sexta-feira, 30 de novembro de 2012

28. Anunciar e dialogar


Acho interessante perceber que, entre os documentos oficiais da nossa Igreja que não tratam especificamente de ecumenismo e diálogo inter-religioso, os que mais dedicam parágrafos a esse tema são exatamente os que se relacionam com o trabalho missionário.

Pensando bem, é natural que seja assim. Afinal, uma das primeiras perguntas que as pessoas fazem diante da proposta de diálogo inter-religioso diz respeito à necessidade do anúncio da nossa identidade de fé. As pessoas indagam: Vamos dialogar e respeitar a crença dos outros? Então como fica a Verdade em que acreditamos? Vamos ter que relativizar tudo? 

Nossa Igreja nunca deixou de afirmar que Jesus é a revelação plena de Deus, a máxima manifestação do Amor que o Criador tem por nós, a melhor notícia que se pode dar á humanidade. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. É o Salvador de todos, porque foi nele que se manifestou de maneira mais completa o amor desse Deus que não desiste de nós. Até por uma questão de amor ao próximo, não estamos dispensados de anunciar a todos o amor que Deus manifestou em Jesus.

Mas isso não significa menosprezar as experiências religiosas de outros porque elas podem ser também meios de realizar a vontade de Deus. No documento Diálogo e Anúncio, do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, nossa Igreja nos diz:

É através da prática daquilo que é bom nas suas próprias tradições religiosas, e segundo os ditames de sua consciência, que os membros das outras religiões respondem afirmativamente ao convite de Deus e recebem a salvação em Jesus Cristo, mesmo se não o reconhecem como o seu Salvador, DA 29  

Vamos perceber bem o que diz o texto acima. A salvação vem sempre de Jesus, não há outro salvador. Ele é o Salvador de todos, porque o que salva é o amor de Deus, do qual ele é plena manifestação. Mas esse Deus está presente na consciência das pessoas que querem fazer o bem e essa consciência voltada para o bem pode ser também alimentada pelo que há de melhor em outras tradições religiosas. A salvação dessas pessoas está incluída na salvação que Jesus veio trazer.

Isso leva a um respeito pelo melhor que membros de outras religiões já vivem, mas não dispensa os cristãos de dar testemunho do que descobriram e vivem em Cristo. Afinal, cremos que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens, que nele está a plenitude da revelação. Temos que proclamar isso, principalmente com a nossa vida, o nosso testemunho. Mas isso deve ser feito em clima de respeito pelas outras tradições religiosas, como nos diz o mesmo documento Diálogo e Anúncio: “Os cristãos não devem esquecer que Deus também se manifestou de certo modo aos seguidores de outras tradições religiosas e, por conseguinte, são chamados a considerar as convicções e os valores dos outros com abertura.” DA 48

Evangelização se faz com testemunho, com disposição para servir ao Evangelho ,as também com amor e respeito às tradições religiosas de tantas pessoas e povos que Deus também criou e ama. É nossa obrigação sermos missionários, mas devemos reconhecer que o Espírito chega antes de nós, porque Deus é um Pai que não abandona nenhum de seus filhos.

Therezinha Cruz

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

1º. Domingo do Advento – C


Estamos iniciando o ano litúrgico. Mais uma vez acendemos uma vela da coroa do Advento, mais uma vez nosso coração se enche da esperança de um tempo novo, mais uma vez lembramos que Jesus nasce, que Cristo vem.

O advento trabalha com a expectativa das duas vindas do Senhor. A primeira vinda aconteceu na carne, sendo a concretização das esperanças de Israel, como vemos no texto do profeta Jeremias. Esta primeira vinda ficará mais evidente próximo do natal. A segunda vinda é na glória, quando acontece o que a teologia chama de parusia. Nesta ocasião o Senhor voltará vitorioso para julgar os vivos e os mortos e para implantar o Reino de um modo definitivo e pleno.

O começo do advento se apoia na expectativa da segunda vinda, baseando-se nas promessas de Deus. Não é uma espera medrosa, do Dia Terrível, apesar das imagens utilizadas no Evangelho de Lucas. Esperamos o dia em “que seremos reunidos à sua direita na comunidade dos justos.” (Oração do Dia). E isso deve ser motivo de alegria.

Onde está a esperança do mundo? Será que realmente somos animados pela esperança, que se funda na certeza do mundo novo? A nossa sociedade é marcada pela desesperança ou desespero. Não existem mais utopias, um por que lutar... Aí facilmente agente se acomoda ou se desespera. Jesus nos diz: “não fiquem insensíveis por causa da gula e da embriaguez, enquanto se espera o dia do Senhor” A pós-modernidade nos diz: “aproveite a vida”, mas oferece algumas falsas ilusões que destroem a vida e escravizam o ser humano. O advento é o tempo do resgate da vigilância. Vigiar não é deixar de viver, mas viver com toda a intensidade e dignidade humana. É viver a vida com a esperança do mundo novo que começa a aqui e agora.

Testemunhar a esperança significa não se acomodar. São Paulo nos diz que o amor deve crescer entre nós, que façamos progressos e progressos ainda maiores. Não somos santos, mas podemos crescer a cada dia. Seria errado imaginar pessoas prontas, acabadas, santas e imaculadas. Elas não existem, ou só aparecem excepcionalmente, quando surge uma Teresa de Calcutá (e mesmo ela não era perfeita e batalhou muito pelo próprio crescimento). Não desejemos a perfeição de ninguém (nem de nós mesmos), mas não toleremos a apatia de ninguém, a começar por nós mesmos. E o que nos faz crescer é a esperança do fim, porque não é uma espera passiva. Trata-se de querer que este mundo novo aconteça, por isso, esforçamo-nos para construí-lo. O que não colabora com o crescimento deve ser purificado. Por isso, é tempo de conversão. Não basta falar que Jesus deve nascer no nosso coração no Natal que se aproxima, se não encontramos gestos concretos que nos levam a viver de um modo mais humano e mais cristão.

Pe Roberto Nentwig

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Advento


A vida passa por transformações e se renova. Por isto, iniciamos mais um Ano Litúrgico, começando com o Ciclo do Natal, na certeza de vida renovada. O Natal é celebrado com muitas festas, contemplando o nascimento de um Rei, o Filho de Deus, cumprindo uma promessa feita pelo Senhor ao Rei Davi.

São quatro domingos chamados de “Advento”, que nos despertam, dentro de um itinerário, para a vinda de Jesus Cristo, Àquele que vem de Deus e assume as condições e realidades humanas. Seu objetivo foi de realizar a reta ordem do universo no cumprimento das Leis divinas marcadas no coração das pessoas.

No mundo dos conflitos, da violência e do caos na ordem social, caímos numa situação de temor e angústia. Nossa esperança fica fragilizada e somos incapazes para uma paz de sustentabilidade. Somente em Jesus Cristo podemos encontrar força e coragem para superar as limitações contidas em nossas fraquezas.

O Advento é tempo de preparação para o Natal. É colocar-se de prontidão para acolher Aquele que nasce transformando a história. Hoje isto acontece no coração das pessoas vigilantes e sensíveis às realidades do bem. Este deve ser o caminho do cristão, reconhecendo a presença de Deus em sua vida.

Todo clima natalino, que começa com o Advento, deve fazer aumentar o amor entre as pessoas. É uma realidade que deve acontecer no relacionamento, na convivência familiar, no trabalho, na escola, enfim, na vida real. É importante a consciência de que a fonte de tudo isto está em Deus. É por isto que Ele vem a nós e fica conosco. “O amor de Deus foi derramado em nossos corações” (I Ts 4,9).

Sabemos que a fonte do amor é Deus, mas isto não dispensa o esforço pessoal. Temos que viver o amor no meio dos conflitos e tensões a todo instante. Os afazeres da vida não podem obscurecer a ação de Deus em nossa prática de vida. É Ele quem nos dá sustentação para uma realidade de fraternidade e vida mais feliz.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Estágio pastoral, inserindo o jovem na comunidade!


CATEQUESE... Essa ‘onda’ não vai passar. Creio e espero!

A catequese vista como prioridade! Escuto e leio essa frase desde que iniciei como catequista, (em 95). Hoje,  depois de muitos anos, entendo o porque dessa PRIORIDADE e vejo também  que a IVC não sendo tarefa exclusiva da catequese, deve envolver todas as pastorais,  como se cada uma fosse um pequeno nó da grande rede que é a comunidade.  Caminhamos para essa conversão pastoral, quando propomos e oferecemos estudos e uma formação sólida sobre IVC para nossos catequistas e agentes de pastorais. Depois da conscientização, é preciso traçar metas de trabalho, fazendo com que essa rede seja fortalecida. Por exemplo:

As Pastorais Sociais...  Quem assiste os doentes  ou as famílias carentes, não fiquem só no assistencialismo, mas, ao visitar um doente ou quando for entregar a cesta básica, façam antes de tudo o anuncio da Boa Nova, seguidos de  momentos de evangelização, orientando, ajudando na promoção humana e resgatando a dignidade da pessoa, ensinando a pescar, sobretudo   percebendo quais são as necessidades espirituais  da pessoa assistida, passando para as pastorais competentes, batismo, catequese, legitimação, entre outras.

A pastoral Familiar... Trabalhará em conjunto com a catequese, visitando os casais de segunda união, a legitimação orientando os  que estão em situação irregular perante a Igreja. Todos esses dados serão levantados pelos catequistas, por ocasião da visitas domiciliares. Não adianta fazer um apanhado se isso não for levado adiante.

O ECC (Encontro de Casais com Cristo)... Dará prioridade aos casais, cujo filhos estão na catequese, já que o catequista vem fazendo um trabalho de conscientização/evangelização também com as famílias. Precisamos evangelizar e também mostrar caminhos

Pastoral da criança... Favorecerá momentos de espiritualidade e evangelização também com a família. A pesagem não será o principal, mas o acompanhamento, orientação, encaminhamento pastoral.

Juventude... Nossos jovens conscientizados não ficarão ‘naquele grupo fechado’, mas abrirão as portas  para acolher os recém-crismados. Como é o caso do EJC (Encontro de jovens com Cristo) que tem como prioridade o envolvimento com os crismados recentemente.

O padre/pároco... Uma vez  consciente, apoiará a implantação do método catecumenal, fazendo com que os ritos sejam levados a sério, aproveitando desses momentos para uma evangelização de toda assembléia. (Tenho acompanhado algumas paróquias e por mais que os catequistas/coordenadores se empenhem,  é impossível essa caminhada sem a presença do padre, por conta das celebrações e alguns ritos que são realizados dentro da missa.) Aqui entra a liturgia,  pois nesse processo catequético a liturgia tem que caminhar lado a lado, talvez fazendo acontecer esse casamento tão sonhado entre catequese e liturgia.

Falando em pastorais, chego enfim, no assunto sujeito desse meu texto, o ESTÁGIO PASTORAL. O estágio pastoral é um trabalho desenvolvido com o objetivo de facilitar, promover o engajamento do jovem nas diversas pastorais da paróquia.  A escolha da pastoral acontece após o trabalho realizado pelo catequista, onde será apresentado todas as pastorais existentes na paróquia, o que fazem, quais suas carências, suas conquistas, bem como os dias que se reúnem. Cada crismando, dentro da disponibilidade de tempo  e aptidão, escolhe a pastoral em que deseja participar como estagiário.

O estágio pastoral acontece nos meses de novembro, fevereiro, março, abril e parte de maio, quando por ocasião de Pentecostes, recebem o sacramento do crisma.  Em junho, acontecem os encontros mistagógicos, tempo para aprofundar o mistério do sacramento, da caminhada, tempo para escutar as experiências dos estagiários.
Depois dessa caminhada, muitos continuam na pastoral em que fizeram o estágio ou fica  livre para conhecer outra pastoral.

Essa iniciativa se deu na tentativa de reduzir ao máximo a evasão de nossos crismados. O estágio pastoral faz parte do processo e é encarado com naturalidade. São raros os casos de crismandos que se negam a participar, mesmo nesses casos, ele é conscientizado quando participa da troca de experiências com o grupo. O importante  é oferecer, propor e depois respeitar o tempo de cada um.

Abaixo, deixo pra vocês um resumo de como está organizado ESTÁGIO PASTORAL em nossa paróquia.

Principal objetivo: mostrar por meio do estágio pastoral, a vitalidade e as carências das pastorais da comunidade, a fim de convocar todos para anunciar o nome do Senhor, ser Igreja e promover o bem comum. (livro “Testemunhas do Reino-Paulinas”.).

Pretensão: é levar á integração dos jovens nas pastorais, mostrar a cada crismando outros trabalhos que temos na Igreja, além da catequese e da missa dominical.

Para acontecer o estágio pastoral temos três elementos básicos:
- os catequistas: motivadores para os crismandos participarem do estágio;
- os pais/padrinhos: incentivadores para os crismandos participarem do estágio;
- os coordenadores de pastorais: acolhendo bem cada crismandos em sua pastoral, e também avaliando mensalmente a sua participação na pastoral.

Como será o trabalho:
- no mês de outubro, é apresentado a cada crismando os trabalhos das pastorais e cada catequizando vai escolher uma para fazer o seu estágio; no final de outubro é realizado a missa de envio

- o estágio vai acontecer nos meses de novembro, fevereiro, março, abril e parte de maio, quando recebem o sacramento do Crisma

- no mês de junho, realizam-se os encontros mistagógicos,   vivenciando com os crismados o recebimento do Sacramento da Crisma e também o Estágio Pastoral (reviver as suas experiências que tiveram na pastoral).

É muito importante lembrar que talvez muitos crismandos não participem daquela pastoral que fez o estágio pastoral após a Crisma; mas que estaremos plantando uma semente no coração daqueles jovens que no futuro quem sabe não despertem para os trabalhos pastorais.

Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, breve estarás fazendo o impossível.” (São Francisco de Assis)

Imaculada Cintra
Catequista Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Capelinha
Franca-SP

Um Advento a mais ou uma nova oportunidade?


“Levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima” (Lc. 21,28)

1º Dom. Advento

Com a liturgia deste domingo inicia-se o “tempo do Advento” e um novo “ano litúrgico” (Ano C – centrado no evangelista Lucas). Mais uma vez nos disponibilizamos, através da oração e da vivência litúrgica, a viver mais intensamente o Tempo do Advento e alargar nossas vidas para nele caber o mistério do Natal.

Advento nos revela a presença da eternidade no coração do tempo. O Eterno continua vindo, pelos caminhos mais imprevisíveis, iluminando a dura rotina e a sequência do cotidiano. Advento é tempo de espera, de preparação e de chegada. Tempo forte carregado de sentido, que nos faz ter acesso àquilo que é mais humano em nós: o sentido da esperança, a travessia, o encontro com o novo... tempo que nos arranca de nossas rotinas e modos fechados de viver.

A Vinda de Cristo é o grande evento que agita os corações, sacode as inteligências, inquieta as pessoas, move as estruturas... Toda a nossa vida se transforma na história de uma espera e de um encontro surpreendente. Por isso, o Advento deveria ser um tempo para voltar-nos para o interior em meio à agitação, e olhar para dentro de nós mesmos. Aí, no nosso interior, há tanto de eterno. A eternidade dialoga com a gente, fala por dentro. Caminhamos para o “Senhor que vem” à medida que mais nos adentramos ao fundo de nós mesmos e da realidade. Advento nos convida a “contaminar-nos” da realidade; e isso nos humaniza.

Somos “seres de travessia”. O Advento nos convida a não perder de vista nosso horizonte, nossos objetivos, nosso propósito de investir a vida, gratuitamente, naquilo que vale a pena. Cada momento é o “hoje” de Deus; por isso o “fim” está sempre chegando. O Esperado traz uma novidade que envolve e que se revela em cada rosto humano e em cada fragmento de tempo, deste tempo colocado em nossas mãos. Contemplando o “hoje” de Deus, o coração se alarga até o assombro, os braços se abrem para a acolhida, os pés se movem para o encontro, os olhos se aquecem para o reconhecimento.

A liturgia nos propõe, neste começo do Advento, um texto que fala dos “últimos dias”, como um convite a estarmos atentos, numa vigilância esperançosa, para acolher “Aquele que vem”. Este relato pertence ao chamado “gênero apocalíptico” que, para muitos, à primeira vista, pode significar o “fim do mundo” acompanhado de catástrofes que desestabilizam tudo (o céu, a terra e o mar), provocando medo e angústia.

No entanto, a palavra “apocalipse” (literalmente “levantar o véu”) significa “revelação”. Os textos apocalípticos pretendem revelar o sentido profundo (oculto) na história, pessoal e coletiva, e indicar que é Deus quem, a todo instante, dirige os destinos da mesma. Tais textos são uma mensagem de esperança. Lido e rezado em chave libertadora, este texto nos fala do surgimento de um “mundo novo” que nos é dado de presente, depois de sacudir e derrubar o velho mundo.

O “discurso apocalíptico” é uma mensagem de sabedoria que nos desperta e nos faz sair de nossos medos, ansiedades, embotamentos... e experimentar a Plenitude e a Libertação que o Presente contém e é. O decisivo é que Cristo está vindo sempre. Se o encontro com Ele não acontece é porque estamos adormecidos ou com a nossa atenção centrada em outras coisas (“gula, embriaguez, preocupações da vida” – v. 34), apegados ao caduco e ao transitório que não plenifica.

Diante do surgimento de um  novo mundo requer-se “estar despertos” e “levantar a cabeça”; e a pessoa “desperta” é, justamente, aquela que vê a novidade em tudo; quem tem a cabeça erguida vislumbra novos horizontes. Ao contrário, quem permanece adormecido, move-se no terreno da rotina, com o coração atrofiado e a mente embotada pelos vícios e preocupações vazias. Adormecidos, debatemo-nos entre o passado que se foi e o futuro que nunca chega, escravos da ansiedade que nos faz viver fora do presente.

O Advento vem nos dizer que não há outra coisa a fazer senão viver intensamente o momento presente. A plenitude está na consciência do instante presente, onde o “Filho do Homem” se revela. No presente pleno, tudo tem sabor de novidade, a percepção da própria identidade se amplia sem limites, a consciência da comunhão com tudo e com todos se alarga...

Nesta perspectiva, o “discurso apocalíptico” nos alerta que somos destinatários de um chamado para viver despertos em meio às dificuldades e incertezas de nossos tempos. Muitas vezes, como “anciãos encurvados” e com a “cabeça baixa” nos movemos sob o peso do legalismo, das tradições passadas, dos fracassos, marcados pelo desalento e pela desesperança.

Há maneiras de viver que impedem a muitos de caminhar com a cabeça erguida confiando nessa libertação definitiva: acostumados a viver com um coração insensível e endurecido, buscam preencher a vida de bem-estar e falsas seguranças, de costas ao Pai do Céu e aos seus filhos que sofrem na terra. Este estilo de vida os fará cada vez menos humanos.

Advento é o momento de escutar o chamado que Jesus nos faz a todos: “levantai-vos”, animai-vos uns aos outros”, “erguei a cabeça” com confiança. Deus é Salvação e já está em nós. Basta despertar-nos e descobri-Lo. Esta descoberta nos descentra de nós mesmos, nos projeta para o outros, para o infinito e nos identifica com tudo e com todos.

O momento do encontro com “Aquele que vem” nos introduz na soleira de um futuro novo e carregado de esperança, aquela esperança que dá sentido às nossas atividades, liberta o coração da preocupação, expulsa toda ansiedade e impulsiona a buscar o Reino. O fundamento da segurança e da serenidade reside na consciência de estar nas mãos providentes de Deus.

O fiel discípulo de Jesus, descobrindo-se amado e protegido pela ternura providente, se sente sempre a caminho, isto é, pronto a acolher cada fragmento de luz e de vida, que fala da presença e da passagem de Deus. O presente, tecido de partilha, solidariedade, misericórdia, mansidão, reveste o futuro de luz.

A verdadeira segurança cresce no coração e na confiança de sermos protegidos por um Deus que sabe o que precisamos e nos aguarda. É esta a relação fundamental, fecunda e criativa, que possibilita o “êxodo” de nós mesmos e a acolhida do “advento” do Outro e dos outros.

Texto bíblico:  Lc. 21,25-28.34-36

Na oração: “Advento”: o Senhor vem... em sua direção! Ou melhor, já chegou! Basta despertar-se para descobri-Lo e descobrir-se n’Ele. Tome consciência do momento presente, deste único instante, aqui e agora, carregado de Presença e permaneça nele. Deus é Salvação que se dá a todos em cada instante.

Pe. Adroaldo Palaoro sj
Coordenador do Centro de Espiritualidade Inaciana - CEI
26.11.2012

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Iniciação à Vida Cristã e as Escolas Bíblico-Catequéticas (tema 2)


Olá catequistas,

Continuemos nossa reflexão sobre as Escolas Bíblico-Catequéticas & a formação iniciática dos catequistas tendo como parâmetro os tempos que estamos vivendo.

Nos dias atuais, a catequese de inspiração catecumenal, que equivale ao mesmo  processo de iniciação cristã, não pode ser tomada como catequese que prepara para o recebimento dos sacramentos. Ela hoje tem o caráter permanente, por toda a vida. 

O homem moderno, objeto da catequese, cioso de sua liberdade e autonomia, quer posicionar-se a favor ou contra determinadas ideias ou doutrinas, discutindo, ponderando e avaliando o que lhe é oferecido. Deseja convencer-se pessoalmente.    
                         
Qualquer pedagogia que nós quisermos implementar nesse processo, deve contemplar o testemunho de vida e uma argumentação sincera que estimule  este homem a encontrar a verdade: Jesus Cristo. 

Há um empenho muito grande de nossa Igreja por uma melhor formação daqueles que são responsáveis pela educação da fé dos homens e mulheres de nosso tempo, os catequistas. Também tem sido incessante a busca de um itinerário catequético que não se prenda a uma formação apenas doutrinal, mas, integral à vida cristã.

Neste contexto, as Escolas Bíblico-Catequéticas, hoje tidas como um meio eficaz de formação de catequistas, podem colaborar muito neste processo. Nelas, a teoria e prática devem caminhar juntas, preparando os catequistas para coordenar, partilhar, aprender a trabalhar em grupo, dar testemunho da sua fé, pois, assim o conteúdo se tornará experiência vivida. Portanto, a formação iniciática de catequistas precisa se realizar, primeiramente, com os próprios catequistas em seu sentido antropológico e religioso mais profundo. 

Se é certo que ao homem moderno não adianta impor nada, é preciso que se favoreça sua conversão, ajudando-o a dar razões à sua fé. O seu encontro pessoal com Jesus Cristo se dará pelo cultivo da oração, pela importância dada à celebração litúrgica,  pela amizade e serviço vividos e testemunhados em comunidade.

Que Maria, mãe e catequista, nos ajude a trilhar este novo caminho!

Regina Helena Mantovani (Sul II)
rhmantovani@hotmail.com

50 anos do Concílio Vatiano II


Concilio para renovar a Igreja. O Papa João XXIII pôs a Igreja a discutir, em tribuna livre, no Concílio Vaticano II (1962-1965), a presença e missão da Igreja no mundo moderno. Após seu falecimento, o Concílio prosseguiu com Paulo VI. O discurso inaugural de João XXIII abriu espaço para uma revolução teológica e pedia ao Concílio: a) ser pastoral, ecumênico e não de condenações; b) propor a volta da Igreja aos seus fundamentos bíblicos e históricos; c) atualizar e renovar a Igreja (aggiornamento); d)  colocar a Igreja a serviço da humanização e da evangelização do mundo contemporâneo, em constante diálogo com ele.

O pós-Concílio: avanços, conflitos e retrocessos. As novidades do Concílio logo se espalharam, gerando euforia de sonhos, propostas e experiências. Para os leigos, a liturgia serviu de vitrine das novidades. Para o clero diocesano e para os religiosos foi oportunidade de avançar nos documentos e no espírito do Concilio e assumir a liderança das transformações (teologia, celebrações, modo de vestir, inserção no meio do povo). João XXIII queria uma Igreja alegre e atrativa. Mas surgiram medos, desconfiança, resistências, conflitos e alternativas à Igreja em renovação: espiritualismo carismático sem compromisso social; estímulo ao devocionismo; juridicismo; formas arcaicas do tradicionalismo; discursos admoestadores, etc. 

O Concílio e a América Latina. A recepção do Concílio teve dois marcos históricos fundamentais: a) A Segunda Conferência dos Bispos do Continente, em 1968, em Medellín, Colômbia: b) os primeiros passos da Teologia da Libertação. Apoiou-se: a) a opção preferencial pelos pobres; b) as Comunidades Eclesiais de Base; c) a Vida Consagrada inserida no meio dos pobres; d) a simplicidade e pobreza no estilo de vida eclesial e eclesiástico; e) a educação libertadora; f) um laicato engajado na renovação e animação da Igreja e no compromisso pela transformação sociopolítica da sociedade. Mas, a oposição surgiu forte visando deter a caminhada renovadora do Concílio.

O Concílio hoje. Que, no Ano da Fé, retomemos os grandes impulsos renovadores do Concílio: a) o encontro pessoal com Jesus Cristo; b) a construção da comunidade eclesial como comunidade de comunidades; c) o primado da Palavra de Deus e da Eucaristia para alimentar a espiritualidade; d) a tradição cristológica da teologia latino-americana, que nos coloca em coerência com o Jesus histórico e o Cristo da fé, o andarilho pobre da Palestina, vivendo entre os pobres, ele que ressuscitado está no meio de nós; e) a promoção e formação inicial e continuada dos leigos (as), pois o Concílio Vaticano II afirmou corajosamente a base laical da Igreja.; f) o fortalecimento da colegialidade no governo herárquico da Igreja, ainda exercido excessivamente na linha monárquica e em forma solitária. É preciso humanizar a Igreja, com a vivência da fraternidade, do serviço, da simplicidade; g) aprofundar o diálogo ecumênico, inter-religioso e cultural; h) avançar no profetismo da opção pelos pobres e da luta pela justiça social e da pela sábia preservação do planeta terra. 

nery.israel@lasalle.org.br

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

27. Silêncio, uma forma de negação


De vez em quando, encontro alguém se opõe a qualquer conversa sobre ecumenismo. Mas isso é raro. O mais freqüente é encontrar gente que desconhece o assunto ou está mal informada sobre o que a Igreja tem a dizer sobre esse tema. Há confusões de muitos tipos. Alguns confundem ecumenismo (que é diálogo, encontro para promover a unidade na diversidade) com sincretismo (que é mistura de idéias e práticas de religiões diferentes). Há os que se referem ao vizinho protestante como alguém que tem “outra religião”, desconhecendo que a religião é a mesma ( são ambos cristãos), diferente é a Igreja, a denominação cristã a que o outro aderiu. E de ambos os lados se ouvem afirmações sobre o outro que são conseqüência de uma total falta de informação, da transmissão de um conhecimento preconceituoso. Por exemplo: já tive que ter uma longa conversa com um irmão evangélico que me afirmava com firmeza– como se soubesse mais do que eu sobre o assunto – que a minha Igreja proíbe sempre a comunhão nas duas espécies.

O mais comum, porém, é que o assunto ecumenismo seja simplesmente desconhecido. Cada Igreja tem outras coisas a comunicar e apenas “esquece” dessa proposta de busca da unidade. Aí entra muito a responsabilidade da catequese. Em algumas outras Igrejas sei que o assunto não será mencionado – pelo menos de forma positiva – porque não faz parte da proposta da denominação em questão. Mas, em nossa Igreja Católica, excluir esse tema será mutilar a doutrina da própria Igreja. Se houver, em algum material catequético, uma postura nitidamente anti-ecumênica, isso pode até causar  algum protesto, alguém pode pedir uma correção do parágrafo que destoa da posição oficial da Igreja. O que mais acontece, no entanto, é que o assunto nem seja abordado. Um encontro catequético sobre Batismo, por exemplo, dificilmente incluirá uma observação sobre o fato de que a nossa Igreja reconhece a validade desse sacramento quando ele é praticado por muitas outras Igrejas (não todas). Crianças e jovens crescem dentro da Igreja sem ter um estudo do que deve ser feito – e do que já se faz – nesse campo. O silêncio muitas vezes vem mesmo do sacerdote, que deve conhecer bem melhor as normas da Igreja. Já perdi a conta das ocasiões em que, participando da missa e vendo que as leituras bíblicas apontam claramente para a possibilidade de um esclarecimento sobre ecumenismo na homilia, tenho o desapontamento de verificar que nem uma palavra sobre isso é dita. 

Gostaria de ver manuais de catequese que dedicassem algum encontro ao ecumenismo e tivessem menções a essa dimensão do trabalho em outros temas. Se alguém estiver usando um material que contemple esse aspecto, por favor me comunique. Gostaria muito de divulgar esse avanço para ajudar outros a acabar com o silêncio sobre essa proposta tão relevante da nossa Igreja para os tempos atuais.

Therezinha Cruz

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Cristo Rei


O Ano Litúrgico, constituído por diversos ciclos, termina com a Festa de Cristo Rei. Jesus nasce com o título de Rei e é agora proclamado pela Igreja como Rei do universo. É o cume de um reinado que foi manifestado num amor extremo, selado na cruz e na glorificação eterna.
Numa visão, o profeta Daniel contempla o trono de Deus e seu juízo sobre o mundo. Ele vê também alguém como “filho de homem” sobre o trono (Dn 7, 9-14). Nos Evangelhos, a expressão “filho de homem” refere-se a Jesus Cristo, àquele que veio do alto para construir o Reino de Deus.

Devemos entender que não são os poderes do mundo que determinam a história, mas sim, aquele que é o Senhor da história, fazendo triunfar o seu Reino. Isto significa que a última palavra sobre o mundo pertence a Deus. É até uma questão de fé e certeza de que as forças do mundo são meramente passageiras.

O centro da história é Jesus Cristo, que veio como Rei, caminha como Rei e termina seu ciclo na terra como Rei. É o mesmo que dizer: “aquele que é, que era e que vem”. Ele é o cumprimento da Aliança feita por Deus com Abraão lá no passado, que só acontece no gesto de doação total na prática do amor.

Mesmo dizendo que o Brasil é o maior país cristão do mundo, Jesus continua sendo o grande desconhecido pelo nosso povo. Desta forma, não criamos paixão por Ele e agimos de forma desregrada, sem compromisso social e ferindo a dignidade das pessoas. Não conseguimos perceber que o amor cristão implica defender a vida do outro, que tem o mesmo direito que nós.

Jesus nunca impôs seu poder através do uso da violência desumana, porque não tinha pretensões egoístas. Sua ação ia além dos limites do mundo e passava por uma prática de testemunho coerente e visível aos olhos da sociedade de seu tempo. Com isto Ele instaurou um reinado que contradiz com os poderes mundanos.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A Animação Bíblica da Liturgia


A Constituição Dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II (1962-1965), afirma que “a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, da mesma forma como o próprio Corpo do Senhor, já que, principalmente na Sagrada Liturgia, sem cessar toma da mesa tanto da palavra de Deus quanto do Corpo de Cristo o pão da vida, e o distribui aos fieis” (DV 21).

Historicamente, porém, constatamos que a reverência em relação à Eucaristia é muito maior. Há um cuidado especial em relação à presença de Jesus no Santíssimo Sacramento que não se verifica quanto à presença de Jesus, a “Palavra que se fez carne”, na Sagrada Escritura. A Bíblia, em geral, não tem um lugar de honra e destaque em nossas igrejas. E, muitas vezes, não se trata a Palavra sagrada com veneração, substituindo o Lecionário por folhetos e livros descartáveis.

Penso que podemos começar a animação bíblica da vida e da pastoral de nossas comunidades cristãs pela liturgia. O Concílio Vaticano II enfatizou a importância da Sagrada Escritura, incluindo em cada celebração sacramental a leitura e explicação da Palavra do Senhor. Precisamos valorizar todas as celebrações litúrgicas e a proclamação da Palavra de Deus que está prevista em cada uma delas: “Cristo está presente pela sua palavra, pois é Ele mesmo que fala quando se leem as Sagradas Escrituras na igreja” (Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 7).

Como seria bom que o Ministério da Palavra fosse apreciado e contasse com pessoas devidamente preparadas. Aqui cabe mais uma vez uma comparação com a Eucaristia. Que bom termos ministros extraordinários da comunhão eucarística bem preparados, que aprendem a exercer sua missão com amor e competência. Não seria adequado fazermos o mesmo quanto à proclamação da Palavra na liturgia?

O primeiro passo é preparar a assembléia litúrgica para escutar a Palavra de Salvação que nos é dirigida em cada celebração sacramental. Uma atitude de reverência à voz do Senhor que nos fala se manifesta no silêncio atento: “E Samuel não deixava sem efeito nenhuma das palavras do Senhor” (ver 1Sm 3,19).

Faz-se necessário preparar leitores aptos a anunciar a Palavra de Deus nas celebrações. Como é triste ver pessoas sem a devida preparação ler o texto bíblico sem expressão, sem vida. Onde fica o anúncio da Palavra do Senhor, quando não compreendemos palavra alguma? Ler não é decifrar e juntar letras, palavras e frases! Ler é compreender! Só pode ler bem em público quem entende o que lê. O papa Bento XVI, na exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini, quando trata da proclamação da Palavra e do ministério do leitorado, afirma: “A formação bíblica deve levar os leitores a saberem enquadrar as leituras no seu contexto e a identificarem o centro do anúncio revelado à luz da fé. A formação litúrgica deve comunicar aos leitores uma certa facilidade em perceber o sentido e a estrutura da liturgia da Palavra e os motivos da relação entre a liturgia da Palavra e a liturgia eucarística. A preparação técnica deve tornar os leitores cada vez mais idôneos na arte de lerem em público tanto com a simples voz natural, como com a ajuda dos instrumentos modernos de amplificação sonora” (VD 58). Biblistas, liturgistas e técnicos em comunicação social podem contribuir na preparação de todos os ministros da Palavra para atuar nas diversas celebrações: batismo, eucaristia, matrimônio... Sem esquecer as celebrações da Palavra.

O cuidado com a homilia também foi assunto do Sínodo sobre a Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja, realizado em outubro de 2008. O papa retomou este assunto na Verbum Domini, n. 59: “pensando na importância da palavra de Deus, surge a necessidade de melhorar a qualidade da homilia; de fato, esta constitui parte integrante da ação litúrgica, cuja função é favorecer uma compreensão e eficácia mais ampla da Palavra de Deus na vida dos fieis. A homilia constitui uma atualização da mensagem da Sagrada Escritura”.

Que o Senhor nos inspire e guie nossos passos, a fim de que tenhamos coragem de realizar a conversão pastoral de que necessitamos para colher os frutos no devido tempo: “... a Liturgia é o cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, é a fonte donde emana toda a sua força” (Sacrosanctum Concilium, n. 10).

Pe. Videlson Teles de Meneses
Coordenador da Animação Bíblica da Pastoral da Arquidiocese de Aracaju-SE

Fonte: Blog Regional Nordeste 3

Solenidade de Cristo Rei do Universo – B


No tempo de Jesus era comum falar de reis e de reinos. Seguindo pela história antiga e medieval, encontraremos muitos nobres, senhores triunfantes, destacados por suas vestes e símbolos de poder. Hoje o que nos resta é a monarquia quase simbólica de alguns países como a Inglaterra, que ainda nos oferecem as imagens glamourosas de rainhas longevas e casamentos fashions de príncipes.

Mas mesmo este cenário não nos ajuda muito a entender a solenidade que conclui o ano litúrgico. Por muitos séculos, a Igreja se habituou a pintar o Cristo de modo monárquico. É preciso bater no peito, como nos fala hoje o livro do Apocalipse, antes mesmo do retorno glorioso do Senhor e reconhecer que a imagem de um nobre em seu trono e com vestes vistosas não tem proximidade alguma com Jesus de Nazaré. O Evangelho de hoje nos desconcerta, apresentando o Rei do Universo no final de sua história terrena sendo julgado como um bandido. E lá foi Jesus humilhado por um Procurador Romano e condenado a morte de cruz.

Que reino este é proclamado pelo Cristo? O Reino dele não é deste mundo (Jo 18,23). Se fosse deste mundo, Jesus seria triunfante e não humilhado, a evidência de sua majestade seria percebida por todos.

Os reinos deste mundo permanecem... Talvez reinem. Há o reino do poder que ordena, que favorece poucos, que ostenta, que abusa do direto, que humilha. Há o reino da vaidade que julga pelas aparências e que não se contenta as coisas pequenas. Há o reino do dinheiro que pensa ser possível comprar tudo e todos. Estes reinos se fazem presentes na vida política e social, na Igreja, no trabalho e em nossas relações humanas e familiares. Estes reinos, sim, são deste mundo e nos seduzem.

Já o Reino do Senhor Jesus é bem diferente. Nele prevalece o amor, a ternura, a verdade, a justiça, a liberdade. O seu reino se manifesta na beleza da flor, no sorriso da criança, no abraço sincero, na escuta atenciosa de uma pessoa que sofre. Manifesta-se quando optamos deixar de lado o nosso egoísmo e escolhemos aquilo que não dá lucro e nem vantagem aparente. Manifestou-se em um jovem crucificado, dilacerado pelos chicotes, traspassado pela lança e pelo ódio de quem não entendeu a sua proposta de amor, verdade e bem aventurança...

Ao celebrarmos Cristo Rei, devemos contemplar o verdadeiro Rei e entender qual é o verdadeiro Reino. A reflexão de hoje fundamenta-se na verdade. Se continuássemos a leitura do Evangelho deste domingo, Pilatos iria retrucar: “O que é a verdade?” O Procurador romano é um cético, ou seja, não acredita na verdade. Mas ao se deparar diante da Verdade não é possível fugir dela. Neste dia em que meditamos sobre o Senhor Rei que veio para trazer o Reino da Verdade, devemos fazer a pergunta de Pilatos; não um questionamento cético sobre a verdade, mas uma pergunta autêntica sobre a nossa própria verdade, verificando o quanto ela se une à verdade do Senhor e do seu Reino. Qual é a sua verdade? Lá está o seu reino!

Pe. Roberto Nentwig

Aconteceu em São Paulo o encontro do Grupo de Reflexão Bíblico-Catequética da CNBB (GREBICAT)


“Alegrem-se comigo, encontrei o que estava perdido”  (Cf. Lc 15)

Com esta inspiração, o Grupo de Reflexão Bíblico-Catequética da CNBB (GREBICAT) reuniu-se nos dia 15 a 17 de novembro em São Paulo. O objetivo do encontro foi dar continuidade à reflexão da caminhada da comissão de Animação Bíblico-Catequética. Entre outras atividades, refletiu-se sobre o texto base do mês da Bíblia de 2013 que terá como tema:  “Discípulos Missionários a partir do Evangelho de Lucas”. Além disso, o grupo ocupou-se da elaboração de um texto sobre a Palavra de Deus fonte da catequese que deverá ser publicado na coleção: “Catequese à Luz do Diretório Nacional”. Pe. Lima, que participou, em Roma, do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, fez uma apresentação da dinâmica deste evento, bem como uma síntese do tema trabalhado e as intuições para a caminhada Bíblico-Catequética no Brasil. Neste encontro, também tratou-se de avaliar a caminhada de 2012 e planejar o ano de 2013. É sempre uma alegria encontrar-se e partilhar a vida e a missão de cada uma dos participantes deste grupo. Há um sentimento de fraternidade, acolhida e amizade partilhado entre todos. Além de tudo, é um grupo movido e entusiasmado pela Animação Bíblico-Catequética, desejoso de que a Palavra de Deus se torne, verdadeiramente, a alma de toda a pastoral e de toda a vida da Igreja. A cada passo dado nesta direção, pode-se dizer com confiança:  “Alegrem-se comigo, encontrei o que estava perdido”  (Cf. Lc 15)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O cultivo da Espiritualidade do Catequista


O cuidado com a Espiritualidade do Catequista se faz prioridade no Ano da Fé. É a Espiritualidade que mantém acesa a chama do Amor-Encontro com Deus e da Missão do Catequista. Sem espiritualidade o cansaço, o desânimo, o ativismo, tomam conta.

O que é Espiritualidade?

Será importante explicitar aqui, brevemente, o que é a Espiritualidade. A Espiritualidade é o oxigênio do coração. É viver segundo o Espírito. É uma maneira determinada de viver a globalidade da vida, com seus afazeres, dificuldades, objetivos e desafios, orientando-a pela luz da nossa fé cristã. Espiritualidade é nossa dimensão divina em tudo o que é humano.

Numa bela definição, Pe. Adroaldo Palaoro sj, nos diz: “É a espiritualidade que reacende desejos e sonhos, que desperta energias em direção ao algo “mais”; é a espiritualidade que faz descobrir, escondida no cotidiano, a presença amorosa do Deus Pai-Mãe que nos envolve; é a espiritualidade que projeta a vida a cada instante, abre espaço à ação do Espírito, nos faz ser criativos e ousados em tudo o que fazemos e dá sentido e inspiração a cada ação humana, por mais simples que seja; é a espiritualidade que nos desperta e nos faz descobrir que nossa vida cotidiana guarda segredos, novidades, surpresas... que podem dar novo sentido e brilho à vida.

É um modo de “ler” e interpretar a mensagem que cada experiência de vida pode nos comunicar. Essa dimensão espiritual se revela pela capacidade de diálogo consigo mesmo e com o próprio coração, se traduz pelo amor, pela sensibilidade, pela compaixão, pela escuta do outro, pela responsabilidade e pelo cuidado como atitude fundamental”.

Espiritualidade consiste primariamente não na recitação piedosa e humilde de determinados exercícios devocionais religiosos..., mas num modo de se posicionar na vida e ver todas as coisas. Olhar o mundo com os olhos do coração, ver o sagrado mistério da realidade... Então, espiritualidade não é momentos de oração, é a definição mais capenga. Nem se reduz a sacramento, retiro, silêncio...


Espíritualidade é o cultivo das coisas do Espírito. A palavra espiritualidade vem de espírito. Na Bíblia, “Espírito” quer dizer vida, movimento, força, presença, sopro, ardor. Espírito é a força que leva a agir. Espiritualidade é uma força que nos anima, inspira. Ela vem de dentro de nós e nos impulsiona para a ação. Na vida do Cristão, esta força é o Espírito Santo. Ele acende em nós o fogo do amor: amor a Deus, amor aos irmãos, amor a Catequese. E o amor nos faz atuar, agir.
           
Quem experimenta o encontro com Deus-Amor deseja estar com Ele. A oração é a conversa mais particular e íntima com Deus, que realimenta e fornece combustível para a dinâmica do encontro permanente com Ele e da leitura da sua presença na vida. Pondo diante de Deus o que somos e vivemos, ele nos ajuda a ver mais claramente, a identificar seu apelo nos chamados sinais dos tempos, que estão aí na nossa história pessoal e na sociedade. A oração mais do que palavras é estar com Deus. Como diz Santa Tereza é “querer estar a sós com aquele que sabemos que nos ama”.

Sem espiritualidade a catequese perde o rumo

Sem o cultivo da Espiritualidade é muito difícil a catequese caminhar bem. As coisas se transformam em rotina, o desânimo vai minando o trabalho, os conflitos tumultuam o grupo. Sem Espiritualidade as pessoas vão ficando endurecidas, descrentes, desgastadas. A Espiritualidade mantém viva o “porquê” e o “para que” somos catequistas. A causa (a paixão por Jesus e pelo Reino de Deus) nos mantém no caminho do seguimento e da paixão pela educação da fé da comunidade cristã.

Quem cultiva a espiritualidade, sente-se habitado por uma Presença, que irradia ternura e amor, mesmo em meio a maior dor. Tem entusiasmo porque sabe que carrega Deus dentro de si. Mesmo com desafios, dores, sofrimentos, um catequista assim sabe-se a caminho e um eterno aprendiz do Amor.

Algumas ações possíveis para o cultivo da Espiritualidade:

- Pode ser preciso realizar algum tipo de formação sobre Espiritualidade (o que é e o que não é; o que é experiência de Deus; a oração cristã...). Mas, é importante ter presente que um curso sobre Espiritualidade não irá resolver o cultivo da Espiritualidade do grupo de catequistas.

- Iniciar todas as reuniões com o grupo de catequistas (da paróquia, da comunidade) com um belo tempo de oração-celebração. Para isso, é importante preparar com antecedência o ambiente e a celebração. O “Catequese Hoje” tem postado belas sugestões em “Tempo da Delicadeza”.

- Organizar Manhãs ou Tardes de Espiritualidade, de maneira bem catequética, cuidando da centralidade da Palavra de Deus. Cuidar para ter espaço de silêncio e oração pessoal. É possível convidar alguém para ajudar na reflexão, mas cuidado para não transformar tudo em palestra e lição de moral. Seria bom se fosse planejado uma vez por semestre, pelo menos.

- Organizar retiros (um dia, um final de semana) com o grupo de catequista. O catequista precisa sair da rotina diária, ter espaço para saborear o encontro com Deus e consigo mesmo. Retiro não é curso ou palestra. Podemos pedir ajuda de algum pregador. Pode ser agendado uma vez ao ano. Quem experimenta o gosto bom de um retiro não irá fugir dele.

- Cuidar especialmente da Acolhida dos catequistas, catequizandos, famílias. Isto é parte integrante do cultivo de uma Espiritualidade da Comunhão.

- Desenvolver o cuidado com cada catequista e também catequizando, percebendo cada um como uma delicada obra de arte de Deus. Escutar as pessoas, ser sensível ao que estão passando.

- É necessário aprender a “gastar tempo” diante do Senhor e de sua Palavra. Podemos cultivar a espiritualidade através de pequenas coisas:

a) A oração ao amanhecer e ao dormir;
b) A leitura cotidiana de trechos da Bíblia,
c) Leitura Orante da Bíblia;
d) Ofício divino das comunidades;
e) A contemplação e a adoração silenciosa ao Santíssimo;
f) Os momentos de silêncio interior para escutar os apelos de Deus;
g) A escuta de músicas, orações ou reflexões de um CD de meditação;
h) A participação na Celebração Eucarística;
i)  E outros;

Temos que ter o cuidado para não cair na rotina de usar somente as orações “decoradas” ou simplesmente lidas. É importante rezar a vida e rezar com a vida, trazendo para o nosso interior, portanto, a realidade em que vivemos. Perceber a presença e atuação de Deus na vida, no mundo.

- A oração em comum alimenta em todos a comunhão na vivência em comunidade. A Celebração Eucarística é a que mais expressa e realiza a comunhão com Deus e com os irmãos. Mas a Espiritualidade da Comunidade não se reduz a participação na missa. Toda a vida do cristão deve ser um culto agradável a Deus.

Lucimara Trevizan
Comissão Regional Bíblico-Catequética do Leste 2

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Regional Noroeste constroi seu blog e entra na rede Nacional de blog


Temos consciência, que “nenhuma metodologia dispensa a pessoa do catequista no processo catequético. A alma de todo método está no carisma do catequista, na sua sólida espiritualidade, em seu transparente testemunho de vida, no seu amor aos catequizando, na sua competência quanto ao conteúdo, ao método e à linguagem. O catequista é um mediador que facilita a comunicação entre os catequizandos e o mistério de Deus, das pessoas entre si e com a comunidade” (DNC 172). 

A catequese deve ser um processo permanente de educação da fé com o intuito de formar discípulos/missionários. Para isto, é preciso não esquecer que além dos objetivos, precisamos ter em mente a realidade em que trabalhamos (rural, periferia, urbana), os destinatários com suas experiências, cultura, idade, os conteúdos a serem refletidos, vivenciados, o uso de uma linguagem adequada, e a comunidade que é lugar favorável e fundamental da catequese. 

Deste modo, tendo em vista a realidade cibernética, na qual estamos inseridos apresentamos o blog Regional Noroeste (http://catequesenoroeste.blogspot.com.br/) para facilitar e promover uma melhor comunicação e interação entre as dioceses e seus respectivos catequistas. É um espaço propício para formação, espiritualidade, notícias e opiniões.

A equipe do blog Catequese e Bíblia parabeniza a Comissão Regional Noroeste por essa iniciativa com isso integrando a rede nacional de blog.

Concílio Vaticano II – Um grande jubileu


- Três anos celebrativos. De 2012 a 2015 comemoramos o Jubileu de 50 anos do Concílio Vaticano II (1962-1965), o maior acontecimento eclesial do século XX. Convocado pelo Papa João XXIII, em 25 de dezembro de 1961, e aberto, no dia 11 de outubro de 1962, o Concílio teve o objetivo de preparar a Igreja para anunciar o Evangelho em uma sociedade que caracterizada por “um grande progresso material que não é acompanhado por um desenvolvimento no campo moral”. Não foi um Concílio dogmático, mas pastoral, buscando aproximar a Igreja do mundo contemporâneo e retomando questões básicas de fé, ética, moral e da vida prática da Igreja hoje.

- Documentos renovadores e espírito conciliar. O Concílio Vaticano II produziu 16 documentos. Quatro constituem o eixo do Concílio: a Lumen Gentium (que é a Igreja, em sua origem, essência e constituição), a Dei Verbum (a Palavra de Deus: como Deus se revelou, como a Igreja conserva, interpreta e transmite essa revelação ao longo da história), a Sacrosanctum Concilium (o culto, a liturgia, como a Igreja celebra o mistério de Cristo) e a Gaudium et Spes (a pessoa humana, a cultura, a organização da sociedade, o desenvolvimento do mundo e como a Igreja se coloca no mundo). Ao redor deste eixo, giram os outros 12 documentos. O Papa Paulo VI, no dia 8 de dezembro de 1965, ao encerrar o Concilio dizia: “É preciso que toda a vida da Igreja seja impregnada e renovada pelo vigor e pelo espírito do Concílio, é preciso que as sementes de vida lançadas pelo Concílio no campo que é a Igreja cheguem à plena maturidade”.

Vinte Anos do Catecismo da Igreja Católica, de 11 de outubro de 1992. É um compêndio autorizado, seguro e autêntico dos principais dados da fé cristã, tendo como base a renovação solicitada pelo Concílio Vaticano II. O CATIC nasceu a partir do Sínodo Extraordinário dos Bispos de 1985. O Papa João Paulo II confiou ao então cardeal Joseph Ratzinger, atual Papa Bento XVI, a presidência de uma comissão de cardeais e bispos responsável por preparar o Catecismo. Após seis anos de trabalho, João Paulo solenemente publicou o Catecismo (mais de 700 páginas) que, depois, foi abreviado no “Compêndio do Catecismo da Igreja Católica” do Cardeal Ratzinger. E , mais tarde, o CATIC teve sua versão para jovens, o YUCAT.  

O Ano da Fé, convocado pelo Papa Bento XVI por meio do Motu Próprio “Porta Fidei”, vai de 11 de outubro de 2012 até 24 de novembro de 2013 (Festa de Cristo Rei). É um “convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo”, escreve o Papa. Este Ano da Fé é um dos principais meios para a celebração dos 50 anos de abertura do Concílio Vaticano II e dos 20 anos de publicação do Catecismo da Igreja Católica. E esta celebração é ainda enriquecida pelo Sínodo dos Bispos de outubro de 2012, com o tema “A Nova Evangelização para a transmissão da fé”. Além da Mensagem Final do Sínodo, em 2012, teremos em breve a Exortação Apostólica orientando a Igreja para praticar a Nova Evangelização. 

nery.israel@lasalle.org.br

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

26. O anúncio é motivo de alegria


No livro de Números 11,24-29 temos um episódio interessante para refletir sobre o nosso relacionamento com outros evangelizadores. Moisés tinha entrado em contato com o Senhor. Deus distribuiu parte do espírito que animava Moisés para os setenta anciãos que estavam na tenda e eles começaram a profetizar. Enquanto isso, Eldad e Medad, que tinham ficado no acampamento e não participaram do que acontecia na tenda, também receberam o espírito da profecia e começaram a pregar. Josué achou estranho e foi pedir a Moisés que os reduzisse ao silêncio. Na cabeça dele estava a idéia de que só os que estavam na tenda tinham o direito de profetizar. Mas a resposta de Moisés foi diferente. Ele disse: Tens ciúmes por mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor lhe concedesse o seu espírito!

Moisés fala de ciúme, algo que tem a ver com competição. Ele percebe que importante mesmo é o anúncio da vontade de Deus, venha de onde vier. Apesar de toda a sua proximidade com Javé, apesar de ser o mais completo mensageiro de Deus no Antigo Testamento, ele sabia que ter exclusividade seria diminuir o alcance da mensagem, que o mais importante era ter mais gente conhecendo a vontade divina.

Na catequese, poderíamos propor uma re-elaboração da mensagem desse episódio, ambientando-o nos dias de hoje. Se, por exemplo, em vez de Moisés tivéssemos o papa, Josué poderia ser algum católico avesso ao diálogo ecumênico, Eldad e Medad poderiam ser representantes de outras Igrejas. A resposta de Moisés poderia ser substituída por um parágrafo de documento oficial da Igreja, que diga que devemos nos alegrar com o bem que for feito em outras denominações cristãs. Por exemplo, poderíamos usar o texto do decreto Unitatis Redintegratio, do Concílio Vaticano II:

  Os irmãos separados realizam também inúmeras ações sagradas da religião cristã, as quais, de diversos modos e dependendo da condição específica de cada Igreja ou comunidade, geram e alimentam realmente a vida da graça e podem ser consideradas aptas a abrir as portas da salvação. UR 3

Nem se deve desprezar a obra da graça do Espírito Santo nos irmãos separados, que pode contribuir muito para a nossa edificação. Nada do que é verdadeiramente cristão se opõe à fé autêntica; pelo contrário, até ajuda a aprofundar o mistério de Cristo e da Igreja. UR 4

Mais do que acontecia com os judeus no tempo de Moisés, temos hoje necessidade de ter gente capaz de valorizar a obra de Deus nos outros grupos religiosos cristãos. Podemos pensar no bem estar que isso vai trazer até às famílias de muitos dos nossos catequizandos, que têm parentes, amigos, colegas de estudo ou trabalho que pertencem a outras Igrejas. Mas podemos considerar também o benefício que chega a muitos outros, através desses irmãos de outras denominações: eles recuperam muita gente que estava vencida por vícios de vários tipos, melhoram a autoestima de comunidades pobres, levam o evangelho a pessoas que dele estavam distantes. Não dá para ignorar essas conquistas, devemos nos alegrar com elas. De um jeito ou de outro, é a Palavra de Jesus que está sendo comunicada. 
Pode haver falhas no processo? Sem dúvida! E nós também não falhamos às vezes? Apontar correções necessárias de percurso pode até ser necessário, mas devemos educar para a capacidade de reconhecer o bem que outros cristãos realizam. E isso deve ser motivo de alegria! É o que diria Moisés, é o que nos diz a nossa Igreja. 

Therezinha Cruz

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

33º. Domingo do Tempo Comum – B


Muito se fala do livro do Apocalipse, atribuindo-se a ele algumas previsões a respeito do fim do mundo. Na verdade, a linguagem apocalíptica não é exclusividade do chamado livro das Revelações. Na liturgia da Palavra deste domingo, percebemos textos apocalípticos no livro de Daniel e no Evangelho de Marcos.

Estamos diante de um gênero literário. A Bíblia tem várias formas de dizer as coisas: ora, fala em forma narrativa, ora, em forma de carta, ora, em forma de ditos sapienciais... É como nas conversas cotidianas: existe um modo de falar para pedir uma informação a um atendente de telefone, outro para relatar um fato a um amigo, outro para fazer uma declaração de amor, outro ainda para partilhar uma tristeza profunda. Nem sempre as linguagens são descrições exatas de situações. Quando queremos dar ênfase em nossas ideias, exageramos. Usamos expressões como: “estava morrendo de medo”, “a casa caiu”, “feio de doer”. Quem conhece tais expressões sabe que ninguém morreu, que nenhuma construção foi desfeita e nada doeu; são apenas metáforas. Assim, quando lemos no Evangelho que o sol vai escurecer e que a lua não vai mais brilhar, não devemos tomar ao “pé da letra”. Trata-se de um gênero literário que tem uma finalidade.

O que pretendem os textos apocalítpticos? Tais textos foram escritos em momentos de grande dificuldade, quando a conjuntura das coisas apontava para a desgraça, para a calamidade, para a guerra... Em tais situações, a Palavra de Deus se revelou com uma conotação peculiar, descrevendo a iminência de grandes destruições com cores fortes. É como um grito de alguém correndo perigo. Quando tudo está mal, é comum se exagerar nas palavras negativas e recorrer a Deus. Aqui está a grande revelação apocalíptica: embora tudo pareça estar ruim, Deus não nos abandona jamais. Por isso, resta-nos firmar a esperança no Deus que vem, pois nossa confiança não está presa a este mundo que passa.

Em nossas vidas, passamos por situações de profunda dor. As crises podem advir em muitos momentos da existência. Nestas horas, temos a oportunidade de olhar para além das aparências, de verificar quais são os sinais dos tempos, de perseverar no bem e de esperar em Deus. Do contrário, iremos caminhar para a lamúria infindável, para o desânimo ou colocaremos a culpa nos outros e no próprio Deus.

“O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13,31). Tudo é efêmero... As coisas construídas pelas mãos humanas e os eventos da história passam. Ficam pra trás o glamour das vitórias, bem como as dores dos fracassos. Porém Deus e sua Palavra permanecem. É preciso ter sempre esta certeza diante de nossos olhos, para que a vida siga com serenidade.

“Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe...” (Mc 13,32). Não acreditemos nas previsões catastróficas. Deus não deseja a destruição final, mas a restauração de sua obra. O Evangelho nos fala que quando o Senhor voltar, Ele reunirá os eleitos. Ou seja, no fim dos tempos, teremos uma comunidade de fiéis. O Reino será a comunhão de amor de uma fraternidade universal. Isso será motivo de festa, por isso, não precisamos temer. Nossa tarefa é preparar a cada dia o Reino vindouro. Os dias de nossa vida são únicos e irrepetíveis. O que fazemos com eles, são consequências de nossas próprias decisões. Tenhamos consciência que cada escolha terá uma consequência para a eternidade.

Pe. Roberto Nentwig

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O fim do mundo


Muita gente está assustada com as previsões feitas para o dia 12/12/2012. Isto não passa de mais um momento de sensacionalismo, daquilo que é próprio de uma cultura cheia de vulnerabilidade e insegurança. Dizem ser o “dia galáctico”, até interpretado como “fim do mundo”. Apenas digo ser verdade que a profecia não é verdade.

O profeta Daniel descreve o fim dos tempos e a evidência da ressurreição (Dn 12, 1-3). Mas tal realidade só pode acontecer por uma intervenção decisiva de Deus, quando cada pessoa receberá o destino de acordo com o seu proceder na terra: uns para a vida eterna e outros para a ignomínia eterna.
Daniel cita a sabedoria como aquilo que constrói o destino das pessoas. Quem age com meios violentos não consegue fazer prevalecer o direito de Deus. É a partir daí que vai acontecer o julgamento divino, “que tarda, mas não falha”. O que vai ficar é a justiça divina e a glória para quem a faz acontecer.
A meta da história está centrada no fato de que é Deus quem a dirige, levando consigo a ideia de seu triunfo final sobre todo o mal. Isto significa que o mundo tem uma meta, a consumação do plano de Deus. Cabe às pessoas uma atitude de vigilância, porque há uma certeza de que o Senhor virá.

Na visão bíblica, parece não existir fim do mundo, mas fim dos tempos, que vai coincidir com o retorno de Jesus Cristo na glória de sua ressurreição. Ele virá para julgar o mundo e a história. O povo eleito, disperso por toda a terra, será reunido e os justos estarão definitivamente com o Senhor.
O cristão deve ter em mente que o fim é acontecimento presente, que influencia seu pensar, julgar e agir. Um presente que é passageiro, transitório, mas apoiado na firmeza da Palavra do Senhor. Só Deus pode determinar o que chamamos de fim dos tempos. O dia vai chegar, mas isto não está nas mãos dos homens, mas de Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Priorizar, sem desprezar!


Não me considero retrógrada, entendo perfeitamente a preferência da Igreja que nos últimos anos nos instiga à Iniciação Cristã, priorizando os adultos e sei também o porquê  do pedido (devemos cuidar para não fazermos a leitura ao pé da letra e não priorizar um, desprezando o outro). Não sou alienada, faço parte dessa sociedade de adultos batizados, não iniciados, católicos nada comprometidos. A missão da Igreja é evangelizar, fazer discípulos missionários... E quando dizemos "Igreja", nos referimos a todos: Bispos, padres, ministros, catequistas, todas as pastorais (todas!!!) e movimentos. Temos  grandes progressos, iniciativas lindas em se tratando da Iniciação à Vida Cristã.

Porém, em muitos lugares, ainda se tem a idéia de que cabe aos catequistas a missão de evangelizar e  se existem "católicos" inconstantes, incrédulos, nada comprometidos, isso se deve unicamente a "essa" catequese falha. Que tal, nos unirmos e mostrarmos que de fato ‘somos um’ em Cristo e que todos devemos assumir nosso compromisso de batizados.  Não seria essa a pastoral de conjunto que muitos documentos pedem?  Iniciação Cristã é papel de toda Igreja. Infelizmente ainda fazemos parte de uma Igreja, onde  cada pastoral está no seu quadrado.

Incomoda-me  quando ouço  de palestrantes, lideranças,  formadores, um certo desprezo com relação à catequese com crianças, adolescentes. Precisamos sim, ter consciência que a Iniciação à Vida Cristã, acontece num processo de catequese continuada, rumo ao amadurecimento na fé, que em muitos casos, inicia-se na idade infantil. A questão é iniciar  na fé, todos os que nos são confiados.  Se iniciamos os pequeninos,  deixemos de lado a catequese infantilizada, sacramentalista,  os formemos de maneira adulta, na certeza de que essa remessa serão os adultos cristãos de amanhã. Se tivermos essa preocupação, alguém lá na frente não vai precisar "retocar" nosso trabalho, se ocupando em evangelizar os adultos que outrora foram nossos catequizandos. Depois, quem trabalha com crianças, adolescentes, jovens, tem em suas mãos uma grande oportunidade de evangelizar e tocar os corações da família. Pois, não seria na catequese com crianças, o lugar onde se concentra o maior número de adultos? Quantos desses foram de fato iniciados na fé? O que não se concebe é não ter um trabalho de evangelização paralelo com essas famílias no período da catequese.

Por outro lado, devemos sim, correr atrás do prejuízo, evangelizando os  demais adultos de nossa comunidade, através de uma eficaz catequese de Iniciação com adultos. A propósito, em sua paróquia existe um trabalho organizado para acolher os adultos que querem se tornar cristãos? E melhor, existe um trabalho missionário, que vá em busca desses adultos? Se não! Está na hora de elaborar um plano de ação.
  
Termino essa minha fala com as palavras de Pe Boris: "Acredito muito na força dos catequistas, ministros da Palavra, não porque sejamos fortes, mas porque servimos aquele que é a força da vida, que é o nosso Deus que se manifesta, se revela não só nas Escrituras, mas de diversas formas, e nós somos servidores da Palavra, portanto, portamos um tesouro valioso dentro de nós e que habita no nosso meio." (Pe Boris Agustin Nef Ulloa- 1º Simpósio Animação Biblica da Pastoral - regional sul 1- CNBB)

E é esse tesouro valioso que precisamos fazer conhecido e amado por todos, não se detendo nessa ou naquela faixa etária. Sabe qual foi a fonte de inspiração para esse meu texto? Foi quando na noite de ontem, uma catequista,  partilhava comigo  sobre como teria sido seu encontro com os pais de sua turma, uma turma de pré catequese, crianças de 07, 08 anos. Uma mãe, emocionada dá seu testemunho, ela dizia que sua filhinha de 07 anos tinha duas coisas que sonhava, uma delas, era que a mãe participasse da missa com ela, pois até então, ia à missa com a avó. Essa mãe, resolve atender ao pedido da filha. Agora, se essa mãe não tivesse sido tocada por Deus, através da filha, ela teria dado esse testemunho? Por isso, insisto, essa etapa é a oportunidade de evangelizar um monte de adultos. Cabe ao catequista, perceber o momento de agir e não ficado acomodado esperando a hora da graça passar.

Sendo assim, trabalhemos com afinco, com crianças, adolescentes, jovens e adultos, tendo um carinho todo especial pelos adultos afastados(sem radicalismo), pois os adultos, cujos filhos estão na catequese, estão bem perto de nós e essa é a hora de evangelizá-los.

Com carinho!
Imaculada Cintra, catequista apaixonada pelos pequenos, mas, consciente de que sou catequista de “IVC”, com a missão de formar os futuros adultos cristãos e evangelizar hoje os adultos afastados, batizados não evangelizados...
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