quinta-feira, 25 de outubro de 2012

30º. Domingo do Tempo Comum - B


Deus é compaixão. O pequeno resto de Israel, descrito pelo profeta Jeremias, é constituído de cegos, aleijados, grávidas... É um povo sofrido, que entre lágrimas é acolhido por Deus com amor de Pai: “pois me tornei um Pai para Israel” (Jr 31,9). A compaixão (=sentir com, sofrer com) nasce da proximidade de Deus. Em Cristo Jesus, Deus se tornou um sacerdote compassivo, pois Ele mesmo é cercado de fraqueza. O rebaixamento de Deus, seu despojamento ao se encarnar, fez dele um entre nós, alguém que entende nossas dores, nossas fraquezas, não nos deixando sem auxílio (Hb 5,2). Deus ama os pequenos: quer dar luz aos cegos, transformar a dor do parto na alegria dos filhos. A condição de escravidão não é insensível aos olhos de nosso Senhor.

O Evangelho deste domingo nos traz um destes pequenos que são acolhidos no coração de Deus: Bartimeu, o cego. Trata-se de um mendigo, considerado pelos judeus como um portador de um castigo. Todos nós podemos nos colocar, de algum modo, na posição deste cego: trazemos nossas misérias, nossas cegueiras, nossa pobreza. Também esperamos um messias que passe na nossa estrada e nos cure. Há aqueles que são também pouco considerados na sociedade e na comunidade, afamados como pessoas sem solução e que não merecem a ajuda.

O cego Bartimeu é um homem ousado. Ao saber que Jesus está passando, não se importa com a multidão, com os preconceitos, com os esquemas humanos; sua atitude é o grito: “Jesus, filho de Davi, tende piedade de mim!” Muitos o repreenderam, mandaram-no se calar, mas ele gritou com mais força, repetindo a súplica. Quando o Nazareno viu a conturbação, quando percebeu a ousadia e a fé daquele homem, pediu que ele viesse até ele. Então, percebe-se uma atitude mais positiva da multidão: “Coragem, vai em frente, ele está lhe chamando!”

Bartimeu nos ensina que é preciso se colocar a caminho. É cômodo ficar à beira do caminho, preso nas misérias. É preciso sair, dar o passo, e colocar-se no caminho do Mestre, ir ao encontro dele, para depois caminhar com Ele.  Encontraremos sempre pessoas que nos ajudarão a ir ao encontro de Cristo e pessoas que tentarão nos atrapalhar. É preciso aprender a discernir entre as várias opiniões, valorizando quem nos ajuda a descobrir o melhor caminho. Certamente, será necessário contar com a solidariedade dos outros (os amigos, a comunidade), pois ninguém vai seguir o caminho sozinho; infelizmente, sempre haverá pessoas para trazer o desânimo com palavras de fatalismo – “fique quieto, pois não adianta!” É preciso escutar as vozes que dizem: “vai em frente que Ele está lhe esperando!”

“O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus”. Jogar o manto representa um corte radical com o passado, com a vida velha, com a anterior situação de mendicância e de vitimismo, com a existência velha, a fim de começar uma vida nova. O Senhor também nos chama a dar o passo (até mesmo um pulo) e deixar para trás as situações ou os sentimentos do nosso passado que nos atrapalham, que imobilizam a nossa vida. É preciso se reconciliar com o passado, não se prender a ele, olhar para frente e pedir que o Senhor nos cure.

Jesus certamente sabia o desejo do cego, mas fez questão fazer o questionamento. Fez a mesma pergunta que fizera a Tiago e a João no domingo passado. Porém, bem diferente da resposta dos apóstolos que apontou para desejos de privilégios do reino, Bartimeu não hesitou em desabafar sua real e autêntica necessidade, o que realmente se encaixa dentro da proposta do Evangelho e que certamente tocou o coração de Jesus: “Mestre, que eu veja!”. Nossa atitude também deve ser a mesma. Não podemos esperar que Deus nos transforme sem a nossa colaboração, sem a nossa abertura e nossa fé. A cura do cego é um sinal forte: significa não andar nas trevas, acolher a luz, deixar a cegueira de uma vida sem rumo, abraçar a vida de um Deus que nos ensina no caminho, mas antes de tudo, indica-nos o caminho a seguir. Hoje o Senhor nos abre os olhos, faz-nos enxergar ainda mais.

Que recuperemos nossa visão. Tiremos os ciscos e traves que atrapalham nossa vista e nos coloquemos como Bartimeu, a caminho. Ao longo da estrada muitas coisas nos esperam, situações tristes e alegres. Tenhamos a certeza de que o Senhor estará sempre conosco.

Pe Roberto Nentwig

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