quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Epifania do Senhor


Epifania significa a manifestação de Deus. O Senhor nos ama, fez-se carne e veio morar entre nós. Deseja que todos o conheçam, que todos o amem, quer se mostrar a todos. O menino na manjedoura de Belém é o início de uma nova etapa da manifestação de Deus a humanidade.

Deus se manifesta a todos, sem distinção. Na primeira leitura, vemos que povos de várias nações vieram adorar o Senhor. Os magos são homens sábios de nações estrangeiras. Se os sábios do povo eleito tardaram em reconhecê-lo, os estrangeiros vieram adorar o Senhor. Estas referências nos remetem para a universalidade da salvação.

Seria muito mesquinho nos considerarmos um grupinho de escolhidos e salvos. Deus tem um caminho para cada pessoa, independente do seu credo, da sua cor, da sua raça, da sua classe social. Muitos não estão em nossas igrejas e outros nem creem no Cristo. De algum modo, Deus também tem um plano para eles, Deus se manifesta a eles, e também estes têm acesso a salvação. Nossa missão é ser luz, como Jerusalém, a Cidade Santa que brilha a luz do Senhor para todos os povos: “Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu a glória do Senhor” (Is 60,1). A missão da Igreja não é trazer para dentro dela todos os não-crentes, mas sim ser a manifestação (epifania) do amor misericordioso de Deus que acolhe a todos. Ainda muitos estão excluídos da vida da Igreja. Antes de nos acomodarmos como os salvos, devemos nos questionar e procurar fazer de nossa comunidade e de nossos grupos, espaços mais acolhedores. É nossa missão nos abrirmos a todos, a amarmos a todos sem distinção, sem julgar previamente, sem considerar alguém como não merecedor da graça do Cristo.

A Festa da Epifania também nos ensina que Deus se manifesta a quem sabe se colocar a caminho. Os magos vieram do Oriente, caminharam longas distâncias, enfrentaram a dureza de Herodes e o pó da estrada. Foram eles o sinal do povo que caminha, que é peregrino pelas estradas da vida. Ser cristão exige caminhar, sair, desestabilizar-se. É muito comum encontrarmos pessoas acomodadas em sua vida, estacionadas nos seus hábitos, na sua maneira de pensar. Sair exige ousadia. A ousadia de não saber onde se encontra a perdida Belém. Realmente é mais fácil ficar em casa, não se abrir aos outros, não aderir a novas e necessárias convicções, não tentar mudar de vida, não se converter... Estaríamos, nós, estacionados em alguma dimensão da vida?

Mas os magos não andaram sem direção. A estrela guiava caminho deles. Eles tinham um norte, tinham uma guia. Deus não deixa ninguém perdido. Quando perderam a estrela, perderam o sentido, sentiram-se confusos, pararam para perguntar a Herodes. Mas de repente a estrela reapareceu: “Ao verem a estrela, os magos sentiram uma grande alegria” (Mt 2,10). Quando nós perdemos a estrela que nos guia, vamos ao lugar errado. Quantas vezes perdemos a estrela: aquela voz divina que nos guia, aquelas convicções mais profundas, aquela fé originária que nos remonta ao que há de mais puro dentro de nós... A estrela de Deus sempre brilha e quer nos orientar.

Quando os magos viram a estrela, se encheram de alegria. Nós precisamos encontrar a estrela que nos guia, reencontrando a alegria de seguir o caminho certo, o caminho que nos faz felizes, o caminho que chega até a desprezada Belém onde se prostra o pobre Jesus no meio dos animais e dos pastores na estrebaria. A estrela vai nos levar a caminhos inusitados, fazendo-nos mudar o coração e abrir-se a simplicidade e a pobreza que nos faz encontrar o Senhor.

Pe Roberto Nentwig

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