quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

4º. Domingo do Tempo Comum - C


Nenhum profeta é bem aceito (ou mais próximo do termo grego, agradável) em sua pátria. Jesus, o homem da graça, que anuncia palavras cheias de graça, que se agrada de todos, não é agradável em sua pátria...

O profeta não é aceito em sua própria pátria. Jesus é reconhecido como um simples filho de José. No critério dos líderes judeus, um filho de José não tem vez, não tem prestígio, não tem lugar. Em nossa sociedade, são muitos os filhos de José que não tem voz e vez. Aceita-se mais tranquilamente quem é revestido de uma autoridade, quem tem poder ou dinheiro. As vozes dos pobres e humildes não são reconhecidas facilmente como palavras divinas.

Jesus é desprezado pelos seus. Foi questionado por sua própria família, foi rejeitado pelos judeus, quase foi jogado do precipício pelos seus vizinhos. Jesus relembra o caso da viúva de Sarepta e de Naamã, personagens que, embora estrangeiros, receberam o favor de Deus. Jesus quer deixar bem claro que ninguém é dono de Deus, pois Ele se manifesta na liberdade do Espírito, a todos, sem distinção. Exatamente os membros do povo escolhido rejeitaram o Filho de Deus, enquanto o mesmo Senhor foi aceito pelos pagãos. Nós cristãos devemos acolher esta palavra como um alerta. Também foi-nos dado a grande graça do Cristo, mas podemos rejeitá-lo, deturpando nossa prática religiosa. Podemos igualmente desejar que Jesus faça uma clínica de curas, sem reconhecer a sua palavra libertadora e transformadora. Isso acontece quando os cristãos cruzam os braços e manipulam a religião em benefício próprio, quando vivem a fé sem encanto e sem vida. Enquanto isso, alguns de fora da Igreja deixam-se tocar com sinceridade pelo Cristo e se dedicam à prática do amor. Lembremos de que ao amor não é monopólio de ninguém, nem Deus, nem a graça, nem a salvação...

Jesus é rejeitado, como foram os profetas do Antigo Testamento. Temos o exemplo de Jeremias que sofreu a guerra e a perseguição (Jr 1,19). A rejeição é causada pelo profetismo. Nem sempre nosso discurso será doce, pois as estruturas do mal precisam ser desmascaradas. A Palavra de Cristo deve nos desinstalar e nos colocar em atitude de denúncia, deve nos conduzir ao testemunho de amor e de justiça que perturba o mundo. Aqui é preciso ter cuidado, pois podemos cometer o grande engano de confundir profetismo com a condenação do mundo: uma atitude de fuga de tudo aquilo que, aparentemente, poderia colocar em risco a religião e a fé. Não precisamos de cristãos que condenem com azedume as iniciativas do mundo laico, as ciências, os pensadores, os filmes... Não estamos numa atitude de guerra contra a humanidade, contra a pós modernidade, contra o pensamento livre... O que deve incomodar é o nosso testemunho de amor. Este é o critério de profecia e de julgamento do mundo. A crítica medrosa sem a caridade não tem valor algum.

O amor é o critério que nos ajuda a discernir sobre as motivações de nossa vida. Pode-se continuar a lista de São Paulo: “Ainda que eu seja uma pessoa trabalhadora, ainda que eu procure ser um bom pai ou mãe, ainda que eu trabalhe na Igreja, ainda que eu vá a missa todos os domingos... Se eu não amar, de nada vale...” O amor contém um componente afetivo, algo que envolve o interior, os sentimentos... É também racional, pois exige uma decisão que vence as resistências egoístas. Depende de uma escolha que nos faz relevar o lado sombrio do coração das pessoas para amá-las com gratuidade. O julgamento apressado e forte retira da alma a caridade. O amor jamais acabará!

Pe. Roberto Nentwig

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