sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Grandes figuras, bons exemplos


    Recentemente, numa missa de domingo, o meu pároco, falando da importância do testemunho, citou uma frase bem ilustrativa. Ele disse: “O que tu fazes fala tão alto que não consigo ouvir o que tu dizes.” Todos sabemos o quanto de verdade há nesse tipo de afirmação. Jesus também apresentou essa idéia na parábola dos dois filhos (Mt 21,28-31): um disse que ia, mas não foi; o outro disse que não ia, mas foi. Jesus faz então uma pergunta retórica, que nem precisava de resposta: qual dos dois fez a vontade do pai? Depois, dirigindo-se a um público cheio de gente que se considerava mestre da religião, Jesus ousa acrescentar: “Em verdade vos digo, os publicanos e as meretrizes vos precederão no reino de Deus!” 

Muitas vezes, no evangelho, Jesus insiste na importância da ação concreta. É isso que determina a proximidade em relação ao projeto de Deus, não são os discursos ou os títulos que cada um ostenta. O que ele costuma apontar como bom exemplo não é a conversa de quem sabe direitinho a Lei, de quem freqüenta o templo nos momentos certos ou de quem usa os símbolos corretos da tradição religiosa a que o próprio Jesus pertence.  Ele elogia a viúva pobre que dá de esmola tudo que tinha, coloca o samaritano como exemplo de caridade com o necessitado. 

Tudo isso nos mostra que bons exemplos devem ser valorizados, venham de onde vierem. Certa vez alguns católicos ficaram contrariados porque usei uma frase de Gandhi para ilustrar o que Deus esperava de nós. Ele queria dizer que precisamos ter iniciativa e começar a fazer o que achamos que precisa ser feito para melhorar a vida. A frase era assim: “Precisamos ser a mudança que queremos ver no mundo”. E não se pode negar que o próprio Gandhi, com sua vida, mostrou que isso não era um discurso vazio. Ele não era cristão, sabemos. Mas como negar que uma pessoa assim nos deixa um bom exemplo?

Falamos – e devemos falar!- dos santos e grandes figuras da nossa Igreja. Católicos como São Francisco, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce... e tantos outros têm vidas que se transformam facilmente em material catequético. Aliás, é por isso que nossa Igreja os põe em destaque. Mas isso não impede que possamos citar outros exemplos, de gente que não pertenceu a nossa Igreja, mas nos deixou uma história marcada por caridade, fraternidade, busca da justiça. Gandhi era hindu e tem muito a nos ensinar; Martin Luther King era batista e nos mostrou como é importante dar a vida pelo respeito á dignidade de todos e a superação de preconceitos; Albert Schweitzer, médico, músico e teólogo protestante, deixou sua vida cômoda na Europa e foi para a África cuidar dos pobres que não tinham como conseguir um médico. É dele a frase: “Só são verdadeiramente felizes aqueles que procuram ser úteis aos outros”. 

Exemplos de vida falam mais alto do que discursos. Assim, conhecendo o valor humano de tantos não católicos que souberam viver como Jesus ensinou, estaremos ajudando nossos catequizandos a respeitar e valorizar os bons exemplos que também nos vêm desses outros filhos de Deus que realizaram  o que combina com o projeto do Pai de todos.

Therezinha Cruz

Um comentário:

  1. Uma reflexão verdadeira e interessante, como catequista levarei para meus catequizandos e também aos pais desses catequizandos, para que reflitão o quanto é importante fazer o bem e acreditar que Deus veio a terra para nos salvar de nossos pecados!

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