quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Homilia do 3º. Domingo da Quaresma – Ano C Produzir frutos


Na sarça ardente, Moisés fez a experiência que marcou toda a sua vida e missão. Ardia o coração de Deus ao ver o clamor e o sofrimento do seu povo; o mesmo Deus chamou Moisés para falar em seu nome e libertar o Povo. O Deus que se revelou a Moisés era ainda um Deus que não se podia tocar, que exigia reverência, mas já se revelou como Aquele que caminha com seu povo, aquele que se interessa pela história dos seus: “Eu sou o Deus de teus pais...” Precisamos perceber que Deus se interessa por nós e quer a nossa libertação, que Ele convida a cada um de nós para seguir os seus passos. Deus não fica assistindo o sofrimento, Ele se interessa por seus filhos e vem em seu auxílio para libertá-los. Mas ele precisa de pessoas de carne e osso que aceitem o convite dele para cooperar nesta libertação. Precisamos ser impregnados pelo mesmo fogo que abrasou o coração de Moisés, fazendo-o entusiasmado pela causa de Javé.

No Evangelho, vemos que os judeus consideravam as catástrofes como castigos de Deus e a proteção um mérito por serem fiéis observantes da lei. Jesus mostra que não basta ser judeu, que ninguém tem nada garantido: todos precisam de conversão. Do mesmo modo, nós poderíamos nos considerar católicos fiéis, observantes da lei, o grupinho dos escolhidos. Como o Povo eleito, corremos o risco da infidelidade. Como aqueles que escutaram a palavra de Jesus, precisamos de conversão, para não perecermos todos do mesmo modo. Além disso, devemos cortar definitivamente da nossa mentalidade a ligação entre pecado e castigo: os males não são castigos, e todos nós somos passíveis do sofrimento. Aliás, muitos dos males são frutos de nossas próprias escolhas. Somos também responsáveis pelo bem e pelo mal que rodeia a nossa vida, provavelmente os primeiros responsáveis.

Na segunda parte do Evangelho temos a parábola da figueira que não produz frutos. Aqui é interressante observar que o pecado da figueira não foi ter feito algo de ruim, mas de não ter feito nada de bom. A figueira foi infrutífera, tornou-se passível, imóvel. Corremos o risco de querer uma garantia, uma tranquilidade de consciência que me faz dizer a mim mesmo: “eu estou bem com Deus, não prejudico a ninguém, cumpro as minhas obrigações”. Mas Deus espera mais de nós. Não basta sermos cristãos aparentemente certinhos, cristãos de preceito, de um ritualismo vazio; precisamos produzir frutos. Conversão não significa focar o pecado, mas o bem que devemos realizar. Cada um de nós é convidado a produzir frutos - isso significa conversão! O que podemos produzir nesta quaresma?

Estamos no tempo da Quaresma, tempo de cultivar o dom da conversão. Trata-se de um processo que percorre toda a nossa vida. Seguimos a existência procurando nos configurar cada vez mais a Cristo, para sermos como Ele, tendo os seus sentimentos e atitudes, até que tenhamos a estatura do homem perfeito, como nos diz São Paulo em sua carta aos Efésios.

Deus na sua bondade é paciente em aguardar a nossa conversão. Poderia nos arrancar e queimar, mas não é o deus da punição, e sim o Deus amor. Mesmo que mereçamos tal sorte, Ele nos diz; “Vou dar mais uma oportunidade; virei em outra ocasião para colher os frutos”. Temos neste tempo mais uma oportunidade. Que frutos o Senhor encontrará?

Pe Roberto Nentwig

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Ser presença

                  Na seara midiática, somos presença na vida das pessoas, mas de forma muito mecânica. Aí não sentimos o “calor humano”, o olhar nos olhos e a proximidade corpo-a-corpo. O mundo globalizado encurtou as distâncias e distanciou as pessoas. Com isto perdemos a dimensão rica e fundamental da vida de comunidade fraterna.
No entender dos crentes, Deus sempre marcou presença na história dos povos. É uma presença fundante, que dá sustentação para a existência das criaturas e questiona a pessoa humana quanto à prática do bem. No meio de crises, desastres e catástrofes da natureza, Deus nos convoca para acolher e respeitar a vida.
Ser presença é ser capaz de acompanhar as mudanças da história, ser capaz de adaptar-se às novas mentalidades sem perder aquilo que é essencial, isto é, a vida com dignidade. Não podemos cair na infertilidade, no descompromisso com o bem comum. Ser infértil é ser presença que não consegue entender o valor da vida.
Moisés foi uma presença marcante na vida do povo hebreu. Para isto teve que superar atitudes de comodismo, “tirar as sandálias” e colocar-se a serviço da libertação do povo. Nisto ele descobriu sua própria identidade, entendeu ter sido chamado por Deus para desempenhar uma importante tarefa, sendo presença nas dimensões de líder no meio do povo.
Como libertador Moisés se apresenta na figura de alguém que é capaz de amar povo, com quem faz um pacto de preservação da vida. Sua ação revela a presença constante e transformadora de Deus nos fatos da história. Significa que o ser humano foi sempre acolhido, mesmo em situação de escravidão e de dignidade negada.
Sentimos em nossos tempos grande fragilidade na prática de fé. Até falamos de uma fé inconsistente, sem falar propriamente da falta de fé. Significa não reconhecer a presença de Deus no mundo e, muito menos, na vida de cada pessoa. Em muitos casos, a falta de fé ocasiona atitudes de desequilíbrio e de atos que não condizem com as realidades inerentes com a dignidade da pessoa humana.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Equipe Colegiada de Animação Bíblico-Catequética do Regional Noroeste se reuniu no último final de semana


Da esquerda para a direita (em pé): Pe. Alfredo, Laura, Fernanda, Elisa, Ir. Adila e Eronilda; (sentados): Ir. Jorge, Adelia, Teresinha, Pe. Joceir, Ir. Normando e Ir. Lori.

Foi realizado nos últimos dias 22, 23 e 24 de fevereiro o encontro Equipe Colegiada na cidade de Humaitá, no sul do Estado do Amazonas. O local que acolheu os participantes foi o Instituto Renascer, a Casa de Recuperação Masculina da Diocese de Humaitá, no km 12 da Rodovia Humaitá-Manaus.

O momento dedicado para estudo e reflexão do encontro girou em torno da Iniciação à Vida Cristã. Os participantes comentaram que o tema já vem sendo estudado nas bases há algum tempo, e que agora é preciso refletir como aplicar a IVC na prática comunitária. 

Além de partilharem um pouco da caminhada de cada diocese, também foi feito os repasses trazidos do Encontro Nacional pelo Articulador da Equipe, Ir. Jorge. Além disso, outro ponto discutido foi a escolha da nova Equipe Colegiada para o biênio 2014-205. O grupo aproveitou a ocasião também para organizar os encaminhamentos do Encontrão com Catequistas que será realizado no mês de setembro, em Porto Velho, onde será apresentada a nova Equipe Colegiada.
 
SOBRE A EQUIPE COLEGIADA

A Equipe Colegiada é formada pelos coordenadores/as diocesanos/as da Comissão Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética das Dioceses de Cruzeiro do Sul (AC), Rio Branco (AC), Ji-Paraná (RO), Porto Velho (RO), Guajará-Mirim (RO), Humaitá (AM) e Prelazia de Lábrea (AM), que juntas compõem o Regional Noroeste da CNBB.
 
O encontro acontece duas vezes por ano. Seus objetivos giram em torno de manter a unidade entre as dioceses e Prelazia, encurtando as distâncias, à luz do direcionamento da CNBB. O encontro da Equipe Colegiada acontece duas vezes por ano: em fevereiro e setembro.
 
Texto: Eronilda de Souza Limeira, Teóloga e Secretária da Comissão.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A XIII Assembleia do Sínodo dos Bispos: A Nova Evangelização para a transmissão da fé - (Parte 4)


PROPOSIÇÃO 13: AS PROVOCAÇÕES (DESAFIOS) DA NOSSA ÉPOCA

A proclamação da boa nova nos diferentes contextos do mundo – marcado pelos processos de globalização e secularização – apresentam diversos desafios à Igreja: às vezes é uma perseguição religiosa absoluta, em outros momentos uma indiferença generalizada, ingerência, restrição e inibição. O Evangelho nos oferece uma visão da vida e do mundo que não pode ser imposta, mas só proposta, como a boa notícia do amor gratuito de Deus e da paz. A mensagem da verdade e da beleza pode ajudar as pessoas a superar a solidão e a falta de sentido frequentemente suscitadas pelas condições da sociedade pós-moderna.
Portanto, os crentes devem se esforçar por mostrar ao mundo o esplendor de uma humanidade baseada no mistério de Cristo. A religiosidade popular é importante, mas não suficiente; é necessário um pouco mais para ajudar a reconhecer o dever de anunciar ao mundo a razão da esperança cristã aos católicos afastados da Igreja, aos que não seguem Cristo, aos que seguem seitas ou experimentam diferentes tipos de espiritualidades.

PROPOSIÇÃO 25: CENÁRIOS URBANOS DA NOVA EVANGELIZAÇÃO
A Igreja reconhece que as cidades humanas e a cultura que produzem, assim como as transformações que provocam, são lugar privilegiado da nova evangelização. Entendendo que ela mesma está a serviço do plano salvífico de Deus, a Igreja reconhece que a “cidade santa, a nova Jerusalém” (cf Ap 21, 2-4) já está presente de certo modo nas realidades humanas. Colocando em prática um plano pastoral urbano, a Igreja quer identificar e compreender essas experiências, linguagens e estilos de vida, que são típicas das sociedades urbanas. Ela tem a intenção de fazer com que suas celebrações litúrgicas, suas experiências de vida comunitária, e seu exercício da caridade sejam pertinentes ao contexto urbano, com a finalidade de encarnar o Evangelho na vida de todos os cidadãos.
A Igreja também sabe que em muitas cidades se constata a ausência de Deus, nos constantes ataques à dignidade humana. Entre eles: a violência relacionada com o narcotráfico, a corrupção de todo tipo e muitos outros crimes. Estamos convencidos de que o anúncio do Evangelho pode ser a base para restabelecer a dignidade da vida humana nesses contextos urbanos. É o Evangelho de Jesus que “veio para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo. 10, 10),
PROPOSIÇÃO 36: A DIMENSÃO ESPIRITUAL DA NOVA EVANGELIZAÇÃO
O agente principal da evangelização é o Espírito Santo que abre os corações e os converte para Deus. A experiência do encontro com o Senhor Jesus, que foi possível pelo Espírito, que introduz a pessoa na vida trinitária, acolhida em espírito de adoração, súplica e louvor, deve ser fundamental para os aspectos da NE.  É dimensão contemplativa da NE que se alimenta continuamente através da oração, a partir da liturgia, especialmente da Eucaristia, fonte e cume da vida da Igreja.
Portanto, propomos que a oração seja ensinada e praticada desde a infância. As crianças e jovens devem ser educados na família e nas escolas para conhecer a presença de Deus em suas vidas, para louvá-Lo, agradecê-Lo pelos dons dEle recebidos e pedir que o Espírito Santo os guie.
PROPOSIÇÃO 45: O PAPEL DOS FIEIS LEIGOS NA NOVA EVANGELIZAÇÃO
A vocação e a missão própria dos fies leigos é a transformação das estruturas terrenas, para que todo o comportamento e as atividades sejam impregnados pelo Evangelho. Esse é o motivo pelo qual é tão importante guiar os leigos cristãos em direção do conhecimento íntimo de Cristo, a fim de formar sua consciência moral através de sua vida em Cristo. O Concilio Vaticano II aponta quatro aspectos principais da missão dos batizados: o testemunho de sua vida, as obras de caridade e de misericórdia, a renovação da ordem temporal e a evangelização explícita (cf. LG, AA). Assim, serão capazes de dar testemunho de uma vida verdadeiramente coerente com a própria fé cristã, individualmente e como comunidade.
Os leigos cooperam na obra evangelizadora da Igreja, como testemunhas e ao mesmo tempo como instrumentos vivos da sua missão salvífica que condividem (cf. AG 41). Por isso, a Igreja aprecia os dons que o Espírito distribui a todos os batizados para a construção do corpo (de Cristo) e deveria proporcionar um encorajamento adequado e preparação para favorecer seu zelo apostólico na transmissão da fé.

PROPOSIÇÃO 46: A COOPERAÇÃO DO HOMEM E DA  MULHER NA IGREJA
A Igreja aprecia a igual dignidade das mulheres e dos homens na sociedade, feito à imagem de Deus e na Igreja, e em base à sua vocação comum como batizados em Cristo. Os pastores da Igreja reconhecem as capacidades especiais das mulheres, tais como a atenção aos outros e seus dons de prover o alimento e de compaixão, sobretudo em sua vocação de mãe.
As mulheres junto com os homens dão testemunho do Evangelho da vida através de sua dedicação à transmissão da vida na família. Juntos ajudam a manter viva a fé. O Sínodo reconhece que hoje em dia, as mulheres (leigas e religiosas), junto com os homens contribuem para a reflexão teológica em todos os níveis e compartilham responsabilidades pastorais com novas formas; com isso levam adiante a evangelização para a transmissão da fé.

PROPOSIÇÃO 54: O DIÁLOGO ENTRE CIÊNCIA E FÉ

O diálogo entre a ciência e a fé é um campo vital na Nova Evangelização. Por um lado, esse diálogo requer a abertura da razão ao mistério que a transcende e a consciência dos limites fundamentais do conhecimento científico. Por outro lado, também se requer uma fé aberta à razão e aos resultados da pesquisa científica.

PROPOSIÇÃO 55: O ÁTRIO DOS GENTIOS

As comunidades eclesiais abrem uma espécie de pátio dos gentios onde os crentes e não crentes possam dialogar sobre temas fundamentais: os grandes valores da ética, a arte, a ciência, a busca do transcendente. Esse diálogo se dirige em particular “àqueles para os quais a religião é algo de estranho, para quem Deus é desconhecido e que, contudo, não querem permanecer simplesmente sem Deus, sem aproximar-se dEle, ainda que como a um Desconhecido” (Bento XVI, Discurso aos membros da Cúria Romana em 21 de dezembro de 2009). De maneira particular, as instituições educativas católicas poderiam promover um diálogo, que nunca se separa do “primeiro anúncio”

PROPOSIÇÃO 57: A FÉ CRISTÃ QUE DEVE SER TRANSMITIDA

"Sereis minhas testemunhas" (At. 1, 8). Desde o princípio, a Igreja entendeu sua responsabilidade de transmitir a Boa Nova. A tarefa da nova evangelização, segundo a tradição apostólica, é a transmissão da fé. O Concílio Vaticano II nos recorda que essa tarefa é um processo complexo que implica a fé e a vida de todo o cristão.
Essa fé não pode ser transmitida numa vida sem sentido, mas através de uma vida modelada no Evangelho e na verdade. Por isso, a NE para a transmissão da fé cristã convoca todos os crentes para renovar sua fé e seu encontro pessoal com Jesus na Igreja, para aprofundar a compreensão da verdade da fé e da alegria de partilhá-la com os irmãos.

Pe. Luiz Alves de Lima, sdb – participante do Sínodo

Homilia do 2º. Domingo da Quaresma – Ano C Subir e descer do Tabor. Não armar tendas!


O segundo domingo da quaresma nos apresenta o tema da transfiguração. Jesus sobe ao monte para conversar com Deus, como também Abraão havia feito. Numa atitude orante, transfigura-se diante de Pedro, Tiago e João. Três movimentos marcam a experiência do Tabor.

Subir ao monte e encontrar-se com o Senhor Transfigurado. Nossa vida é marcada por experiências de plenitude, de integridade. Destacam-se, sobretudo, os momentos de oração, que nos fazem descansar no cume do monte, ganhar forças. É a vida de experiência com o Senhor que orienta a nossa vontade para a vontade do Pai. Também as situações que nos trazem felicidade são experiências de Tabor: estar com a família, conviver com os amigos, ouvir uma boa música, ler um bom livro... A vida nos oferece muitas experiências de encontro com Deus, de consolação, ou seja, momentos de ressurreição. A Transfiguração é também a antecipação da glória. Nós vivemos na esperança do que virá, sem ainda experimentarmos a plenitude do mundo futuro. Enquanto aguardamos, nós podemos visualizar os sinais que Deus nos concede. Não temos a plena visão, somente sinais. É preciso crer como Abraão que esperou a noite toda para ver o fogo devorador (1ª. Leitura). Vivemos da certeza de nossa pátria definitiva, como nos diz S. Paulo: “Mas a nossa pátria está nos Céus, donde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo miserável, para torná-lo semelhante ao seu corpo glorioso, pelo poder que Ele tem de sujeitar a Si todo o universo.” (2ª. Leitura). Os apóstolos puderam entender a cruz, mesmo com muito custo, porque Jesus antecipou a sua vitória sobre a morte em sua transfiguração.

Armar as tendas, no desejo de ficar em cima do monte. A experiência foi tão extraordinária, que Pedro não quis descer do monte: “Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Jesus não alimentou o desejo do apóstolo, pois entendeu que seu pedido era sinal de resistência, de falta de comprometimento. Não é possível ficar no monte, contemplando a Transfiguração, sem a consciência de que é preciso descer do monte para assumir a vida. Pessoalmente, cada cristão deve refletir sobre a tentação da imobilidade e de resistência que sempre batem a nossa porta. É sempre mais fácil fugir do compromisso, não dar o passo, assistir o mundo repleto de injustiças, de atentados que impendem o acontecimento do Reino. Que imobilidades precisam ser vencidas?

Descer do monte. A ressurreição só seria possível depois da cruz, por isso era necessário descer da montanha e seguir caminho para Jerusalém. Por isso, Jesus cessou o momento do êxtase, da brancura reluzente de suas vestes e levou os seus discípulos da montanha para completar a sua missão. Nós, igualmente, ainda não completamos nossa missão, ainda não estamos no Tabor da eternidade. Por isso, precisamos nos alimentar de cada encontro e reencontro com o Senhor para que, fortalecidos, possamos levar a cabo a missão de abraçar as cruzes do dia a dia, da vitória gradativa e cotidiana sobre o pecado e de proporcionar tabores de transfiguração onde há lágrima e dor.

Pe. Roberto Nentwig

Arquidiocese de Ribeirão Preto realizou capacitação para coordenadores de catequese


A EQUIPE ARQUIDIOCESANA PARA A ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA DE RIBEIRÃO PRETO, promoveu no dia 17 de Fevereiro de 2013 no Centro de Pastoral a primeira parte da Capacitação de Catequista Coordenador Paroquial. Foi abordado pelo Coordenador Flávio Veloso a Importância e as dimensões do ministério de Catequese e de seus interlocutores, apontando a importância da Figura do Coordenador Paroquial de Catequese Paroquial. Foi serviço o almoço, preparado com esmero pela Comunidade Santo Expedito – Quase-paróquia Santa Rita de Cássia. Em seguida Pe. Marcelo Machado presidiu a Celebração Eucarística, abordando importância e a figura do jovem na dimensão catequética. Posteriormente, Giulio, concluiu a Capacitação apresentando algumas colocações sobre as Redes Digitais.....

A equipe arquidiocesana, agradece de coração a participação e o incentivo das Paróquias: Sagrado Coração de Jesus de Ribeirão Preto e de Serrana; São Francisco – RP, Santo Estevão Diácono, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora Aparecida de Ribeirão Preto, Jardinópolis e de Sertãozinho, Senhor Bom Jesus do Bonfim, Quase-paróquia Santa Rita de Cassia de Batatais, de Ribeirão Preto, Nossa Senhora de Fátima – RP, Jesus Misericordioso e Santa Edwiges – RP, Casa da Aliança – Batatais, São Benedito – RP, Espírito Santo – RP, São Camilo de Léllis – RP, São Judas Tadeu – Pe. Quirino e Pe. Luis Gustavo, São João Batista – RP, Jesus Crucificado – ,RP, São Sebastião – Sertãozinho, São José – RP, Nossa Senhora do Jubileu – RP, Santa Ângela – RP, São João Bosco – SP, de modo particular agrademos a todos os padres que contribuem para o desenvolvendo e incentivam a evangelização cristã de nossos catequistas e catequizando de nossa arquidiocese. Lembrete: Nossa SEGUNDA CAPACITAÇÃO PARA COORDENADORES DE CATEQUISE PAROQUIAL será no dia 19 de Maio de 2013, das 8hs as 11:30hs.

Atenciosamente,
Flávio Veloso

Ser diferente


Não é fácil ser diferente, mesmo sabendo da diversidade e das qualidades que cada pessoa naturalmente tem. A novidade sempre nos assusta, ou nos encanta, provocando reações que podem ser interpretadas de diversas formas. Mas é oportunidade também de reflexão e de descoberta do bem que isto pode ocasionar aos demais.

A bíblia fala da transfiguração, acontecida com Jesus Cristo, no Monte Tabor. É uma cena que pode ser entendida como situação ou realidade nova, transformada, por fazer um caminho de conquista de libertação e de busca do novo. Assim deve acontecer na história de vida das pessoas e da sociedade no trajeto de sua construção.

A verdadeira transfiguração passa por uma via de justiça, sobre a qual deve pairar a virtude da esperança. É um caminho de compromissos assumidos com responsabilidade, sem fanatismo e nem superficialidade. Em vista disto, as pessoas realizam as coisas de “pés no chão”, comprometidas com aquilo que proporciona vida nova.

As novidades podem não ser bem vistas, principalmente quando ferem tradições firmadas numa longa história. Podemos até entender que certas leis dificultam atos de criatividade e iniciativas novas. Elas podem impedir um caminho de libertação, fundamental para a pessoa se transfigurar, ser outra e conquistar a felicidade.

Ser diferente é transformar práticas de escravidão em condições de liberdade. Assim aconteceu com o povo hebreu em sua sofrida saída do Egito, fugindo da opressão imposta pelas autoridades daquele Estado. Faz parte da essência de cada pessoa a busca de liberdade, mas isto supõe uma trajetória de luta e de sofrimento.

Ser transfigurado é uma realidade que vem por consequência de ter passado pelos enfrentamentos das situações de cruz, às vezes de muito sacrifício, chegando à ressurreição, à vida em Deus. Parece estranho esta realidade, mas a chegada final dá razão à cruz. Do contrário, ficamos “brigando” por poder, por glória e satisfações políticas inconsistentes. Na transfiguração de Cristo houve o encontro do antigo com o novo, revelando a passagem bíblica do Antigo Testamento para a chegada do Novo Testamento.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A XIII Assembleia do Sínodo dos Bispos: A Nova Evangelização para a transmissão da fé - (Parte 3)


A P Ê N D I C E: ALGUNS TEXTOS  (tradução não oficial e às vezes imperfeita...)

Texto da Mensagem nº 7. Evangelização e Família
Desde a primeira evangelização a transmissão da fé na sucessão das gerações encontrou um lugar natural na família. Nela - com um papel muito especial desempenhado pelas mulheres, mas com isto não pretendemos diminuir a figura paterna e a sua responsabilidade - os sinais da fé, a comunicação das primeiras verdades, a educação para a oração, o testemunho dos frutos do amor foram inseridos na existência das crianças e dos jovens, no contexto da solicitude que cada família dedica ao crescimento dos seus filhos. Mesmo se na diversidade das situações geográficas, culturais e sociais, todos os Bispos no Sínodo reconfirmaram este papel essencial da família na transmissão da fé. Não se pode pensar numa nova evangelização, sem uma responsabilidade específica em relação ao anúncio do Evangelho às famílias e sem lhes dar apoio na tarefa educativa. Não escondemos o fato de que hoje a família, que se constitui no matrimônio de um homem e de uma mulher, que os torna «uma só carne» (Mt 19, 6) aberta à vida, é atravessada em toda a parte por fatores de crise, circundada por modelos de vida que a penalizam, descuidada pelas políticas daquela sociedade da qual é contudo a célula fundamental, nem sempre respeitada nos seus ritmos nem apoiada nos seus compromissos pelas próprias comunidades  eclesiais. Mas precisamente isto nos estimula a dizer que devemos ter uma solicitude particular pela família e pela sua missão na sociedade e na Igreja, desenvolvendo recursos de acompanhamento antes e depois do matrimônio. Desejamos expressar também a nossa gratidão aos muitos esposos e famílias cristãs que, com o seu testemunho, mostram ao mundo uma experiência de comunhão e de serviço que é semente de uma sociedade mais fraterna e pacificada. O nosso pensamento dirigiu-se também às situações familiares e de convivência nas quais não se reflete aquela imagem de unidade e de amor para toda a vida que o Senhor nos ensinou. Há casais que convivem sem o vínculo sacramental do matrimônio; multiplicam-se situações familiares irregulares construídas depois da falência de precedentes matrimônios: vicissitudes dolorosas nas quais sofre também a educação dos filhos na fé. A todos eles queremos dizer que o amor do Senhor nunca abandona ninguém, que também a Igreja os ama e é casa acolhedora para todos, que eles permanecem membros da Igreja mesmo se não podem receber a absolvição sacramental e a Eucaristia. As comunidades católicas sejam acolhedoras em relação a quantos vivem tais situações e amparem caminhos de conversão e de reconciliação. A vida familiar é o primeiro lugar no qual o Evangelho se encontra com o dia-a-dia da vida e mostra a sua capacidade de transfigurar as condições fundamentais da existência no horizonte do amor. Mas é importante também para o testemunho da Igreja mostrar como esta vida no tempo tem um cumprimento que vai além da história dos homens e alcança a comunhão eterna com Deus. À mulher samaritana Jesus não se apresenta simplesmente como aquele que dá a vida, mas como aquele que dá a «vida eterna» (Jo 4, 14). O dom de Deus, que a fé torna presente, não é simplesmente a promessa de condições melhores neste mundo, mas o anúncio que o sentido último da nossa vida está além deste mundo, naquela comunhão plena com Deus que esperamos no fim dos tempos (segue texto sobre Vida Consagrada.
TEXTO DE ALGUMAS PROPOSIÇÕES:
PROPOSIÇÃO 8: TESTEMUNHAR NUM MUNDO SECULARIZADO
Somos cristãos vivendo num mundo secularizado. Embora o mundo seja e continue sendo criação de Deus, a secularização tomou conta da cultura humana. Como cristãos, não podemos ficar indiferentes ao processo de secularização. Estamos de fato numa situação semelhante à dos primeiros cristãos e como eles devemos considerá-la ao mesmo tempo como um desafio e uma oportunidade. Vivemos no mundo, mas não somos do mundo (cf Jo 15,19; 17,11.16). O mundo é criação de Deus e manifesta seu amor. Em Jesus e por meio Dele, recebemos a salvação de Deus e somos capazes de nos dar conta do progresso da criação. Jesus nos abre as portas para nos renovar, podemos, sem temor, abraçar as chagas da Igreja e do mundo (cf Bento XVI).
No tempo presente, que apresenta aspectos mais difíceis de entender que no passado, somos como  o “pequeno rebanho” (Lc 12,32) damos testemunho da mensagem evangélica da salvação e somos chamados a ser sal e luz de um novo mundo (cf Mt 5,13-16).

PROPOSIÇÃO 9: NOVA EVANGELIZAÇÃO E PRIMEIRO ANÚNCIO

A base do primeiro anúncio, aspecto querigmático da Boa Nova, é o anúncio proeminente e explícito da salvação. “Transmiti-vos em primeiro lugar aquilo que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados segundo as Escrituras; foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas e depois aos doze” (1Co 15,3-5)
No “primeiro anúncio”, a mensagem do mistério pascal de Jesus Cristo, o “querigma”, proclamado com toda força espiritual deve levar ao arrependimento do pecado, à conversão do coração e à decisão de crer. Verifica-se então uma  continuidade entre a primeira proclamação e a catequese, em que se faz a instrução sobre o depósito da fé.
Consideramos necessário que o plano pastoral preveja o primeiro anúncio, de iniciação ao encontro vivo com Jesus Cristo. E que contenha igualmente os elementos do processo catequético, indicando como se inserem na vida das comunidades paroquiais.
Os padres sinodais propõem que se estabeleçam por escrito as linhas mestras do querigma, incluindo:
- o ensino sistemático do querigma na Escritura e na Tradição da Igreja Católica;
- os ensinamentos e escritos dos santos missionários e mártires de nossa história católica e que nos assistem nos desafios pastorais de nossos dias;
       - características e orientações para a formação dos evangelizadores católicos nos dias de hoje.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A XIII Assembleia do Sínodo dos Bispos: A Nova Evangelização para a transmissão da fé - (Parte 2)


Muitos outros temas tratados: a necessidade de diálogo entre o Evangelho e o mundo da cultura, da ciência, das universidades; a missão importantíssima dos leigos cristãos; o valor e o testemunho da vida religiosa e contemplativa no nosso mundo secularizado; a NE e os direitos humanos, a liberdade religiosa, o direito e dever de proclamar o evangelho, a promoção humana, a opção pelos pobres, o cuidado com os idosos e doentes, migrações, valor e atualidade da doutrina social da Igreja.
                Com relação à vida interna da Igreja foram debatidos temas como: a urgente necessidade de conversão da própria Igreja (pastores e fiéis), a santidade dos evangelizadores, a iniciação cristã (pede-se a alteração na ordem dos Sacramentos de Iniciação), a catequese (sobretudo com adultos), os catequistas e seu ministério instituído, o valor do Catecismo¸ a recuperação do sentido sagrado do domingo e da beleza e dignidade da Liturgia (ars celebrandi), as peregrinações, a urgência da educação, a via da beleza (no Evangelho brilha a beleza suprema que tanto buscamos).
                A última parte das Proposições aborda o tema dos "agentes e participantes da NE": a diocese e pastoral orgânica, a paróquia como um dos eixos da NE, o importante papel dos fieis leigos (especial relevo às mulheres... solicitou-se a instituição do ministério feminino do leitorado...), a família cristã com suas crises e desafios, os jovens, o diálogo ecumênico, inter-religioso, diálogo entre fé e ciência, o átrio dos gentios (espaço de diálogo com os não crentes), o cuidado com o meio ambiente, etc.
                Tanto o texto da Mensagem do Sínodo como das Proposições insistem no otimismo que deve tomar conta dos discípulos de Jesus e não o desânimo ou derrotismo diante das grandes dificuldades de evangelizar o mundo de hoje. Devem ser transformadas em novas oportunidades de anúncio do Evangelho. É interessante, por exemplo, o texto da Mensagem a respeito da visão que a Igreja tem dos jovens: "Estamos preocupados, sim, com os jovens, mas não pessimistas; preocupados porque justamente sobre eles recaem as invectivas mais agressivas de nosso tempo, mas não pessimistas, antes de tudo porque brotam em nossos jovens as aspirações mais profundas de autenticidade, verdade, liberdade, generosidade das quais estamos convencidos de que só Cristo pode ser a resposta capaz de saciá-los" (no. 9).
                Bento XVI falou da "desertificação espiritual" que vivemos hoje. No deserto, as estrelas brilham mais na noite escura; assim também deve brilhar mais o Evangelho no deserto espiritual do mundo de hoje, para que todos sejam por ele iluminados. Nesse sentido, é invocada a proteção de Maria, estrela da Evangelização, modelo supremo de discípulo de Jesus.


A P Ê N D I C E: ALGUNS TEXTOS  (tradução não oficial e às vezes imperfeita...)

Texto da Mensagem nº 7. Evangelização e Família
Desde a primeira evangelização a transmissão da fé na sucessão das gerações encontrou um lugar natural na família. Nela - com um papel muito especial desempenhado pelas mulheres, mas com isto não pretendemos diminuir a figura paterna e a sua responsabilidade - os sinais da fé, a comunicação das primeiras verdades, a educação para a oração, o testemunho dos frutos do amor foram inseridos na existência das crianças e dos jovens, no contexto da solicitude que cada família dedica ao crescimento dos seus filhos. Mesmo se na diversidade das situações geográficas, culturais e sociais, todos os Bispos no Sínodo reconfirmaram este papel essencial da família na transmissão da fé. Não se pode pensar numa nova evangelização, sem uma responsabilidade específica em relação ao anúncio do Evangelho às famílias e sem lhes dar apoio na tarefa educativa. Não escondemos o fato de que hoje a família, que se constitui no matrimônio de um homem e de uma mulher, que os torna «uma só carne» (Mt 19, 6) aberta à vida, é atravessada em toda a parte por fatores de crise, circundada por modelos de vida que a penalizam, descuidada pelas políticas daquela sociedade da qual é contudo a célula fundamental, nem sempre respeitada nos seus ritmos nem apoiada nos seus compromissos pelas próprias comunidades  eclesiais. Mas precisamente isto nos estimula a dizer que devemos ter uma solicitude particular pela família e pela sua missão na sociedade e na Igreja, desenvolvendo recursos de acompanhamento antes e depois do matrimônio. Desejamos expressar também a nossa gratidão aos muitos esposos e famílias cristãs que, com o seu testemunho, mostram ao mundo uma experiência de comunhão e de serviço que é semente de uma sociedade mais fraterna e pacificada. O nosso pensamento dirigiu-se também às situações familiares e de convivência nas quais não se reflete aquela imagem de unidade e de amor para toda a vida que o Senhor nos ensinou. Há casais que convivem sem o vínculo sacramental do matrimônio; multiplicam-se situações familiares irregulares construídas depois da falência de precedentes matrimônios: vicissitudes dolorosas nas quais sofre também a educação dos filhos na fé. A todos eles queremos dizer que o amor do Senhor nunca abandona ninguém, que também a Igreja os ama e é casa acolhedora para todos, que eles permanecem membros da Igreja mesmo se não podem receber a absolvição sacramental e a Eucaristia. As comunidades católicas sejam acolhedoras em relação a quantos vivem tais situações e amparem caminhos de conversão e de reconciliação. A vida familiar é o primeiro lugar no qual o Evangelho se encontra com o dia-a-dia da vida e mostra a sua capacidade de transfigurar as condições fundamentais da existência no horizonte do amor. Mas é importante também para o testemunho da Igreja mostrar como esta vida no tempo tem um cumprimento que vai além da história dos homens e alcança a comunhão eterna com Deus. À mulher samaritana Jesus não se apresenta simplesmente como aquele que dá a vida, mas como aquele que dá a «vida eterna» (Jo 4, 14). O dom de Deus, que a fé torna presente, não é simplesmente a promessa de condições melhores neste mundo, mas o anúncio que o sentido último da nossa vida está além deste mundo, naquela comunhão plena com Deus que esperamos no fim dos tempos (segue texto sobre Vida Consagrada.

Pe. Luiz Alves de Lima, sdb – participante do Sínodo

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Planejamento e programação para Catequese de 1ª Comunhão


Queridas (os) catequistas apresento-lhes uma sugestão para a formação de nossas crianças no Sacramento da Eucaristia, seguindo o método da Iniciação à Vida Cristã.
Inicialmente, deveríamos preparar uma ficha de inscrição onde colheríamos informações sobre a vida cristã da família do catequizando (Os pais participam das missas? receberam os Sacramentos da iniciação cristã, do Matrimônio? E os outros irmãos? Etc.). Os catequistas deveriam adquirir um caderno para registrar tudo (Portfólio) sobre seus catequizandos: lista de frequência, temas dos encontros, os motivos das ausências, fatos relevantes, etc.
O primeiro encontro envolveria os pais e as crianças, onde inicialmente seria apresentada a equipe de catequistas e a Estrutura Organizacional da Igreja Católica: Papa, o bispo da Igreja particular, a paróquia, padroeira (o), o pároco, as comunidades, horários das missas e confissões. Poderia desenvolver uma síntese, em quinze minutos sobre a importância do Sacramento da Eucaristia. Em seguida, selar acordos com as crianças e os pais sobre a regularidade na frequência dos encontros de catequese e reuniões com os pais, a participação nas missas e nos momentos fortes do ano litúrgico.
Também nesse encontro explicar sobre o papel do “introdutor”, e solicitar dos pais e crianças, a eleição de um introdutor para cada catequizando. O introdutor poderia ser um padrinho ou madrinha de batismo, ou ainda um (a) cristão (ã) católico que procura viver bem a sua fé. Ao longo de toda formação catequética, poderia agendar encontros mensais convidando os pais ou responsáveis pelas crianças, bem como as introdutoras (es), onde eles dariam testemunhos da vida das crianças e da participação nas missas e momento fortes da Igreja.
As etapas da catequese para a Primeira Comunhão Eucarística seriam a Pré-catequese, Catequese,Purificação e Iluminação e Mistagogia. Nesse artigo apresentarei algumas ideias para a primeira etapa.

Pré-catequese:
Um determinado tempo para acolhimento. As (Os) catequistas poderiam dar testemunhos de como aconteceu o chamado para servir ao Reino para estimular as crianças a revelarem suas reais expectativas no que se refere à Igreja e a preparação para a Primeira Comunhão Eucarística;

Momento para uma primeira evangelização e conversão a um estilo cristão de vida; A partir de uma experiência própria de oração, a (o) catequista deveria plantar em seus catequizandos o costume de rezar e invocar a Deus. Ensinar fazendo: como participar bem da Santa Missa, promover momento de adoração ao Santíssimo Sacramento, ensinar a rezar o terço, etc.

Rito de entrada (RICA 314 ss):
Esse momento celebrativo deve ser agendado para uma missa, na presença dos pais e toda família, padrinhos e introdutores, e com a participação da comunidade após as quatro ou seis semanas da primeira etapa. É necessário programar um ou dois momento de preparação para o ritual com os (as) catequizandos (as), e providenciar cordões com crucifixos, bíblias identificadas) e crachás para todos; duas mesas cobertas, sendo uma para as bíblias e a outra para os crucifixos dispostas em frente ao presbitério. Antes, porém, os catequistas deveriam se reunir com o padre para alinhamento do ritual,
tomando como fonte a partir do número 314 do RICA.

Sugestão para o ritual:

I. Antes de iniciar a missa, com uns vinte minutos de antecedência, organizar uma procissão de entrada com as crianças, pais, padrinhos e introdutores e o padre recebendo-os à frente do altar eucarístico (Canto);

II. Uma (Um) Catequista faz a chamada dos catequizandos. Quando chamadas, as crianças levantam o braço direito e respondem em alta voz: “Eis-me aqui Senhor”!

III. Saudação e exortação pelo presidente da celebração (RICA 317);

IV. Diálogo do padre com as crianças (RICA 318);

V. Diálogo do padre com os pais, padrinhos, introdutores e assembleia (RICA 320);

VI. Assinalação da fronte e dos sentidos e entrega do crucifixo (RICA 322);

VII. Após a homilia da missa: Entrega do livro da Palavra de Deus (RICA 328).

Bem, queridas e queridos catequistas, esse método com certeza é bem mais trabalhoso, mas, sem sombra de dúvidas é mais eficaz. Temos o privilégio de educar os nossos irmãos na fé, e na nossa missão, o que é mais importante é fazer com todos conheçam, amem e sirvam ao Senhor. Por isso, nos esforcemos para fazermos cada vez mais (eficiência) e melhor (eficácia), e que tudo seja para honra e glória do nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Luiz Carlos Ramos da Silva

A XIII Assembleia do Sínodo dos Bispos: A Nova Evangelização para a transmissão da fé - (Parte 1)

Com a colaboração do Pe. Luiz Alves de Lima iniciamos hoje a publicação de uma série de quatro artigos que falará da A Nova Evangelização para a transmissão da fé material esse trabalhado no Sínodo dos Bispos de 2012.

A Nova Evangelização para a transmissão da fé

Origem antiga da palavra SínodoSyn-hodos [sun+odós] significa: caminhar juntos, reunião, assembléia. Modernamente o Sínodo dos Bispos nasceu em 1965 para manter vivo o espírito do Vaticano II e ser instrumento da Colegialidade Episcopal (cada bispo tem responsabilidade também de toda a Igreja; por outro lado, é um modo de os bispos colaborarem no governo de toda a Igreja, junto com o Papa).

Os Padres Sinodais eram: 167 delegados das Conferências Episcopais da Igreja Católica Romana; 18 delegados das Igrejas Católicas Orientais;  10 eleitos pela União dos Superiores Gerais ; 26  Prefeitos da Cúria Romana; 40 eleitos pelo Papa (Beni, Santoro, Pres. e Secr. CELAM... Opus, Schoenstadt, Communione e Liberaz...).  Total: 261 com voz e voto (presença média de 255). Brasil: Odilo Scherer, Leonardo U. Steiner, Sérgio Rocha, Geraldo Lyrio, B. Beni + Braz Avis e Dionísio Lachovicz (paranaense, rito grego-católico-ucraniano). Outros participantes: 45 peritos, consultores (6 leigos, 3 leigas, 8 religiosas ,  2 religiosos, 28 sacerdotes diocesanos e religiosos) e 40 ouvintes  (Bruscato, Ivone, Guzman, Ari, Kiko, Flores, Marc, Pierick, Simón, Voce, Miano, Spinelli...); 2 Chefes de Igrejas não católicas:  Bartolomeu (Constantinopla) e Rowan Douglas Williams (Inglaterra) + 14 delegados fraternos e convidados especiais (entre eles Ir. Alois, que preside Taizé). TOTAL: 431 PARTICIPANTES.

Como o Sínodo vê a situação do mundo hoje quanto à Evangelização1) As transformações socioculturais do mundo de hoje colocam em cheque a força evangelizadora da Igreja; avanço do secularismo (tsunami)... fenômeno europeu, mas também americano  2) Clima de latente oposição ao cristianismo: imposição de modelo de vida sem a presença da dimensão religiosa... 3) perseguições a cristãos que vivem em ambiente mulçumano; 4) Há, por parte da Igreja institucional, grande preocupação em realizar sua missão evangelizadora; 5) Por toda parte surgem grupos de cristãos que buscam novas formas de evangelização.

TEMA do Sínodo: “Nova Evangelização para a transmissão da fé”. É Nova por que: 1) se refere aos já evangelizados afastados (pessoas e povos); 2) se refere aos cristãos já evangelizados (evangelização interna da Igreja): conversão, reforço e firmeza da fé fiducial (encontro pessoal com J. Cristo), TESTEMUNHO pessoal e comunitário; e 3) Anunciar o evangelho aos povos não cristãos: ad gentes.

2 Documentos do Sínodo: MENSAGEM (com 14 §§, elaborada por uma comissão, discutida e aprovada em plenário) 58 PROPOSIÇÕES (surgidas das intervenções em plenário durante a primeira semana em torno do Instrumento de Trabalho, das discussões nos grupos menores sintetizadas em 58 e depois aprovadas em assembleia). São entregues ao Papa para futura exortação apostólica. Além desses dois documentos, o Papa, e seus assessores, levam em conta os mais de 400 discursos ao longo do Sínodo, o Instrumento de Trabalho, os Lineamenta, e os 4 grandes relatórios feitos durante o sínodo.

Foi muito forte, durante o Sínodo, a presença do documento de Aparecida; inclusive algumas expressões próprias do documento de Aparecida, passaram para as PROPOSIÇÕES do Sínodo.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES DO SÍNODO: 1) Vivência mais profunda, mais autêntica e transparente da Fé dos cristãos; testemunho vital de fé, Ano da Fé; 2) Primeiro Anúncio: Querigma e consequente processo  de iniciação cristã. 3) Sacramentos da Iniciação Cristã para os já batizados: sua importância e renovação (inversão entre crisma e eucaristia!); 4) O encontro pessoal com Jesus Cristo na Igreja (Proposição 3): “Antes de falar a respeito das formas que essa NE deve assumir na Igreja, sentimos necessidade de exprimir a convicção profunda de que tudo, na fé, se decide na relação que se cria com a pessoa de Cristo, que vem ao nosso encontro. A NE consiste em propor de novo e sem cessar, ao coração e à mente, quase sempre distraídos e confusos, dos homens e mulheres de nosso tempo, a começar por nós mesmos, a beleza e a novidade perene do encontro de Cristo conosco. Convidamo-los todos a contemplar a face do Senhor Jesus Cristo, a mergulhar no mistério de sua existência, dada inteiramente por nós, até a cruz, reconfirmada como dom do Pai na sua ressurreição e que nos foi comunicada pelo Espírito. Na pessoa de Jesus se revela o mistério do amor de Deus Pai por toda a família humana, que Ele não quis deixar à deriva na sua impossível autonomia, mas a acolheu num renovado pacto de amor.

A Igreja é o espaço que Cristo oferece na história onde Ele pode ser encontrado, pois lhe confiou sua Palavra, o batismo, que nos torna filhos de Deus, seu Corpo e seu Sangue, a graça do perdão do pecado, em particular no sacramento da Reconciliação, a experiência de uma comunhão que é reflexo do mistério da Santíssima Trindade e finalmente a força do Espírito, que gera o amor para com todos.

Mas é preciso, na comunidade dos que O acolhem, que todos os marginalizados nela encontrem sua casa e façam uma experiência concreta de comunhão, na força ardente do amor – “Vejam como se amam!” (Tertuliano) – atraindo os olhares desencantados da humanidade contemporânea.

A beleza da fé deve brilhar, em particular na ação litúrgica, a começar pela Eucaristia do domingo.  Justamente nas celebrações litúrgicas é que a Igreja se manifesta como obra de Deus, tornando visível, em palavras e gestos, a significação do Evangelho.

Compete-nos hoje tornar acessível a experiência de Igreja, multiplicar os poços para os quais os homens e mulheres possam ser convidados para encontrar Jesus, oferecer-lhes oásis no deserto da vida. Esta a responsabilidade das comunidades cristãs e de cada discípulo do Senhor, a quem é confiado um testemunho pessoal insubstituível, para que o Evangelho possa alcançar a vida de todos, o que exige de todos, uma vida santa.”

Pe. Luiz Alves de Lima, sdb – participante do Sínodo

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A partilha que é boa para todos


Ao trabalhar com a Bíblia, é interessante ajudar a perceber que os milagres (os de Jesus, os dos profetas, nos dois Testamentos) devem ser vistos mais a partir do seu aspecto pedagógico do que por uma abordagem sensacionalista. O bom na reflexão sobre o milagre não é ficar só pensando: Mas que coisa fantástica! Que grande poder está manifestado aqui! Melhor seria se perguntar: o que é que Deus quer me ensinar com isso? Que tipo de “milagre” Ele quer que eu faça nas ações bem simples da meu viver diário? A partir daí os catequizandos poderiam imaginar como seria aplicada em sua vida a lição de fundo que o milagre quer comunicar. O mesmo valeria, é claro, para diálogos de Jesus e outros episódios. Sempre poderíamos nos perguntar: se Jesus vivesse hoje, com quem ele teria esse tipo de conversa? Que argumentos ligados à realidade de hoje ele usaria?
A multiplicação dos pães é um milagre em que fica bem fácil fazer esse tipo de reflexão. Alguém ofereceu o que tinha e, a partir disso, Jesus alimentou a multidão. Ele não fez aparecer do nada os pães e os peixes. Tudo começou com um primeiro gesto generoso de oferta. E sabemos que, na vida, muitas grandes obras começam com um primeiro aceno, uma primeira decisão em que alguém sai do seu egoísmo fechado para pensar no outro, para construir desinteressadamente algo de bom. Esse desinteresse significa que a pessoa não agiu pensando em obter algum tipo de vantagem.  Mas o empolgante é que, apesar disso ( ou talvez até por causa disso) todos saem ganhando. Afinal, se criamos um ambiente mais feliz e fraterno à nossa volta, nós também vamos usufruir a alegria que daí se origina. Uma catequese que desenvolva bem essa idéia vai transmitir um conceito bem mais atraente sobre as leis de Deus.
Isso me lembra uma parábola que fechava uma reflexão de uma de nossas Campanhas da Fraternidade. Era mais ou menos assim:
            Um príncipe estava em perigo e  foi salvo por três jovens que moravam em aldeias diferentes. Agradecido, deu um saco de sementes quase mágicas, capazes de gerar colheitas incríveis, como presente para cada um. Anos depois, passando pela região, o príncipe resolve visitar os três e ver o efeito de sua dádiva. Os dois primeiros moravam agora em fazendas bem grandes , cheias de guardas e cercas. Os vizinhos tinham se mudado porque não podiam concorrer com as grandes colheitas dos dois, as aldeias estavam quase desertas, sem outros recursos. O terceiro, porém, também morando agora numa fazenda muito próspera, vivia cercado de muito progresso: escolas, boas estradas, hospital, comércio florescente. É que ele tinha dividido suas sementes com os vizinhos e todos prosperaram juntos.
           
Imaginemos agora as diferentes Igrejas cristãs partilhando amigavelmente as “sementes” do trabalho do Reino, construindo juntas a nova sociedade pela qual Jesus nos chamou a trabalhar. Certamente estaríamos todos mais felizes e teríamos conseguido um progresso muito mais gratificante em nossas tarefas missionárias.  Para os de fora, um anúncio feito a partir de brigas internas não convence. Eles ficam pensando: eles estão interessados em prestígio, poder, querem levar vantagem... Mas Igrejas que se comportassem como companheiras na pregação do evangelho estariam, por sua própria atitude, mostrando que levam muito a sério o amor que anunciam. Progredir juntos é muito mais proveitoso e atraente do que avançar derrotando os outros. Além dos recursos que a aldeia do terceiro jovem conquistou, ele também ganhou muito no nível pessoal porque com certeza conquistou um grande número de amigos entre os vizinhos. É desse jeito que Deus nos convida a trabalhar. As “sementes” que ele nos deu são vigorosas o bastante para produzir tudo de bom, mas a produção certamente será muito mais  gratificante se tivermos companheiros em vez de concorrentes.
Podemos fazer isso no campo do ecumenismo? Não haveria aí um risco de desvalorizar a nossa Igreja? A catequese tem que mostrar o valor especial da Igreja Católica, herdeira da mais firme e direta tradição apostólica, é claro. Mas é a nossa Igreja mesmo que nos diz que devemos trabalhar com essa cooperação fraterna. Já estamos comemorando o 50º aniversário do Concílio Vaticano II, em que a Igreja nos disse, em declaração bem oficial: “este Santo Sínodo exorta os fiéis católicos a que, reconhecendo os sinais dos tempos, participem no trabalho ecumênico”. UR 4. Afirmou também: “Este Sacrossanto Sínodo deseja com insistência que as iniciativas dos filhos da Igreja católica se desenvolvam unidas às dos irmãos separados: não se ponham obstáculos aos caminhos da Providência.” UR 24
É uma tarefa delicada, que só pode ser bem desenvolvida por quem ama profundamente a sua Igreja, sabe o quanto ela é responsável pela herança evangélica, conhece bem a nossa doutrina. Só assim se fará ecumenismo sem concessões prejudiciais, sem mistura do tipo “vale tudo”, podendo cada um entrar no diálogo como representante da Igreja e não como alguém que sem identidade religiosa definida. Mas, para isso, temos que contar muito com uma catequese bem conduzida, que dê segurança a quem se coloca em diálogo e quer trabalhar em conjunto onde isso for possível. 

Therezinha Cruz

Notícias Encontro coordenadores Regionais, direto de Brasília


Nós, coordenadores regionais para a Animação Bíblico-Catequética, estamos reunidos em Brasília com a Coordenação nacional para o encontro de formação e partilha de experiências referentes ao processo catequético em nossos regionais. Foram indicados os seguintes temas na programação: o itinerário catequético- iniciação à vida cristã ; partilha das experiências dos regionais a respeito do processo de iniciação à vida cristã; estudo do evangelho de Lucas em vista do mês da Bíblia; partilha das intuições do Sínodo dos Bispos para a Bíblia-Catequese; 
Outros Temas ainda sugeridos:
30 anos do Documento Catequese Renovada 
Processo de iniciação à vida cristã. - sensibilização dos padres e catequistas 

Devocionismo dos Movimentos e Catequese 
Segundo Congresso de Animação Bíblica 
III seminário de Catequese indígena : 25-28 de abril / Manaus 
Catequese junto as pessoas com deficiência - elaboração de material especifico 
Diretório ( Arqui)diocesano de catequese 
Um grande abraço aos queridos e queridas catequistas do Regional Sul 1 
Pe. Paulo Gil

Fonte: Regional SUL1

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Homilia do 1º. Domingo da Quaresma – Ano C - Ir ao deserto e enfrentar as tentações


Ir ao deserto. Na primeira leitura, vemos que o Povo de Israel fundamenta a sua fé em algo bem concreto: Deus conduziu Abraão, e depois o Povo todo para um êxodo, uma saída. O Povo viveu uma experiência pascal, indo ao deserto e experimentando um Deus que liberta e que faz aliança; mas também um Deus que põe a prova. Jesus também vai ao deserto, preparando-se para o seu ministério que será uma grande Páscoa – a passagem da morte para a vida.

O deserto é o lugar da tentação. O Povo de Israel foi tentado ao viver uma experiência de total despojamento, o que o trouxe a tentação de desconfiar de Javé. Jesus, conduzido pelo Espírito, viveu esta experiência antes de sua vida pública. Os padres eremitas da antiguidade viam o deserto como o lugar de luta contra o demônio: no silêncio e na solidão se revela os males do interior dos eremitas. Ao se deparar com o seu verdadeiro eu, aprendiam a vencer aquilo que se opunha ao projeto de Deus.

Jesus é tentado no deserto. Jesus é humano em todas as suas ações, pensamentos e sentimentos: Ele sente sede e fome, fica frustrado com seus amigos, enfurece-se com os vendilhões, chora no túmulo de Lázaro, muda de idéia com a insistência da Cananéia... E tal fato se evidencia na tentação. Ele como qualquer um de nós é tentado a sucumbir, a falhar, a se render ao prazer, ao ter, ao poder... São estas as três forças que se opõem ao projeto do Pai, que foi assumido pelo Senhor:

a) “Se és filho de Deus, manda que estas pedras se mudem em pão”. É a tentação de buscar ser saciado a todo custo. Nós queremos ser saciados, precisamos de alimento, de abrigo, de proteção... Torna-se perigoso quando nos esquecemos a saciez do coração, a saciez do pão da Palavra. Deus não está a serviço de nossos caprichos. Deseja antes que nos orientemos para sua vontade. Por isso, Jesus responde: “Não só de pão vive o homem!”

b) “Eu te darei todo este poder e toda a sua glória...” O diabo é o doador dos bens, e pede adoração. É fácil perceber como nos curvamos diante dos bens deste mundo. É preciso evitar os extremos do acúmulo egoísta como aquele homem da parábola que guardou tudo no celeiro e foi surpreendido pelo fim da vida, como o extremo do consumismo que realiza a busca da felicidade na obtenção dos bens anunciados pela mídia, proclamados como segurança.

c) “Se és filho de Deus, atira-te daqui para baixo!” É a tentação de se usar o poder para o exibicionismo, em benefício próprio... Também queremos o prestígio, o reconhecimento, a fama, o respeito. Somos tentados a fazer o mau uso do poder para obter tudo isso. Pais, mestres, chefes, religiosos... De alguma forma, todos nós temos algum poder. O que fazemos com ele?

O Diabo e afastou e voltará no tempo oportuno. Não apenas para tentar a Jesus, mas para tentar cada um de nós. É tempo de tomarmos consciência de nossa fraqueza, certos de que eliminar todo o mal do coração é um processo para vida toda. 

Pe. Roberto Nentwig

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Quaresma


Terminado o carnaval, que teve na sua origem, a despedida das festas populares com muita fartura, com muita carne, para agora dar início a um novo Ciclo Litúrgico. Com a quarta-feira de cinzas começa o Tempo da Quaresma. São quarenta dias de abstinência, de sacrifício e de conversão, um caminho de preparação para a Páscoa.
Para quem pretende viver de modo cristão, a quaresma é de recomeço e preparação do espírito para acolher Jesus Cristo ressuscitado no momento da Páscoa. De intensificar as práticas de fé no sentido de ser pessoa nova, melhor e capaz de proporcionar o bem para os demais, descobrindo na Palavra de Deus a força cristã.
É importante entender que não podemos colocar a fé a serviço de interesses pessoais. Estamos diante da tentação de reduzir a vida ao bem-estar, ao consumismo fácil, aos ídolos do dinheiro, do mercado e da religião milagreira. A quaresma nos leva a pensar como vencer esses “demônios” presentes de forma forte diante de nós.
É hora de reconhecer a presença de Deus na história e em cada pessoa, reavivar a fé com fecundidade dentro do caminho de libertação. Esta é a meta da quaresma, despindo-nos de todo tipo de maldade, egoísmo, desonestidade, para assumir atitudes de vida autêntica, livre e transformada com base na esperança em Cristo.
A quaresma nos faz pensar em duas forças contrárias: de um lado, a luta entre o Espírito, que é vida e liberdade; de outro, o diabo, que é fanatismo e opressão. Estamos diante de uma escolha que, a partir dela, temos um itinerário de vida que poderá nos trazer alegria, felicidade e liberdade, ou tristeza, sofrimento e infelicidade.
São quarente dias de sacrifício, citado pela bíblia como jejum, esmola e oração, que nos leva a olhar para Cristo na cruz, conscientes de que a vida é marcada por sofrimentos, mas projetada na dimensão da alegria da ressurreição. A quaresma significa vencer com coragem as tentações que nos acompanham, seguindo o exemplo de vida de Jesus Cristo.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.
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