quinta-feira, 30 de maio de 2013

Homilia do 9º. Domingo do Tempo Comum – C

Nesta semana o papa Francisco fez um alerta contra o triunfalismo: “Nós queremos o triunfo imediato, sem passar pela cruz, um triunfo mundano, um triunfo razoável”. A Igreja não pode ser triunfalista, não pode se sentir dona de Deus e da salvação. É chamada a ser sinal de salvação no mundo e a reconhecer os sinais de fé e de amor em todas as realidades e mesmo naqueles que não fazem parte do número dos batizados ou não frequentam nossas paróquias.
O próprio Jesus teve esta atitude diante da religião de sua época. No evangelho deste domingo, deixa claro que a instituição e a pertença religiosa não são garantias de nada. O que importa é a atitude da pessoa, sua abertura de coração. Aliás, os de fora parecem ser mais abertos do que os teólogos e sacerdotes que tiveram contato com Jesus, no Evangelho.
O centurião era um pagão. Se tantos se impressionaram com Jesus, desta vez, o próprio Cristo se impressiona com a atitude de uma personagem. E diante dele, declara algo inaudito, uma verdadeira heresia para qualquer judeu ortodoxo: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé” (Lc 7, 9). Em Israel, a maior fé não era de um saduceu, mestre da lei, escriba, fariseu, ou varão piedoso, frequentador do templo e da sinagoga. Para Jesus, a fé maior estava no coração de um pagão. Talvez também nós, que nos consideramos “católicos praticantes”, tenhamos também uma fé mísera, ou, ao menos, podemos nos envergonhar diante de tantos que nem conhecem nossos templos, mas que cultivam gestos de piedade e amor. Talvez alguns que até mesmo consideremos pecadores públicos.
Ninguém é dono da fé. E ela vem pelo caminho da humildade. Jesus nem precisou entrar na casa deste homem. Ele que tinha consciência de que podia dar ordens aos seus empregados, no entanto considerou que a simples palavra do Senhor poderia curar o seu funcionário. Pela humilde súplica da fé vem a graça do Senhor.
As instituições humanas e os seres humanos são caminhos para que cheguemos até Deus. Contudo, somos todos falhos, pecadores. Por isso, sem negar que a Igreja seja caminho de salvação, como também afirma o Papa Francisco nesta semana, colocamos a nossa confiança em Deus. É nesta linha que São Paulo nos diz que a iniciativa da graça não é humana, mas divina. Adverte que os homens podem falar em nome de Deus como pregadores, mas podem até mesmo pregar um evangelho diferente do Evangelho de Jesus. Que ninguém utilize o Evangelho para defender seus próprios princípios: triunfalismo, zelo agressivo, legitimação de poder, guerra religiosa, fanatismo... Nada disso tem a ver com a Boa Nova.
A coragem, sempre com caridade, com a doçura nos lábios, é necessária. Agradar a todos e sempre é caminho para a falta de autenticidade que trai princípios. São Paulo nos exorta a buscar sempre a verdade a todo custo: “Se eu ainda estivesse preocupado em agradar aos homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1, 10).
 
Pe Roberto Nentwig

Um comentário:

  1. Atraves deste texto, mediante a palavra do papa entendo porque existe tanta frieza em acolher pessoas para nos ajudar no templo e, por isso muitos comentam; esta faltando colaborador(a) sinceramente eu me entresteço diante destas atitudes nossas que agimos assim. Paulo (catequista)

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