ou também pela mudança da sociedade no seu todo, mudança de paradigmas e do jeito de ser pessoa hoje? É o chamado secularismo, com consequências negativas e positivas para construir o novo mundo.
Comemorando os 50 anos do Vaticano II (1962 a 1965) dizemos que o sopro do Espírito Santo continua ressoando e provocando mudanças. As riquezas provindas daí têm nas redes sociais um aliado forte, não tanto na forma tradicional de comunicar, mas agora à distância, pelo caminho virtual. Se bem usadas, poderão alavancar o que vem sendo adormecido na prática moderna.
A Igreja existe para fazer o bem, levando a Palavra do Senhor para o mundo, para que seu trabalho seja fonte de vida. Portanto, seu futuro depende da força da Palavra e da ação do Espírito Santo, como sopro novo, fazendo surgir realidades novas.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.
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