quarta-feira, 22 de maio de 2013

Homilia da Solenidade da Santíssima Trindade

“Alguns de nós acreditam que Deus é Todo-Poderoso e que pode fazer tudo, e que Deus é Todo-Sabedoria e sabe como fazer tudo. Mas que Deus é Todo-Amoroso e quer amar tudo, aqui nós nos contemos. E essa ignorância atrapalha a maioria dos amantes de Deus, como eu vejo (...) Deus quer ser pensado como nosso Amante” (Julian de Norwich, místico anacoreta, que viveu entre 1342 e 1416). Substituir o Deus-poder pelo Deus-Amor é tarefa da nova evangelização. O mistério da Santíssima Trindade é a proclamação desta verdade.
Deus é amor em si mesmo. Pelo mistério trinitário sabemos que Deus não está sozinho: não é uma solidão de um, mas um amor triúno e solidário, uma comunhão de três. As pessoas trinitárias se interpenetram umas às outras no diálogo perfeito, uma abertura perfeita, perfeita comunhão de amor. Na Trindade, cada pessoa dá espaço para a habitação das demais pessoas trinitárias: o Pai é morada do Filho e o Filho é morada do Pai; o Espírito repousa no Filho e encontra nele a sua habitação. Em cada pessoa trinitária há a capacidade de dar espaço. Há uma diversidade que não deixa de ser uma.
Deus é amor para fora de si mesmo. A Sabedoria (=Verbo Eterno) já estava com o Pai antes da criação do mundo e nos ama antes da origem de tudo, sonhando-nos no amor (cf. Ef 1,3-4). Ao criar tudo o que existe, molda o mundo e antecipa a obra da criação no seu amor, premeditando uma obra cheia de beleza e carinho: “Assim fala a sabedoria de Deus: O Senhor me possuiu como primícias de seus caminhos, antes de suas obras mais antigas; desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes das origens da terra” (Pr 8, 22-23). A alegria de Sabedoria Eterna é moldar o mundo e participar da história da criação: “eu era o seu encanto, dia após dia, brincando, todo o tempo, em sua presença, brincando na superfíce da terra e alegrando-me em estar com os filhos dos homens” (Pr 8,30).
Na plenitude dos tempos, a Sabedoria (O Verbo) veio até nós para nos revelar o seu amor, para nos redimir, para que tenhamos acesso a Deus: (cf. Rm 5,1-2). O Filho envia do Pai o seu Espírito: Espírito da Verdade que nos ensina e nos aconselha (Jo 16,13), Espírito de amor que se derrama em nossos corações (Rm 5,5). É por ele que podemos vencer toda tribulação, porque sentimos dentro de nós a sua presença, um amor sem limites que vive em nós.
Quando experimentamos a graça Trinitária, mediada em Cristo Jesus, entendemo-nos amados, criados, redimidos e santificados. Em primeiro lugar, a Trindade nos afeta pessoalmente. Num segundo momento, ao cultivarmos a intimidade com o Deus Trindade, aceitamos livremente o dom de Deus e nos tornamos colaboradores de sua ação no mundo. Por meio do Espírito Santo, cada pessoa é convidada a conformar à vida à Cristo e a dar continuidade ao plano da salvação de Deus Pai. Ao contemplarmos que Deus é mais amor do que poder, saímos de nós mesmos para sermos reflexos da Trindade, reflexos do amor no mundo. Somos como que “trindadezinhas” andando pelo mundo.
 
Pe Roberto Nentwig

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