segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Priorizar, sem desprezar!


Não me considero retrógrada, entendo perfeitamente a preferência da Igreja que nos últimos anos nos instiga à Iniciação Cristã, priorizando os adultos e sei também o porquê  do pedido (devemos cuidar para não fazermos a leitura ao pé da letra e não priorizar um, desprezando o outro). Não sou alienada, faço parte dessa sociedade de adultos batizados, não iniciados, católicos nada comprometidos. A missão da Igreja é evangelizar, fazer discípulos missionários... E quando dizemos "Igreja", nos referimos a todos: Bispos, padres, ministros, catequistas, todas as pastorais (todas!!!) e movimentos. Temos  grandes progressos, iniciativas lindas em se tratando da Iniciação à Vida Cristã.

Porém, em muitos lugares, ainda se tem a idéia de que cabe aos catequistas a missão de evangelizar e  se existem "católicos" inconstantes, incrédulos, nada comprometidos, isso se deve unicamente a "essa" catequese falha. Que tal, nos unirmos e mostrarmos que de fato ‘somos um’ em Cristo e que todos devemos assumir nosso compromisso de batizados.  Não seria essa a pastoral de conjunto que muitos documentos pedem?  Iniciação Cristã é papel de toda Igreja. Infelizmente ainda fazemos parte de uma Igreja, onde  cada pastoral está no seu quadrado.

Incomoda-me  quando ouço  de palestrantes, lideranças,  formadores, um certo desprezo com relação à catequese com crianças, adolescentes. Precisamos sim, ter consciência que a Iniciação à Vida Cristã, acontece num processo de catequese continuada, rumo ao amadurecimento na fé, que em muitos casos, inicia-se na idade infantil. A questão é iniciar  na fé, todos os que nos são confiados.  Se iniciamos os pequeninos,  deixemos de lado a catequese infantilizada, sacramentalista,  os formemos de maneira adulta, na certeza de que essa remessa serão os adultos cristãos de amanhã. Se tivermos essa preocupação, alguém lá na frente não vai precisar "retocar" nosso trabalho, se ocupando em evangelizar os adultos que outrora foram nossos catequizandos. Depois, quem trabalha com crianças, adolescentes, jovens, tem em suas mãos uma grande oportunidade de evangelizar e tocar os corações da família. Pois, não seria na catequese com crianças, o lugar onde se concentra o maior número de adultos? Quantos desses foram de fato iniciados na fé? O que não se concebe é não ter um trabalho de evangelização paralelo com essas famílias no período da catequese.

Por outro lado, devemos sim, correr atrás do prejuízo, evangelizando os  demais adultos de nossa comunidade, através de uma eficaz catequese de Iniciação com adultos. A propósito, em sua paróquia existe um trabalho organizado para acolher os adultos que querem se tornar cristãos? E melhor, existe um trabalho missionário, que vá em busca desses adultos? Se não! Está na hora de elaborar um plano de ação.
  
Termino essa minha fala com as palavras de Pe Boris: "Acredito muito na força dos catequistas, ministros da Palavra, não porque sejamos fortes, mas porque servimos aquele que é a força da vida, que é o nosso Deus que se manifesta, se revela não só nas Escrituras, mas de diversas formas, e nós somos servidores da Palavra, portanto, portamos um tesouro valioso dentro de nós e que habita no nosso meio." (Pe Boris Agustin Nef Ulloa- 1º Simpósio Animação Biblica da Pastoral - regional sul 1- CNBB)

E é esse tesouro valioso que precisamos fazer conhecido e amado por todos, não se detendo nessa ou naquela faixa etária. Sabe qual foi a fonte de inspiração para esse meu texto? Foi quando na noite de ontem, uma catequista,  partilhava comigo  sobre como teria sido seu encontro com os pais de sua turma, uma turma de pré catequese, crianças de 07, 08 anos. Uma mãe, emocionada dá seu testemunho, ela dizia que sua filhinha de 07 anos tinha duas coisas que sonhava, uma delas, era que a mãe participasse da missa com ela, pois até então, ia à missa com a avó. Essa mãe, resolve atender ao pedido da filha. Agora, se essa mãe não tivesse sido tocada por Deus, através da filha, ela teria dado esse testemunho? Por isso, insisto, essa etapa é a oportunidade de evangelizar um monte de adultos. Cabe ao catequista, perceber o momento de agir e não ficado acomodado esperando a hora da graça passar.

Sendo assim, trabalhemos com afinco, com crianças, adolescentes, jovens e adultos, tendo um carinho todo especial pelos adultos afastados(sem radicalismo), pois os adultos, cujos filhos estão na catequese, estão bem perto de nós e essa é a hora de evangelizá-los.

Com carinho!
Imaculada Cintra, catequista apaixonada pelos pequenos, mas, consciente de que sou catequista de “IVC”, com a missão de formar os futuros adultos cristãos e evangelizar hoje os adultos afastados, batizados não evangelizados...

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