quinta-feira, 25 de outubro de 2012

COORDENAR A PARTIR DAS VIRTUDES CARDEAIS - X


“Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um
coloque à disposição dos outros o dom que recebeu” (1Pd 4,10).

Coordenar com Prudência 

Ser um coordenador que vive a prudência significa a capacidade de descobrir o que é adequado e propício aqui e agora, não só pra mim, mas essencialmente para os outros, é a busca do caminho para se fazer o bem. Sabemos que tem muita gente com boa intenção para bem coordenar, mas não basta, é preciso o caminho certo, para isto conhecer a realidade concreta para poder corresponder a partir das suas necessidades. 

A prudência é a virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem e para escolher os justos meios de atingi-lo. “O homem prudente vigia os seus passos” (Pr 14, 15). “Sede ponderados e comedidos, para poderdes orar” (1 Pe 4, 7). A prudência é a “reta norma da ação”, escreve São Tomás. Não se confunde, nem com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação. É a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência. 
O coordenador prudente tem nas mãos o passado da caminhada da sua comunidade, olha para o presente e sempre tem uma perspectiva de futuro, jamais é imediatista, mas é acima de tudo uma pessoa sábia, sensata, providente, cautelosa, ponderada, equilibrada, corajosa. 
Jesus nos fala de um homem prudente e de um sem juízo, vamos ao texto de Mt 7, 24-27. Aqui temos o exemplo de atitudes pensadas e planejada. O prudente consegue prevê as dificuldades que virão as tempestades, os ventos e então constrói sua casa sobre uma rocha, já o sem juízo firma-se a partir do imediatismo, do não planejar e do não pensar no futuro da casa. 

Há também a parábola das dez jovens, cinco prudentes e cinco tolas que vão ao encontro do noivo, cinco prudentes planejam, pensam que o noivo pode demorar e levam óleo de reserva, já as outras cinco não se lembram do óleo, pensam apenas no momento atual. O coordenador prudente vive sempre em atenção as eventualidades como as cinco jovens que levaram óleo de reserva. Vamos ler em nossa Bíblia Mt 25, 1-13. Como coordenador você decide depressa demais, ou antes, é muito devagar? Como animador do grupo de catequistas você costuma olhar além do horizonte estreito, ou toma as tuas decisões apenas para  o momento. O que significaria para você olhar para o futuro? 

Coordenar com justiça 

Acredito que uma boa característica para um bom coordenador seja o ser justo. A pessoa que é justa é aquela que deixa o outro valer como outro, deixa para o outro aquilo que é de seu direito. 

A justiça é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. O homem justo, tantas vezes evocado nos livros santos, distingue-se pela retidão habitual dos seus pensamentos e da sua conduta para com o próximo. “Não cometerás injustiças nos julgamentos. Não favorecerás o pobre, nem serás complacente para com os poderosos. Julgarás o teu próximo com imparcialidade” (Lv 19, 15). “Senhores, dai aos vossos escravos o que é justo e equitativo, considerando que também vós tendes um Senhor no céu” (Cl 4, 1).

Ser justo é, acima de tudo, querer valer o direito do outro e não querer sempre prevalecer o seu direito. Vamos lembrar-nos da figura de São José esposo de Maria, vamos ao texto de Mt 1,18-25. O texto nos afirma que José era justo, desconsidera a lei de apedrejar Maria por não estar grávida dele e aceita a vontade de Deus, a justiça de José esta envolvida de misericórdia, já a justiça para Maria é ser obediente a Deus. 

Ao falarmos em seguir e fazer a vontade de Deus é preciso ter presente o que é essencial para a nossa vida cristã, o que realmente colocamos em primeiro lugar. “buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” Mt 6,33. Tudo o que o coordenador fizer em sua ação para a animação do grupo de catequistas deve corresponder para o bem de todos, está é a justiça do Reino de Deus. Vamos refletir: O que significa para você coordenar com justiça?  Você busca perceber em sua ação como coordenador o que cada catequista necessita? 

Coordenar com fortaleza 

A virtude da fortaleza tem sua origem na palavra forte, ser forte, como uma atitude firme com disposição estável, ou seja, não há inconstâncias na tomada de decisão, nas escolhas, isto não significa que não se deve ser maleável, flexível diante das situações que surgir como coordenador. 

É a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na prossecução do bem. Quando nos propomos a realizar qualquer atividade em nossa vida, qualquer ação, acredito que você já percebeu que não nos falta dificuldades, pois elas fazem parte do caminhar, do nosso viver neste mundo. A virtude da fortaleza nos concede a firmeza, tranqüiliza nossa conduta, serena nossa vontade, nos ajuda a manter no firme propósito que havíamos iniciado, é a virtude de manter-se no bem árduo. O coordenador que cultiva a fortaleza não desanima tão facilmente, mas sabe ler em meio as dificuldades que encontra as soluções para os problemas, por isso cultiva a partir das dificuldades a  segurança para manter-se na direção certa. 

Sabemos que o mal está sempre a nossa porta, bem perto de nós, como cristão é preciso ser forte para resistir às tentações e procurar fazer o bem. Existe uma refrão que diz: “Não nos cansemos de fazer bem”, pois nem sempre é fácil como coordenar, discernir o que é o bem e o que é o mal, discernir entre o que é virtude e o que é vício, entre a vontade de Deus e a minha vontade. Para isto é preciso intimidade com a Palavra de Deus, pois ela nos dá todo discernimento necessário, “Transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito”. (Rm 12,2). Portanto a virtude da fortaleza torna firme a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral. 

O bom coordenador é aquele que sempre está disposto a agir junto ao grupo, ir além, avançar sem medo, contudo vemos muitos serem tomados pelo medo de arriscar, de tentar, uma vez que, quando uma situação é nova, é natural o medo. O medo pode nos paralisar, não nos permite avançar, é um obstáculo para a liberdade humana. A virtude da fortaleza dá capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições. Dispõe a ir até a renúncia e o sacrifício da própria vida, na defesa duma causa justa. “O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória” (Sl 118, 14). “No mundo haveis de sofrer tribulações: mas tende coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33).

Portanto, a virtude da fortaleza no ministério da coordenação é a capacidade de permanecer constantemente consigo e com o  grupo que você anima, mantém firme em prosseguir na realização daquilo que se propôs, daquilo que se reconhecer como certo, pois não muda os seus planos por causa das dificuldades e conflitos inerentes ao caminho, mas continua na reta direção, na batalha do que considera importante para o grupo de catequistas. 
Como catequista coordenador, como você lida com as dificuldades? Você costuma se esquivar? Escolhe o caminho da menor resistência? 

Coordenar com temperança 

A virtude da temperança ajuda o bom coordenador a reconhecer a “boa medida”. Lembra-nos da canção “Tocando em frente” de Almir Sater e Renato Teixeira: “Cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz”. Esta á atitude de quem coordena: reconhecer as aptidões, potencial e capacidades próprias e dos catequistas que coordena, isto significa avaliar o que o outro pode suportar, pode fazer, realizar em sua vida, é respeitar a medida do outro. 

A virtude da boa medida, que é a temperança, é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Ser um coordenador cristão é, acima de tudo, aquele que modera sempre para o bem e assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. É a busca constante de equilíbrio. Os institutos que temos são “animais”, ou seja, temos que ter domínio sobre eles, pois podem nos afastar do primeiro projeto que temos que é do coordenar com moderação, usando a boa medida. É preciso sentir-se bem como coordenador, ter prazer naquilo que se faz e não se utilizar do ministério da coordenação para glória própria para satisfazer o ego. À luz da psicologia podemos compreender muitos atos de coordenadores que não conseguiram coordenar com moderação, utilizando-se da boa medida, ou seja, respeitando os limites, a capacidade do outros. Este coordenador, que pode viver uma insatisfação geral, sobretudo uma frustração afetiva, pode traduzir-se na busca de uma compensação principalmente na comida e bebida. 

A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração. A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: “Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites” (Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada “moderação”, ou “sobriedade”. Devemos “viver com moderação, justiça e piedade no mundo presente” (Tt 2, 12).
Aceitar a própria medida é condição indispensável para aceitar o limite dos outros. O pior que pode acontecer com um coordenador é desrespeitar a sua própria medida. A medida certa é uma virtude importante para quem quer bem coordenar, pois é preciso não só reconhecer a sua própria medida bem como a medida dos catequistas que coordena, não se pode exigir demais dos catequistas. Mas o bom coordenador é aquele que estimula, encoraja para que descubram sua própria medida. 

Catequista coordenador, uma pergunta a você: Qual é o resultado do seu ministério de coordenador? Você paralisa os outros catequistas, ou os incentiva com seu trabalho? Você ajuda a proporcionar prazer no ministério da catequese? 

Pe. Eduardo Calandro
Pe. Jordélio Siles Ledo, css 

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