sexta-feira, 30 de novembro de 2012

28. Anunciar e dialogar


Acho interessante perceber que, entre os documentos oficiais da nossa Igreja que não tratam especificamente de ecumenismo e diálogo inter-religioso, os que mais dedicam parágrafos a esse tema são exatamente os que se relacionam com o trabalho missionário.

Pensando bem, é natural que seja assim. Afinal, uma das primeiras perguntas que as pessoas fazem diante da proposta de diálogo inter-religioso diz respeito à necessidade do anúncio da nossa identidade de fé. As pessoas indagam: Vamos dialogar e respeitar a crença dos outros? Então como fica a Verdade em que acreditamos? Vamos ter que relativizar tudo? 

Nossa Igreja nunca deixou de afirmar que Jesus é a revelação plena de Deus, a máxima manifestação do Amor que o Criador tem por nós, a melhor notícia que se pode dar á humanidade. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. É o Salvador de todos, porque foi nele que se manifestou de maneira mais completa o amor desse Deus que não desiste de nós. Até por uma questão de amor ao próximo, não estamos dispensados de anunciar a todos o amor que Deus manifestou em Jesus.

Mas isso não significa menosprezar as experiências religiosas de outros porque elas podem ser também meios de realizar a vontade de Deus. No documento Diálogo e Anúncio, do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, nossa Igreja nos diz:

É através da prática daquilo que é bom nas suas próprias tradições religiosas, e segundo os ditames de sua consciência, que os membros das outras religiões respondem afirmativamente ao convite de Deus e recebem a salvação em Jesus Cristo, mesmo se não o reconhecem como o seu Salvador, DA 29  

Vamos perceber bem o que diz o texto acima. A salvação vem sempre de Jesus, não há outro salvador. Ele é o Salvador de todos, porque o que salva é o amor de Deus, do qual ele é plena manifestação. Mas esse Deus está presente na consciência das pessoas que querem fazer o bem e essa consciência voltada para o bem pode ser também alimentada pelo que há de melhor em outras tradições religiosas. A salvação dessas pessoas está incluída na salvação que Jesus veio trazer.

Isso leva a um respeito pelo melhor que membros de outras religiões já vivem, mas não dispensa os cristãos de dar testemunho do que descobriram e vivem em Cristo. Afinal, cremos que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens, que nele está a plenitude da revelação. Temos que proclamar isso, principalmente com a nossa vida, o nosso testemunho. Mas isso deve ser feito em clima de respeito pelas outras tradições religiosas, como nos diz o mesmo documento Diálogo e Anúncio: “Os cristãos não devem esquecer que Deus também se manifestou de certo modo aos seguidores de outras tradições religiosas e, por conseguinte, são chamados a considerar as convicções e os valores dos outros com abertura.” DA 48

Evangelização se faz com testemunho, com disposição para servir ao Evangelho ,as também com amor e respeito às tradições religiosas de tantas pessoas e povos que Deus também criou e ama. É nossa obrigação sermos missionários, mas devemos reconhecer que o Espírito chega antes de nós, porque Deus é um Pai que não abandona nenhum de seus filhos.

Therezinha Cruz

Um comentário:

  1. Gostaria de lembrar que há uma aproximação entre "testemunho cristão" e respeito às "sementes do Verbo" presentes em outras religiões. Quer dizer, se um cristão não reconhecer e respeitar essa presença, ele jamais dará testemunho de sua própria Fé.

    Fernando A. de Rezende
    fdr2877@terra.com.br
    Taguatinga-DF

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