sexta-feira, 31 de maio de 2013

Teve início em São Paulo a assembléia da Sociedade Brasileira de Catequetas (SBCat)


Entre os dias 31 de maio e 1º de junho, os membros da Sociedade Brasileira de Catequetas (SBCat), reunidos na Casa Provincial La Salle, em São Paulo,  realizam sua Assembleia anual. Comemorando um ano de fundação (foto da confraternização) tem como objetivo maior a elaboração de seus Estatutos. Fundada no dia 09 de junho de 2012, festa do Bem-aventurado José de Anchieta, tem como finalidade favorecer a convergência de pessoas qualificadas no campo da catequese e o livre intercâmbio de pesquisas e experiências que promovam o avanço nesta área pastoral. Ela está a serviço do povo de Deus, mediante a elaboração de estudos sobre aspectos específicos da missão catequética, a colaboração interdisciplinar, a resposta a solicitações e sugestões dentro de sua área, mantendo sintonia com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB e organismos eclesiais afins.



quinta-feira, 30 de maio de 2013

Homilia do 9º. Domingo do Tempo Comum – C

Nesta semana o papa Francisco fez um alerta contra o triunfalismo: “Nós queremos o triunfo imediato, sem passar pela cruz, um triunfo mundano, um triunfo razoável”. A Igreja não pode ser triunfalista, não pode se sentir dona de Deus e da salvação. É chamada a ser sinal de salvação no mundo e a reconhecer os sinais de fé e de amor em todas as realidades e mesmo naqueles que não fazem parte do número dos batizados ou não frequentam nossas paróquias.
O próprio Jesus teve esta atitude diante da religião de sua época. No evangelho deste domingo, deixa claro que a instituição e a pertença religiosa não são garantias de nada. O que importa é a atitude da pessoa, sua abertura de coração. Aliás, os de fora parecem ser mais abertos do que os teólogos e sacerdotes que tiveram contato com Jesus, no Evangelho.
O centurião era um pagão. Se tantos se impressionaram com Jesus, desta vez, o próprio Cristo se impressiona com a atitude de uma personagem. E diante dele, declara algo inaudito, uma verdadeira heresia para qualquer judeu ortodoxo: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé” (Lc 7, 9). Em Israel, a maior fé não era de um saduceu, mestre da lei, escriba, fariseu, ou varão piedoso, frequentador do templo e da sinagoga. Para Jesus, a fé maior estava no coração de um pagão. Talvez também nós, que nos consideramos “católicos praticantes”, tenhamos também uma fé mísera, ou, ao menos, podemos nos envergonhar diante de tantos que nem conhecem nossos templos, mas que cultivam gestos de piedade e amor. Talvez alguns que até mesmo consideremos pecadores públicos.
Ninguém é dono da fé. E ela vem pelo caminho da humildade. Jesus nem precisou entrar na casa deste homem. Ele que tinha consciência de que podia dar ordens aos seus empregados, no entanto considerou que a simples palavra do Senhor poderia curar o seu funcionário. Pela humilde súplica da fé vem a graça do Senhor.
As instituições humanas e os seres humanos são caminhos para que cheguemos até Deus. Contudo, somos todos falhos, pecadores. Por isso, sem negar que a Igreja seja caminho de salvação, como também afirma o Papa Francisco nesta semana, colocamos a nossa confiança em Deus. É nesta linha que São Paulo nos diz que a iniciativa da graça não é humana, mas divina. Adverte que os homens podem falar em nome de Deus como pregadores, mas podem até mesmo pregar um evangelho diferente do Evangelho de Jesus. Que ninguém utilize o Evangelho para defender seus próprios princípios: triunfalismo, zelo agressivo, legitimação de poder, guerra religiosa, fanatismo... Nada disso tem a ver com a Boa Nova.
A coragem, sempre com caridade, com a doçura nos lábios, é necessária. Agradar a todos e sempre é caminho para a falta de autenticidade que trai princípios. São Paulo nos exorta a buscar sempre a verdade a todo custo: “Se eu ainda estivesse preocupado em agradar aos homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1, 10).
 
Pe Roberto Nentwig

terça-feira, 28 de maio de 2013

Tamanha fé



Estamos em tempo de festas juninas. Isto expressa uma dimensão de alegria, de sociabilidade e de convivência das pessoas. As entidades religiosas também realizam suas festas neste mês, sintonizadas com o que professam, aglutinando as pessoas com objetivos que favoreçam sua caminhada na cultura da fé.
Estamos também no “Ano da Fé”, por convocação do papa emérito, Bento XVI. Para quem acredita, a fé tem dimensão de vida. Foi o que aconteceu com um oficial romano, que tinha um empregado doente, em quem confiava muito, à beira da morte. Ele pediu a Jesus para curá-lo, mas demonstrando uma atitude de profunda indignidade. Vendo isto, Jesus disse: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé” (Lc 7, 9).
Visualizamos uma profunda mudança na maneira de entender as pessoas em nosso país nos últimos tempos. A consideração de que a cultura é “laica” não significa que a maioria dos cidadãos não tenha um sentimento religioso e uma prática de fé. Identificar “cultura laica” como falta de fé, é cair em aberrações contra a história.
A fé é aglutinadora e não excludente. Parece que sentimos hoje um sintoma de que ela é destruidora de uma cultura do bem, que dificulta a caminhada da pós-modernidade, marcada pelo individualismo. Acreditar em Deus é ter esperança de que a vida desponta para a eternidade e confirma a fidelidade à verdade.
Muita gente abandona a fé com muita facilidade. Fé quase sempre adquirida através dos princípios familiares ou de entidades religiosas. Não podemos descartar a capacidade de decisão e de liberdade de cada pessoa, mas também não jogar por terra um sentimento marcado e praticado no coração humano.
O Evangelho de Jesus Cristo é sempre o mesmo. Às vezes é trocado por outras práticas que não condizem com os seus ensinamentos. O resultado pode ser um coração vazio e insensível ao que ocasiona verdadeira realização. Podemos estar agradando mais aos homens do que a Deus. Todo endeusamento da pessoa humana é cair em atitudes que não satisfazem sua vida.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Regional Nordeste IV realiza encontro de Animação Bíblico-Catequética

 
O Piauí,que forma o Regional Nordeste IV da CNBB,está realizando o encontro Regional de Animação Bíblico-Catequética com tema:30 anos da "Catequese Renovada" e a sua influência para a Catequese de Iniciação à Vida Cristã e Estilo Catecumenal. Pe.Décio, como assessor Nacional está nos assessorando neste encontro que reúne as 08 Dioceses do Piauí. O Bispo referencial em nosso Regional,é Dom.Eduardo Zielsk da Diocese de Campo Maior.

 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Homilia da Solenidade da Santíssima Trindade

“Alguns de nós acreditam que Deus é Todo-Poderoso e que pode fazer tudo, e que Deus é Todo-Sabedoria e sabe como fazer tudo. Mas que Deus é Todo-Amoroso e quer amar tudo, aqui nós nos contemos. E essa ignorância atrapalha a maioria dos amantes de Deus, como eu vejo (...) Deus quer ser pensado como nosso Amante” (Julian de Norwich, místico anacoreta, que viveu entre 1342 e 1416). Substituir o Deus-poder pelo Deus-Amor é tarefa da nova evangelização. O mistério da Santíssima Trindade é a proclamação desta verdade.
Deus é amor em si mesmo. Pelo mistério trinitário sabemos que Deus não está sozinho: não é uma solidão de um, mas um amor triúno e solidário, uma comunhão de três. As pessoas trinitárias se interpenetram umas às outras no diálogo perfeito, uma abertura perfeita, perfeita comunhão de amor. Na Trindade, cada pessoa dá espaço para a habitação das demais pessoas trinitárias: o Pai é morada do Filho e o Filho é morada do Pai; o Espírito repousa no Filho e encontra nele a sua habitação. Em cada pessoa trinitária há a capacidade de dar espaço. Há uma diversidade que não deixa de ser uma.
Deus é amor para fora de si mesmo. A Sabedoria (=Verbo Eterno) já estava com o Pai antes da criação do mundo e nos ama antes da origem de tudo, sonhando-nos no amor (cf. Ef 1,3-4). Ao criar tudo o que existe, molda o mundo e antecipa a obra da criação no seu amor, premeditando uma obra cheia de beleza e carinho: “Assim fala a sabedoria de Deus: O Senhor me possuiu como primícias de seus caminhos, antes de suas obras mais antigas; desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes das origens da terra” (Pr 8, 22-23). A alegria de Sabedoria Eterna é moldar o mundo e participar da história da criação: “eu era o seu encanto, dia após dia, brincando, todo o tempo, em sua presença, brincando na superfíce da terra e alegrando-me em estar com os filhos dos homens” (Pr 8,30).
Na plenitude dos tempos, a Sabedoria (O Verbo) veio até nós para nos revelar o seu amor, para nos redimir, para que tenhamos acesso a Deus: (cf. Rm 5,1-2). O Filho envia do Pai o seu Espírito: Espírito da Verdade que nos ensina e nos aconselha (Jo 16,13), Espírito de amor que se derrama em nossos corações (Rm 5,5). É por ele que podemos vencer toda tribulação, porque sentimos dentro de nós a sua presença, um amor sem limites que vive em nós.
Quando experimentamos a graça Trinitária, mediada em Cristo Jesus, entendemo-nos amados, criados, redimidos e santificados. Em primeiro lugar, a Trindade nos afeta pessoalmente. Num segundo momento, ao cultivarmos a intimidade com o Deus Trindade, aceitamos livremente o dom de Deus e nos tornamos colaboradores de sua ação no mundo. Por meio do Espírito Santo, cada pessoa é convidada a conformar à vida à Cristo e a dar continuidade ao plano da salvação de Deus Pai. Ao contemplarmos que Deus é mais amor do que poder, saímos de nós mesmos para sermos reflexos da Trindade, reflexos do amor no mundo. Somos como que “trindadezinhas” andando pelo mundo.
 
Pe Roberto Nentwig

domingo, 19 de maio de 2013

Primeiro Nordestão de Animação Bíblico-Catequética

          
 
Os coordenadores e bispos referenciais das Comissões Regionais NE1, NE2, NE3, NE4 e NE5 de Pastoral para Animação Bíblico-Catequética, em sintonia com NOVAS DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL (DGAE) (2011-2015) que aborda duas urgências da nossa comissão “Igreja, casa da iniciação à vida cristãe Igreja, lugar de animação bíblica da vida e da pastoral”, tem a alegria de informar que através do “I Nordestão de Animação Bíblico-Catequética” irá iniciar um aprofundamento maior sobre a iniciação a vida cristã.
 
Enquanto Nordestão, gostaríamos de celebrar e partilhar essa caminhada estimulada pelo desejo de unir todos os cinco regionais do nordeste para juntos refletirmos sobre a formação de nossos catequistas. Portanto, assumimos a realização do I NORDESTÃO DE ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA, com o tema OS DESAFIOS PARA A TRANSMISSÃO DA FÉ a ser realizado de 15 a 17 de novembro de 2013, em Maceió-AL.
Irá assessorar o PRIMEIRO NORDESTÃO o Padre Luiz Alves de Lima, colaborador em muitos documentos da CNBB (coordenador de redação do Diretório Nacional de Catequese). Membro do Grupo de Reflexão Bíblico-Catequética da CNBB (GREBICAT), membro do grupo de "experts" da Secção de Catequese da Conferência Episcopal Latino Americana (CELAM), presidente da Sociedade Brasileira de Catequetas, foi escolhido como PERITO para representar a América Latina na área da catequese e da Iniciação Cristã sendo nomeado pelo Secretário Geral do Sínodo dos Bispos com a autorização do Sumo Pontífice para participar da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que aconteceu no Vaticano entre os dias 7 e 28 de outubro de 2012, com o tema “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”.
Esse congresso terá como objetivos principais:
- Celebrar o caminho catequético;
- Partilhar as nossas experiências respondendo aos desafios para a transmissão da fé;
- Intensificar a nossa convivência fraterna como caminho de unidade em nossa igreja.
Maiores informações com as coordenações regionais:
NE 1 – Maria Erivan Ferreira da Silva
erivanfsilva@hotmail.com
NE 2 – Pe. Elison Silva dos Santos
catequeseregionalnordeste2@gmail.com
 NE 3 – Ir. Luciene Macedo
lucatequista@gmail.com
NE 4 – Ir. Maria das Graças Sabino
mgsabino2011@gmail.com
NE 5 – Joana Meneses Mendes
joanamm@terra.com.br
Comunicação Joseilton Luz                    nordestaodecatequese@gmail.com
Regionais
Nordeste 1 – Ceará
Nordeste 2 – Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte
Nordeste 3 – Bahia e Sergipe
Nordeste 4 – Piauí
Nordeste 5 – Maranhão

ENCONTRO DE ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA DO REGIONAL NORDESTE 3, BAHIA E SERGIPE

A comissão de Animação Bíblico-Catequética do Regional Nordeste III, Bahia-Sergipe, está reunida no Centro Pastoral Arquidiocesano da Arquidiocese de Feira de Santana-Bahia nos dias 17,18 e 19.
 
O encontro acontece anualmente, o público alvo são as coordenações (arqui)diocesanas do Regional que tem 25 dioceses divididas em 6 regiões pastorais.
Padre Décio Walker, assessor nacional da comissão episcopal para animação bíblico-catequética, esta assessorando o encontro.
O encontro foi dividido em 3 momentos: VER, ILUMINAR e AGIR.
·         VER: Avaliação e partilha da implementação da Iniciação à Vida Cristã com inspiração catecumenal.
·         ILUMINAR: Aprofundamento do tema: A catequese e o ano da FÉ. Com destaque para duas questões praticas
o   Os caminhos da Iniciação à Vida Cristã a partir do C. Vaticano II
 
o   Compreender o Catecismo da Igreja Católica a partir da inspiração catecumenal
 
·         AGIR: Reflexão e planejamento: Síntese sobre os encaminhamentos práticos: O ano da fé e a iniciação da vida cristã.
No domingo dia 19, festa de Pentecostes o encontro terá sua culminância com o almoço.
Na alegria do encontro a comissão de animação bíblico-catequética do Regional, deseja que na nossa caminhada de CATEQUESE sejamos conduzidos, atraídos, fortalecidos e envolvidos pelo Reino de Deus.
 
Padre Freinilson

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Homilia da Solenidade de Pentecostes

O Espírito Santo atua na história e em nossas vidas; é Deus mesmo habitando os nossos corações. Mas o Espírito Santo é ainda muito desconhecido e não devidamente nomeado. A piedade popular conserva a famosa Festa do Divino, representando o Espírito Santo como uma pomba branca. Mas, dificilmente nomeia a terceira pessoa da Trindade como “Espírito Santo”. Ainda temos dificuldade para atribuirmos ao Espírito as suas ações. Quem faz as coisas, no dizer do povo, é Jesus, ou Deus, o Santo de devoção... A presença do Espírito Santo é mais enfatizada nos movimentos pentecostais, quando se fala de sua ação extraordinária: curas, milagres, êxtases... Ainda é necessária uma catequese mais profunda sobre o Espírito, para que tenhamos consciência de que Ele age e está presente na Igreja e no mundo, como reconheceu a Igreja Primitiva depois de Pentecostes.

Hoje, no Evangelho, o Ressuscitado sopra o Espírito. O Antigo Testamento usa o termo Ruah para revelar o que o Novo Testamento revela como uma pessoa divina: significa sopro, respiração, ar, vento. O Espírito, portanto, é o hálito de Deus, o sopro divino que nos move. Como o vento tem o seu dinamismo, como o ar nos faz viver, assim é o Espírito de Deus. Quando paramos de respirar, depois de um breve período de tempo, sentimos o desconforto. Sem o ar, não temos vida. Do mesmo modo, sem o Espírito nada vive. Quando vemos um cadáver, vemos um corpo sem o sopro divino que o animava. Por outro lado, basta voltar os olhos para qualquer pessoa viva e veremos nela o ânimo do Espírito de Deus.

Somos muito acostumados a perceber a maldade do mundo. Deveríamos treinar o nosso olhar para perceber o sopro de Deus que age no mundo. Quando a Boa Nova é proclamada, quando celebramos os sacramentos, no casal que demonstra afeto, no sorriso de uma criança, nos sonhos que nos movem, em todos estes gestos de bondade está o Espírito de Deus. Quando há amor, lá está o Espírito Santo agindo. Se houve e há pessoas como uma Zilda Arns, uma Madre Teresa é porque o Espírito continua agindo para que o amor aconteça. Graças ao Espírito, a nossa história não é apenas explicada pelo mistério da iniquidade. É também explicada por gestos de doação pelos pobres e doentes, é explicada por heroísmos que acontecem dentro dos lares, e por pessoas que dedicam a sua vida para fazer o bem.

Quando Jesus sopra sobre os discípulos o seu Ruah, significa que eles são novas criaturas, surgindo uma nova criação: agora agimos não por nós mesmo, mas pelo sopro de Deus. Jesus quer que sua obra continue pela Igreja, e até mesmo fora dela. Ele deseja que seu Ruah sopre com muita força. Por isso, espera de cada um de nós uma abertura grande de coração, para que exista espaço para este vento agir.

Uma importante graça oferecida em Pentecostes é a unidade. A diversidade dos povos que se entendem nos Atos dos Apóstolos é sinal da unidade perdida em Babel, quando ninguém se comunicava, pois falavam línguas diversas. Animada pelo Espírito Santo, a Igreja congrega uma diversidade que fala a mesma língua – a língua do amor. É uma pena que presenciemos tanta confusão e desunião. Por vezes, em nossas comunidades, cada pessoa e pastoral fala uma língua diferente.

O desejo do Espírito é a unidade. Quando esta não existe, falta o Espírito. O Espírito Santo congrega todos os povos, traz a consciência da universalidade da Igreja que não está restrita a nenhum povo ou cultura, pois o Espírito é uma oferta para todos os povos e raças, agindo também nas várias religiões. Que, por Ele, tenhamos o coração aberto para reconhecer sua presença e construamos Nele a unidade maculada pelo pecado.
Pe Roberto Nentwig

Encontro de padres assessores diocesanos para a AB-Catequética - Regional Sul 1 - CNBB

O VII Encontro de padres assessores aconteceu em Campos do Jordão - SP, na casa salesiana: Vila Dom Bosco, nos dias 14, 15 e 16 de maio. Foi um momento fecundo de oração, reflexão, partilha e confraternização com os participantes, representantes de 15 dioceses do Regional.

Os assessores convidados, Pe. Boris Augustin Nef Ulloa e Pe. Luiz Alves de Lima, trabalharam os temas: Evangelho de Lucas, caminho do discipulado e Catequese e Nova Evangelização para a Transmissão da Fé, respectivamente.

Ao final do evento foram dadas as informações necessárias sobre o VIII Sulão bíblico-catequético, que será nos dias 25-27 de outubro em São Leopoldo - RS e a Assembléia Regional que se realizará em Aparecida-SP durante os dias 27-29 de setembro. No dia 29 vai acontecer a Jornada de Catequistas no Ano da Fé, com celebração Eucarística as 10h no Santuário Nacional se Aparecida, certos de que " no céu do nosso caminho resplandece com vigor a luz de Maria, a Estrela da nova evangelização, à qual nos recomendamos confiantes" para a transmissão da fé.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Missão continuada


Na história da humanidade encontramos duas situações extremamente opostas, mas ricas em significado dentro do contexto do cristianismo. De um lado, a Torre de Babel (Gn 11, 4), mostrando as consequências negativas para uma sociedade desorganizada. De outro, Pentecostes, lido como vinda do Espírito, capaz de convergir os atos da sociedade para a unidade. 

Pentecostes marca o nascimento da Igreja, com a missão de construir a paz. É uma prática que só terá frutos quando os diferentes forem capazes de dialogar e de agregar dons, ministérios e serviços, formando um só corpo com objetivos comuns. Nessa trajetória podemos sentir que Cristo continua sua ação salvadora.
A missão continuada tem exigências pertinentes para os dias de hoje. Não é fácil ser discípulo missionário, dando destaque concreto à missão de Jesus Cristo. Temos muitas ferramentas para isto, mas precisam ser motivadas, saindo do conservadorismo, sendo capazes de criar experiências novas, não ficando apenas no verniz.

Necessitamos de novo Pentecostes. Ele já acontece no mundo tecnológico e carece de real visibilidade nos âmbitos social e religioso. É hora de acolher com carinho as iniciativas fortes na busca de libertação. São, sim, um “pingo d’água” no oceano do capitalismo, mas não deixam de provocar sensibilidade e descontentamento ético.
Preparamo-nos para a 5ª Semana Social Brasileira. Será em Brasília, no segundo semestre deste ano, com o tema: “O Estado que temos, para que e para quem”. Por isto estamos articulando as Pastorais Sociais, porque elas podem ser meios de transformação da sociedade. Temos instrumentos de ação, mas ainda pouco motivados para agir. O Estado pode ser diferente e de acesso para todo cidadão.

Sentimos um novo sopro do Espírito, um novo Pentecostes já está acontecendo. É oportunidade de aproximação dos extremos que dificultam a unidade. Isto se dá no âmbito econômico, social, político e até religioso. As consequências são danosas para a maioria da população, porque cria exclusão nos diversos níveis. Nos altos e baixos da história, os rumos devem ser marcados por uma busca de maior unidade.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Homilia da Ascensão do Senhor

Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai, todo poderoso (cf. Ef 1,20-21). O ato de subir é profundamente simbólico. O cristão não pode se contentar com o lugar em que está, pois ainda não reside em sua casa definitiva. A vida é uma oportunidade para elevar-se. Se ainda aguardamos nossa “elevação” para a Pátria definitiva, devemos “crescer rumo a maturidade em Cristo” (Ef 4,13). É preciso vencer a estagnação, a paralisia que não nos deixa crescer. Sempre somos perseguidos pelo desejo de permanecer na mediocridade ou de manter sempre os mesmos hábitos, ou seja, ser vencidos pelo comodismo. Crescer significa romper a inércia, inovar, recriar, reinventar, mudar... Um pai ou uma mãe não deverão se contentar com uma vida familiar sem sabor ou com o individualismo dos filhos, que preferem horas de internet a refeição em comum. As lideranças não deverão se conformar com os limites da comunidade que segue com as mesmas estruturas pastorais defasadas, mas terão empenho de transformá-la. Um cristão deverá se comprometer com o seu crescimento pessoal, com sua vida espiritual, com o cultivo de si mesmo, com a readequação de suas práticas, com o uma vida mais voltada para o Evangelho de Jesus. Não podemos nos conformar com a manutenção da pastoral, da vida espiritual, da vida familiar, de nossa vida profissional... Jesus subiu para que caminhemos na mesma direção, no mesmo sentido. A jornada termina no Céu.
O Céu é a nossa Pátria. A ascensão é a reafirmação de uma verdade fundamental ao cristão: este mundo passa, o Reino definitivo e glorioso é a nossa meta e esperança. É preciso ter sempre diante de nós acesa a chama da “esperança do nosso chamamento” (Ef 1,18).  Sim, este mundo com suas dores e limites será vencido e transformado. O Tempo Pascal nos coloca nesta dinâmica de Céu que se antecipa, mas ainda é esperança que anima a vida terrena. Ter clara esta certeza nos dá combustível para o empenho do crescimento pessoal, comunitário e social. Triste se passarmos pelo mundo sem fazer o bem, sem construir um sentido, sem amar.
Ele não nos abandona. O Senhor está no Céu e inaugurou, com sua ascensão, uma nova maneira de estar presente. Agora é seu Espírito que nos animará. Subir é necessário, para que esta presença seja garantida até que vejamos a Deus face a face. É preciso caminhar na certeza do futuro e, ao mesmo tempo, na certeza da presença do Senhor que nos impulsiona, encoraja e transforma.
No final do texto do Evangelho de Lucas, os discípulos são abençoados.  Não basta ficar adorando (Lc 24,52) ou olhando para o Céu (At 1,11). Os discípulos devem voltar para a cidade (Jerusalém). Devem, pois, voltar ao cotidiano, ao lugar em que estavam. É na normalidade da vida que devem testemunhar o Senhor, mas antes recebem a sua benção. Também nós, ao final da missa, recebemos a benção para partir em missão. Ou seja, a benção marca o início do testemunho.
Resta dizer que os discípulos testemunhavam a alegria (Lc 24,52). Hoje é preciso transformar o rosto enfezado do legalismo em face inundada pelo sorriso. É esta a marca que atrairá outros ao mesmo dom. Devemos seguir como testemunhas, não apenas em Jerusalém (nossa casa), mas na Samaria e em toda Judéia. Ou seja, a Igreja nasce missionária, com o dever de não se acovardar ou acomodar-se jamais.
Pe Roberto Nentwig

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Conhecer os interlocutores da catequese Criança de 0 a 03 anos

    


Acreditamos que o grande desafio que temos enfrentado nos últimos tempos, nos encontros de catequese, é o de conhecermos as pessoas a quem vamos transmitir uma mensagem, catequizar. A catequese tem cada vez mais ampliado os seus interlocutores, por isso, precisamos pensar em uma catequese do ventre materno à pessoa idosa. Precisamos superar a idéia de uma catequese apenas para as crianças com o objetivo do sacramento somente (CR, n. 131)

A catequese deve ser compreendida como processo ou itinerário, caminho que uma pessoa percorre ao longo da sua vida, de sua história, “Tal processo procurará unir fé e vida; dimensão pessoal e dimensão comunitária; instrução doutrinária e educação integral; conversão a Deus e atuação transformadora da realidade; celebração dos mistérios e caminhada com o povo” (CR, n.29). 

Para que uma pessoa, seja ela, criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso, possa amadurecer na fé, é preciso que o conteúdo, a mensagem catequética seja adaptada ao desenvolvimento psicológico em que a pessoa vive. 

Apresentamos a seguir alguns indicativos do desenvolvimento na linha de pesquisa da psicologia do desenvolvimento e sugerimos algumas alternativas de ação para os catequistas. 

As características que marcam a fase do início da vida até os três anos têm seu primeiro momento de desenvolvimento físico com a habilidade motora. A criança começa a ter seu desenvolvimento motor apto para aprender, desenvolver os pequenos músculos e aprende a andar entre os nove e quinze meses de idade. Nesta fase, tem início uma alimentação mais sólida. Desenvolve a linguagem, começa a falar, balbuciando palavras, construindo pequenas frases do seu mundo infantil e de seus interesses. 

Nesta fase da vida, a criança aprende com frases curtas, é importante responder somente aquilo que a criança perguntar, sempre com frases curtas e diretas. 

A partir de histórias, contos, fábulas ter diálogos informais com as crianças, isto facilita a apreensão do que está sendo falado para ela, sempre utilizando um vocabulário conhecido pela criança, pelo grupo, inserindo, gradativamente, outras palavras no vocabulário de fácil compreensão. Tudo isto favorecerá o desenvolvimento de uma forma lúdica, criativa, prazerosa, atraente, em tudo sempre mostre a presença amorosa de Deus que cuida de todos, por isso brincar com a criança, pegá-la no colo é sinal de transmissão de confiança. Tudo isto contribui para uma imagem de Deus que é segurança, eliminando assim todos e quaisquer tipos de medo que possam surgir nesta fase da vida.


Pe Eduardo Calandro
Pe Jordélio Siles Ledo, css


terça-feira, 7 de maio de 2013

Comunicação


                    Na Festa da Ascensão do Senhor, na volta de Cristo ao Pai, tocamos no tema do Dia Mundial das Comunicações Sociais. Estamos numa cultura que se prima por comunicar de forma toda especializada e perfeita. Apesar do individualismo, as pessoas estão, a todo momento, conectadas, principalmente no caminho virtual. Os meios, os instrumentos estão, cada vez mais, marcantes na vida das pessoas.
Outro tema de importância neste tempo é a abertura da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Os Meios de Comunicação Social precisam contribuir para a unidade das pessoas. A força da comunicação deve ser caminho de aproximação dos indivíduos, não provocando violência, incentivo aos vícios e destruição dos valores que dão segurança para o povo. Eles precisam contribuir com uma paz sustentável.
Dizemos que o Espírito Santo é o comunicador de Deus Pai. Cumprido sua missão na terra, Jesus retornando ao céu, comunica à Igreja, como ação de sabedoria divina, Aquele que seria o laço de comunicar, o Espírito Santo. É Aquele que conduz e orienta o itinerário da Igreja, tendo como meta, a construção do Reino de Deus. É a forma de Cristo continuar presente na história da Igreja até o fim dos tempos.
Temos os nossos instintos e meios materiais de comunicação, de criar laços fraternos. Quando mal usados, podem prejudicar a unidade. É o caso, por exemplo, da força da palavra, do uso da língua mal intencionada e destruidora do espírito de convergência. A forma como usamos as redes sociais, como força de comunicar dos novos tempos, pode ser bom instrumento de unidade.
Lembramos também as nossas mães, geradoras de vida e de formação básica para seus filhos. Queremos parabenizá-las, principalmente àquelas que assumem seu papel de educar com responsabilidade, preparando os filhos para enfrentar os desafios que o mundo vem oferecendo, especialmente para a juventude. Elas são verdadeiras comunicadoras dos princípios do Evangelho tanto cristãos como também cidadãos da nova cultura. Que Deus as abençoe e as cubra de forças para cumprir a missão que lhes é confiada.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

domingo, 5 de maio de 2013

Catequese QUIETISTA, nos novos tempos... Vamos transformar, trabalhando!

"O otimismo é uma questão mais psicológica, uma posição perante a vida. Algumas pessoas vêem sempre o copo meio cheio, e outras, ao contrário, meio vazio. A esperança tem algo de passivo em sua base porque é um dom de Deus. Não se pode adquirir a virtude da esperança por si mesmo, ela tem que ser dada pelo Senhor. Algo diferente é como cada um a utiliza, como a administra, como a assume. Em nossa concepção, a esperança é uma das três virtudes teologais, junto com a fé e a caridade. Costumamos dar mais importância à fé e à caridade. Entretanto, é a esperança que nos estrutura todo o caminho. O perigo é se encantar com a trilha e perder de vista a meta, e outro perigo é o quietismo: ficar olhando o objetivo e não fazer nada no caminho. O cristianismo teve épocas de fortes movimentos quietistas, que iam contra o preceito de Deus, que diz que se deve transformar a terra, trabalhar." ( do livro Sobre o céu e a terra - Jorge Bergoglio e Abraham Skorka- Paulinas)




Lendo essas palavras de BERGOGLIO, quando ele era ainda arcebispo de Buenos Aires, pus-me a pensar em nossa catequese, nas mais diferentes realidades espalhadas por esse Brasil, e porque não dizer, por esse mundo. 

Como catequista atuante  na minha paróquia e  também através do blog e  redes sociais,  estou ciente da realidade da catequese,  de nossas famílias,  a maioria com uma fé superficial, infantil, descompromissada com o Reino de Deus. Enfim, retrato daquilo que temos escutado tanto ultimamente, famílias batizadas, não evangelizadas, não iniciadas devidamente na fé. E nós catequistas, em nosso fazer catequético, por mais que tentemos ser criativos, ousados, parece que estamos dando braçadas contra a maré. 


Algumas pessoas vêem sempre o copo meio cheio, e outras, ao contrário, meio vazio”. Amei isso, e posso dizer com certeza, que mesmo diante da real situação, quando o assunto é a evangelização(nova)/catequese/IVC, estou no grupo dos que veêm o copo meio cheio. Por outro lado, em muitos lugares, o que vemos, são catequistas desanimados, enfraquecidos,  desmotivados...

Sendo a esperança um dom de Deus, quando fomos escolhidos para essa missão, fomos agraciados por ele. O catequista vocacionado, jamais deve perder a esperança de transformar uma sociedade, através de um trabalho pensado, renovado, organizado, ousado. Talvez, o que nos falta, é sermos bons administradores dessa esperança. “Algo diferente é como cada um a utiliza, como a administra, como a assume”. 

ASSUMIR, esta é a palavra de ordem para cada um de nós. Olhar pra frente e conseguir enxergar, mesmo que distante, um novo horizonte. Não basta só enxergar, é preciso colocar-se à caminho. É a esperança que nos estrutura todo o caminho.” 

O perigo é se encantar com a trilha e perder de vista a meta, e outro perigo é o quietismo: ficar olhando o objetivo e não fazer nada no caminho. Nossa meta, nosso objetivo na catequese: FORMAR CRISTÃOS. 

“O preceito de Deus, que diz que se deve transformar a terra, trabalhar." Sendo assim, ficar de braços cruzados, numa catequese QUIETISTA, está contra o preceito e Deus: TRANSFORMAR, TRABALHANDO. Lembre-se, a esperança é o que nos move.

QUIETISMO nos novos tempos, infelizmente, ainda é o câncer em muitas dioceses, paróquias, bispos, párocos, catequistas, agentes de pastorais.

Imaculada Cintra 
Catequista 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

“Carta-Mensagem” final do III Seminário de Catequese Indígena


            Meu amigo e minha amiga!
A cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, acolheu de coração aberto as 90 pessoas, participantes do III Seminário de Catequese Indígena, de 25 a 28 de abril de 2013. “Catequese, Protagonismo Indígena e Inculturação” foi o tema muito bonito que nos desafiou.
Este inesquecível Seminário foi organizado pelas Comissões Episcopais: De Animação Bíblico-Catequética, da Amazônia e Missionária, pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e pela Pastoral Indigenista da Arquidiocese de Manaus.
Fato admirável, a presença de indígenas procedentes de vinte e um (21) povos: Boé Bororo, Maku Hyump, Wapixana, Baré, Piratapuia, Baniwa, Kokama, Mura, Bará, Munduruku, Zapoteca, Arapaso, Macuxi, Tukano, Tuyuka, Sateré-Maué, Kambeba, Guajajara, Tariano, Desana, Mayuruna. Presentes também bispos, padres e religiosos(as).   Destacamos a presença de padres e religiosas indígenas.
A convivência fraterna construída no dia a dia do Seminário mostrou-nos de que nós estamos vivendo um Kairós, manifestação carinhosa de Deus para com os povos indígenas e os missionários que se dedicam em estar com estes povos.
No âmbito mais global temos na animação da Igreja Católica um novo Papa, Francisco. É um latino-americano como nós e nos inspira nova mentalidade. O papa, a partir do espírito de São Francisco, pode dar um rumo novo para a Igreja. Ele fala que a nossa Igreja deve ser “uma Igreja pobre e dos pobres” e nos convida para “ir às periferias geográficas e existenciais”. Por isso nesse Seminário sentimos que Deus nos chama para a missão de promover e servir a vida.
O III Seminário deu continuidade aos dois já realizados nessa linda Amazônia: O I aconteceu em Manaus, no período de 25 a 28 de outubro de 2007. O II aconteceu em Ananindeua/PA, no período de 8 a 10 de abril de 2011.
Nosso Seminário contou com muitas e valiosas assessorias:
Ø  -Pe. Raimundo Possidônio: “Cenários catequéticos da história da missão”.
Ø   Pe. Paulo Suess: “Catequese no contexto histórico-social dos povos indígenas hoje - o foco catequético na pastoral indigenista”.
Ø   Pe. Luis Alves de Lima : “Iniciação à Vida Cristã”.
Ø   Pe. Eleazar Lopez Hernández: “Diálogo inter-religioso e intercultural - Teologia Índia”.
Ø  Pe. Eleazar e Pe. Paulo: “Inculturação: perspectivas e desafios”.
Ø  Ir. Téa Frigério: “A Bíblia na Catequese indígena”.
Ø  Pe. Bartolomeu Giaccaria: “Ritos e Mitos Indígenas na Catequese”.
Ø  Pe. Justino Rezende: “Inculturação na Catequese Indígena”.
Ø  Irmã Rebeca: “Espiritualidade e Catequese Indígena”.
Ø  Pe. Nello Ruffaldi: “Catequese e Protagonismo Indígena”.
Ø  Pe. Roberto,OMI: “Evangelização e Cat. Entre os Indígenas da Cidade”.
Ø  Nós indígenas “partilhamos nossos trabalhos, nossas práticas de catequese e os nossos sonhos”
O III Seminário de Catequese está dentro da caminhada da Igreja, estamos conectados com os fatos importantes da vida da nossa Igreja. Por isso celebramos com gratidão os 30 anos do Documento Catequese Renovada, como inspiração para a nossa ação atual. E da mesma forma fizemos memória dos 40 anos de história de compromisso com os povos indígenas do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).
O contexto histórico analisado nos desafia a “desembarcar das naves dos invasores para embarcarmos nas canoas dos índios”. É preciso entender as culturas dos pequenos. Os povos indígenas são pequenos, mas possuem sabedorias, são portadores do Amor de Deus para as pessoas. Pe. Eleazar, vindo do México, nos contou que as flores de Guadalupe que Juan Diego ofereceu à Igreja simbolizam as culturas indígenas. Como Juan Diogo, com simplicidade, podemos contribuir também com a Igreja hoje.
Na experiência do encontro nos damos conta das coisas boas que estão acontecendo: As práticas da Iniciação à Vida Cristã estão sendo redescobertas por nossas comunidades. O diálogo, exigência da inculturação, também está avançando. É fundamental dialogar com os diferentes. Nós povos indígenas temos muito para dar, partilhar e oferecer para a Igreja. Por outra parte, queremos aprender também com os outros povos. Pois as histórias são construções humanas. Nós podemos construir novas histórias, mas precisamos aprender a fazer escolhas. Através de nossos mitos e ritos mostramos que a vida deve ser vivida com generosidade, com alegria e profundidade. Nós sabemos valorizar a natureza, as pessoas, os seres viventes, as forças imateriais presentes no mundo.
Neste Seminário entendemos que nós possuímos as nossas teologias, a Teologia Índia, que vem mostrar para indígenas e não indígenas que temos um Deus que é único, mas que é compreendido com vários nomes. Jesus Cristo nos foi apresentado pelos colonizadores, conquistadores. Mas Jesus não é um colonizador/conquistador. Ele é nosso amigo, companheiro, Salvador. Jesus é fonte inesgotável de vida, nós nunca chegaremos a compreendê-lo plenamente, mas buscaremos, dia a após dia, ser seus discípulos, construtores do seu Projeto, o Reino de Deus. Sentimos que já percorremos longos caminhos e muitos conhecimentos foram construídos em torno de Jesus. Mas as práticas de evangelização e catequese são adequadas para cada tempo e cada espaço histórico. Por isso, precisamos continuamente repensar e resignificar nossas práticas evangelizadoras.
Nós estudamos, partilhamos e sonhamos, dando-nos conta que no centro de nossos trabalhos está a PESSOA, que deve receber nossa atenção principal. Somente assim podemos dizer que a essência da catequese indígena é o valor da vida. A VIDA dos povos indígenas precisa ser amada, valorizada e respeitada. Em muitos contextos essa vida, a cultura, os costumes, tradições, as línguas estão enfraquecidas. A Catequese pode tornar-se um instrumento para fortalecer a vida dos nossos povos a partir do evangelho. Pois a catequese assume os problemas sociais e culturais para ajudar na transformação da realidade. Por isso apostamos no processo de evangelização e catequese para que nossas vidas sejam amadas como Deus nos ama.
Nas reflexões ficou claro para nós que a Inculturação deve ser feita através do protagonismo indígena. Por isso nos alegramos com a presença de vários padres e religiosas indígenas neste Seminário. Mas também contamos com a valiosa colaboração dos missionários(as), dos teólogos(as) e catequetas  não indígenas. Juntos temos uma bonita e grande missão: Servir a Vida.
Neste Seminário damos alguns passos para frente. Estamos caminhando. Não temos soluções mágicas. Mas continuamos buscando caminhos para superar as dificuldades, criar outras práticas e acertar juntos. As diversas questões referentes aos temas da catequese indígena, inculturação e protagonismo continuam em aberto para os nossos estudos, reflexões e experiências.
Finalmente, convidamos a todas as pessoas de boa vontade para que se interessem pelas vidas dos nossos povos. Fazemos apelo aos bispos para que estejam atentos às realidades indígenas de suas dioceses. Os povos indígenas não podem ser invisíveis aos vossos olhos. Pois estão presentes em muitas dioceses e paróquias. Somado a esse compromisso fazemos apelo para que as dioceses e as paróquias saibam disponibilizar recursos materiais para tornar viável nossa participação.
Para todos os participantes do III Seminário esse momento é de Kairós. Momento da Criação e Recriação da Vida. Deus nos criou para com Ele criar um mundo novo! Ele aposta nos povos indígenas!
Realizamos bonito trabalho. Elaboramos, através de processo bem participativo, propostas para o futuro de nossa caminhada. Estas estão em anexo para que todos participem desse processo histórico (confira abaixo).
Obs: Esta mensagem é fruto de reflexão de uma equipe, mas redigida pelo indígena Pe. Justino Rezende.
 
CONCLUSÕES DO III SEMINÁRIO DE CATEQUESE INDÍGENA
Reconhecendo que os catequistas indígenas são a base para o surgimento de uma igreja autóctone, chegamos às seguintes conclusões:
  1. Sentimos a Necessidade de uma formação permanente, específica de catequistas indígenas em vista de uma Igreja indígena, ministerial, missionária, incorporando a lógica, o conteúdo, a metodologia e as instancias próprias dos povos e culturas indígenas. Essa proposta de formação poderá ser realizada em centro de formação permanente, ou nas aldeias, ou numa combinação criativa. Os elementos de formação inculturada devem ser incorporados também aos programas de formação do clero, religiosos e religiosas indígenas.
  2. Para os não indígenas que atuam junto aos povos indígenas é necessária uma preparação específica, em vista de uma catequese inculturada com protagonismo indígena.
  3. Queremos continuar o processo de reflexão com intercambio de experiências, conteúdos, metodologias, subsídios. Ao longo de quatro anos serão realizados encontros regionais e diocesanos, por temas específicos (indígenas na cidade), para partilha de experiências e aprofundamento. Esse processo culmina com a realização do IV seminário nacional de catequese indígena em 2017.

Homilia do 6º. Domingo do Tempo Pascal – Ano C

Na 1ª Leitura, Paulo e Barnabé assumem a causa dos pagãos convertidos. Alguns judeu-cristãos queriam impor regras judaicas para os cristão-gentílicos. O gentil tinha se convertido ao cristianismo e não ao judaísmo, por isso, não havia sentido em seguir as leis judaicas. Paulo e Barnabé resolveram o problema através da oração e do diálogo, reportando-se aos irmãos de Jerusalém. Assim, nasceu o Concílio de Jerusalém, que, dirigido pelo Espírito Santo, deu razão a Paulo: “não se pode impor nenhum fardo, além das coisas indispensáveis”.

A máxima estabelecida pela Igreja Primitiva – “não impor nenhum fardo” – é sempre bem vinda. A religião jamais pode ser uma prática imposta, um peso, algo duro de suportar. É contraditório, pois na essência da experiência religiosa está a liberdade e o amor. Uma fé de obrigação, uma infelicidade encoberta pelas roupas da obediência a Deus são testemunhos negativos diante de um mundo que anseia pelo anúncio da Boa Nova, como nos diz Bento XVI: “A falta de alegria, o escrúpulo atormentado, a estreiteza espiritual são responsáveis pela mais forte refutação do cristianismo. O sentimento de que o cristianismo é contrário à alegria e a impressão de tormento e desconforto é, certamente, uma causa muito mais importante da deserção das igrejas do que todos os problemas teóricos que possa, hoje, colocar a fé cristã”.

“Ele vos enviará outro Paráclito”. Paráclito é o defensor, o conselheiro, o consolador. Deus age deste modo tríplice: defende-nos quando corremos perigo, quando não sabemos nos defender sozinhos; aconselha-nos com sua palavra quando não sabemos que caminho tomar, de que modo proceder; consola-nos quando as lágrimas da tristeza correm no nosso rosto – então Ele nos carrega no colo.

Trata-se de “um outro Paráclito”. O primeiro iria deixar os discípulos sozinhos. Não foi fácil saber que Jesus estava prestes a partir, ficaria um vazio, uma saudade... Aquele que ensinava, animava, despertava sonhos, curava, comia com eles não estaria mais perto deles. Mas a perda se transformaria em lucro, pois a nova presença divina inaugurada com sua partida não os deixaria órfãos. A presença não seria mais externa, mas sim interna. O Espírito é Deus em nós, no nosso interior, no nosso coração. O Espírito é uma voz que nos impulsiona a partir de dentro como se houvesse uma só ação, uma só vontade. Um impulso que nos move para frente, que nos faz crescer em vida e santidade. “De alguma maneira perceberemos que a fonte desse impulso vem de um lugar em nós mais profundo do que nós mesmos, mas não veremos a pessoa, o paráclito, que dá origem a esse impulso.” (D. Bernardo Bonowitz). Hoje o Senhor continua agindo dentro de nós, movendo-nos para o bem.

Sua presença elimina todo medo, toda tristeza, destrói o desconforto: “Não se perturbe o vosso coração!” A certeza de que o futuro está nas mãos de Deus e de que este mundo passa assegura a paz. Portanto a paz está pautada na esperança, na certeza antecipada da vitória de Deus sobre todo mal e sobre toda dor.

“Deixo-vos a minha paz”. Não a paz que o mundo promete a partir de falsas seguranças de prazer e de riquezas. A paz do Senhor é o shalom – a plenitude de vida que só pode vir se o Senhor partir e concretizar o seu plano de amor. Não significa ausência de problemas, pois as lutas da vida continuam. O shalom, a verdadeira paz, é um dom de Deus, mas precisa da colaboração humana. Diante das guerras, da fome, da depressão, da morte, da exploração, da impunidade, devemos lutar para que o Reino aconteça. O cristão acolhe o dom da paz que é a certeza da vitória do amor, mas também luta para que a paz do Reino se instaure. Tudo isso com a graça do Paráclito que mora em nós.

Pe Roberto Nentwig

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Construir a paz




Celebramos o Dia Mundial do Trabalho, homenageando São José Operário, lembrando que todo trabalho é digno, e todas as pessoas têm direito a trabalhar. Ele é fonte de sustento para a vida e faz com que o trabalhador se torne mais humano e realizado como pessoa. Podemos dizer que o trabalho, trazendo condição de vida, constrói a paz.
Jesus cita uma frase muito importante e motivadora de paz: “Dou-vos a paz, a minha paz vos dou” (Jo 14, 27). Paz que é fruto da boa convivência, de não colocar fardos pesados sobre os outros, de viver a nova lei do amor, ensinada pelo Senhor. A paz é fruto também da capacidade de superação das diferenças no seio de uma comunidade.
Estamos ainda em tempo de Páscoa, do projeto de “um novo céu e de uma nova terra”, na construção de um mundo diferente, mas também conscientes de que isto é possível. Não podemos ser intimidados pela constante onda do mal, da destruição e do desrespeito à vida, impedindo a concretização da paz. Muita gente vive em constante guerra interior.
A Páscoa, o trabalho e a paz devem solidificar a esperança do povo. Sem isto, o futuro fica obscuro e desmotiva a luta por uma vida feliz. A sociedade tem a necessidade de se nutrir de potencialidades com princípios de humanidade, tendo como meta a vitória da vida, ou a realização plena da paz interior e comunitária.
No mundo de violência generalizada na sociedade brasileira, também de uma mídia propagadora e motivadora disto, reina um clima de desvalorização da pessoa humana e de insegurança de todos. Podemos quase dizer que não estamos num país de paz. Alguma coisa precisa ser feita para reverter esta situação preocupante.
Apesar de todo desenvolvimento tecnológico nos diversos campos da atualidade, parece que o principal e mais urgente, que é o valor da pessoa humana, não progrediu. Não há verdadeira preocupação com a paz, porque ela não está sendo verdadeiramente construída por quem tem nas mãos o poder de fazê-lo.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.
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