segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Concílio Vaticano II – Igreja e Catequese


1. A renovação da catequese. Em pleno 2012, 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, ainda estamos presos a uma catequese em função dos sacramentos da Eucaristia e da Confirmação. Está muito difícil para as famílias, as paróquias e os catequistas colocar a prioridade na evangelização, isto é, no encontro pessoal intransferível com Jesus Cristo, na conversão, no assumir a fé batismal e as conseqüências que dela decorrem.  O mais importante não é preparar para receber Sacramentos, o que não deixa de ser necessário, mas preparar as pessoas para a vida cristã, o seguimento de Jesus Cristo como discípulos missionários. Ora, sem esta prioridade das prioridades, a opção pessoal por Jesus Cristo e seu Evangelho, e sem o assumir para valer a vida cristã, Igreja e Sacramentos ficam profundamente prejudicados no processo catequético e na própria vida do fiel. 

2. Impulsos conciliares para a renovação da Catequese. Lúmen Gentium, e todo o desenvolvimento pós-concilar sobre Igreja, abriram novas perspectivas para a renovação do conceito e da prática da catequese. Em destaque os dois Diretórios Catequéticos: a) Diretório Catequético Geral (DCG) de 1971 e b) o Diretório Geral para a Catequese (DGC) de 1997. Mas também são importantes: a Exortação Apostólica pós-sinodal, de Paulo VI, Evangelii Nuntiandi (A evangelização no mundo contemporâneo), de 1975, e a Exortação Apostólica pós-sinodal, de João Paulo II, Catechesi Tradendae (A catequese hoje), de 1979 e o Catecismo da Igreja Católica (1992/1997). A estes se acrescentam, no caso do Brasil, os Documentos da CNBB Catequese Renovada, Orientações e Conteúdo (1983) e o Diretório Nacional de Catequese (DNC), de 2006, e o Estudo 97 Iniciação à Vida Cristã, de 2009. Todos são documentos obrigatórios para quem quiser falar de catequese pós-conciliar com algum conhecimento de causa.

3.  A eclesiologia na dinâmica da catequese. Não se compreende catequese sem as grandes linhas orientadoras da Lumen Gentium que exigem, na prática, a experiência de comunidade eclesial, com forte marca de comunhão e participação, a experiência de ser membro da comunidade de Jesus Cristo e do povo de Deus, de vivência da prioridade da Palavra de Deus na vida do cristão e da comunidade, e de um sentido profundo e envolvente de oração, celebração e liturgia.  Mas o processo catequético fica incompleto sem a atitude essencial do amor, do serviço e da abertura ao chamado de Deus para viver conforme sua santa vontade e sem a generosidade da resposta crescente a esta chamado, o que implica caminhar na santidade de vida. Nesta dinâmica situa-se a vida cristã como vocação e nela as diversas e complementares vocações no povo de Deus. E, evidentemente, Maria deve ser assumida na catequese, muito mais do que pelo devocionismo que nem sempre leva a Jesus, mas pela imitação de sua entrega plena e generosa à vontade de Deus, de seu apresentar-nos e levar-nos a Jesus e de fazer o que ele nos pede. Mas não há catequese autêntica sem uma compreensão verdadeira de Plano Salvífico e de Reino de Deus, Reino a ser construído no dia-a-dia desta vida e na ação transformadora no mundo, Reino que será realizado plenamente no vida eterna feliz, aspiração permanente e crescente de todo discípulo missionário de Jesus, em seu compromisso com a missão de evangelizar e salvar. 

Irmão Nery fsc – irnery@yahoo.com.br

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