quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Solenidade de Cristo Rei do Universo – B


No tempo de Jesus era comum falar de reis e de reinos. Seguindo pela história antiga e medieval, encontraremos muitos nobres, senhores triunfantes, destacados por suas vestes e símbolos de poder. Hoje o que nos resta é a monarquia quase simbólica de alguns países como a Inglaterra, que ainda nos oferecem as imagens glamourosas de rainhas longevas e casamentos fashions de príncipes.

Mas mesmo este cenário não nos ajuda muito a entender a solenidade que conclui o ano litúrgico. Por muitos séculos, a Igreja se habituou a pintar o Cristo de modo monárquico. É preciso bater no peito, como nos fala hoje o livro do Apocalipse, antes mesmo do retorno glorioso do Senhor e reconhecer que a imagem de um nobre em seu trono e com vestes vistosas não tem proximidade alguma com Jesus de Nazaré. O Evangelho de hoje nos desconcerta, apresentando o Rei do Universo no final de sua história terrena sendo julgado como um bandido. E lá foi Jesus humilhado por um Procurador Romano e condenado a morte de cruz.

Que reino este é proclamado pelo Cristo? O Reino dele não é deste mundo (Jo 18,23). Se fosse deste mundo, Jesus seria triunfante e não humilhado, a evidência de sua majestade seria percebida por todos.

Os reinos deste mundo permanecem... Talvez reinem. Há o reino do poder que ordena, que favorece poucos, que ostenta, que abusa do direto, que humilha. Há o reino da vaidade que julga pelas aparências e que não se contenta as coisas pequenas. Há o reino do dinheiro que pensa ser possível comprar tudo e todos. Estes reinos se fazem presentes na vida política e social, na Igreja, no trabalho e em nossas relações humanas e familiares. Estes reinos, sim, são deste mundo e nos seduzem.

Já o Reino do Senhor Jesus é bem diferente. Nele prevalece o amor, a ternura, a verdade, a justiça, a liberdade. O seu reino se manifesta na beleza da flor, no sorriso da criança, no abraço sincero, na escuta atenciosa de uma pessoa que sofre. Manifesta-se quando optamos deixar de lado o nosso egoísmo e escolhemos aquilo que não dá lucro e nem vantagem aparente. Manifestou-se em um jovem crucificado, dilacerado pelos chicotes, traspassado pela lança e pelo ódio de quem não entendeu a sua proposta de amor, verdade e bem aventurança...

Ao celebrarmos Cristo Rei, devemos contemplar o verdadeiro Rei e entender qual é o verdadeiro Reino. A reflexão de hoje fundamenta-se na verdade. Se continuássemos a leitura do Evangelho deste domingo, Pilatos iria retrucar: “O que é a verdade?” O Procurador romano é um cético, ou seja, não acredita na verdade. Mas ao se deparar diante da Verdade não é possível fugir dela. Neste dia em que meditamos sobre o Senhor Rei que veio para trazer o Reino da Verdade, devemos fazer a pergunta de Pilatos; não um questionamento cético sobre a verdade, mas uma pergunta autêntica sobre a nossa própria verdade, verificando o quanto ela se une à verdade do Senhor e do seu Reino. Qual é a sua verdade? Lá está o seu reino!

Pe. Roberto Nentwig

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