quarta-feira, 27 de março de 2013

Os sinais da Páscoa


Páscoa significa passagem, ou agradecimento por um caminho de libertação percorrido. Já no Antigo Testamento isto estava muito presente na vida do Povo de Deus. A Páscoa era sinalizada por diversas passagens: da Caldeia para Canaã, daí para o Egito e, do Egito, para a Terra Prometida, atravessando o Mar Vermelho e o Deserto. Todas foram marcas de libertação.
Hoje, o grande sinal da Páscoa é a ressurreição de Jesus Cristo, o milagre da vida, realizando a grande aliança de Deus com seu povo, sinalizando a passagem do Antigo para o Novo Testamento. Após a morte de Cristo e seu sepultamento, os discípulos encontraram o sepulcro vazio, sinal “ainda duvidoso” de ressurreição, que foi confirmado mais tarde com as aparições, tornando fonte de fé para os cristãos.
Para entender os sinais do mistério da ressurreição é preciso acompanhar os primeiros tempos da Igreja. É fundamental compreender a Sagrada Escritura para entender o fato da morte gerar vida. Não é necessário ver para crer, mas o amor conduz o discípulo a ter fé no Cristo ressuscitado.
As cenas da Semana Santa continuam acontecendo ainda hoje. Elas reavivam em nós o caminho da Paixão de Cristo e nos lembram dos sofrimentos de tantas pessoas nas diversas faixas etárias e situações do momento. Além da pobreza vivida por muitos, temos as doenças, a violência no trânsito, nas afrontas à vida etc.
Os sinais da ressurreição estão presentes na sociedade hodierna. Eles podem ser vistos naqueles que conseguem vencer na vida, saindo de uma situação de sofrimento para uma vida mais saudável. Isto acontece tanto na condição física como também na via espiritual, no caminho de encontro com Jesus Cristo e na convivência  comunitária.
Quem faz a experiência da ressurreição, na prática da vida cristã, deve ter uma nova conduta de vida e passar a olhar e cuidar também das coisas do alto, sobrenaturais e dimensões divinas. Digo isto porque nossa vida é regida pela vitória de Cristo na cruz. Desejo uma Feliz Páscoa para todos os leitores.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

Homilia do Domingo de Páscoa A Ressurreição nos põe em movimento


Tudo é silêncio, escuridão, tristeza, medo, saudade. Imagino os olhos de tristeza da Madalena, sua saudade... Quem já sentiu sabe o que estou falando. Maria Madalena vai passear, vai ao sepulcro para ungir o corpo do Mestre. Ela testemunha o silêncio da manhã. O Evangelho do domingo de Páscoa nos traz a imobilidade, a quietude.

De repente, tudo muda... Acontece um susto: a pedra foi retirada do sepulcro! Então, começa o movimento... Maria sai correndo para anunciar: “Tiraram a pedra do sepulcro!” Pedro sai correndo para ver, o discípulo amado também, porém é mais rápido.

De algum modo, a Páscoa nos põe a correr. Deve, no entanto, ser uma corrida com destino, uma correria para alcançar as coisas do alto, uma corrida para alcançar o prêmio eterno. Não podemos permitir que seja uma correria sem razão, sem rumo, um correr por correr.

Pedro correu, mas de que adiantou? Correu, satisfez a sua curiosidade, mas não acreditou, ao que parece. A discípula amada correu por amor, ela quer encontrar o mestre, ela quer dar carinho, ela se preocupa com sua ausência, ela ama! O discípulo amado, ao correr, foi tocado e acreditou. Assim devemos ser nós: Hoje vamos sair correndo para o amor, correndo para a felicidade, correndo abastecidos com a graça que vem da ressurreição.

Na Páscoa não há só movimento, mas vida. O cenário muda. Com Cristo renasce a esperança, a alegria, a vida nova. Não há mais tristeza, desespero, medo... Deus quer mudar tudo isto na sua vida, Deus quer retirar o que oprime, o que destrói, quer te dar a vida nova.

Seguindo o exemplo de Maria Madalena, devemos ser anunciadores. Precisamos anunciar mais do que preceitos, mais do que regras que oprimem, mais do que doutrinas complicadas, mais do que algo pesado, mais do que condenações. Anunciadores da vitória de Deus. Pedro e os apóstolos anunciaram o querigma: Jesus de Nazaré, ungido pelo Espírito, andou fazendo o bem, curando a todos. Ele morreu e ressuscitou! Manifestou-se a nós, para que testemunhemos isso.

Somos anunciadores pela nossa vida. Quando morremos paras as coisas de baixo e buscamos as coisas do alto. Então o nosso testemunho trará a conversão de outros, não pela imposição, mas pela simplicidade e humildade de nossas atitudes, pela alegria de viver, pelo amor que dedicamos aos outros, pelo serviço, pela serenidade, pela preocupação com o ser humano. Carregamos as marcas do crucificado, mas a vida do Ressuscitado.

“Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória.” (Cl 3,4). Nossa esperança não é só para esta vida. Sonhamos com a nossa ressurreição, com a vida plena. Devemos desejar o Céu, desejar habitar na presença de Deus. Foi para isto que Ele, o Cristo, veio ao mundo: para que vivamos com ele na glória, na vida plena.

Jesus ressuscitou! Está vivo! Aleluia!

Pe. Roberto Nentwig

terça-feira, 26 de março de 2013

HOMILIAS DO TRÍDUO PASCAL


VIGÍLIA PASCAL

O Evangelho desta noite narra a ida das mulheres ao túmulo. No início elas se espantam com a pedra removida, depois se alegram com a notícia do anjo: “Ressuscitou!” Nós devemos transformar nossas inseguranças, as tristezas e medos na alegria da vida nova da ressurreição.
As mulheres se tornaram anunciadoras da grande alegria. Porém, encontraram corações endurecidos, que racionalizaram demais. Pedro teve atitude, levantou-se e foi até o sepulcro, mas voltou apenas admirado. Hoje podemos apenas sair da Igreja apenas admirados com o rito, e não crentes no ressuscitado. A ressurreição é um convite à fé, e esta é uma resposta de cada pessoa.
Pelo Batismo nós participamos da Páscoa do Cristo. Ao reviver o nosso Batismo, façamos a experiência da passagem: das trevas para a luz, da fome para a abundância do alimento, da morte para a vida. A Páscoa deve afetar a nossa existência em seu âmago.

Pe. Roberto Nentwig

HOMILIAS DO TRÍDUO PASCAL


PAIXÃO DO SENHOR

A vida de Jesus é um total esvaziamento de si mesmo. É uma entrega gradativa, ou seja, Ele vai doando-se cada vez mais. Na medida em que se oferece e assume com firmeza as consequências de sua missão, vai ficando sozinho. Primeiramente, é abandonado pela multidão, depois pelos discípulos, depois parece estar sem o Pai. Ele fica só, diante do mistério de sua existência.

“Pai, em tuas mãos eu entrego o meu Espírito”. Quando repetimos este refrão na salmodia, assumimos a mesma condição de Jesus. Ele foi filho, revelou-se um Filho amado do Pai. Sua vida foi um cumprimento da vontade do Pai: “Não vou beber o cálice que o Pai me deu?” De fato, Pedro não queria, não entendia sua escolha. Não desejava o Messias das dores. Ninguém entendeu que sua fidelidade ao Pai não o permitia voltar atrás, não permitia que ele renunciasse toda a verdade anunciada, todo o projeto assumido. Jesus não era masoquista, apenas aceitou a vontade do Pai: “Faça-se a tua vontade!” Não aceitou morrer por morrer, mas aceitou não fugir diante de suas opções: amar a todos, oferecer-se por todos, proclamar a verdade sem medo das consequências.

A morte é a chave de interpretação da vida de Jesus. Ele descobriu em sua relação com o Pai que a vida só tem sentido quando doada. Quem dera que todos nós compreendêssemos que este é o sentido da vida humana. Que fizéssemos de nossa vida uma entrega ao Pai, uma opção pelo Reino de Deus com todas as suas consequências. Mas o homem velho ainda está em nós, apontando-nos para o egoísmo, para o poder, para o prazer, para as recompensas deste mundo, para salvar a própria pele.

“Tenho sede!” Há um sentido espiritual em sua sede. Não se trata apenas de uma sede física, mas de uma sede espiritual. Ele tem sede de que todos nós compreendamos e nos abramos ao seu amor. Mas, como Deus respeitou a escolha de seus algozes, continua respeitando nossas escolhas.

Diante da cruz, houve muitas atitudes... Os sacerdotes e mestres da lei o condenaram, o povo foi omisso, as mulheres choraram, os discípulos fugiram com medo, Pilatos lavou as mãos, Dimas pediu perdão, o outro ladrão zombou, o soldado jogou uma lança, Pedro o negou, Judas o traiu... Hoje é a nossa vez de escolher uma atitude. Ele tem sede de amor.

Pe. Roberto Nentwig

segunda-feira, 25 de março de 2013

HOMILIAS DO TRÍDUO PASCAL


MISSA DA CEIA DO SENHOR

Antes de realizar sua Páscoa, Jesus deu o sentido do que iria acontecer. Mais do que isso, Jesus deixou o memorial da salvação que trazia a toda a humanidade.
Jesus nos deu uma ordem: “Fazei isto em memória de mim”. Obedecendo ao mandato de Jesus, a Igreja torna perpétua a presença da vida de Cristo entregue ao mundo quando celebra a Santa Missa. Apesar das mudanças na forma da Missa ao longo dos séculos e dos diversos ritos litúrgicos, desde as origens, a Igreja continua repetindo o gesto de Jesus mantendo a sua essência. Dizemos que a Eucaristia é um memorial. Este termo nos traz à mente as palavras memória e recordação. Contudo, o termo memorial não significa uma mera lembrança do passado. A missa não é um teatro, pois o sacrifício que Cristo ofereceu na cruz torna-se sempre atual: todas as vezes que se celebra no altar o sacrifício da cruz, acontece novamente a nossa redenção. Em cada missa, Cristo está novamente presente: o Senhor que se oferece e o Senhor ressuscitado que nos anima.
Enquanto São Paulo e os evangelhos sinóticos nos trazem a ceia, João prefere relatar outro aspecto desta noite: o lava pés. Jesus veio para servir, dando a sua vida pela humanidade. A humildade do serviço nos remete a uma fraternidade universal e fundamenta o amor, e o amor é a base da comunhão. Se não há comunhão fraterna, a Eucaristia não pode ser celebrada, pois se comunga a própria condenação (1Cor 11,29). Como nos diz o mesmo São Paulo: “O cálice da bênção que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? Um é o pão e um é o corpo que formamos apesar de muitos; pois todos nós partilhamos do mesmo pão” (1 Cor 10, 16-17).
Jesus fez o que faz um servo, lavou os pés. A comunidade de Jesus é uma sociedade de irmãos que vive a experiência do amor, do serviço e da missão. Nela não há senhores e servos, não há classes, não há o predomínio do poder. Ninguém pode se utilizar de seus cargos, títulos ou papéis sociais para sobrepujar os outros, para ter privilégios. Na comunidade de discípulos de Jesus há irmãos que se colocam a serviço do Reino.
Neste ano, lavemos os pés dos jovens, como sinal de nosso compromisso com eles, pois eles precisam de nosso amor e abertura. Lavemos os pés dos jovens como sinal de que eles são apóstolos do mundo e da Igreja. Lavemos os pés dos jovens como sinal de penitência, por todas as vezes que lhes negamos espaço na comunidade eclesial, pelas vezes que não entendemos o seu fervor, pelas vezes que não investimos neles e não acreditamos numa Igreja jovem.

Pe Roberto Nentwig

sexta-feira, 22 de março de 2013

Grebicat realiza reunião em São Paulo


O Grupo de Reflexão Bíblico-Catequética da CNBB (GREBICAT) realiza um encontro entre nos dias 22 e 23 de março de 2013, na Casa de Encontros La Salle, em São Paulo (SP).
Esta é a primeira que o grupo se reúne neste ano. Dentre os temas abordados estão a apresentação e discussão do livro "Palavra de Deus, Fonte da Catequese", da Coleção “Catequese à luz do Diretório Nacional de Catequese"; os 30 anos do Documento da Catequese Renovada, reflexão coordenada pelo padre Lima e a elaboração de Itinerários para a Iniciação à Vida Cristã.
De acordo com assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética, padre Décio José Walker, “a presença de cada um dos participantes traz consigo a riqueza de múltiplas experiências de iniciação à Vida Cristã espalhadas por todo o Brasil e que iluminam o caminho a ser trilhado por nossas comunidades rumo a uma Igreja toda missionária e ministerial”. O assessor destacou ainda o clima de acolhida e fraternidade reinante no encontro onde, segundo ele, “a Palavra de Deus é fonte de vida e esperança para todos”.

VÍGILIA PASCAL COMO PONTO DE REFERÊNCIA PARA NOSSO PROCESSO CATEQUÉTICO


Queridos(as) catequistas:

Estamos diante de diversos desafios para a uma catequese realmente eficaz (iniciática) e ao mesmo tempo num momento de fecunda produção de caminhos refletidos para um processo evangelizador que, conforme o Documento de Aparecida, faça nascer o discípulo e missionário, alguém iniciado na fé, que celebra com convicção o mistério da salvação dado em Jesus.

As propostas são diversas, os caminhos emergem das diversas realidades e seus apelos, no entanto, nenhuma proposta pode deixar de apontar a relação profunda entre a Catequese e a Liturgia: uma para educar na fé a outra para celebrar a fé; a catequese cultivando o saber e a liturgia vivenciando o sabor, sobretudo da experiência do mistério pascal de Jesus Cristo, celebrado aos domingos e por excelência na Vigília Pascal, que no processo iniciático é ponto de chegada e modelo inspirador para toda a ação catequética.

A estreita relação entre Catequese e Liturgia está na revelação da plenitude da ação do Cristo ressuscitado, presente na educação para fé e no “hoje” litúrgico, ambas visando à transformação dos homens, que não acontece por meio de uma ação mágica, mas de uma pedagogia em que a graça deve vir ao encontro da realidade concreta e objetiva do ser humano, e de uma mistagogia, que aponta para o mistério celebrado, que o transforma a realidade em nova.

A catequese é compreendida como conjunto de esforços empreendidos na igreja para formação do discípulo, para ajudar os homens e mulheres amadurecerem na fé e conduzi-los a uma atitude de seguimento autêntico, de comunhão e serviço. Para isso, conforme o DNC 49, a Vigília Pascal, que é centro da liturgia cristã, e a espiritualidade batismal são inspiração para qualquer itinerário catequético.

Na Vigília, contemplamos a ressurreição, a glorificação do Filho no Pai pelo Espírito, celebramos a libertação das trevas e da escravidão, somos configurados na luz e na liberdade. A Vigília Pascal é a festa da luz, em que saímos da escuridão e vemos a aurora da vida no “novo dia”. 


É também a festa batismal, que nos incorpora no Corpo de Cristo, nos faz participantes do mistério pascal, nos faz ressurgir para a vida renovada. A Vigília Pascal é ainda a festa da recordação da vida e das ações divinas em favor da humanidade, bem expressa na liturgia da Palavra e também festa da Eucaristia, ação de graças ao Pai que ressuscitou Jesus e nos fez participantes da vitória sobre a morte, convidando-nos a comer do pão da vida e beber do vinho da festa do reino.


A vigília pascal é ponto de referência para o processo catequético porque nela celebramos todo o mistério e fundamento da fé, motivo de esperança e transformação da realidade. Ao celebrarmos tal momento, compreendemos na ritualidade, na simbologia e na sacramentalidade, a passagem para uma vida nova, o compromisso em ser fermento na massa, a incorporação em uma comunidade, a revelação divina que quer vida em abundância a todos; experimentamos a prefiguração do Reino na dinâmica fecunda do “fazer memória”, antecipando as “faíscas” da comunhão perene com o Deus amor.

A vigília pascal é ponto de chegada da ação catequética porque nela vivenciamos o acontecimento fundamental do cristianismo, o mistério autêntico da pessoa de Jesus, o testemunho das primeiras testemunhas, a força da renovação dos compromissos de seguimento e missionariedade, a transformação da mentalidade de forma radical e permanente. É o encontro com o Senhor que aquece os corações, como dos discípulos de Emaús, que comunica a boa-notícia a humanidade, que promete assistência frequente e que inaugura o tempo novo, o mundo novo de Deus.

A catequese diante de tão rica e delicada vigília da ressurreição, prepara para o celebrar assimilando propostas metodológicas da própria vigília, que culminam numa adesão mais consciente à fé. Na catequese, sugere-se a experiência frequente da teologia iluminação, que dissipa as trevas e inaugura a esperança da realidade nova; é fundamental a centralidade da Palavra de Deus, que favorece a compreensão da experiência de fé do povo; sugere-se a experiência com a água como fonte de vida, o nascimento para fé,  a liberdade, sempre destacando a teologia do batismo como fonte da vocação cristã e caminho para o discipulado.

Que a Vigília Pascal possa inspirar-nos pedagogicamente, que seu conteúdo possa ajudar-nos a educar na fé e sua celebração possa transformar-nos em mistagogos, que desbloqueiem o mistério e favoreça o encontro dos catequizandos com Jesus e o Reino de justiça e paz.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Homilia do Domingo de Ramos O Senhor não fez do ser Deus uma usurpação


O Domingo de Ramos é marcado pela ambiguidade de atitudes e acontecimentos. Jesus é recebido com festa, mas depois é condenado à morte O povo que cantou “hosanas” também gritou “crucifica-o”, o Jesus triunfante na entrada em Jerusalém é aquele que seria humilhado na cruz. Também são contraditórios os personagens: Pilatos que não deseja a condenação, Pedro que se culpa pela sua covardia, Judas que trai o seu Mestre, o povo em geral...

Somos também contraditórios em muitos momentos de nossa vida. A integridade se caracteriza pela unidade de caráter, pela manifestação verdadeira do que realmente somos, a partir de nossos valores, de nossas escolhas mais profundas. Mas a incoerência nos persegue. Também somos Pilatos em nossas omissões, somos Pedro quando não temos coragem de assumir a radicalidade do Evangelho, somos Judas quando não acreditamos que o Senhor cumprirá o seu desígnio de amor. Somos aquela multidão que se une no momento de êxtase ao messias, mas o recusa diante da cruz.
Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de um escravo...” (2ª. Leitura). Este texto de São Paulo é muito profundo, pois manifesta a radicalidade da encarnação. Deus não usurpou de sua divindade, mas assumiu a dor humana mais profunda.  Também se sentia tentado a escolher o triunfalismo, mas não assumiu esta atitude. Jesus não escolheu o poder, não escolheu a fama, nem o elogio. Se a exaltação do povo foi o caminho para a humilhação de Jesus, o esvaziamento humilde do Senhor foi o caminho para a sua exaltação: “Por isso, Deus o exaltou sobremaneira...”.

As escolhas de Jesus nos levam a refletir sobre nossas escolhas. Também podemos escolher estar em evidência. Podemos aplaudir indevidamente ou sermos aplaudidos. Podemos escolher uma atitude religiosa de êxtase, de gratificação fácil. Podemos também projetar nossas esperanças em algum líder revolucionário ou em um pregador. Quantas vezes usurpamos de nossos cargos ou papéis sociais... O crucificado nos convida a uma outra opção: escolher a discrição, o serviço simples sem reconhecimento. As escolhas constituem um paradoxo: o triunfo fácil nos destrói, enquanto o caminho da cruz nos leva a verdadeira vida.

A narrativa da paixão é do Evangelista Lucas. O terceiro evangelho deixa transparecer algo muito precioso no drama da condenação e morte de Jesus: ao morrer, o Senhor nos ensina a perdoar: deixa Judas o beijar, sem retrucar; olha com profundidade para Pedro enquanto o mesmo o nega; perdoa todos os seus assassinos, dizendo ao Pai que eles não sabem o que fazem; acolhe um bandido que na cruz clama por perdão. Se já é sublime ver Jesus curar o coração de Zaqueu, de Simão, da Samaritana, da adúltera arrependida, mais sublime ainda é vê-lo curar um pecador enquanto morre. Mesmo morrendo ainda sobram gotas de misericórdia, palavras cansadas e sofridas de amor. Diante deste amor, só podemos nos reconhecer pequenos.  Quanto o nosso coração ainda precisa se expandir para amar com profundidade...

Pe Roberto Nentwig

Domingo de Ramos


Num clima de alegria e esperança provocado pela ascensão ao pontificado petrino, do papa Francisco, iniciamos mais uma Semana Santa com a entrada triunfal de Jesus na cidade de Jerusalém. Aí começa uma nova fase na história do povo de Israel, quando todos se voltam para a cena da paixão, morte na cruz e ressurreição de Jesus Cristo.
A Semana Santa deve ser um tempo de recolhimento, de interiorização e de abertura do coração e da mente para o Deus da vida. Significa fazer uma parada para reflexão e reconstrução espiritualidade, essencial para o equilíbrio emocional e segurança no caminho natural da história de vida, com mais objetividade e firmeza.
As dificuldades encontradas não são fracassos e nem um caminho sem saída. Elas nos levam a firmar a esperança na luta por uma vida sem obstáculos intransponíveis. Foi o que aconteceu com Cristo no trajeto da paixão, culminando com a morte na cruz. Em todo esse caminho ele passou por diversos atos de humilhação.
A estrada da cruz foi uma perfeita reveladora da identidade de Jesus. Ele teve que enfrentar os atos de infidelidade e de rebeldia do povo que estava sendo infiel ao projeto de Deus, inclusive sendo crucificado entre os malfeitores. Jesus partilha da mesma sorte e dos mesmos sofrimentos dos assassinos e ladrões de sua época.
Na Semana Santa devemos associar ao sofrimento de Cristo o mesmo que acontece com tantas famílias e pessoas violentadas em nossos tempos. Podemos dizer da violência armada, dos trágicos acidentes de trânsito, das doenças que causam morte, do surto da dengue, dos vícios que ceifam muita gente etc. Jesus foi açoitado, esbofeteado, teve a barba arrancada, foi insultado e cuspido.
O detalhe principal é que nenhum sofrimento fez Jesus desistir de sua missão e nem ter atitude de vingança. Ele deixou claro que o perdão é mais forte do que a vingança. Devemos aprender com ele e olhar a vida de forma positiva, sabendo que seu destino é projetado para a eternidade em Deus.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba. 

terça-feira, 19 de março de 2013

Mês da Bíblia 2013

A comissão de Animação Bíblico-Catequética convida a todos(as) catequistas para conhecer e estudar esse texto do Mês da Bíblia. Ele foi elaborado pensando na animação bíblica de toda a vida e a pastoral da Igreja do Brasil. Mas como catequistas estamos sempre em processo de formação e queremos primar pela formação bíblica. Por isso não deixemos passar a oportunidade de aprofundar o Evangelho de Lucas  através desse texto base que traz uma belíssima visão sobre o Evangelho de Lucas e já está  à nossa  disposição. Em breve será lançado também o livrinho para os Encontros Bíblicos que são especificamente para nossa Leitura Orante em torno do mesmo tema. Bom proveito para todos!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Saudação da CNBB ao Papa Francisco


Dom Leonardo Steiner, secretário geral da CNBB, em entrevista coletiva concedida à imprensa, na tarde desta quarta-feira, 13 de março, apresentou a saudação oficial da Conferência ao Papa Francisco.
leiaa saudação na íntegra:
SAUDAÇÃO DA CNBB AO NOVO PAPA
“Bendito o que vem em nome do Senhor!”(Sl 118,26)

Tomada pela alegria e espírito de comunhão com a Igreja presente em todo o mundo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB eleva a Deus sua prece de louvor e gratidão pela eleição do novo Sucessor de Pedro, Sua Santidade Francisco.
O tempo e as circunstâncias que antecederam a eleição de Francisco ajudaram a Igreja a viver intensamente a espiritualidade quaresmal, rumo à vitória de Cristo celebrada na Páscoa que se aproxima. O momento é de agradecer a bondade de Deus pela bênção de um novo Papa que vem para guiar os fieis católicos na santidade, ensiná-los no amor e servi-los na humildade.
A eleição de Francisco revigora a Igreja na sua missão de “fazer discípulos entre todas as nações”, conforme o mandato de Jesus (cf. Mt 28,16). Ao dizer “Sim” a este sublime e exigente serviço, Sua Santidade se coloca como Pedro diante de Cristo, confirmando-Lhe seu amor incondicional para, em resposta, ouvir: “Cuida das minhas ovelhas” (cf. Jo 21,17).
Nascido no Continente da Esperança, Sua Santidade traz para o Ministério Petrino a experiência evangelizadora da Igreja latino-americana e caribenha.
A expectativa com que o mundo acompanhou a escolha do Sucessor de Pedro revela o quanto a Igreja pode colaborar com as Nações na construção da paz, da justiça, da igualdade e da solidariedade.
Ao novo Papa não faltará a assistência e a força do Espírito Santo para cumprir esta missão e aprofundar na Igreja o dom do diálogo, em uma sociedade marcada pela pluralidade e pela diversidade, e o compromisso com a vida de todos, a partir dos mais pobres, como nos ensina Jesus Cristo.
           Ao saudá-lo no amor de Cristo que nos une e na missão da Igreja que nos irmana, asseguramos-lhe a obediência, o respeito e as orações das comunidades da Igreja no Brasil, para que seja frutuoso o seu Ministério Petrino.
Com toda Igreja, confiamos sua vida e seu pontificado à proteção da Virgem Maria, mãe de Deus e mãe da Igreja.
Bem-vindo Francisco! A Igreja no Brasil o abraça com amor!


Dom Belisário José da Silva                         Dom Leonardo Ulrich Steiner
Arcebispo de São Luis                                  Bispo Auxiliar de Brasília
Vice Presidente da CNBB                            Secretário Geral da CNBB

Fonte: CNBB

Homilia do 5º. Domingo da Quaresma – C


Jesus tem uma atitude singular. Embora fosse um judeu pleno, tinha muitas atitudes que se distanciavam dos costumes e leis judaicas. Impressiona sua atitude em relação aos pecadores, aos considerados impuros pelos chefes judeus. Jesus não teme ser visto com pessoas de má fama, come com os cobradores de impostos, é capaz de oferecer água viva a uma mulher samaritana, vai até a casa de Zaqueu... O Evangelho deste domingo nos coloca Jesus diante dos acusadores de uma mulher adúltera que mereceria o castigo, de acordo com a lei. O Senhor mais uma vez é desconcertante.

As pedras nas mãos dos fariseus representam a nossa agressividade, nosso desejo de vingança, nossa ânsia pelo protesto, pela crítica, pela atitude condenatória. Tal gesto muitas vezes vem revestido de legalidade, quando quem pratica se considera puro, santo, imaculado, cumpridor da lei, religiosamente perfeito... O ato de julgar e de condenar revela a atitude de quem se vê irrepreensível, mas na verdade se trata de uma projeção. Quem condena não consegue ver o seu próprio pecado, e sem conseguir trabalhar com as próprias falhas, projeta seus próprios erros nos outros. Aquelas pedras representam o apego à lei, ao desejo de alcançar a salvação e de se sentir sem débitos com Deus pela observância dos preceitos, sem ver a amplitude da misericórdia do Pai de Jesus Cristo, que dá a quem não merece porque ama gratuitamente.

Jesus não se apressa em responder, escrevendo no chão enquanto os algozes da pecadora exigem dele uma resposta (não sabemos o que ele escreveu). Jesus dá a resposta desconcertante que cala a turba: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra”. Quem de nós não tem pecado? Onde está o justo, o santo, o puro? Jesus nos mostra o remédio contra o julgamento: reconhecer-se pecador e necessitado do perdão. Para a mulher em farrapos restam as palavras ternas: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. Não importa o tamanho do crime, do pecado. Que ninguém classifique ou coloque rótulos nos pecadores; o adultério não era pior do que a hipocrisia farisaica. Aliás, as prostitutas precederão os entendidos na lei no Reino dos Céus, afirmaria Jesus em outra passagem. Para aquela pobre mulher restam os gestos carinhosos de um homem que consegue ver bem mais além do que os seus defeitos. Ele enxerga a sua humanidade, vê a sua miséria, mas ao mesmo tempo seu potencial. Para ela não é o fim, pois para Deus sempre haverá uma nova chance, uma nova oportunidade.

“Não deveis ficar lembrando as coisas de outrora, nem é preciso ter saudades das coisas do passado”, diz-nos o profeta Isaías. Paulo também exorta sobre o olhar para frente: “Uma coisa, porém, faço: esquecendo o que fica para trás, lanço-me para o que está à frente”. Jesus deseja que a mulher siga o seu curso: “Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. Hoje somos convidados a olhar para frente, esquecendo-se dos rancores do passado, dos pecados, das tristezas que imobilizam a vida, dos traumas, daquilo que no presente é causa de queda, de fracasso, de frustração. Deus nos faz olhar para o futuro. Sempre há um caminho longo pela frente, sempre podemos mudar o curso da nossa vida, de nossa história, basta que haja um desejo profundo de mudança no interior de nosso coração.

Em nossos grupos da Igreja, constatamos rixas, brigas pelo poder, ciúme... Ainda o julgamento nos destrói, muitas vezes fruto da inveja de quem ainda não se ama o suficiente e não pode ver o sucesso alheio. Ainda em nome da Lei de Deus excomungamos muitos de nossas Igrejas. Ainda a misericórdia custa em tocar os corações. A Quaresma é um momento para criarmos um coração livre daquilo que nos destrói – a agressividade do julgamento e o rancor. E se fizermos parte do rol agraciado das prostitutas, ou seja, daqueles que necessitam da misericórdia por não pertencermos ao grupo oficial dos imaculados, resta-nos a bem-aventurança da ternura do Cristo em sua voz firme e suave que afirma para seguirmos em frente, pois o que importa é o nosso futuro e a grandeza da misericórdia de Deus.

Pe. Roberto Nentwig




O perfil do cristão



A identidade do cristão deve estar em consonância com a vontade de Deus. Mas qual é esta vontade? Dentro da visão bíblica, ela está solidificada na palavra “justiça”. Ali o justo é descrito como aquele que faz a vontade de Deus. Isto acontece no relacionamento com os outros, no respeito aos direitos e deveres das pessoas com quem convive.

Fazer justiça numa cultura individualista e marcada pela desleal competitividade é um grande desafio. Todas as pessoas são envolvidas e colocadas à prova, a atitudes que exigem determinação e critério evangélicos. Não é fácil ser coerente, autêntico e justo. Supõe formação porque a tendência à maldade está presente em todo ser humano.

Não estamos num mundo de condenações. É possível superar as injustiças passando por um caminho de conversão, experimentando também a via da misericórdia. Deus é misericordioso, capaz de perdoar a quem reconhece e muda de prática em suas injustiças. O perdão é sabedoria e bondade divina. Isto ocasiona vida e paz para as pessoas.

Ser cristão é desfrutar de um dom concedido por Deus, é um patrimônio disponibilizado para todos, mas vivenciado por uma minoria. Sua base está na audição da Palavra de Deus, que orienta, mostra o caminho da justiça, da misericórdia, do perdão e de renúncia aos mecanismos do mal.

A vida do cristão é ajustada com a vida de Cristo, no seguimento da vontade de Deus. É isto que registra seu perfil, isto é, sua opção e prática da verdade, da justiça e da misericórdia. É o que Deus espera do ser humano, uma resposta às propostas de salvação, que passa pela quaresma, chegando à plenitude na Páscoa.

Falar em ser cristão hoje parece ressoar mal em nossos ouvidos. Isto não é mais levado em conta e até interpretado como “fora de contexto”, de estar na contramão da história. Será mesmo assim ou caímos num profundo distanciamento das práticas que nos identificam com Deus! Dá impressão de que o mundo vai perdendo, cada dia mais, sua qualidade de vida.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Fazei ECOAR, também os gritos...


O OTIMISTA VÊ OPORTUNIDADE EM CADA DIFICULDADE!

Quando fui convidada para contribuir com o blog Catequese e Bíblia, me foi pedido que partilhasse minhas/nossas experiências catequéticas, tendo em vista a Iniciação à vida Cristã. Muitas dessas experiências são colocadas em meu blog pessoal e através desse trabalho, acabo recebendo recadinhos de catequistas de todo Brasil, partilhando suas conquistas, anseios, angustias, dificuldades na catequese. Alguns chegam aos meus ouvidos como um pedido de socorro. 

Gostaria de partilhar por aqui alguns desses gritos, para que isso possa fortalecer a ideia de que realmente a maneira de formar cristãos, precisa urgentemente de uma renovação, conforme a Igreja vem nos propondo. Vejamos:

"Estou ajudando na coordenação da catequese de minha cidade e sinceramente, cogitei o uso do cartão de missa, pois por mais que os catequistas falem da importância da missa, cobrem a presença, a maioria ainda não freqüenta como deveria. Reunião de pais é um fracasso, uma meia dúzia aparece. No dia da 1ª comunhão, ano passado, muitas crianças foram sozinhas, ou com irmãos, mas a presença dos pais neste dia tão especial, lamentavelmente, foi péssima. O padre sempre fala nas missas da participação dos pais, mas ainda não fluiu muito. Então no momento não sei o que fazer...” 

Já nos dizia Winston Churchill, O pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade. 

A questão da falta de envolvimento da família no processo catequético do filho, falta de comprometimento por parte daqueles que se dizem católicos, sequer com a missa dominical, nesse caso, a ausência na Primeira Eucaristia dos filhos, a falta de um processo continuado na educação da fé, tendo em vista a Iniciação Cristã, são fatos. Sendo assim, bispos, padres, catequistas otimistas, devem encarar tudo isso, como oportunidades para a tão desejada mudança. 


O que fazer? De posse da realidade, deve-se estudar as propostas, as pistas de ação que a Igreja, os documentos, os estudos tem passado, elaborar um projeto, um plano de ação para a catequese, provocar uma mudança de mentalidade do que realmente consiste a catequese, qual sua meta e depois, o mais difícil, vestir a camisa, arregaçar as mangas e partir para a ação. Não existe caminho pronto, porém, todo caminho se faz dando um passo de cada vez. 

O que não podemos é viver de saudosismo, pois os tempos são outros, nem melhores, nem piores, OUTROS. Também nós catequistas e porque não o clero, crescemos, amadurecemos na fé e percebemos que precisamos e devemos fazer mais, traçar novos rumos, pois a necessidade de se evangelizar também as famílias se torna palpável, gritante, como nos foi relatado: 

No dia da 1ª comunhão, ano passado, muitas crianças foram sozinhas, ou com irmãos, mas a presença dos pais neste dia tão especial, lamentavelmente, foi péssima.” Realmente, isso não é só lamentável, mas, inaceitável. Aqui, não ouço apenas o grito de uma catequista, mas ouço um pedido de socorro por parte da família, como que dizendo: “ NÃO ENCONTRO SEQUER MOTIVOS PARA PARTICIPAR DA PRIMEIRA EUCARISTIA DO MEU FILHO(A)” 
Sejamos otimistas, façamos das dificuldades, oportunidades... As dificuldades estão aí, e as oportunidades também! 

Lamentar-se, escabelar-se, no caso desse relato, os sermões do padre na hora da homilia, e muito menos o cartão de presença nas missas, não basta. O que é preciso,  é dar motivos, propor, oferecer, formar, enfim, não se conformar,  tomar ATITUDE. 

“É somente numa profunda comunhão com ELE que os catequistas encontrarão luz e força para uma desejável renovação autêntica da catequese (CT)” 

Lembrando que esse desejo de renovação, não é só do catequista, mas deve ser de todos nós, que formamos a Igreja de Cristo, cada um com sua responsabilidade, fazendo sua parte, conseguiremos num futuro próximo, não deparar com pais que não encontram motivos para participarem nem da Primeira Eucaristia do filho... A realidade é gritante, ouçamos... 

AVANTE!!!

Imaculada Cintra

sexta-feira, 8 de março de 2013

Parabéns Mulheres Catequistas!



"Dizem que a mulher é sexo frágil, mas que mentira absurda..."

Concordo Erasmo,  quem faz parte da rotina de uma mulher, sabe bem que não somos tão  fragéis assim, ao contrário, somos fortes, corajosas, determinadas, ousadas, alegres, flexíveis, profissionais, batalhadoras, delicadas, enguiçadas, tagarelas, necessárias...
Nesse dia da mulher, peço as bençãos de Deus, a proteção de MARIA, aquela que é para nós exemplo de Mulher, para que possamos seguir seus passos sempre!
Hoje de maneira  especial, quero parabenizar as mulheres catequistas. Mulheres de fé, que Levam nossa catequese no peito( não menosprezando a presença de nossos queridos e poucos catequistas homens),  meio a tanto afazeres, ainda encontram tempo para educar na fé,  filhos dos outros, amando, orientando como se fossem seus. Força pra você mulher catequista, que consegue conciliar, casa, marido, filhos, profissão, dedicando o pouco tempo que lhe sobra na evangelização. Que Jesus, aquele que melhor compreendeu as mulheres, levando-as a sério, considerando-as pessoas com quem poderia conversar e capazes de compreender suas revelações  sobre Deus, nos façam perseverantes em nosso SIM. 
Que Ele continue nos corrigindo em nossos erros, ensinando, instruindo, amando, valorizando, confiando e nos capacitando nessa missão tão instigante que é ser CATEQUISTA.

Parabéns Catequistas, mulheres guerreiras, incansáveis!
Imaculada Cintra, feliz por ser mulher, radiante por ser catequista!

quinta-feira, 7 de março de 2013

Homilia do 4º. Domingo da Quaresma – C O Pai misericordioso


A famosa parábola do filho pródigo é sempre atual e comovente. No tempo da Quaresma, somos convidados a participar do ministério da reconciliação: “Deixai-vos reconciliar com Deus”.
O verdadeiro nome da história contada por Jesus deveria ser Parábola do Pai misericordioso, embora muitas vezes preferimos Parábola do filho pródigo. De fato, a centralidade não deve estar no pecador que se converte, mas no Pai que ama de modo incondicional. O Pai ama aquele que gasta parte considerável de seus bens, ama e perdoa, sem se importar com a conduta do filho. O pai misericordioso ama o filho mais velho, mesmo sendo rabugento. Ama todos, independente dos pecados.

Cristo nos fez seus irmãos e nos revelou a face amorosa do Deus que é Pai. Contudo, não é um pai severo, castigador ou distante, como aqueles pintados nos antigos catecismos. Nas palavras de Henri Nouwen, o Pai da parábola parece ter feições maternas em sua atitude de acolhida. Em sua gratuidade, Deus não ama só os justos, mas veio para os pecadores (cf. Lc 5,31-32). Deixa as noventa e nove ovelhas no aprisco e sai em busca daquela que está perdida (Lc 15,1-7). Deus é um Pai que abre os braços para abraçar e fazer festa com o filho pródigo que voltou para casa, sem perguntar o que ele fez com seus bens. O evangelho de hoje é uma oportunidade para que experimentemos o amor misericordioso e gratuito.

O outro personagem é o filho pecador. Este tinha a experiência do Pai da lei e da justiça, não do Pai da misericórdia. Sua fuga é uma tentativa frustrada de felicidade. O pecado é sempre uma busca, uma procura por acerto. Como consequência perde tudo, afasta-se do amor, da casa paterna. O que lhe resta são as sobras, a dureza da vida, a falta de amor. Caindo em si, arrepende-se. Ainda não pensa nas lágrimas de seu pai, mas na sua dura situação da sua vida. Seu retorno possibilita a manifestação do amor do Pai, que se adianta para abraçar o filho, não pergunta sobre o que fez, simplesmente devolve-lhe tudo: dignidade (dá-lhe roupa nova, calçado), filiação (anel no dedo) e acolhida (festa com o novilho).

O filho mais velho nos traz lições preciosas. Aliás, ele é fundamental na parábola, tendo em vista que Jesus está diante dos fariseus e escribas que questionam o fato de Jesus se aproximar dos publicados. Ou seja, Jesus questionou a atitude daqueles que condenavam os pecadores julgando-se santos. É ilustrativo mencionar que o filho pródigo da parábola de Jesus experimentou o amor do Pai, enquanto o filho mais velho, que sempre esteve em casa, reclamou seu lugar diante da alegria manifesta pelo filho que voltou. É mais fácil nos tornarmos os filhos mais velhos do que filhos pródigos. Não é raro encontrarmos pessoas que se consideram religiosas porque vivem certas práticas, mas vivem amargas; são incapazes de desfrutar da alegria como dom de Deus. Jesus sempre criticou a atitude farisaica daqueles que se consideravam os justos.

Assim, é preciso eliminar o julgamento, alegrar-se com aqueles que estão em busca do Senhor mesmo que ainda não tenham deixado certas atitudes. É preciso acolher os novos na comunidade em seu entusiasmo e não julgarmos aqueles que são considerados, até por nossos cânones, como pecadores públicos. Aquele que nunca fez festa com o pai, não compreende a festa do filho mais novo que reconheceu a grandeza da misericórdia de Deus. Também aqueles que nunca saem da Igreja devem estar atentos para não deixar de desfrutar da festa de Deus, da alegria de ser cristão, desprezando aqueles que experimentam o Deus de amor e bondade. Certamente, muitos de nós se sentem morando na casa paterna, mas com a mesma atitude soberba do filho mais velho.

A experiência cristã inclui considerar-se pecador, sempre necessitado da misericórdia. Significa não se achar santo, julgando os demais, mas abrir-se ao amor gratuito do Pai. Nosso Deus é o Pai da Parábola da misericórdia? Como está nossa atitude diante do Deus da graça: somos cumpridores da lei ou participantes da festa? Em que lugar nos encontramos? Existe em nossa vida marcas do filho pródigo? Existem também marcas do filho mais velho?

Pe. Roberto Nentwig

terça-feira, 5 de março de 2013

A reconciliação


Nem sempre a visão que temos das coisas corresponde à realidade de sua existência. Às vezes, o que fica é a primeira impressão. Assim nossa visão fica errada das coisas. Podemos até dizer que tipo de visão nós temos de Deus, como é o meu Deus e o seu Deus. Isto deve ser trabalhado dentro de nós.
A reconciliação é um processo de mudança, quem sabe até uma volta às origens! No âmbito da fé e do contexto da quaresma, é retorno ao caminho de perfeição, aos princípios do Evangelho. Perdemos o rumo e ele deve ser reencontrado. Foi o que aconteceu com o filho pródigo que, após um processo de mudança de vida, volta para a casa do pai.
Não podemos viver perdidos na vida, sem rumo certo e sem esperança. Mesmo nas dificuldades e submundo da cultura, a vida não perde sua dignidade. O importante é não entregar-se à própria vulnerabilidade, mas descobrir a estrada que conduz ao bem. Ser capaz de ultrapassar barreiras e estruturas difíceis e exigentes.
É visível na pessoa humana o desejo profundo de acolhida e de ser reconhecida e tratada como gente. Torna-se muito relevante o pai que acolhe o filho e o ajuda no crescimento de sua autoestima, no dar valor à vida sem nenhuma reserva. Para isto é preciso superar todo tipo de ressentimento sobre as fraquezas que o filho tem.
Os erros são quebra de aliança, que podem interromper uma convivência sadia e fraterna. A reconciliação é retorno à fraternidade, essencial para a pessoa ser feliz. É este o grande ideal da quaresma, tendo em vista a realização da Páscoa, do encontro com uma Pessoa, com Jesus Cristo ressuscitado e presente em nós.
Todo cristão deve ser “provocador” de reconciliação. A inimizade faz mal, adoece a pessoa e a desestrutura em sua identidade. A nossa perspectiva deve ser a mesma de Jesus. Isto nos faz novas criaturas, renascidos com atitudes novas e de espírito novo. Quem experimenta a reconciliação com Deus, quer reconciliar-se com o irmão.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Catequese e Juventude.



Estamos em plena Quaresma, tempo no qual somos convidados a olharmos para além de nossas fraquezas e incoerências com a certeza que após a entrega total de Jesus na cruz, no primeiro dia da semana, vamos mais uma vez fazer a experiência do túmulo vazio, pois Aquele que Vive e quer que todos tenham Vida Plena, não está mais entre os mortos: Ressuscitou!
Tenho certeza que a proposta de reflexão da Campanha da Fraternidade deste ano não está deixando as nossas Comunidades indiferentes ao tema da Juventude. É de grande importância podermos acreditar que também os jovens de hoje podem encontrar em Jesus Cristo a motivação principal de suas vidas, podem se inserir na Igreja como protagonistas que interagem com todos e nela têm condição de crescer na fé e que podem viver e testemunhar um jeito justo e fraterno de viver em qualquer ambiente que venham a frequentar.
Mas para se chegar a essa realidade, sinal da experiência da ressurreição, será necessário que nossas Comunidades estejam fazendo uma séria reflexão, a partir do material da CF-2013 e enfrentando os muitos questionamentos e desafios que nele são levantados.
Um primeiro problema é a nova realidade desse mundo em mudança que deixa a maioria de nós perplexos, mas que é vivida com grande naturalidade por nossos adolescentes e jovens. Parece que enquanto fazemos a experiência da cruz, achando que “este mundo de hoje não tem mais jeito”, que “está tudo perdido”, a juventude tenta nos mostrar que um outro modo de viver é possível.
Diante desta realidade é possível se comportar de vários modos. Por exemplo, podemos ter atitudes de imobilismo, ficando parados em nosso canto, sem saber o que fazer, da mesma forma que os apóstolos ficaram, após a crucifixão e sepultamento de Jesus. Ou, podemos ainda, tentar fazer alguma coisa, mesmo sem saber bem o que, e utilizando as ferramentas que conhecemos, assim como fizeram aquelas mulheres que de madrugada, com seus perfumes, tentaram fazer as últimas homenagens a Jesus morto.
Chegou o primeiro dia da semana e a novidade do túmulo vazio provoca profundas reflexões e novas atitudes: choca (ficaram sem saber o que estava acontecendo), questiona (“Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui! Ressuscitou!”), mostra a inutilidade de nossas ultrapassadas ferramentas (os perfumes para embalsamar não servem mais, por isso as mulheres voltaram do túmulo, e foram anunciar a todos o que viram) e nos desinstala de nossos imobilismos (Pedro levantou-se, correu para o túmulo e fez a experiência da novidade).
Também a realidade juvenil do mundo de hoje está exigindo de nós profundas reflexões e atitudes novas. O próprio Texto Base da CF-2013 nos lembra que é necessário fazer acontecer de verdade um eficaz processo de Iniciação à Vida Cristã de nossos jovens e que seja assumido em parceria com os mais variados setores de cada Comunidade. Cabe a todos nós fazer acontecer a chegada desse “novo primeiro dia da semana”!

A Palavra de Deus provoca conversão: convido você leitor a dedicar um tempo para ler o texto bíblico proposto para a Vigília Pascal deste ano: Lc 24,1-12. Leia com calma, preste atenção e responda: Depois da experiência traumática da morte de Jesus, os apóstolos ficaram escondidos e as mulheres foram até o túmulo; diante da realidade do mundo de hoje qual dessas atitudes eu normalmente assumo? Sei reconhecer quando minhas ferramentas estão ultrapassadas? Onde procuro Jesus, num passado que já cumpriu a sua missão ou na novidade da Vida que Ele nos propõe hoje? Além da juventude, não seria hora de questionar em nossa Igreja como deve ser vivido o protagonismo das mulheres, destacado de forma tão evidente neste trecho do Evangelho? O que você, catequista, tem ensinado aos seus catequizandos sobre esse assunto?

Pe. Luís Gonzaga Bolinelli – Assistente Eclesiástico da Comissão AB-C

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