sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Unidade na diversidade da Igreja


O apóstolo Paulo teve que lidar com as questões básicas da Igreja nascente, guiando as comunidades a partir da interpretação das orientações deixadas por Jesus. Ele precisou resolver problemas que ainda não existiam durante o curto tempo de pregação de Jesus. Tinha que detectar onde estavam as ameaças para o crescimento e o poder de persuasão das comunidades cristãs. Fez isso tão bem que conseguiu que do grupo de judeus seguidores do judeu Jesus viesse a se estruturar uma religião que se espalhou pelo mundo inteiro.

Uma das coisas que Paulo percebeu muito bem foi a necessidade da unidade na diversidade. Ele lidava com pessoas de origens, culturas, tendências e talentos diversos. Viajava de uma comunidade para outra e percebia que cada uma precisava ser atendida a partir de necessidades diferentes. Mas percebia também como era importante que todos se sentissem unidos por algo maior. 

 Paulo expressou magnificamente em 1 Cor 12, 12-27 como deveria funcionar o conjunto da Igreja. Foi aí que ele usou a imagem do corpo, que tem (e precisa ter) membros diferentes para funcionar direito. E dá exemplos bem concretos: Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? (...) O olho não pode dizer à mão: não preciso de ti. Nem a cabeça pode dizer aos pés:não preciso de vós.”  A catequese poderia trabalhar bem essa idéia, até dramatizando as possíveis conversas entre as partes do corpo, para mostrar que é bom ter órgãos com funções e capacidades diferentes. Mas é preciso que essas partes diversas tenham também uma unidade. Se um pé decidir que vai ao parque e outro insistir em ir para a escola, o corpo acaba não indo a parte alguma.

Essa reflexão estaria dirigida em primeiro lugar para a nossa própria pastoral de conjunto. Mas ela constrói um tipo especial de espiritualidade, que nos leva a valorizar o outro, não somente pelas afinidades que tivermos com ele, mas também pelas diferenças que vão poder ser complementares. Na verdade, uma comunidade de clones, todos iguaizinhos, além de ser monótona, seria muito pouco produtiva. Também uma comunidade de gente com talentos bem diferentes que vivesse em competição, cada um achando que só ele está certo e tem valor, seria um lugar de convívio insuportável e não seria capaz de atrair os de fora. No entanto, uma comunidade de gente amiga e colaboradora, que saiba aproveitar com alegria os diferentes talentos e estilos de cada um num trabalho com objetivos comuns, seria produtiva e despertaria em outros o desejo de participar. A catequese poderia montar dramatizações que evidenciassem esses três tipos de comunidade, levando os catequizandos a uma boa reflexão que mostraria também a importância da unidade na diversidade em outros campos da ação humana.

Essa idéia está na base da espiritualidade ecumênica. Ecumenismo é uma espiritualidade, antes mesmo de ser uma estratégia, uma prática, um conjunto de ações. Antes mesmo de propor um diálogo com irmãos de outras Igrejas, temos que contemplar o valor da diversidade que, inspirada pela unidade, promove uma cooperação mais construtiva.

Therezinha Cruz

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