quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Ser profeta


Dizemos que, acima de todas as coisas, deve estar o amor, a dedicação e a afirmação do propósito do que deve ser realizado. Assim é a identidade do profeta, daquele que acredita no que realiza, procura ser original e vê o que os outros não veem. Ele consegue enxergar além e age testemunhando o que é de sua convicção.

No entendimento bíblico, profeta é aquele que fala em nome de outro, em nome de Deus, por exemplo, e sente o porvir com muita serenidade. Na visão popular, o profeta é capaz de prever o futuro. Ele é pessoa dotada, que coloca seus dons a serviço do bem da comunidade, diferente de quem apenas cria sensacionalismo na vida do povo, influenciando toda a sociedade.

O verdadeiro profeta anuncia o pensamento de Deus sobre o que está para acontecer. Assim o fizeram os profetas do Antigo Testamento, preparando a realização do Novo Testamento. Certas realidades de futuro podem ser previstas, mesmo que a pessoa não seja profeta, como é o caso da tragédia de Santa Maria, RS.

Ambientes mal projetados podem ser causa de graves tragédias. Sobre isto pesa alto grau de responsabilidade, tanto de quem executa, quanto de quem fiscaliza. Significa que todos devem ter um pouco de profeta, de amor cristão e de respeito à vida. A prosperidade econômica não pode estar acima do valor da pessoa.

Na mesma dimensão, podemos colocar o problema da dengue. A proliferação do mosquito transmissor e muito rápida, tendo como causa o descuido da população. Seu combate não depende apenas da ação do poder público, mas de cada cidadão. Neste momento, todos nós temos que ser profetas na ação preventiva.

O profetismo deve nos tirar do comodismo, deve modificar as estruturas, superar as deficiências e criar dinamismo na sociedade. Por isto, o profeta é sempre perseguido e querem tirar-lhe a voz. Muitas pessoas querem ficar no peso das estruturas e dos interesses individuais, preferindo conviver com realidades que prejudicam o povo, em vez de abrir caminhos novos.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

4º. Domingo do Tempo Comum - C


Nenhum profeta é bem aceito (ou mais próximo do termo grego, agradável) em sua pátria. Jesus, o homem da graça, que anuncia palavras cheias de graça, que se agrada de todos, não é agradável em sua pátria...

O profeta não é aceito em sua própria pátria. Jesus é reconhecido como um simples filho de José. No critério dos líderes judeus, um filho de José não tem vez, não tem prestígio, não tem lugar. Em nossa sociedade, são muitos os filhos de José que não tem voz e vez. Aceita-se mais tranquilamente quem é revestido de uma autoridade, quem tem poder ou dinheiro. As vozes dos pobres e humildes não são reconhecidas facilmente como palavras divinas.

Jesus é desprezado pelos seus. Foi questionado por sua própria família, foi rejeitado pelos judeus, quase foi jogado do precipício pelos seus vizinhos. Jesus relembra o caso da viúva de Sarepta e de Naamã, personagens que, embora estrangeiros, receberam o favor de Deus. Jesus quer deixar bem claro que ninguém é dono de Deus, pois Ele se manifesta na liberdade do Espírito, a todos, sem distinção. Exatamente os membros do povo escolhido rejeitaram o Filho de Deus, enquanto o mesmo Senhor foi aceito pelos pagãos. Nós cristãos devemos acolher esta palavra como um alerta. Também foi-nos dado a grande graça do Cristo, mas podemos rejeitá-lo, deturpando nossa prática religiosa. Podemos igualmente desejar que Jesus faça uma clínica de curas, sem reconhecer a sua palavra libertadora e transformadora. Isso acontece quando os cristãos cruzam os braços e manipulam a religião em benefício próprio, quando vivem a fé sem encanto e sem vida. Enquanto isso, alguns de fora da Igreja deixam-se tocar com sinceridade pelo Cristo e se dedicam à prática do amor. Lembremos de que ao amor não é monopólio de ninguém, nem Deus, nem a graça, nem a salvação...

Jesus é rejeitado, como foram os profetas do Antigo Testamento. Temos o exemplo de Jeremias que sofreu a guerra e a perseguição (Jr 1,19). A rejeição é causada pelo profetismo. Nem sempre nosso discurso será doce, pois as estruturas do mal precisam ser desmascaradas. A Palavra de Cristo deve nos desinstalar e nos colocar em atitude de denúncia, deve nos conduzir ao testemunho de amor e de justiça que perturba o mundo. Aqui é preciso ter cuidado, pois podemos cometer o grande engano de confundir profetismo com a condenação do mundo: uma atitude de fuga de tudo aquilo que, aparentemente, poderia colocar em risco a religião e a fé. Não precisamos de cristãos que condenem com azedume as iniciativas do mundo laico, as ciências, os pensadores, os filmes... Não estamos numa atitude de guerra contra a humanidade, contra a pós modernidade, contra o pensamento livre... O que deve incomodar é o nosso testemunho de amor. Este é o critério de profecia e de julgamento do mundo. A crítica medrosa sem a caridade não tem valor algum.

O amor é o critério que nos ajuda a discernir sobre as motivações de nossa vida. Pode-se continuar a lista de São Paulo: “Ainda que eu seja uma pessoa trabalhadora, ainda que eu procure ser um bom pai ou mãe, ainda que eu trabalhe na Igreja, ainda que eu vá a missa todos os domingos... Se eu não amar, de nada vale...” O amor contém um componente afetivo, algo que envolve o interior, os sentimentos... É também racional, pois exige uma decisão que vence as resistências egoístas. Depende de uma escolha que nos faz relevar o lado sombrio do coração das pessoas para amá-las com gratuidade. O julgamento apressado e forte retira da alma a caridade. O amor jamais acabará!

Pe. Roberto Nentwig

sábado, 26 de janeiro de 2013

3º. Domingo do Tempo Comum – C

“Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabaste de ouvir”. O Povo de Israel foi escravo no Egito. Moisés foi o mediador da libertação desta situação de opressão. Depois de peregrinar no deserto, com muitos esforços, este povo instalou-se na Terra Prometida. No séc. VI a.C., o mesmo povo foi deportado pelo império da Babilônia. Com o império Persa, os deportados puderam voltar a sua terra, mas encontram-na devastada. No ano de 458 a.C., um escriba chamado Esdras voltou com um grupo de refugiados para renovar a aliança e a religião do Povo de Israel. O que fez este homem com outros líderes? Reuniu todo o Povo num lugar amplo: crianças e adultos, para que ouvissem a Palavra de Deus. Talvez não tenha sido necessária uma longa explicação para que aquelas pessoas entendessem o recado. Começaram a chorar de emoção, quando perceberam que aquele povo libertado por Javé eram eles próprios, que o Deus que libertou o seu povo com mão forte estava novamente reconstituindo a liberdade dos seus filhos amados. Neste dia deveriam voltar pra casa e comer na alegria, celebrando as graças de Deus na história.



Nossa religião, como a de Israel, faz-se pela narrativa das ações de Deus no meio de seu povo. Poderia ser apenas uma fábula, mas não é. Trata-se de uma história que realmente aconteceu: a libertação do Egito, a volta dos deportados, a existência de Jesus de Nazaré. Lucas, no início do seu Evangelho, afirma com veemência que se trata de uma história verdadeira, não de uma fábula inventada. E de fato, demorou muito para que alguém ousasse dizer que Jesus não era um personagem  verdadeiro, pois as evidências históricas são grandes (o primeiro a contestar a existência de Jesus de Nazaré foi Bruno Bauer, que viveu entre 1808-1882).

Diante de nossos olhos está uma história verdadeira, uma história de libertação, uma história de amor. Mas seria a nossa religião uma mera lembrança do passado? A resposta é não. O Povo que ouvia a proclamação da Palavra no tempo de Neemias e Esdras se identificava com o que ouvia. Jesus, ao proclamar a leitura do profeta Isaías, disse que estava acontecendo hoje esta Palavra. Isso porque a Palavra de Deus é uma memória. Não no sentido de ser uma lembrança. Memória, na teologia bíblica, significa que a ação do passado é atualizada no presente e que abre uma o nosso coração para a esperança do futuro. Por isso, hoje nós somos o Povo de Deus que sai do cativeiro, hoje a Palavra é proclamada aos pobres, os cegos são curados, os contritos de coração são sarados, hoje é o ano da graça do Senhor!

Jesus é o Messias. Ele tem autoridade para dizer que o tempo chegou, e nós vivemos este tempo, este hoje, este tempo de graça. Como o povo que voltou do Exílio, temos diante de nós a mesma Palavra, com a mesma força, com o mesmo mistério, com a mesma graça. Por isso devemos nos deixar tocar, pois é também a nossa história: nós estamos no texto, nós podemos ser o Povo de Israel, podemos ouvir as palavras de Neemias e Esdras, podemos caminhar com Pedro, ou até sermos os ouvintes da Sinagoga. Comemos e bebemos com o Senhor, somos ressuscitados por Ele.

Podemos atualizar a palavra de Deus, prolongando a missão libertadora de Jesus: curar os feridos, proclamar a boa notícia aos pobres... Jesus continua agindo, age no mundo, no mistério da vida, na Igreja, age por nossas mãos. Existem maneiras simples de continuar a ação libertadora do Senhor: ser um ouvido amigo, doar o tempo por alguém que precisa, ser testemunha da verdade, ser proclamador por atos e palavras da alegria da salvação trazida por Jesus... Existem muitas pessoas sem rótulos religiosos sendo sinais verdadeiros da atuação presente da obra de Cristo.

Se formos nós os pobres, os prisioneiro ou os cegos do Evangelho, podemos acolher a graça libertadora de Jesus que vem em nosso auxílio. Existem correntes que nos aprisionam. Existem pessoas que são prisioneiras de si mesmas: dos seus vícios, dos seus sentimentos, dos seus apegos, de seu egoísmo. Jesus no quer livres... E se a Palavra de Deus tem uma força de atualidade, o Evangelho proclamado hoje é a nossa libertação.

Pe Roberto Nentwig

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Construtor incansável


Numa dimensão de fé, dizemos que Deus, o criador do universo, continua construindo as realidades existentes de forma muito atuante e dinâmica. É um processo que acontece através da atuação de cada pessoa, que pode ser por um duplo caminho, seja aquele do bem ou o do mal. As marcas vão ficando na história da vida de cada comunidade.

A vida tem dimensão de caminhada, de esperança e de objetivos a serem atingidos. É fundamental a perseverança e coragem em tudo que é realizado, um verdadeiro casamento com os objetivos do bem. Isto significa ser incansável, ter uma prática de vida que luta pelo melhor para todos, superando todo tipo de rotina e ritualismos vazios.

O que consegue dar verdadeira sustentação ao construtor do bem é a fidelidade à lei maior, que é o amor, fruto de uma vida de justiça e de coerência com o exercício da verdade. O mundo existe por causa da pessoa humana. Por isto deve ser trabalhado na dimensão da fraternidade, fazendo com que os ambientes sejam acolhedores.

Não podemos perder de vista que a vida acontece através de diversos desencontros, de decepções, mas também de grandes esperanças. A conquista do bem comum passa por um itinerário de unidade na diversidade, porque cada pessoa é livre na execução de suas iniciativas. O importante é ter sinceridade e ser incansável.

Na sena das Bodas de Caná, na Galileia, numa festa de casamento, a água é transformada em vinho. Construir é projetar realidades novas, revitalizar as condições da existência e com um olhar focado na melhora de vida para todos. Não basta construir se isto não for feito para trazer condições de vida melhor e saudável.

O entusiasmo vem de encantamento, mas isto não pode ser fruto de atitudes imaturas e irresponsáveis. Amar o próximo implica trabalhar para que a vida seja preservada e vivida com plena dignidade. Até dizemos que a água deve estar sempre sendo transformada em vinho, passando de uma qualidade amena para outra de pleno vigor.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

2º. Domingo do Tempo Comum – C


O casamento é uma imagem utilizada pela Bíblia para falar do amor de Deus. Deste modo, expressa algo que é demasiadamente sublime de um modo concreto e simples. Deus ama como um esposo fiel, com um amor ciumento, mas nem sempre conta com a fidelidade de sua esposa. Ele realiza uma aliança de amor, que tantas vezes é quebrada. Ao contrário do seu povo, Deus nunca desiste do seu amor. O Povo, depois do exílio, sente-se escolhido e consolado por Deus; não é mais a esposa abandona, mas a esposa querida, a terra que o Senhor se agradou. No evangelho, Jesus está numa festa de casamento, não apenas para fazer um milagre (chamado de sinal na linguagem Joanina), mas para manifestar a sua glória, o seu plano de amor.

As bodas revelam outro casamento, que será realizado quando chegar a hora. A hora é marcada pela exaltação do Senhor na cruz, quando Ele manifesta a sua entrega por amor. Então, abre-se caminho para as bodas, para a união entre o humano e o divino. A partir da Páscoa, pelo amor, todos nós podemos celebrar as bodas de casamento, que será plena na glória. Somos o Povo escolhido para a festa de matrimônio do Senhor.

As bodas de Caná simbolizam a superação da antiga lei, representada pelas talhas de pedra, que agora dão lugar ao vinho novo. As pedras e a água simbolizam a frieza da antiga lei, que precisa ser superada. É preciso superar o ritualismo, o legalismo, o azedume de um seguimento vazio. Hoje é comum perceber o retorno para fórmulas que já deveriam ser superadas: religião da lei, dos preceitos (do pode e não pode), do dever, das rubricas do missal, da importância das vestes e das pompas, da fuga do mundo, da condenação das expressões culturais e da ciência, do que nos é estranho, e talvez daquilo que desestabilize a nossa segurança. Os cristãos, embebidos do vinho novo, não formam um gueto, uma seita que foge do mundo, mas se unem para ser fermento de transformação a partir do testemunho. Dialoga com tudo o que é mundano e humano e, por isso, também divino.

A água fria das talhas representa tudo o que é velho, frio, opressor, cítrico, sem vida. Transformar a água em vinho significa dar novo sentido à vida. É preciso abandonar as pedras do enrijecimento, da dureza de coração, do julgamento, da agressão, do velho, daquilo que aprisiona. Quais são nossas talhas de pedras, hoje? Deixemos que elas sejam renovadas pelo vinho novo do Senhor.

Se as pedras com água são sinais da tristeza, o vinho (bebida nobre) é o sacramento da festa e da alegria. Quando o vinho acaba, termina a alegria, a festa fica sem sabor. Em nossa vida, muitas vezes o vinho acaba... É o que acontece com as festas da vida: os namoros, os casamentos, as consagrações, as profissões, as escolhas... Começam bem, mas enfrentam crises naturais. O ser humano, um eterno insatisfeito, experimenta sensações de falta de sentido. E aí, não é hora de desistir, mas de transformar a água em vinho, pois o Esposo que nos ama não vai deixar de fazer o sinal. Mas precisamos descobrir esta bebida, muitas vezes escondida no interior de nossos relacionamentos, de nossas experiências, de nossa mística. É preciso não perder a alegria, não perder os sonhos, não perder os ideais. Aí se encontra o vinho novo dado por Jesus. O Senhor nos convida para a embriaguez do vinho novo, para uma festa de vida em liberdade e no amor.

Maria é a intercessora que, por sua ternura, viabiliza junto a Jesus que a festa não perca a sua graça. A mãe de Jesus sempre está presente. A presença de Maria nos torna mais dóceis, mas carinhosos, mais afetivos. Nossa experiência de Deus é mediada pelo carinho de uma mãe. Não podemos deixar isso de lado. E o que ela nos pede? “Fazei tudo o que ele vos disser!” A felicidade está na obediência da Palavra do Esposo.

Quando chegará a sua hora? A hora do Senhor é o momento da manifestação do seu amor. Certamente já chegou a hora de Jesus em muitos momentos de nossa vida. Talvez ignoremos algumas destas horas, deixando de perceber os seus sinais divinos em nossa vida. Deixamos de reconhecer que, em muitas ocasiões, Ele tomou nossas talhas de pedra, tornando-as transbordantes do vinho da festa.

Sua hora foi a cruz, manifestação do amor de Deus. Sua hora definitiva será na Glória, quando haverá o encontro com o Ele: Então “o Espírito e a Esposa dizem: ‘Vem!’ Possa aquele que ouve dizer também: ‘Vem!’”(Ap 22,17a). A resposta do Esposo canta a mesma canção: “Sim! Eu venho depressa!” (Ap 21,20). Por isso, “Felizes o convidados para o Banquete Nupcial do Cordeiro!” Felizes todos aqueles que participarão das núpcias eternas, aqueles que bebem do vinho novo da salvação enquanto esperam a embriague da festa da Eternidade.

Pe. Roberto Nentwig

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Com aula inaugural Regional Nordeste 2 dá inicio a primeira escola Regional para a Animação Bíblico-Catequética Ir Visitation


A Comissão para Animação Bíblico-Catequética do Regional Nordeste II realizou no período de 10 a 13 de janeiro, o estudo do primeiro módulo da Escola Regional de Catequese Irmã Visitatio com o objetivo de preparar catequistas para bem desenvolver a missão catequética nas dioceses e paróquias do nosso regional.

A aula inaugural aconteceu na noite do dia 10 com a mesa redonda composta por Dom Mariano, Pe. Elison e demais professores do curso sobre a temática: Formação de Catequistas para Iniciação à Vida Cristã. O curso será realizado em quatro módulos no período de dois anos.

O primeiro módulo teve como tema: O Querigma: Eixo Bíblico-Catequético. Dentro desta modalidade estudamos as disciplinas: Introdução à Sagrada Escritura- ministrada pelo Pe. Elison Silva da Arquidiocese de Maceió e coordenador da Comissão Regional Nordeste II para a Animação Bíblico-Catequética; Caminhos de Interpretação da Palavra -ministrada pelo Diác. Edmar da Arquidiocese de Natal; Jesus Cristo: Cartas Paulinas- minsitrada pelo Esp.em Catequese Pe. Jorge Ivan da Arquidiocese da Paraíba e Jesus Cristo: Escritos Joaninos - ministrado pelo Profº  Luiz Carlos da Arquidiocese de Maceió.

Na ocasião contamos com a presença integral de Dom Mariano Manzana - Bispo responsável pela Comissão Regional Pastoral para Animação Bíblico-Catequética do Regional Nordeste II. 

O Regional Nordeste II é composto por 21 dioceses, porém apenas 14 estavam presentes, somando um total de 41 catequistas participantes.

A escola foi realizada no Convento Seráfico Santo Antônio no Sítio Ipuarana Zona Rural da cidade de Lagoa Seca/PB. O segundo módulo: Catecumenato: Eixo teológico-catequético acontecerá de 27 a 30 de junho na mesma localidade.

Fonte: Regional Nordeste 2

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Batismo do Senhor – C


Jesus não necessitava do Batismo de João Batista. Ele aceitou o Batismo para se tornar solidário aos pecadores. Mesmo sem pecado, Jesus desejou estar no meio dos pecadores. O Senhor quis descer para resgatar a todos, pois o caminho da salvação é o rebaixamento que torna possível encontrar o caído onde ele está. Jesus percebeu que algo precioso na pregação de João: todos eram admitidos para o Batismo no Jordão, independente de sua classe, sexo ou posição. Bastava se arrepender e mudar de vida. Para ser solidário a este povo excluído da religião judaica (pobres, mulheres, publicanos...), Jesus aceitou o sinal de João.

Além disso, o Batismo de Jesus manifesta o Espírito e marca o início de sua missão. A ação do Espírito faz dele o ungido do Pai: é o Cristo (=Messias, ungido, enviado), aquele que recebeu a missão de entregar-se pela humanidade. “Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito e com poder. Ele andou por toda a parte fazendo o bem e curando...” (At 10,38).

Todos os evangelhos sinóticos narram o Batismo de Jesus. A marca do Evangelista Lucas é a descida do Espírito Santo sobre o Senhor, quando o mesmo se encontra em oração. A vida de Jesus é toda conduzida pelo Espírito Santo. Mas é na intimidade, na sua relação com o Pai, em sua vida de oração, que o Jesus descobre os caminhos que deve trilhar. Sua vida é movida a partir da intimidade com o Pai, na unidade com o Espírito.

A festa deste dia nos traz importantes lições. Como Jesus, somos convidados a solidariedade com os sofredores. É necessário ter verdadeira compaixão, ou seja, sofrer com aquele que sofre.
Além disso, somos batizados no Espírito, que orienta, suscita e fortalece. Este mesmo Espírito nos faz cristãos (=ungidos, enviados). Este Espírito nos move na medida em que nos abrimos. Tal abertura se dá quando estamos dispostos a fazer a vontade do Pai, e a vontade do Pai é revelada e fixada em nosso coração pela oração. Seguindo o exemplo de Jesus, não rezaremos como interesseiros que desejam um Deus escravo de nossos desejos, mas para descobrir a vontade do Pai e para se abrir à ação do Espírito. Como batizados, deveremos curar as doenças, ser luz, testemunhar o amor de Deus...

O Batismo nos mergulhou no mistério trinitário. Fez-nos participantes do mistério Pascal de Cristo. Estamos neste mundo para viver como filhos amados em Cristo, e animados pelo Espírito do Senhor. Pelo Batismo, as mortes são geradoras da vida, quando cada sofrimento é visto na dinâmica da Páscoa.

Pe. Roberto Nentwig

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Epifania do Senhor


Epifania significa a manifestação de Deus. O Senhor nos ama, fez-se carne e veio morar entre nós. Deseja que todos o conheçam, que todos o amem, quer se mostrar a todos. O menino na manjedoura de Belém é o início de uma nova etapa da manifestação de Deus a humanidade.

Deus se manifesta a todos, sem distinção. Na primeira leitura, vemos que povos de várias nações vieram adorar o Senhor. Os magos são homens sábios de nações estrangeiras. Se os sábios do povo eleito tardaram em reconhecê-lo, os estrangeiros vieram adorar o Senhor. Estas referências nos remetem para a universalidade da salvação.

Seria muito mesquinho nos considerarmos um grupinho de escolhidos e salvos. Deus tem um caminho para cada pessoa, independente do seu credo, da sua cor, da sua raça, da sua classe social. Muitos não estão em nossas igrejas e outros nem creem no Cristo. De algum modo, Deus também tem um plano para eles, Deus se manifesta a eles, e também estes têm acesso a salvação. Nossa missão é ser luz, como Jerusalém, a Cidade Santa que brilha a luz do Senhor para todos os povos: “Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu a glória do Senhor” (Is 60,1). A missão da Igreja não é trazer para dentro dela todos os não-crentes, mas sim ser a manifestação (epifania) do amor misericordioso de Deus que acolhe a todos. Ainda muitos estão excluídos da vida da Igreja. Antes de nos acomodarmos como os salvos, devemos nos questionar e procurar fazer de nossa comunidade e de nossos grupos, espaços mais acolhedores. É nossa missão nos abrirmos a todos, a amarmos a todos sem distinção, sem julgar previamente, sem considerar alguém como não merecedor da graça do Cristo.

A Festa da Epifania também nos ensina que Deus se manifesta a quem sabe se colocar a caminho. Os magos vieram do Oriente, caminharam longas distâncias, enfrentaram a dureza de Herodes e o pó da estrada. Foram eles o sinal do povo que caminha, que é peregrino pelas estradas da vida. Ser cristão exige caminhar, sair, desestabilizar-se. É muito comum encontrarmos pessoas acomodadas em sua vida, estacionadas nos seus hábitos, na sua maneira de pensar. Sair exige ousadia. A ousadia de não saber onde se encontra a perdida Belém. Realmente é mais fácil ficar em casa, não se abrir aos outros, não aderir a novas e necessárias convicções, não tentar mudar de vida, não se converter... Estaríamos, nós, estacionados em alguma dimensão da vida?

Mas os magos não andaram sem direção. A estrela guiava caminho deles. Eles tinham um norte, tinham uma guia. Deus não deixa ninguém perdido. Quando perderam a estrela, perderam o sentido, sentiram-se confusos, pararam para perguntar a Herodes. Mas de repente a estrela reapareceu: “Ao verem a estrela, os magos sentiram uma grande alegria” (Mt 2,10). Quando nós perdemos a estrela que nos guia, vamos ao lugar errado. Quantas vezes perdemos a estrela: aquela voz divina que nos guia, aquelas convicções mais profundas, aquela fé originária que nos remonta ao que há de mais puro dentro de nós... A estrela de Deus sempre brilha e quer nos orientar.

Quando os magos viram a estrela, se encheram de alegria. Nós precisamos encontrar a estrela que nos guia, reencontrando a alegria de seguir o caminho certo, o caminho que nos faz felizes, o caminho que chega até a desprezada Belém onde se prostra o pobre Jesus no meio dos animais e dos pastores na estrebaria. A estrela vai nos levar a caminhos inusitados, fazendo-nos mudar o coração e abrir-se a simplicidade e a pobreza que nos faz encontrar o Senhor.

Pe Roberto Nentwig

Mais um ano


Em clima de Epifania, isto é, da manifestação de Jesus Cristo para o mundo, celebramos o primeiro domingo de 2013, certamente num propósito firme de fazer com que seja um ano de paz, de harmonia, progresso e valor da vida humana. Esta é uma realidade que se torna concreta com o esforço de cada cidadão.

A revelação de Deus, que no passado era feita pelos profetas, nos acontecimentos e fatos, agora se plenifica na vinda de seu Filho, que se encarna numa criança tão simples e indefesa. Deus não se revela de forma triunfal e com sinais espetaculares. A sua grandeza acontece na humildade e na simplicidade da vida.  

Jesus nasce e se torna uma “estrela” para todos os povos. Ela clareia o coração das pessoas para que sejam comprometidas com a natureza criada, com o meio ambiente e com a vida em geral. Isto acontece na liberdade, no respeito para com a decisão de cada pessoa, não impondo nada sobre suas decisões particulares.

Deus vem a nós com a proposta do Reino. Ele acontece nos gestos de bondade e de vida, naquilo que faz com que o ser humano se torne divino. Para isto é necessário reconhecer os sinais da “estrela-guia”, tornando-nos também sinais de autenticidade humana para o mundo. Assim estaremos contribuindo para o bem de todos.

Os Reis Magos foram a Belém, ao encontro do Menino. Levaram consigo presentes de valor. O ouro representava a realeza de Deus, indicando que Ele era o verdadeiro rei, dignidade reconhecida pelos Magos. O incenso indicava que Ele era Deus e deveria ser adorado. A mirra era alusiva à humanidade de Jesus, mostrando que Deus estava assumindo a condição humana.

Os Magos eram pagãos, mas foram guiados por uma estrela até Jesus. Nós somos guiados por quem e onde temos encontrado Deus? Ou ele não existe dentro de nossos princípios? Que presentes lhe temos oferecido ou, que tipo de atitudes, que realizamos, revelam a presença de Deus em nós? Um fecundo 2013 para você.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.
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