terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Ser presença

                  Na seara midiática, somos presença na vida das pessoas, mas de forma muito mecânica. Aí não sentimos o “calor humano”, o olhar nos olhos e a proximidade corpo-a-corpo. O mundo globalizado encurtou as distâncias e distanciou as pessoas. Com isto perdemos a dimensão rica e fundamental da vida de comunidade fraterna.
No entender dos crentes, Deus sempre marcou presença na história dos povos. É uma presença fundante, que dá sustentação para a existência das criaturas e questiona a pessoa humana quanto à prática do bem. No meio de crises, desastres e catástrofes da natureza, Deus nos convoca para acolher e respeitar a vida.
Ser presença é ser capaz de acompanhar as mudanças da história, ser capaz de adaptar-se às novas mentalidades sem perder aquilo que é essencial, isto é, a vida com dignidade. Não podemos cair na infertilidade, no descompromisso com o bem comum. Ser infértil é ser presença que não consegue entender o valor da vida.
Moisés foi uma presença marcante na vida do povo hebreu. Para isto teve que superar atitudes de comodismo, “tirar as sandálias” e colocar-se a serviço da libertação do povo. Nisto ele descobriu sua própria identidade, entendeu ter sido chamado por Deus para desempenhar uma importante tarefa, sendo presença nas dimensões de líder no meio do povo.
Como libertador Moisés se apresenta na figura de alguém que é capaz de amar povo, com quem faz um pacto de preservação da vida. Sua ação revela a presença constante e transformadora de Deus nos fatos da história. Significa que o ser humano foi sempre acolhido, mesmo em situação de escravidão e de dignidade negada.
Sentimos em nossos tempos grande fragilidade na prática de fé. Até falamos de uma fé inconsistente, sem falar propriamente da falta de fé. Significa não reconhecer a presença de Deus no mundo e, muito menos, na vida de cada pessoa. Em muitos casos, a falta de fé ocasiona atitudes de desequilíbrio e de atos que não condizem com as realidades inerentes com a dignidade da pessoa humana.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

Um comentário:

  1. Querido, amado e respeitado Dom Paulo, lindo texto, como todos seus escritos... O importante agora já que despertamos para a necessidade de adaptar-nos aos novos tempos, é partir para a ação, mesmo que sejam pequenas mudanças...Temos pistas de ação suficiente para provocar uma mudança na maneira de formar cristãos? Porque muitos demoram tanto para esse despertar? Porque tantas dioceses ainda sem nenhum diretório para se trabalhar a IVC? Não seria o momento de nossos bispos/párocos tirar as sandálias, ser de fato PRESENÇA, investir/assumir a IVC, ? Até quando esperar, se as necessidades são gritantes? Quando é que a formação do cristão será uma necessidade/prioridade pra todos??? Meu grito é o mesmo de milhares de catequistas espalhados por esse Brasil, que estão desorientados, que não sabem mais o que fazer para melhorar a ação catequética... E o que falta, pistas de ação? Não! Falta ação!!!Com carinho!

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