quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Notícias do Sínodo dos Bispos 03 - Pe. Lima


QUASE 50 DISCURSOS NUM DIA...

Conforme a programação do Sínodo, este terceiro e parte do quarto dia são destinados aos comentários a respeito do documento Instrumento de Trabalho. De fato, a finalidade deste texto, é recolher toda a discussão feita anteriormente, através de consulta às Conferências Episcopais, e levantar alguns problemas relacionados ao tema central. 

Foi o que aconteceu hoje quando, cerca de cinquenta oradores (cardeais, arcebispos e bispos) se inscreveram para comentar algum aspecto do Instrumento de Trabalho. Cada um tinha cinco minutos para falar, usando uma das 5 línguas oficiais, e todos, na Assembléia, acompanhavam com o texto do pronunciamento em mãos e tradução simultânea, para quem desejasse. Cada orador tinha apenas 5 minutos para falar, após os quais o microfone era desligado...

Ficar ouvindo tantos oradores e em cinco línguas diferentes, é um trabalho muito cansativo. Mas o próprio Regulamento do Sínodo assim se expressa: "pode parecer enfadonho ter que escutar em vários dias tantos discursos. Mas, na realidade, trata-se de uma escuta muito útil para alimentar a colaboração e a amizade entre todos, para obter, da variedade de falas, os elementos comuns, os problemas mais importantes e as questões que mais preocupam os responsáveis pela Evangelização em todo o mundo. O trabalho em comum exige paciência" (Art. 38 d).

Antes de começar o debate, houve a constatação da presença, uma espécie de "chamada", mas num sistema eletrônico super prático e rápido. Constatou-se que estavam presentes 255 "Padres Sinodais". Nesse número não estão os outros mais de 150 participantes considerados peritos ou secretários, os ouvintes, os convidados especiais e todo o pessoal auxiliar e técnico.

Um dos primeiros a falar foi o Card. Rino Fisichella, presidente da Congregação para a Nova Evangelização, recentemente fundada pelo Papa Bento XVI. Ele denunciou o modo de viver de muitos católicos que não expressam a novidade do Evangelho, às vezes um modo burocratizado de viver a fé e os sacramentos; "muitas comunidades parecem cansadas, repetindo fórmulas sem sentido que não comunicam a alegria do encontro com Cristo e estão em dúvida a respeito do caminho cristão a ser percorrido... Devemos redescobrir a força do anúncio de Cristo Ressuscitado do qual somos testemunhas, sem deixar-nos sufocar pelas estruturas".

Houve uma variedade de propostas: muitos insistiram no valor da humildade, para que o anúncio do Evangelho seja eficaz: "nova evangelização exige nova humildade"; outro falou da importância do Espírito Santo na obra evangelizadora e propôs consagrar o mundo o mundo a Ele no final do Ano da Fé. Houve quem chamou a família de "fronteira decisiva da Nova Evangelização", ou reduziu a evangelização quase como uma formação permanente... Outro chamou a atenção para a "emergência educativa", afirmando: "não podemos evangelizar se não educamos e não educamos se não evangelizamos".

Alguns apresentaram experiências eficazes de evangelização, como o acompanhamento espiritual das mães grávidas, também como preparação para o futuro batismo da criança, a distribuição abundante da Bíblia, ou partes dela, a êxito da pastoral da entronização da Bíblia nas casas dos fiéis e posterior acompanhamento, a riqueza da Leitura Orante da Palavra de Deus, etc.
Seguindo uma tendência em várias partes da Igreja, um orador pediu que a Igreja Romana seguisse o exemplo da Igreja Oriental Católica, que celebra o sacramento do Batismo juntamente com a Confirmação, deixando a Eucaristia para o ápice e a conclusão do processo de iniciação à cristã, numa idade bem mais avançada (após os 15 anos), quando a/o jovem está mais apto/a para receber tão grande Sacramento.

O tema da iniciação à vida cristã e necessidade do primeiro anúncio foi muito defendida por um bispo mexicano, que já foi o encarregado da catequese na América Latina. Entre os convidados para o Sínodo está o fundador das Escolas de Santo André, de grande êxito no México e em outras parte da América Latina, inclusive no Brasil. Tal escola se dedica a formar novos evangelizadores, preocupando-se sobretudo com o primeiro anúncio. 

Outros assuntos tratados, entre tantos, foram: a centralidade da Pessoa de Jesus Cristo na Evangelização e o encontro pessoal com Ele, a força evangelizadora da devoção a Nossa Senhora, e, em geral, da religiosidade popular, as necessidades antropológicas às quais a Evangelização deve responder, a necessidade de dinamizar a vida das Paróquias, a urgência de renovar a formação presbiteral para termos bons evangelizadores na Igreja. Acentuou-se também a necessidade, para aqueles que anunciam a Palavra de Deus, de fazerem ressoar na própria vida a Palavra que pregam aos outros, particularmente os religiosos e sacerdotes: primeiro viver a Palavra, para depois pregá-la.

Entre os oradores, apresentou-se um representante da Federação Luterano Mundial, elogiando essa iniciativa do Sínodo em se debruçar sobre o tema da nova evangelização e afirmando o grande valor do Catecismo da Igreja Católica que, segundo ele, se aproxima muito daquele de Lutero... Outro visitante ou convidado fraterno foi o presidente da Sociedade Bíblica Internacional que muito se alegrou com a Verbum Domini (documento do Sínodo anterior sobre a Palavra de Deus). Entre esses convidados fraternos está também o representante das célebres Comunidades de Taizé, de raiz luterana, mas muito próximos da Igreja Católica e que atraem muitos jovens.

O último discurso do dia foi do Card. Ouelet, que durante 35 minutos falou da recepção e dos efeitos que tiveram em toda a Igreja a exortação apostólica sobre a Verbum Domini do Sínodo anterior. Mostrou que a nova evangelização tem como primeiro instrumento a Palavra de Deus vivida pelos cristãos que devem dar testemunho dela na própria vida e também a própria Palavra de Deus nas Escrituras. O tema da nova evangelização é uma consequência lógica do tema da Palavra de Deus.

O dia terminou com um pré-lançamento de um grande filme-documentário sobre o Concílio Vaticano II com imagens inéditas de cinquenta anos atrás, que foi muito aplaudido pelos participantes do Sínodo. Tal filme, a ser lançado oficialmente no dia 11 de Outubro, em que se celebram os 50 anos do Concílio, será muito útil para aqueles que não têm nenhum conhecimento, ou conhecimento apenas teórico, desse que foi o maior evento da Igreja Católica no século XX, e talvez, de toda a bimilenar história da Igreja.

Os quase 50 discursos acima acenados encontram-se na internet, no mesmo endereço que ontem aqui deixei:  http://sinodo2012.wordpress.com/?blogsub=confirming#subscribe-blog

Roma, 09 de Outubro de 2012.
Pe. Luiz Alves de Lima, sdb.

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