terça-feira, 5 de março de 2013

A reconciliação


Nem sempre a visão que temos das coisas corresponde à realidade de sua existência. Às vezes, o que fica é a primeira impressão. Assim nossa visão fica errada das coisas. Podemos até dizer que tipo de visão nós temos de Deus, como é o meu Deus e o seu Deus. Isto deve ser trabalhado dentro de nós.
A reconciliação é um processo de mudança, quem sabe até uma volta às origens! No âmbito da fé e do contexto da quaresma, é retorno ao caminho de perfeição, aos princípios do Evangelho. Perdemos o rumo e ele deve ser reencontrado. Foi o que aconteceu com o filho pródigo que, após um processo de mudança de vida, volta para a casa do pai.
Não podemos viver perdidos na vida, sem rumo certo e sem esperança. Mesmo nas dificuldades e submundo da cultura, a vida não perde sua dignidade. O importante é não entregar-se à própria vulnerabilidade, mas descobrir a estrada que conduz ao bem. Ser capaz de ultrapassar barreiras e estruturas difíceis e exigentes.
É visível na pessoa humana o desejo profundo de acolhida e de ser reconhecida e tratada como gente. Torna-se muito relevante o pai que acolhe o filho e o ajuda no crescimento de sua autoestima, no dar valor à vida sem nenhuma reserva. Para isto é preciso superar todo tipo de ressentimento sobre as fraquezas que o filho tem.
Os erros são quebra de aliança, que podem interromper uma convivência sadia e fraterna. A reconciliação é retorno à fraternidade, essencial para a pessoa ser feliz. É este o grande ideal da quaresma, tendo em vista a realização da Páscoa, do encontro com uma Pessoa, com Jesus Cristo ressuscitado e presente em nós.
Todo cristão deve ser “provocador” de reconciliação. A inimizade faz mal, adoece a pessoa e a desestrutura em sua identidade. A nossa perspectiva deve ser a mesma de Jesus. Isto nos faz novas criaturas, renascidos com atitudes novas e de espírito novo. Quem experimenta a reconciliação com Deus, quer reconciliar-se com o irmão.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

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