sexta-feira, 26 de abril de 2013

Homilia do 5º. Domingo do Tempo Pascal – Ano C

“Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34). Jesus nos revela o mandamento novo: a referência do amor é o Cristo, revelador do amor do Pai. A máxima que ordena o amor ao próximo (“amar o próximo como a ti mesmo”) é do Antigo Testamento. A lei de Jesus é amar como Ele amou.
O amor de Jesus é gratuidade. O amor depende de um desprendimento, de um sair de si mesmo, de uma entrega. Jesus se ofereceu por nós, sem olhar nossos merecimentos, sem buscar a própria realização, mas o bem de todos, de todos nós que somos tocados por seu amor. Este é o amor, chamado pelo evangelho de ágape não suprime a dimensão do eros, ou seja, sua dimensão corpórea, material, afetiva. Na verdade todo eros é positivo, desde que seja integrado ao ágape. O Cristianismo não sufoca o eros. Jesus mesmo nos mostrou isso com um amor real, um amor concreto. O amor de Jesus o fazia abraçar, beijar, acolher, enxugar lágrimas...
Se os israelitas esperavam a glória de Deus manifestada em fenômenos extraordinários, fenômenos da natureza que causam medo, espanto e até medo, Jesus vem manifestar a glória em si mesmo: “Agora foi glorificado o filho do homem”. Uma pessoa concreta, Jesus de Nazaré, manifesta a glória do Pai, gradativamente, até dar a própria vida. Nós amamos quando manifestamos o amor nos momentos concretos da vida. Existe amor na doação de uma mãe, no serviço de um líder de pastoral, no consolo dispensado por aquele que é tocado pela compaixão diante do sofrimento alheio, nos casais que se doam mutuamente, no perdão. Nós seremos reconhecidos como discípulos de Jesus pelo amor.
Amar é uma porta aberta ao sofrimento. Amar implica em estar aberto até às ingratidões, porque se ama pessoas concretas. Amar implica em perseverança diante das durezas da vida, dos desafios, dos fracassos. Aqui fazemos eco à exortação de Paulo e Barnabé à comunidade: “É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” (At 14,22). Jesus, ao morrer, não foi masoquista, mas fez de sua cruz uma oferta de amor.
O sofrimento, porém, não é sem sentido, desde que ele seja um caminho para construir a Nova Jerusalém. Cada lágrima, cada cruz, cada dor e a própria morte ganham sentido quando miramos a eternidade – “o novo Céu a nova terra”.
“Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes” (Ap 21,4). O Senhor não apenas dá sentido a dor que é fruto da entrega, mas acolhe todo sofrimento humano, seja qual for. Mesmo as tristezas mais incompreensíveis como a morte de uma pessoa jovem, um câncer repentino... Ele seca as lágrimas e nos consola com a esperança de um mundo onde a tristeza já não há.
Que as lágrimas de amor se transformem na alegria da abundância que nos espera, no mundo novo que começa já, aqui e agora – o Reino dado por aquele que venceu a morte e ressuscitou dos mortos.
Pe. Roberto Nentwig

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