sábado, 26 de janeiro de 2013

3º. Domingo do Tempo Comum – C

“Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabaste de ouvir”. O Povo de Israel foi escravo no Egito. Moisés foi o mediador da libertação desta situação de opressão. Depois de peregrinar no deserto, com muitos esforços, este povo instalou-se na Terra Prometida. No séc. VI a.C., o mesmo povo foi deportado pelo império da Babilônia. Com o império Persa, os deportados puderam voltar a sua terra, mas encontram-na devastada. No ano de 458 a.C., um escriba chamado Esdras voltou com um grupo de refugiados para renovar a aliança e a religião do Povo de Israel. O que fez este homem com outros líderes? Reuniu todo o Povo num lugar amplo: crianças e adultos, para que ouvissem a Palavra de Deus. Talvez não tenha sido necessária uma longa explicação para que aquelas pessoas entendessem o recado. Começaram a chorar de emoção, quando perceberam que aquele povo libertado por Javé eram eles próprios, que o Deus que libertou o seu povo com mão forte estava novamente reconstituindo a liberdade dos seus filhos amados. Neste dia deveriam voltar pra casa e comer na alegria, celebrando as graças de Deus na história.



Nossa religião, como a de Israel, faz-se pela narrativa das ações de Deus no meio de seu povo. Poderia ser apenas uma fábula, mas não é. Trata-se de uma história que realmente aconteceu: a libertação do Egito, a volta dos deportados, a existência de Jesus de Nazaré. Lucas, no início do seu Evangelho, afirma com veemência que se trata de uma história verdadeira, não de uma fábula inventada. E de fato, demorou muito para que alguém ousasse dizer que Jesus não era um personagem  verdadeiro, pois as evidências históricas são grandes (o primeiro a contestar a existência de Jesus de Nazaré foi Bruno Bauer, que viveu entre 1808-1882).

Diante de nossos olhos está uma história verdadeira, uma história de libertação, uma história de amor. Mas seria a nossa religião uma mera lembrança do passado? A resposta é não. O Povo que ouvia a proclamação da Palavra no tempo de Neemias e Esdras se identificava com o que ouvia. Jesus, ao proclamar a leitura do profeta Isaías, disse que estava acontecendo hoje esta Palavra. Isso porque a Palavra de Deus é uma memória. Não no sentido de ser uma lembrança. Memória, na teologia bíblica, significa que a ação do passado é atualizada no presente e que abre uma o nosso coração para a esperança do futuro. Por isso, hoje nós somos o Povo de Deus que sai do cativeiro, hoje a Palavra é proclamada aos pobres, os cegos são curados, os contritos de coração são sarados, hoje é o ano da graça do Senhor!

Jesus é o Messias. Ele tem autoridade para dizer que o tempo chegou, e nós vivemos este tempo, este hoje, este tempo de graça. Como o povo que voltou do Exílio, temos diante de nós a mesma Palavra, com a mesma força, com o mesmo mistério, com a mesma graça. Por isso devemos nos deixar tocar, pois é também a nossa história: nós estamos no texto, nós podemos ser o Povo de Israel, podemos ouvir as palavras de Neemias e Esdras, podemos caminhar com Pedro, ou até sermos os ouvintes da Sinagoga. Comemos e bebemos com o Senhor, somos ressuscitados por Ele.

Podemos atualizar a palavra de Deus, prolongando a missão libertadora de Jesus: curar os feridos, proclamar a boa notícia aos pobres... Jesus continua agindo, age no mundo, no mistério da vida, na Igreja, age por nossas mãos. Existem maneiras simples de continuar a ação libertadora do Senhor: ser um ouvido amigo, doar o tempo por alguém que precisa, ser testemunha da verdade, ser proclamador por atos e palavras da alegria da salvação trazida por Jesus... Existem muitas pessoas sem rótulos religiosos sendo sinais verdadeiros da atuação presente da obra de Cristo.

Se formos nós os pobres, os prisioneiro ou os cegos do Evangelho, podemos acolher a graça libertadora de Jesus que vem em nosso auxílio. Existem correntes que nos aprisionam. Existem pessoas que são prisioneiras de si mesmas: dos seus vícios, dos seus sentimentos, dos seus apegos, de seu egoísmo. Jesus no quer livres... E se a Palavra de Deus tem uma força de atualidade, o Evangelho proclamado hoje é a nossa libertação.

Pe Roberto Nentwig

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