quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Homilia do 1º. Domingo da Quaresma – Ano C - Ir ao deserto e enfrentar as tentações


Ir ao deserto. Na primeira leitura, vemos que o Povo de Israel fundamenta a sua fé em algo bem concreto: Deus conduziu Abraão, e depois o Povo todo para um êxodo, uma saída. O Povo viveu uma experiência pascal, indo ao deserto e experimentando um Deus que liberta e que faz aliança; mas também um Deus que põe a prova. Jesus também vai ao deserto, preparando-se para o seu ministério que será uma grande Páscoa – a passagem da morte para a vida.

O deserto é o lugar da tentação. O Povo de Israel foi tentado ao viver uma experiência de total despojamento, o que o trouxe a tentação de desconfiar de Javé. Jesus, conduzido pelo Espírito, viveu esta experiência antes de sua vida pública. Os padres eremitas da antiguidade viam o deserto como o lugar de luta contra o demônio: no silêncio e na solidão se revela os males do interior dos eremitas. Ao se deparar com o seu verdadeiro eu, aprendiam a vencer aquilo que se opunha ao projeto de Deus.

Jesus é tentado no deserto. Jesus é humano em todas as suas ações, pensamentos e sentimentos: Ele sente sede e fome, fica frustrado com seus amigos, enfurece-se com os vendilhões, chora no túmulo de Lázaro, muda de idéia com a insistência da Cananéia... E tal fato se evidencia na tentação. Ele como qualquer um de nós é tentado a sucumbir, a falhar, a se render ao prazer, ao ter, ao poder... São estas as três forças que se opõem ao projeto do Pai, que foi assumido pelo Senhor:

a) “Se és filho de Deus, manda que estas pedras se mudem em pão”. É a tentação de buscar ser saciado a todo custo. Nós queremos ser saciados, precisamos de alimento, de abrigo, de proteção... Torna-se perigoso quando nos esquecemos a saciez do coração, a saciez do pão da Palavra. Deus não está a serviço de nossos caprichos. Deseja antes que nos orientemos para sua vontade. Por isso, Jesus responde: “Não só de pão vive o homem!”

b) “Eu te darei todo este poder e toda a sua glória...” O diabo é o doador dos bens, e pede adoração. É fácil perceber como nos curvamos diante dos bens deste mundo. É preciso evitar os extremos do acúmulo egoísta como aquele homem da parábola que guardou tudo no celeiro e foi surpreendido pelo fim da vida, como o extremo do consumismo que realiza a busca da felicidade na obtenção dos bens anunciados pela mídia, proclamados como segurança.

c) “Se és filho de Deus, atira-te daqui para baixo!” É a tentação de se usar o poder para o exibicionismo, em benefício próprio... Também queremos o prestígio, o reconhecimento, a fama, o respeito. Somos tentados a fazer o mau uso do poder para obter tudo isso. Pais, mestres, chefes, religiosos... De alguma forma, todos nós temos algum poder. O que fazemos com ele?

O Diabo e afastou e voltará no tempo oportuno. Não apenas para tentar a Jesus, mas para tentar cada um de nós. É tempo de tomarmos consciência de nossa fraqueza, certos de que eliminar todo o mal do coração é um processo para vida toda. 

Pe. Roberto Nentwig

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