quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Homilia do 2º. Domingo da Quaresma – Ano C Subir e descer do Tabor. Não armar tendas!


O segundo domingo da quaresma nos apresenta o tema da transfiguração. Jesus sobe ao monte para conversar com Deus, como também Abraão havia feito. Numa atitude orante, transfigura-se diante de Pedro, Tiago e João. Três movimentos marcam a experiência do Tabor.

Subir ao monte e encontrar-se com o Senhor Transfigurado. Nossa vida é marcada por experiências de plenitude, de integridade. Destacam-se, sobretudo, os momentos de oração, que nos fazem descansar no cume do monte, ganhar forças. É a vida de experiência com o Senhor que orienta a nossa vontade para a vontade do Pai. Também as situações que nos trazem felicidade são experiências de Tabor: estar com a família, conviver com os amigos, ouvir uma boa música, ler um bom livro... A vida nos oferece muitas experiências de encontro com Deus, de consolação, ou seja, momentos de ressurreição. A Transfiguração é também a antecipação da glória. Nós vivemos na esperança do que virá, sem ainda experimentarmos a plenitude do mundo futuro. Enquanto aguardamos, nós podemos visualizar os sinais que Deus nos concede. Não temos a plena visão, somente sinais. É preciso crer como Abraão que esperou a noite toda para ver o fogo devorador (1ª. Leitura). Vivemos da certeza de nossa pátria definitiva, como nos diz S. Paulo: “Mas a nossa pátria está nos Céus, donde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo miserável, para torná-lo semelhante ao seu corpo glorioso, pelo poder que Ele tem de sujeitar a Si todo o universo.” (2ª. Leitura). Os apóstolos puderam entender a cruz, mesmo com muito custo, porque Jesus antecipou a sua vitória sobre a morte em sua transfiguração.

Armar as tendas, no desejo de ficar em cima do monte. A experiência foi tão extraordinária, que Pedro não quis descer do monte: “Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Jesus não alimentou o desejo do apóstolo, pois entendeu que seu pedido era sinal de resistência, de falta de comprometimento. Não é possível ficar no monte, contemplando a Transfiguração, sem a consciência de que é preciso descer do monte para assumir a vida. Pessoalmente, cada cristão deve refletir sobre a tentação da imobilidade e de resistência que sempre batem a nossa porta. É sempre mais fácil fugir do compromisso, não dar o passo, assistir o mundo repleto de injustiças, de atentados que impendem o acontecimento do Reino. Que imobilidades precisam ser vencidas?

Descer do monte. A ressurreição só seria possível depois da cruz, por isso era necessário descer da montanha e seguir caminho para Jerusalém. Por isso, Jesus cessou o momento do êxtase, da brancura reluzente de suas vestes e levou os seus discípulos da montanha para completar a sua missão. Nós, igualmente, ainda não completamos nossa missão, ainda não estamos no Tabor da eternidade. Por isso, precisamos nos alimentar de cada encontro e reencontro com o Senhor para que, fortalecidos, possamos levar a cabo a missão de abraçar as cruzes do dia a dia, da vitória gradativa e cotidiana sobre o pecado e de proporcionar tabores de transfiguração onde há lágrima e dor.

Pe. Roberto Nentwig

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