quinta-feira, 15 de novembro de 2012

33º. Domingo do Tempo Comum – B


Muito se fala do livro do Apocalipse, atribuindo-se a ele algumas previsões a respeito do fim do mundo. Na verdade, a linguagem apocalíptica não é exclusividade do chamado livro das Revelações. Na liturgia da Palavra deste domingo, percebemos textos apocalípticos no livro de Daniel e no Evangelho de Marcos.

Estamos diante de um gênero literário. A Bíblia tem várias formas de dizer as coisas: ora, fala em forma narrativa, ora, em forma de carta, ora, em forma de ditos sapienciais... É como nas conversas cotidianas: existe um modo de falar para pedir uma informação a um atendente de telefone, outro para relatar um fato a um amigo, outro para fazer uma declaração de amor, outro ainda para partilhar uma tristeza profunda. Nem sempre as linguagens são descrições exatas de situações. Quando queremos dar ênfase em nossas ideias, exageramos. Usamos expressões como: “estava morrendo de medo”, “a casa caiu”, “feio de doer”. Quem conhece tais expressões sabe que ninguém morreu, que nenhuma construção foi desfeita e nada doeu; são apenas metáforas. Assim, quando lemos no Evangelho que o sol vai escurecer e que a lua não vai mais brilhar, não devemos tomar ao “pé da letra”. Trata-se de um gênero literário que tem uma finalidade.

O que pretendem os textos apocalítpticos? Tais textos foram escritos em momentos de grande dificuldade, quando a conjuntura das coisas apontava para a desgraça, para a calamidade, para a guerra... Em tais situações, a Palavra de Deus se revelou com uma conotação peculiar, descrevendo a iminência de grandes destruições com cores fortes. É como um grito de alguém correndo perigo. Quando tudo está mal, é comum se exagerar nas palavras negativas e recorrer a Deus. Aqui está a grande revelação apocalíptica: embora tudo pareça estar ruim, Deus não nos abandona jamais. Por isso, resta-nos firmar a esperança no Deus que vem, pois nossa confiança não está presa a este mundo que passa.

Em nossas vidas, passamos por situações de profunda dor. As crises podem advir em muitos momentos da existência. Nestas horas, temos a oportunidade de olhar para além das aparências, de verificar quais são os sinais dos tempos, de perseverar no bem e de esperar em Deus. Do contrário, iremos caminhar para a lamúria infindável, para o desânimo ou colocaremos a culpa nos outros e no próprio Deus.

“O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13,31). Tudo é efêmero... As coisas construídas pelas mãos humanas e os eventos da história passam. Ficam pra trás o glamour das vitórias, bem como as dores dos fracassos. Porém Deus e sua Palavra permanecem. É preciso ter sempre esta certeza diante de nossos olhos, para que a vida siga com serenidade.

“Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe...” (Mc 13,32). Não acreditemos nas previsões catastróficas. Deus não deseja a destruição final, mas a restauração de sua obra. O Evangelho nos fala que quando o Senhor voltar, Ele reunirá os eleitos. Ou seja, no fim dos tempos, teremos uma comunidade de fiéis. O Reino será a comunhão de amor de uma fraternidade universal. Isso será motivo de festa, por isso, não precisamos temer. Nossa tarefa é preparar a cada dia o Reino vindouro. Os dias de nossa vida são únicos e irrepetíveis. O que fazemos com eles, são consequências de nossas próprias decisões. Tenhamos consciência que cada escolha terá uma consequência para a eternidade.

Pe. Roberto Nentwig

Um comentário:

  1. Muito boa esta reflexão do evangelho. Procuremos viver nossos dias querendo bem o nosso próximo e respeitando a vida.

    Paulo Cesar

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