sexta-feira, 9 de novembro de 2012

25- Autoestima, indispensável para o diálogo


Uma vez, um colégio estava tendo problemas com a prática de bullying e a orientadora me pediu que conversasse com os professores sobre isso. Disse então a ela que prepararia um trabalho sobre autoestima. Ela perguntou: Você acha que devemos trabalhar a autoestima das vítimas, não é? Respondi que tínhamos que trabalhar em primeiro lugar  a autoestima dos agressores. Quem está bem consigo mesmo não tem necessidade de bancar o valentão para se fazer notar. Na verdade, só podemos ouvir o outro sem receio e entrar em diálogo sincero com o diferente se estivermos firmes em nossa própria identidade. Os próprios catequistas precisam se valorizar para ter condições de fazer bem o seu trabalho. Autoestima não é arrogância nem vaidade, é simplesmente a consciência dos dons de cada um, do valor que todos nós temos diante do Criador. Esse Criador não é um artista medíocre, só é capaz de obras maravilhosas. Autoestima bem entendida é valorização de Deus e leva também à valorização do outro. 

Gosto de trabalhar com uma parábola assim:
A professora propôs aos alunos:
-Citem uma obra maravilhosa que não existia no mundo há vinte anos.
Um menino esperto de oito anos respondeu bem animado: -EU!

Os catequizandos podem ler essa parábola e ser convidados a dar a mesma resposta (se forem adultos, em vez de “vinte anos”, aumentamos o tempo em questão para não deixar ninguém de fora). Depois, devem ler de novo e, na hora da resposta, apontar para o companheiro ao lado e dizer: _Você!

Depois vamos refletir sobre o motivo de cada um ser algo maravilhoso. Podemos lembrar o salmo 8, que valoriza o ser humano como obra muito especial do Criador. Podemos lembrar como Jesus, valorizando os apóstolos, dizendo que eles eram “sal da terra” e “luz do mundo”, não desistindo deles nem depois que o abandonaram na hora do perigo, deu a eles, que tantas vezes tinham se mostrado fracos, estímulo para serem os grandes, firmes e corajosos divulgadores do evangelho.

Essa autoestima e a firmeza de cada um na sua própria identidade católica são fundamentais também como preparação para o diálogo ecumênico e inter-religioso. Quem não está feliz com a sua Igreja e com a sua própria caminhada de cristão não está preparado para dialogar com o diferente, vai ter receio da conversa, vai ficar em atitude defensiva, não vai saber fazer o acolhimento necessário. É bom nunca esquecer que não somos ecumênicos apesar de sermos católicos; somos ecumênicos exatamente porque somos católicos e ficamos animados a fazer o que a nossa Igreja nos pede. É nessa certeza alegre que vamos ser capazes de entender que o outro deve sentir a mesma satisfação com sua identidade de fé. Essa é a base para um diálogo respeitoso, fraterno, que não faz “salada religiosa”, mas quer conhecer e admirar o que cada um tem de melhor.

Therezinha Cruz 

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