sexta-feira, 16 de novembro de 2012

26. O anúncio é motivo de alegria


No livro de Números 11,24-29 temos um episódio interessante para refletir sobre o nosso relacionamento com outros evangelizadores. Moisés tinha entrado em contato com o Senhor. Deus distribuiu parte do espírito que animava Moisés para os setenta anciãos que estavam na tenda e eles começaram a profetizar. Enquanto isso, Eldad e Medad, que tinham ficado no acampamento e não participaram do que acontecia na tenda, também receberam o espírito da profecia e começaram a pregar. Josué achou estranho e foi pedir a Moisés que os reduzisse ao silêncio. Na cabeça dele estava a idéia de que só os que estavam na tenda tinham o direito de profetizar. Mas a resposta de Moisés foi diferente. Ele disse: Tens ciúmes por mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor lhe concedesse o seu espírito!

Moisés fala de ciúme, algo que tem a ver com competição. Ele percebe que importante mesmo é o anúncio da vontade de Deus, venha de onde vier. Apesar de toda a sua proximidade com Javé, apesar de ser o mais completo mensageiro de Deus no Antigo Testamento, ele sabia que ter exclusividade seria diminuir o alcance da mensagem, que o mais importante era ter mais gente conhecendo a vontade divina.

Na catequese, poderíamos propor uma re-elaboração da mensagem desse episódio, ambientando-o nos dias de hoje. Se, por exemplo, em vez de Moisés tivéssemos o papa, Josué poderia ser algum católico avesso ao diálogo ecumênico, Eldad e Medad poderiam ser representantes de outras Igrejas. A resposta de Moisés poderia ser substituída por um parágrafo de documento oficial da Igreja, que diga que devemos nos alegrar com o bem que for feito em outras denominações cristãs. Por exemplo, poderíamos usar o texto do decreto Unitatis Redintegratio, do Concílio Vaticano II:

  Os irmãos separados realizam também inúmeras ações sagradas da religião cristã, as quais, de diversos modos e dependendo da condição específica de cada Igreja ou comunidade, geram e alimentam realmente a vida da graça e podem ser consideradas aptas a abrir as portas da salvação. UR 3

Nem se deve desprezar a obra da graça do Espírito Santo nos irmãos separados, que pode contribuir muito para a nossa edificação. Nada do que é verdadeiramente cristão se opõe à fé autêntica; pelo contrário, até ajuda a aprofundar o mistério de Cristo e da Igreja. UR 4

Mais do que acontecia com os judeus no tempo de Moisés, temos hoje necessidade de ter gente capaz de valorizar a obra de Deus nos outros grupos religiosos cristãos. Podemos pensar no bem estar que isso vai trazer até às famílias de muitos dos nossos catequizandos, que têm parentes, amigos, colegas de estudo ou trabalho que pertencem a outras Igrejas. Mas podemos considerar também o benefício que chega a muitos outros, através desses irmãos de outras denominações: eles recuperam muita gente que estava vencida por vícios de vários tipos, melhoram a autoestima de comunidades pobres, levam o evangelho a pessoas que dele estavam distantes. Não dá para ignorar essas conquistas, devemos nos alegrar com elas. De um jeito ou de outro, é a Palavra de Jesus que está sendo comunicada. 
Pode haver falhas no processo? Sem dúvida! E nós também não falhamos às vezes? Apontar correções necessárias de percurso pode até ser necessário, mas devemos educar para a capacidade de reconhecer o bem que outros cristãos realizam. E isso deve ser motivo de alegria! É o que diria Moisés, é o que nos diz a nossa Igreja. 

Therezinha Cruz

Um comentário:

  1. Sou da Diocese de Cajazeiras-PB. Estou participando do I Congresso Diocesano de Catequese sobre Iniciação Crsitã, sob a assessoria do Pe. Élison e cobertura do Blog Catequese e Bíblia. Parabéns por esse canal de cominicação e evangelização. Damiana(Catequista da Paróquia São João Bosco, Cajazeiras,PB)

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