segunda-feira, 26 de novembro de 2012

50 anos do Concílio Vatiano II


Concilio para renovar a Igreja. O Papa João XXIII pôs a Igreja a discutir, em tribuna livre, no Concílio Vaticano II (1962-1965), a presença e missão da Igreja no mundo moderno. Após seu falecimento, o Concílio prosseguiu com Paulo VI. O discurso inaugural de João XXIII abriu espaço para uma revolução teológica e pedia ao Concílio: a) ser pastoral, ecumênico e não de condenações; b) propor a volta da Igreja aos seus fundamentos bíblicos e históricos; c) atualizar e renovar a Igreja (aggiornamento); d)  colocar a Igreja a serviço da humanização e da evangelização do mundo contemporâneo, em constante diálogo com ele.

O pós-Concílio: avanços, conflitos e retrocessos. As novidades do Concílio logo se espalharam, gerando euforia de sonhos, propostas e experiências. Para os leigos, a liturgia serviu de vitrine das novidades. Para o clero diocesano e para os religiosos foi oportunidade de avançar nos documentos e no espírito do Concilio e assumir a liderança das transformações (teologia, celebrações, modo de vestir, inserção no meio do povo). João XXIII queria uma Igreja alegre e atrativa. Mas surgiram medos, desconfiança, resistências, conflitos e alternativas à Igreja em renovação: espiritualismo carismático sem compromisso social; estímulo ao devocionismo; juridicismo; formas arcaicas do tradicionalismo; discursos admoestadores, etc. 

O Concílio e a América Latina. A recepção do Concílio teve dois marcos históricos fundamentais: a) A Segunda Conferência dos Bispos do Continente, em 1968, em Medellín, Colômbia: b) os primeiros passos da Teologia da Libertação. Apoiou-se: a) a opção preferencial pelos pobres; b) as Comunidades Eclesiais de Base; c) a Vida Consagrada inserida no meio dos pobres; d) a simplicidade e pobreza no estilo de vida eclesial e eclesiástico; e) a educação libertadora; f) um laicato engajado na renovação e animação da Igreja e no compromisso pela transformação sociopolítica da sociedade. Mas, a oposição surgiu forte visando deter a caminhada renovadora do Concílio.

O Concílio hoje. Que, no Ano da Fé, retomemos os grandes impulsos renovadores do Concílio: a) o encontro pessoal com Jesus Cristo; b) a construção da comunidade eclesial como comunidade de comunidades; c) o primado da Palavra de Deus e da Eucaristia para alimentar a espiritualidade; d) a tradição cristológica da teologia latino-americana, que nos coloca em coerência com o Jesus histórico e o Cristo da fé, o andarilho pobre da Palestina, vivendo entre os pobres, ele que ressuscitado está no meio de nós; e) a promoção e formação inicial e continuada dos leigos (as), pois o Concílio Vaticano II afirmou corajosamente a base laical da Igreja.; f) o fortalecimento da colegialidade no governo herárquico da Igreja, ainda exercido excessivamente na linha monárquica e em forma solitária. É preciso humanizar a Igreja, com a vivência da fraternidade, do serviço, da simplicidade; g) aprofundar o diálogo ecumênico, inter-religioso e cultural; h) avançar no profetismo da opção pelos pobres e da luta pela justiça social e da pela sábia preservação do planeta terra. 

nery.israel@lasalle.org.br

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