quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Os bem aventurados e o juízo final


      Jesus vem trazer uma salvação que é tudo de bom que o Pai sempre quis dar a nós todos, seus filhos amados. Trata-se tanto de uma salvação pessoal como de uma transformação do mundo, para que ele se torne um espaço parecido com o paraíso inicial (símbolo do objetivo de Deus ao nos criar) e com a nova Jerusalém final, onde não haverá mais lágrimas, luto nem dor porque o objetivo inicial foi atingido. 

É importante transmitir aos catequizandos a idéia de que Deus quer o tempo todo a nossa felicidade. Os regulamentos que Ele nos dá não são apenas testes para ver se merecemos prêmios, são orientações para construirmos todos juntos a vida como ela realmente deveria ser. São normas colocadas por um Pai amoroso, são caminhos para conquistar tudo de bom que Ele sempre quis que nós tivéssemos.

É nessa ótica que a catequese deve apresentar as bem-aventuranças e os critérios para o juízo final. Em Mt 5 temos Jesus dizendo que serão bem-aventurados os que têm coração de pobre (livre da pressão que põe o ter acima do ser), os que são capazes de chorar (porque ainda não se tornaram insensíveis ao que machuca o ser humano criado para ser feliz), os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os que têm um coração puro, os pacíficos e os que são perseguidos por causa da justiça. São atitudes que terão recompensa na vida eterna? Sem dúvida! Mas são também condições existenciais de quem não se conforma com a presença do mal no mundo.

Depois, em Mt 26, Jesus vai indicar quem serão os “benditos do Pai” que vão herdar o reino: são os que alimentaram os famintos, deram de beber aos que tinham sede, acolheram os sem-teto, vestiram os nus, visitaram doentes e encarcerados. Não é difícil perceber que esses também são os que agem para que a vida seja melhor aqui mesmo neste nosso mundo. Fica evidente que a caridade está acima de tudo, é o grande instrumento para que a vida tenha gosto de paraíso.

É interessante perceber que Jesus não coloca como condição a freqüência ao templo, a assiduidade a um determinado tipo de oração ou a pertença ao grupo religioso “correto”. É claro que tudo o que fazemos na Igreja é essencial, importante e nos fortalece. A catequese precisa, sem dúvida, preparar para a prática litúrgica, para o conhecimento da doutrina, para a participação na comunidade eclesial. Mas tudo isso está voltado para o objetivo final, que é ser formar aliados de Deus na construção de um mundo melhor. E se alguém que não pertence à nossa Igreja consegue trabalhar honesta e dedicadamente na direção desse objetivo temos que reconhecer que essa pessoa estará incluída no grupo dos “benditos do Pai”. A catequese que ensinar isso não estará sendo infiel à Igreja, estará dando testemunho de que ela que tem a grandeza bastante para reconhecer o bem onde quer que ele se encontre. Uma Igreja assim merece até mais respeito e será fonte de mais alegria porque vai nos ajudar a valorizar os irmãos e detectar bons exemplos que podem também nos animar.

Therezinha Cruz

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