quinta-feira, 11 de outubro de 2012

28º. Domingo do Tempo Comum – B


“A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes” (Hb 4, 12). Pela Palavra, Deus fez todas as coisas que existem. Sua Palavra tem eficácia, pois ela diz e faz. Assim são os sacramentos: as palavras produzem o efeito do seu significado. A mesma Palavra é também viva, pois nos traz a vida em plenitude. Somente a Palavra de Deus pode nos dar a verdadeira vida, a felicidade. Tal vida e eficácia dependem, no entanto, da abertura do coração. Se o ser humano se fecha na insensibilidade, não dá condições para que a Palavra penetre e transforme. Jesus mesmo se indignou mais com tal fechamento do que com a devassidão de Tiro e Sidonia (cf. Lc 10,13-14). O grande pecado desta geração é ficar indiferente diante de Deus, dos seus sinais e de sua Palavra: “Com quem vou comparar esta geração? É parecida com crianças sentadas nas praças, gritando umas para as outras: ‘Tocamos flauta para vós, e não dançastes. Entoamos cantos de luto e não chorastes!’” (Mt 11,16-17). Deus continua falando e agindo, e muitos continuam indiferentes, como se Ele não existisse...

A Palavra do Evangelho deste domingo é desconcertante. Trata-se de um convite radical para um total despojamento: vender tudo, deixar tudo. Claro que ao atualizar este Evangelho, partiremos do pressuposto de uma sociedade capitalista, na qual o dinheiro é indispensável. A vida, queiramos ou não, depende das relações financeiras. Contudo, um olhar rápido logo nos traz a pobreza de nossa sociedade: o dinheiro tem uma importância singular, manda nas relações, destrói amizades, cria espíritos obsecados e ávidos pelo acumulo e pelo poder.

Jesus não nos quer escravos do dinheiro. Quando acumulamos em demasia e colocamos nossa esperança no dinheiro, atestamos que Deus não é nossa segurança. A vida vai caminhando e, a cada dia, notamos o peso dos anos... A brevidade da vida nos coloca em cheque. Somos indagados continuamente sobre o sentido da existência e sobre a segurança de nossas vidas. Qual é a nossa escolha? Ou seguimos a vida valorizando mais a espiritualidade, o bem, as relações e as pessoas ou daremos mais valor ao dinheiro como uma tábua de salvação para a nossa vida que parece caminhar para o vazio. Ou juntamos verdadeiros tesouros, ou tesouros volúveis que não nos saciam como o esperado.

Jesus nos convida a viver o presente, importando-se com o hoje, conscientes de que o os bens passam e apodrecem: “Não acumuleis riquezas na terra onde roem a traça e o caruncho, onde os ladrões arrombam e roubam. Acumulai riquezas no céu, onde não roem traça nem caruncho, onde ladrões não arrombam nem roubam. Pois onde está tua riqueza, aí estará teu coração” (Mt 6, 19-21). Desfrutar do Reino hoje e na eternidade depende da nossa capacidade de despojamento. A santidade de vida, pressuposto para entrar no Reino, depende do desapego das relações e dos bens e no apego ao sumo bem, a verdadeira sabedoria ao qual se refere a primeira leitura.

Pe. Roberto Nentwig

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