sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Unidade nas primeiras comunidades


Quando preparamos celebrações ecumênicas, buscamos textos bíblicos que ajudem a refletir sobre o que se espera de uma comunidade de cristãos. São muitos os textos que inspirariam esse tipo de reflexão, começando, é claro, com o pedido de Jesus para que os seus discípulos fossem UM. Mas sempre me impressionam as perguntas: Por que o cristianismo cresceu? Por que aquelas pequenas comunidades, sem poder , sem organização ainda bem definida, se espalharam tanto? O que fazia alguém, naqueles primeiros tempos, querer ser cristão, apesar dos eventuais riscos que isso podia representar?

É claro que a mensagem do magnífico amor de Deus, demonstrado em Jesus, era o grande fundamento que sustentava as comunidades. Mas, lendo direitinho a Bíblia, vemos que  havia uma necessidade básica de fazer do próprio grupo cristão um sinal concreto e visível desse amor. Temos, por exemplo, quase no início de Atos dos Apóstolos, uma descrição do que fazia a comunidade atraente: “Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e possuíam tudo em comum (...) Perseverantes e bem unidos, freqüentavam diariamente o templo, partiam o pão pelas casas e tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração (...) E, cada dia, o senhor acrescentava a seu número mais pessoas que seriam salvas.  Cf At 2, 44-47  Dá para imaginar o clima de comunidades assim e a gente bem que gostaria de estar lá, no meio deles. 

Havia diferenças, é claro, mas a unidade cobria tudo e Paulo diz: “não há mais judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, pois todos vós sois um só em Cristo. (Gl 3,28) Ele não quer dizer que cada um perdeu sua identidade, mas quer acentuar que agora a diversidade não é elemento de separação, mas contribui para enriquecer a unidade.

E essa unidade fraterna é tão importante para o sucesso da pregação que ele não se cansa de recomendar: Completai a minha alegria, deixando-vos guiar pelos mesmos propósitos e pelo mesmo amor, em harmonia buscando a unidade. Fl 2,3  

Tudo isso era fundamental para a expansão do cristianismo. A comunidade tinha que ser um sinal de amor fraterno entre grupos bem diferentes. Hoje, nossos documentos ressaltam de novo que a comunidade é a grande catequista. É ela que confirma (ou não) o amor evangélico que anunciamos. Para os que já são cristãos, isso é um motivador da perseverança. Na verdade, entre os que abandonam uma comunidade de fé, muito poucos o fazem por divergência doutrinal. O motivo mais comum é o fato de alguém não se sentir bem na comunidade.

Para os que ainda não são cristãos, porém, o panorama é mais amplo: eles não vêem só esta ou aquela comunidade. Se vêem a Igreja dividida, com denominações que se agridem em competição, fica muito mais difícil crer naquilo que os cristãos anunciam. Se houver respeito e colaboração fraterna, todas as denominações envolvidas estarão mostrando a força de um amor maior e serão mais convincentes na sua pregação.  Esse seria um grande motivo para a catequese educar para uma espiritualidade ecumênica. Afinal, o ecumenismo sincero e bem vivido é uma proclamação da prioridade do amor a Jesus, o grande sinal que queremos comunicar ao mundo.
 
Therezinha Cruz

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