terça-feira, 30 de outubro de 2012

Notícias do Sínodo dos Bispos 22 - Pe. Lima


ENCERRAMENTO DO SÍNODO

O grande evento eclesial do Sínodo dos Bispos de 2012 foi encerrado com a solene liturgia eucarística, presidida pelo Papa e concelebrado pela maioria de seus participantes. Foi a quarta grande e bela liturgia da qual participamos durante o Sínodo. Como informei durante as três semanas, os únicos momentos de oração em comum dos cerca de 400 participantes, eram: 

1. No início da manhã a récita da hora média da Liturgia das Horas (tércia) também com certa solenidade, quer pelos salmos todos cantados (a assembleia alternava com parte do coro da capela sistina presente), quer pela leitura breve com todos os ritos solenes da missa (entrada da Palavra de Deus ladeada pelos ceruferários) e proclamação solene do texto bíblico. Seguia-se uma homilia de 8 a 10 minutos proferida no primeiro dia pelo Papa, e depois por um dos padres sinodais (a penúltima, na sexta feira passada foi feita pelo brasileiro Dom Benedito Beni, bispo de Lorena, em italiano). Após a oração final, sempre se cantava uma das cinco antífonas tradicionais de Nossa Senhora, sempre em latim.

2. No início da sessão da tarde, rezava-se apenas uma simples oração de início de trabalho (Actiones nostras ou uma oração pelo bom êxito do Sínodo).

Entretando, quatro belíssimas e concorridíssimas Eucaristias, foram celebradas pelo Papa; concelebramos a primeira e última, e participamos da segunda e terceira. A primeira foi a abertura no dia 06 de Outubro; a segunda, no dia 11, comemorando os 50 anos do Concílio, 20 anos do Catecismo da Igreja Católica e abertura do Ano da Fé; a terceira foi no domingo dia 22, quando foram canonizados 7 santos de diversa procedência, cultura e que viveram modalidades diferentes de evangelização. A quarta e última, foi a Eucaristia de Conclusão do Sínodo, ontem, dia 28. As três primeiras, pelo seu caráter multitudinário, foram celebradas na Praça São Pedro, ao passo que a última foi dentro da maravilhosa Basílica Vaticana.

Entretanto, o imenso espaço litúrgico da Basílica Patriarcal do Vaticano tornou-se pequeno para acolher a grande quantidade de celebrantes e fieis que lá compareceram. Muitos tiveram que participar fora da basílica, através dos telões. Estavam presentes a quase maioria dos 400 participantes do Sínodo, cardeais, bispos, sacerdotes, revestidos dos paramentos solenes. Como sempre destacavam-se os de rito oriental, pomposos em seus trajes litúrgicos.

O momento sempre esperado é a homilia do Papa. E dessa vez, como sempre ele fez um magistral comentário ao texto da liturgia dominical (cego Bartimeu), falando da cegueira de muitas pessoas que vivem em regiões de antiga evangelização, onde a luz da fé se ofuscou, e se afastaram de Deus, deixando de considerá-Lo relevante para a própria vida e, portanto, necessitados de uma Nova Evangelização: “São as inúmeras pessoas que precisam de uma nova evangelização, isto é, de um novo encontro com Jesus, o Cristo, o Filho de Deus que pode voltar a abrir os seus olhos, a ensinar-lhes o caminho”. Não só para essas pessoas é necessária uma nova evangelização; ela é para toda a Igreja, que deve ser animada pelo fogo do Espírito.A partir de aí fez uma interessante síntese dos trabalhos conciliares, relevando esses três pontos: 

1. O primeiro diz respeito à vida interna da Igreja, aos Sacramentos da Iniciação cristã. "É necessário fazer uma catequese que realmente inicie as pessoas (adultos, jovens e crianças) no mistério de Jesus, de tal modo que sejam bem preparadas para receber os três sacramentos: Batismo, Confirmação e Eucaristia". É interessante notar que, quando Bento XVI se refere a esses sacramentos, ele usa sempre essa ordem: batismo, confirmação e eucaristia, que não é a tradicional. Creio que ele pensa que deveríamos alterar a sequência dos sacramentos de iniciação cristã! Ao lado deles, está a importância do Sacramento da Penitência (tão acentuada durante o Sínodo) e a vida dos Santos, verdadeiros protagonistas da nova evangelização, através dos exemplos de vida que nos dão.

2. O segundo ponto da Nova Evangelização, conforme Bento XVI, é a missão ad gentes (aos povos pagãos), para a qual são chamados consagrados e leigos. Assim se expressou: “Foi afirmado, durante o Sínodo, que há muitos ambientes na África, Ásia e Oceania, onde os habitantes aguardam com viva expectativa – às vezes sem estar plenamente conscientes disso – o primeiro anuncio do Evangelho. Por isso é preciso pedir ao Espírito Santo que suscite na Igreja um renovado dinamismo missionário, cujos protagonistas sejam, de modo especial, os agentes pastorais e féis leigos”. Tal tipo de evangelização é facilitada pela globalização e a deslocação de populações dentro ou fora do país; os migrantes têm possibilidade de levar sua fé onde quer que estejam. 

3. O terceiro ponto da nova evangelização diz respeito às pessoas batizadas, mas que não vivem as exigências do Batismo. Tais pessoas encontram-se em todos os continentes, especialmente nos mais secularizados. "A Igreja dedica-lhes uma atenção especial, para que encontrem de novo Jesus Cristo, redescubram a alegria da fé e voltem à prática religiosa na comunidade dos fiéis. Para além dos métodos tradicionais de pastoral, sempre válidos, a Igreja procura lançar mão de novos métodos, valendo-se também de novas linguagens, apropriadas às diversas culturas do mundo, para implementar um diálogo de simpatia e amizade que se fundamenta em Deus que é Amor". Para isso a Igreja se serve dos métodos tradicionais de pastoral e procura novos métodos, novas linguagens mais apropriadas para as diversas culturas do mundo. "O Pátio dos Gentios", assim como a "missão continental" mostram o esforço de criatividade pastoral para realizar essa missão.

Voltando ao cego Bartimeu, curado por Jesus, Bento XVI concluiu dizendo: "Assim são os novos evangelizadores: pessoas que fizeram a experiência de ser curadas por Deus, através de Jesus Cristo".

Como nas três missas anteriores, também nessa o rito foi soleníssimo, brilhou o coro da Capela Sistina, afinadíssimo e com novas e modernas melodias, conduzido pelo maestro salesiano Pe. Massimo Palombela. A orquestra de metais, novamente deu grande solenidade a Rito. Ao final da celebração, o diácono, ao invés de cantar a tradicional despedida, usou essas palavras: "A missa terminou, ide em paz anunciar o Evangelho".

Com essas palavras concluiu-se a XIII Assembleia Geral Ordinária dos Bispos, cada um retornando às próprias bases, com a sensação do dever cumprido, animados e cheios de entusiasmo, para não só como pessoas trabalharem na nova evangelização, mas sobretudo para serem animadores de seus irmãos no árduo e empenhativo trabalho de uma Nova Evangelização. 

Roma, 29 de Outubro de 2012, segunda feira
 Pe. Luiz Alves de Lima, sdb.

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