sexta-feira, 23 de novembro de 2012

27. Silêncio, uma forma de negação


De vez em quando, encontro alguém se opõe a qualquer conversa sobre ecumenismo. Mas isso é raro. O mais freqüente é encontrar gente que desconhece o assunto ou está mal informada sobre o que a Igreja tem a dizer sobre esse tema. Há confusões de muitos tipos. Alguns confundem ecumenismo (que é diálogo, encontro para promover a unidade na diversidade) com sincretismo (que é mistura de idéias e práticas de religiões diferentes). Há os que se referem ao vizinho protestante como alguém que tem “outra religião”, desconhecendo que a religião é a mesma ( são ambos cristãos), diferente é a Igreja, a denominação cristã a que o outro aderiu. E de ambos os lados se ouvem afirmações sobre o outro que são conseqüência de uma total falta de informação, da transmissão de um conhecimento preconceituoso. Por exemplo: já tive que ter uma longa conversa com um irmão evangélico que me afirmava com firmeza– como se soubesse mais do que eu sobre o assunto – que a minha Igreja proíbe sempre a comunhão nas duas espécies.

O mais comum, porém, é que o assunto ecumenismo seja simplesmente desconhecido. Cada Igreja tem outras coisas a comunicar e apenas “esquece” dessa proposta de busca da unidade. Aí entra muito a responsabilidade da catequese. Em algumas outras Igrejas sei que o assunto não será mencionado – pelo menos de forma positiva – porque não faz parte da proposta da denominação em questão. Mas, em nossa Igreja Católica, excluir esse tema será mutilar a doutrina da própria Igreja. Se houver, em algum material catequético, uma postura nitidamente anti-ecumênica, isso pode até causar  algum protesto, alguém pode pedir uma correção do parágrafo que destoa da posição oficial da Igreja. O que mais acontece, no entanto, é que o assunto nem seja abordado. Um encontro catequético sobre Batismo, por exemplo, dificilmente incluirá uma observação sobre o fato de que a nossa Igreja reconhece a validade desse sacramento quando ele é praticado por muitas outras Igrejas (não todas). Crianças e jovens crescem dentro da Igreja sem ter um estudo do que deve ser feito – e do que já se faz – nesse campo. O silêncio muitas vezes vem mesmo do sacerdote, que deve conhecer bem melhor as normas da Igreja. Já perdi a conta das ocasiões em que, participando da missa e vendo que as leituras bíblicas apontam claramente para a possibilidade de um esclarecimento sobre ecumenismo na homilia, tenho o desapontamento de verificar que nem uma palavra sobre isso é dita. 

Gostaria de ver manuais de catequese que dedicassem algum encontro ao ecumenismo e tivessem menções a essa dimensão do trabalho em outros temas. Se alguém estiver usando um material que contemple esse aspecto, por favor me comunique. Gostaria muito de divulgar esse avanço para ajudar outros a acabar com o silêncio sobre essa proposta tão relevante da nossa Igreja para os tempos atuais.

Therezinha Cruz

Um comentário:

  1. Cara therezinha, concordo com voce, mas te digo que ainda irá longe o dia da união entre os cristãos. Claro que pensando como você, entendo que precisamos fazer mais do que rezar, mais voce mesma relata que eles julgam que sabem mais que nós mesmos da nossa Doutrina...Francamente? preciso rezar mais por mim mesma,para que eu aceite melhor trabalhar pelo ecumenismo,como catequista tenho essa obrigação...sigo este blog e espero ler ouros textos seu. Paz e bem!

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