quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Pescar gente


Quando visualizamos toda riqueza dos ensinamentos de Jesus Cristo, a certo momento, à beira do Mar da Galileia, em vez de pescar peixes, Ele fala em “pescar homens”. Quem pesca coloca o peixe dentro da barca e se gloria com a vitória conquistada. Paralelo a isto, pescar homens significa trazer pessoas para o próprio convívio, mas também tirá-las do poder da morte.

A violência das águas, do lago ou do mar, pode ser comparada com as realidades que levam à morte. Defender a vida significa ser também violento para combater a ação destruidora presente na sociedade. Isto supõe posturas de coragem, de firmeza, de testemunho e de convencimento do valor do bem das pessoas.

Na cultura de morte, Jesus anuncia a esperança para a humanidade. Para Ele, o caminho tem como meta a ressurreição, mas o trajeto leva em conta o valor do corpo, a dignidade das pessoas, o cumprimento dos direitos e deveres, inerentes à vida, que tocam a cada pessoa. A vida assumida com liberdade terá uma continuidade na ressurreição e na eternidade.

Pescar gente significa formar comunidade cristã, formar as pessoas nos princípios básicos para uma vida de fraternidade. Jesus manda lançar as redes em águas mais profundas, indo de encontro com aqueles que estão numa prática de vida totalmente isolada e distante da convivência comprometida com o que gera fraternidade.

Na visão da pesca, todos nós temos o compromisso de tirar a humanidade do reino destruidor, contribuindo para a superação de tudo que causa morte e dificulta a vida. Para isto, alguma coisa tem que ser renunciada, esvaziada de nós mesmos, para beneficiar o outro, facilitando o resultado, a fertilidade e o sucesso da pesca.

No mundo da droga, do individualismo e de infinitos atos inconsequentes praticados pela sociedade moderna, conseguimos ver nesse meio como que um “cardume de peixes” nas portas da morte. É aí que as redes devem ser atiradas, podendo recuperar pessoas influenciadas e desinformadas das consequências do mal que as envolve, principalmente no mundo dos vícios.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

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